Jamais na vida
DS Bauden
 
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Tradução de Fernanda
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Abaixei a  cabeça no instante, que comecei  assimilar o que acabava de fazer. Notei que seus dedos me levantavam o queixo até que me encontrei cara a cara com esses preciosos olhos azuis que não demorariam em perseguir-me a todas horas.
 
-Me chamo Charlie -ela estava do lado da minha bagagem-. Mas pode chamar-me de comandante, colocando o boné de piloto na cabeça.
 
-você vai pilotar meu avião até Houston? -exclamei.
 
Sim.
 
-Parece que vou voltar a ser tua piloto. Posso-te assegurar que este vôo não vai  ser  muito divertido, mas posso compensar-te quando aterrizemos no Texas -me jogou seu sorriso zombador e sexy e me começou a ferver o sangue ao compreender o que queria dizer.
 
- me acerquei e a beijei ligeiramente os lábios.
 
Ela olhou os rostos assombrados que nos rodeavam.
 
-Oh, como vou me divertir contigo -resmungou, dando-me uma palmadinha no traseiro. Devolveu-me o beijo e correu ...
 
Fiquei olhando quando corria até a porta para embarcar no avião com os assistentes de vôo. Captou meu olhar e me piscou o olho no momento em que passava pela porta.
 
Deus, em que me meti?
 
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Tinha passado mais de um ano e seguia sem saber nada de Charlie. Quando meu vôo aterrizou  em Houston não a encontrei mais já tinha se passados tantos meses, não tive maneira de encontrá-la por nenhuma parte.
 
Depois daquele encontro sexual num banheiro público do aeroporto, não tinha voltado a transar com ninguém. Sim, tinha tido oportunidades, mas não conseguia animar-me. Charlie me tinha deixado muito mal, emocional e sexualmente.
 
¡Maldita seja!
 
Tinha tido discussões internas com ela mais de cem vezes. Quase diariamente tentava imaginar o que lhe diria se  voltássemos a nos encontrar cara a cara. A coisa já era ridícula: sabia e todos os que me rodeavam o sabiam. Ainda que nunca mencionava à pessoa que me tinha rompido o coração, a gente dava por certo que tinha sofrido uma mal relacionamento. Como podia dizer-lhes que para ter uma ruptura primeiro precisa  ter uma relação?
 
Os amigos que se preocupavam comigo me chamavam para jantar ou me convidavam para que conhecesse gente nova. Nada podia comparar-se  meu encontro com Charlie.
 
Charlie.
 
¡Maldita seja!
 
Hoje era o Dia dos Namorados um dia para os amantes. Jessica, outra mulher lésbica do trabalho, ia fazer uma festa para todas que estava "solteiras". Disse:
 
-Venha Terri, todas estamos no mesmo barco. Vamos para minha casa, vai ser bom e esquece-te de teus problemas.
 
Mencionei quanto detestava o Dia dos Namorados? Eu só queria ficar em casa e dormir até que começasse um novo dia, mas estava, a caminho da casa de Jessica para celebrar que estava solteira.
 
Ao estacionar  reconheci alguns carros do estacionamento do trabalho.
 
- parece que vou ter muita gente com  quem beber esta noite para esquecer minhas penas, eh? -disse em voz alta, tirando as chaves do contato.
 
Saí do carro e subi devagar  até a porta principal, onde apertei a campainha. Estava-me mordendo a bochecha por dentro e me assustei quando Jessica, meio bêbada, abriu bruscamente a porta.
 
-Hei, garota! Você veio! Entra! -Jessica cambaleou e me puxou para dentro da  casa.
 
-Oi, Jess.como está?  -disse com um sorriso zombador.
 
-¡ estou ótima! Entra, vou pegar uma bebida pra você-disse, agarrando-me o braço e levando-me a sala de estar.
 
Quase todas suas amigas estavam sentadas no sofá e algumas cadeiras espalhadas pela sala. Algumas estavam ao redor da mesa da cozinha, entregadas a uma espécie de jogo com bebida. De repente, senti-me como se estivesse de novo na universidade jogando isto. E perdendo. Esse jogo nunca  me dei bem. Assombra-me que conseguisse aprender algo na universidade.
 
Ao notar uma mão no ombro, voltei-me e vi  um par de mulheres do trabalho, Jamie e Wendy.
 
-Oi, garotas. Como estão? -perguntei com meu tom mais alegre e decidido.
 
-Estupendamente, Ter. Como está  esta noite? -perguntou Jamie, bebendo um gole de seu copo.
 
-Muito bem. Que está bebendo-perguntei, olhando seu copo de plástico.
 
-Suco da selva -replicou alegremente.
 
Sim, a universidade de novo. Agora não me cabia a menor dúvida.
 
-Quem fez. só pode ser a Jess? -perguntei rindo.
 
-Não, uma de suas amigas. Não é linda? -perguntou Wendy, assinalando as costas de uma mulher que quase fez meu coração parar.
 
Engulindo com grande dificuldade e com os olhos desorbitados, esperei  que a mulher de cabelo escuro se virasse. Ao ouvir que alguém a chamava, Tina se virou e sorriu. Não era ela... Não era ela. Graças a Deus.
 
-Terri? Te passa algo? Parece que viu  um fantasma -perguntou Wendy amavelmente.
 
Respirando fundo várias vezes para acalmar-me o coração , mexi a cabeça e respondi:
 
-Sim, sinto. É que se parece com alguém que faz tempo que não vejo e  levei um susto.
 
-Uma antiga namorada? -perguntou.
 
-Algo assim -respondi com mais aspereza do que pretendia.
 
Se um encontro sexual num banheiro público do aeroporto não se pode considerar seruma antiga namorada.
 
-Sinto ouvir isso, Terri. Já sabe, se te serve de consolo... é ela que deveria se lamentar. És um partidaço -disse, piscando-me o olho, e se afastou seguida de Jamie.
 
Sentindo-me  melhor, virei e vi  que Jessica vinha para ao meu encontro com uma copo na mão.
 
-Toma, minha querida, bebe isto. curará todos seus males... e mais -disse, rindo de sua própria brincadeira.
 
Ao cheirar o líquido que tinha no copo, sorri reconhecendo o conteúdo: era a minha bebida preferida. Bebi um bom trago e senti que me esquentava as entranhas estupendamente.
 
-Mm... obrigada, Jess.
 
-De nada. vamos jogar "Jamais na vida". Deverias jogar. Se queres dar um pum, é a oportunidade perfeita.
 
-Jamais na vida? -perguntei, pois não recordava desse jogo.
 
-Sim, é  quando alguém diz, "Jamais na vida eu fiz sexo num carro". E então todos os que  fizeram sexo num carro bebem um trago.  Vai ser divertidíssimo, venha!
 
Rindo ao ver o entusiasmo de minha amiga,  aceitei jogar mais tarde.
 
-Diga-me quando quiser.
 
-Está certo-disse e regressou à cozinha para pegar outro copo.
 
Ao final de uma hora e várias vodkas com suco , sentei-me pesadamente no sofá. Observava à gente ir e vir, bati um papo com algumas bêbadas, mas realmente estava  bem. Jessica me apresentou  uma mulher que se chamava Becky e que estou segura de que tinha bebido uma caixa de cervejas inteira . Estava dormindo como um tronco a meu lado, babando alegremente entre ronquito e ronquito. De vez em quando, soltava um soluço . Isto me fez achar graça e chamei  outras pessoas pára que viessem vê-la. Nestes momentos, não tinha que se esforçar muito para manter-me entretida.
 
Procurei a Jessica e a vi falando animadamente com uma mulher que eu não conhecia. Fazendo um esforço para levantar-me, afastei-me de minha roncante parceira de sofá e me aproximei de minha amiga.
 
-Eh, Jess. Quando vai começar o jogo?
 
-¡Eh! Pois vamos começar já. Estava esperando  que chegasse uma amiga minha, mas parece que não vai vir. venha, pega uma cadeira e senta.
 
Fiz o que disse e me sentei a seu lado. Vi que outras mulheres enchiam seus copos antes de sentar-se ao redor da mesa.
 
-Vai, Jess, é sua casa. Começa você-propôs uma pequena ruiva.
 
-Bem. Mm... tá, já  tenho a pergunta. Jamas na vida me chuparam os dedos dos pés -disse e bebeu um trago, indicando que sim  o tinham feito.
 
A maioria da mesa bebeu um trago, o qual provocou risos gerais. A seguinte era eu. Não tinha nem idéia de que dizer.O que eu fiz que ninguém mais tivesse feito?
 
-espera deixa eu pensar por um momento... mm... -já estava ficando nervosa e por fim recordei um episódio de minha juventude-. Jamais na vida pratiquei  sexo num parque em cima de uma mesa de merenda.
 
Ao ver os olhares desorbitadas de algumas,comecei a rir e bebi alegremente um trago de meu copo. Só eu bebi.
 
-Ooh, ninguém mais? ¡Caramba, sou uma lenda! -disse rindo e agitando o punho no ar.
 
-Só se for em sonhos. Segue, Wendy, que ao passo que vamos não vai caber a cabeça na sala -caçoou Jessica.
 
-Está com ciúmes -lhe sussurrei, ganhandoum ligeiro beliscão na coxa.
 
Depois de passar um momento fazendo alardes e bebendo com minhas novas amigas, olhei a meu redor e me dei conta de que éramos as únicas que ficamos na casa de Jessica. Suponho que as demais já tinham aproveitado a  festa por aquela noite. Ainda que só fosse isso, Jessica tinha razão: estava me divertindo e não estava pensando em formas de estrangular a Charlie. O mero fato de estar bem e com gente conhecida e gente nova estava me sentindo maravilhosa.
 
Ao olhar o relógio, vi que eram cerca de onze horas. Faltavam uma hora para eu sobreviver a outro Dia dos namorados. Por mim, que terminasse o mais logo possível. Uma cotovelada me trouxe de volta ao jogo.
 
-Obrigada, Jess -murmurei, tratando de secar a bebida que acabou de cair na minha  calça. Devia  estar  bebada mesmo, normalmente  teria tido um ataque depois  que alguém me manchasse a roupa.
 
 
-Sua vez, carinho -disse Jess com certa dificuldade.
 
-Ta bom, algumas já dissestes coisas que poderia dizer , assim pensei e disse-. Mmm... muito bem, senhoras, -disse, jogando um olhar  aos olhos interrogantes que me olhavam-. Jamais na vida...
 
-Pratiquei   sexo num  banheiro publico de um aeroporto -terminou a voz atrás de mim, cortando-me a respiração. Só tinha uma mulher que tinha essa voz.
 
E estava atrás de mim.
 
Todos os olhares estavam posados em mim enquanto eu lutava valentemente para controlar minhas emoções. Não se ouvia nem uma mosca no silêncio absoluto que reinava na sala.Antes de dar-me conta do que estava passando, a raiva acabou com toda minha capacidade de raciocínio. Levantei-me, voltei-me e me enfrentei ao demônio que tinha torturado meus sonhos durante tantos meses. Com um rápido movimento , atirei-lhe o resto do copo na cara.
 
-Acho que esse gole você deva beber -disse entre os dentes e cruzei a cozinha e me dirigi a primeira porta que encontrei.
 
-¡Terri, espera! -exclamou Charlie, que correu atrás de mim e aprisionou meu corpo contra a porta com o seu.
 
-Que demônios fazes aqui, Charlie? -disse .
 
-Jessica é  minha amiga. Disse-me que ia estar aqui -sussurrou, roçando-me a orelha com seus lábios úmidos e provocando-me todo tipo de descargas pelo corpo.
 
¡Maldita seja!
 
-Se afaste de mim, quero ir! -disse, tentando se afastar dela em vão-. De onde a conhece?
 
-Estudamos juntas no mesmo colégio. Quando vi as etiquetas de tua bagagem, soube que trabalhava para a mesma empresa. Perguntei-lhe se te conhecia e me disse que sim. Não  disse nada do nosso.
 
Bufei com desprezo diante disso.
 
-O nosso? Nunca teve nada parecido com "o nosso", Charlie. Você se assegurou disso ao deixar-me plantada em Houston.
 
Seu corpo se afastou de mim e me virei entre seus braços, colando as costas na porta. Ao olhar  esses preciosos olhos, pareceu-me ver uma expressão de tristeza neles. Quanto me propus a possibilidade, desapareceu. Pôs-se a secar o resto da bebida da cara.
 
-Sinto por Houston.
 
-Sim, eu também -repliquei sarcasticamente-. Agora afastesse de mim!
 
Isto não estava saindo como nas  fantasias que eu tinha imaginado.
 
¡Maldita seja!
 
Quando tentava encontrar o trinco da porta, pôs sua mão sobre a minha.
 
-Mas não sinto pelo o que aconteceu naquele quarto, Terri. Em absoluto.
 
-Acredito que não! -. Não pode ser  desagradável mesmo trepar com uma desconhecida num banheiro público? Acho que teus amigos pilotos desfrutaram muito  ao ouví-a. Alegro-me de ter podido levantar-te o ego entre teus colegas -minhas emoções estavam raiando ao pranto.
 
Não! Não ia chorar.
 
Ao notar que  ficou paralisada com esse último comentário, querei acabar com ela.
 
-Não se preocupe, Charlie. Não foi mais do que uma transa. Decente, isso sim. É que não me agrada que me façam de tonta -disse com má intenção.
 
-Não quis te magoar, Terri... -se calou e soltou um longo suspiro-. Podemos conversar em outro lugar?
 
Ao olhar para o salão, dei-me conta de que tínhamos um público. No momento em que me fixei nas cabeças , foram desaparecendo uma a uma com ar culpado.
 
-Jess? -chamei a minha amiga.
 
Voltou a responder com a cabeça.
 
-Sim?
 
-Se importa que vamos no seu quarto para conversar? -perguntei, sem saber muito bem por que lhe estava dando esta oportunidade.
 
-Podem ir,  subam é o segundo quarto da esquerda, que é de convidados. Teram  mais  privacidade -disse generosamente.
 
-Obrigada, Jess -disse Charlie e começou a subir as escadas.
 
-Não há problema, amiga -Jessica voltou a ficar com  suas convidadas.
 
 
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Encontrar o quarto de convidados foi fácil. Ficar ali e escutar a Charlie ia ser um pouco mais difícil. Quando entrei no quarto, encontrei-a sentada na borda da cama brincando com as fibras do edredon que tinha em cima da cama.
 
Fechei a porta e fiquei de pé diante dela, sem querer ficar muito perto.
 
-Fala, Charlie, espero que tenhas o que dizer. Não quero passar a noite toda aqui-disse com impaciência.
 
Charlie me olhou e respirou fundo antes de começar.
 
-Terri, não quis te magoar.
 
-Você já disse isso-a interrompi. Levantei as mãos para desculpar-me e lhe fiz um gesto para que continuasse.
 
-Ficar com vc foi muito excitante. Quando me perguntou se já tinha feito isso com alguém, respondi-te sinceramente que não. Disse-te que costumava verificar todas medidas de segurança pessoalmente antes de voar e era verdadeiro. Nunca  tinha ficado com ninguém no aeroporto enquanto esperava para voar. Você tinha algo que me chamou a atenção e não podia tirar os olhos de cima de ti. Deu-me uma adrenalina que não pudia me controlar. Me dei conta que estava nervosa pelo vôo e depois uma coisa levou à outra... e... bom, já conhece o resto.
 
-Sim, Charlie, já conheço o resto, estava ali, se não se lembra? Mas o que não sei é o que passou depois de aterrizar. Por que não veio falar comigo? Por que agora está aqui e onde esteve todos estes meses?
 
Dei-me conta de que lhe enchia a cabeça com tantas perguntas, mas que droga, parecia-me que tinha direito de saber por que  tinha feito isto comigo. Esperar com paciência não era uma de minhas virtudes. No momento em que tinha decidido começar outra leva de perguntas, levantou a cabeça e me olhou com olhos assustados.
 
-Tinha medo, Terri.
 
Notei que minha cara refletia claramente minha surpresa.
 
-Tinha medo -disse, mais como afirmação que como uma pergunta.
 
-Sim, . Tive medo do que tinha sentido ao estar contigo.  estar com uma desconhecida deveria dar uma sensação... bom, estranha! Mas não foi assim. Sentia-me bem contigo, como se fôssemos amigas a vida toda. O que sentimos ao fizermos amor no banheiro... pois... as vezes não se tem essa quimica com a pessoa que vivemos a anos. Mas aí estava eu, contigo como se já conhecesse cada centímetro de teu corpo e como ia responder. É sério, estava com medo!
 
Desconcertada com  sua brutal sinceridade, sentei-me no pé da cama e  voltei  olhá-la.
 
-Não é brincadeira, é verdade?
 
Olhou-me nos  olhos e soube que  dizia era sério.
 
-Caramba-foi o único que consegui dizer.
 
Ficamos assim um momento,  inseguras. Estivemos olhando-nos até que alguém chamou à porta. Quando respondi verbalmente, Jessica disse:
 
-Estão bem? -perguntou, com cara de preocupação.
 
-Sim, estamos bem. É que tínhamos que falar de umas coisas -respondeu Charlie pelas duas.
 
-bom, já se foi todo mundo e eu vou ficar acordada um pouco mais. Se quiserem podem passar a noite, nos ofereceu.
 
-Obrigada, Jess. Te agradeço, respondi .
 
-Não é nada. Se decidirem ir embora, não se preocupem com a porta,  ela fecha automaticamente quando se fecha ao sair.
 
-Tá, obrigada outra vez -disse Charlie.
 
-Boa noite -disse Jessica e nos piscou um olho.
 
-Boa noite, Jess -respondemos ao mesmo tempo.
 
-Terri -disse Charlie, ao mesmo tempo em que eu dizia:
 
-Charlie.
 
Sorrindo pela coincidência espontânea, Charlie me olhou.
 
-Você primeiro.
 
-Compreendo que tivesses medo, mas não tem nem idéia de quanto fiquei mau este ano. Nunca tinha feito uma coisa assim com ninguém. Em toda minha vida só tinha  estado com umas poucas pessoas. Por alguma razão desconhecida, queria fazer sexo contigo, ainda que não nos conhecêssemos. Quando terminamos e disseste que queria ver-me outra vez, a timidez que sentia desapareceu. No entanto, quando aterrizamos, recuperei-a . Não te encontrei por nenhuma parte. Não fiquei  com ninguém desde então, Charlie. Levo tanto tempo amaldiçoando você que acabou fazendo parte de minha rotina diária.
 
Isto a fez rir suavemente, fazendo que em minha própria boca se desenhasse um sorriso.
 
-Isso também  dizia minha mãe -disse com um amplo sorriso.
 
-Tua mãe não tem estado com ninguém desde então? -disse, para ver se a  fazia rir Assim foi.
 
Rindo, respondeu:
 
-¡Não! Referia que ela dizia que eu te amaldisoava muito.
 
-Já sei, dizia- em brincadeira.
 
-Eu sei , olhando-me profundamente nos olhos. Senti que  me encolhiam os dedos dos pés como reação. Se inclinou um pouco mais a mim e me tocou a mão que tinha apoiada na cama-. Não ficou com ninguém desde que ficou comigo? -perguntou suavemente-. Por que não?
 
-Porque, dona Charlie a piloto, me fez perder o interesse ! Me levou ao céu. Sabia que nunca voltaria a sentir isso com ninguém mais -deixei cair a cabeça até peito e seus dedos me levantaram o queixo com um gesto muito familiar.
 
-Sinto muitíssimo não te ter chamado. Jessica me disse que ia fazer uma festa para tentar animar a sua amiga Terri, que estava mal desde uma viagem de negócios que fez ao Texas o ano passado.Perguntei-lhe se  podia vir e aqui estou.
 
-Vieste por mim? -perguntei, consciente do friozinho que sentia na barriga.
 
-Sim -sussurrou-. Como tu, não pude pensar em nada nem em ninguém mais. Quando consegui dominar o medo, quis... não, precisava encontrar-te. Como me alegro de ter conseguido.
 
 sua mão suave guiou minha boca até seus lábios que me resultavam muito familiares e no entanto quase esquecidos. Nossos lábios se tocaram com muita insegurança. Seus lábios eram tão suaves como recordava e me entreguei a ele.
 
Ao ouvir o suave gemido que saiu da garganta de Charlie, deu-me um frio no estômago.  e colei meus lábios aos dela com afã possessivo. Mordisquei o lábio inferior, acariciei-lhe a boca com a língua, pedindo posso. Não tive que esperar muito para obter resposta. Nossas línguas se encontraram bruscamente com carícias profundas. Eu ouvia meus próprios gemidos, que saíam do mais fundo de meu ser. Até me esqueci que estava brava com ela. A única coisa que sentia era felicidade.
 
Ao tirar-lhe a jaqueta de lã dos ombros, Charlie captou minha indireta e começou a tirar a roupa  rapidamente. Ficou de sutiã e calcinha, acercou-se a mim como uma pantera ao espreito. eu também comecei a tirar a roupa. De pé, tire a calça, as meias e a malha enquanto Charlie tirava  os cobertores da cama.
 
Charlie se acercou a mim e me acariciou suavemente as bochechas.
 
-Te prometo que desta vez não fugirei.
 
-Espero que não ... se quiser ficar viva -disse em brincadeira.
 
Abraçou-me e pela primeira vez senti sua pele contra a minha. Até esse instante não tinha me dado conta de que ainda não a tinha tocado. Ela fez o que quis comigo no baneiro enquanto eu me agarrava como podia. Não tinha tido a oportunidade de devolver-lhe o prazer.
 
Até agora.
 
Rodeando-nos com os braços, soltamo-nos o sutiã  uma da outra e os tiramos de nossos corpos, deixando que caíssem no solo de qualquer maneira. Os olhos de Charlie  passearam por minha figura seminua.
 
-Deus, que linda você é, Terri.
 
-Obrigada -contestei com timidez.
 
-Não, obrigada vc -disse suavemente.
 
Percorrendo seu longo corpo com os olhos, coloquei os dedos no elastico de sua calcinha e a olhei interrogante. Assentiu e baixei por seus quadris e suas coxas. Cheirei sua excitação e isso me excitou muitíssimo. Quando tirei  sua calcinha, notei suas mãos nas minhas. Sorri-lhe timidamente e fiquei olhando enquanto  tirava a minha. Ao levá-la para a cama, fez-me um gesto para que eu deitasse primeiro.
 
Deitei antes que ela. Nossos corpos voltaram a juntar-se, desta vez livres de impedimentos. Charlie ficou em cima de mim com os braços a cada lado de minha cabeça, olhando-me toda. Sua boca se acercou à minha até que senti seu alento que se misturava com o meu. A expectação de beijar-nos me deixou sem respiração. Sua boca era como um fogo e me acendia com cada carícia de sua língua.
 
-Você é tão delicada -sussurrou entre beijo e beijo.
 
-Mmm -foi minha coerente resposta.
 
O corpo de Charlie encaixava perfeitamente com o meu. Jamais na vida tinha sentido nada assim. Salvo isto. Ao vira-la, surpreendi-a com minha força. Olhou-me maravillada e depois abriu os braços, cedendo-me o comando de nossa união. Tomei as rédeas e me pus a beijá-la o pescoço e depois baixei para seu peito. Provar o suor de Charlie era como provar ambrosía. Os suaves gemidos que emitia eram a incitação que precisava para continuar seriamente com minha exploração.
 
Seguindo meu próprio impulso, rodeei seu mamilo direito com os lábios e o meti ligeiramente na boca. Moveu-se ondulante como uma serpente e gemeu sensualmente, ao mesmo tempo em que sua mão me agarrava o cabelo, colando mais minha cabeça a seu corpo. Gemi como resposta e chupei o mamilo com mais força, mordendo-o ligeiramente com o movimento ascendente. Sua mão me acariciava a cabeça, instando-me a seguir. Repeti o que tinha feito com o outro mamilo e a resposta de minha piloto foi ainda mais intensa.
 
Minha piloto, agradava-me a chamar assim.
 
Ao baixar beijando-a rumo a sua barriga, notei os pequenos tremores que a estremeciam por dentro. Me chamou a atenção, e olhei para ela..
 
-Está bem? -perguntei, para assegurar-me de que o que fazia era o que ela desejava.
 
-Muito bem -contestou com voz rouca.
 
Ficou olhando enquanto eu descia por seu abdomem e olhei seus pelinhos escuros que lhe cobria o sexo. Coloquei-me mais abaixo e   pus uma de suas pernas em cima do meu ombro, deixando-a apoiada , e  voltei a olha-la.
 
 antes de saboreá-la pela primeira vez. Nada se comparava com a intensa emoção que senti ao tomá-la desta forma. Minha língua se movia por sua própria conta. Ao beber sua essência, meu corpo ansiava o contato. Minha pelvis se movia sobre a cama, tratando de aliviar parte da pressão que  tinha formado entre minhas coxas. Peguei seu clítoris entre meus lábios e o chupei suavemente, notando que seus quadris se levantavam cada vez mais da cama.
 
-Aaaah -gemeu.
 
Minha língua lambia sua umidade tão depressa como podia, mas cada vez produzia mais pelo iminente orgasmo. Substituí a língua pelo polegar e segui acariciando-lhe o clítoris. Ao notar os estremeciemientos de seu corpo, penetrei-a com a língua tudo o que pude. Notei que seus dedos se enredavam em meu cabelo, suplicando-me a culminação.
 
-Terri, por favor... -ouvi que dizia suavemente.
 
Saquei a língua de seu cálido lar e a usei de novo para acariciá-la com firmeza. Quando alcei os olhos para encontrar-me com os seus, atravessou-a a primeira onda do orgasmo. Ver seu prazer foi o mais maravilhoso que presenciei em minha vida e meus quadris se moveram com mais força sobre o colchão, fazendo brotar meu próprio orgasmo. Gemendo sobre ela ao estourar, notei que se estremecia em minha cara, provocando-me ainda mais prazer. Com uma última investida contra meu rosto, ouvi-a gemer e voltou a cair na cama. Tirei sua coxa de meu ombro e fui subindo devagar por seu corpo.
 
Quando olhei seu rosto suava, abriu os olhos e os fincou em meus lábios. Sabendo o que me pedia, baixei os lábios até juntá-los com os seus. Sua língua  explorou o interior de minha boca, arrebatando-me sua essência. Afastei me rapidamente e lhe sorri.
 
-Não estarás tentando recuperar todo o teu? Porque me encanta ter seu sabor na minha língua.
 
-Não, agrada-me nosso sabor combinado -disse, tratando de recuperar o alento-. Foi incrível, Terri.
 
-Sim, foi- eu senti
 
Deitou a minha cabeça  sobre seu peito, entre o pescoço e o ombro. Rodeou-me com os braços e notei que seus dedos me acariciavam as costas ligeiramente. O único que se ouvia era a mistura de nossa respiração e a rapida batida de nossos corações que tentavam acalmar-se depois da acometida de emoção que tinham experimentado.
 
Ficamos em silêncio um longo momento. Minha cabeça dava voltas estava segura de que ela sentia o mesmo.
 
-Charlie? -disse, interrompendo o silêncio.
 
-Mmm?
 
-Que fazemos a partir deste momento? -perguntei, pois precisava saber se tínhamos um futuro e que isto não ia ser uma repetição da vez anterior.
 
-Bom, dizer que começamos de novo seria uma tolice, tendo em conta nossa história. Mas me encantaria ficarmos juntas, Terri. Isto é, se tu quiser disse Charlie, que parecia muito insegura de si mesma.
 
Ao olhar o despertador que tinha na mesinha vi que faltavam dois minutos para a meia-noite. Sorrindo de novo para a mulher maravilhosa que tinha embaixo de si, disse:
 
-Já que salvaste meu Dia dos Namorados, o que posso fazer é deixar  que me convides para jantar em algum lugar.
 
Rindo ao ouvir meu tom , contestou:
 
- jantar em algum lugar, eh? Por que vamos sair se podemos comer em casa? -perguntou Charlie,  e capturando meus lábios.
 
Quando me liberei, tentei contestar, mas não  me ocorreu nada.
 
-Tem razão -disse, aceitando a derrota .
 
-Há outro aspecto de voar que me agradaria ensinar-te -disse, enarcando uma sobrancelha.
 
-Ah, sim? E qual é? -perguntei, sem saber  onde queria ir parar.
 
-A diferença entre voar na classe economica e voar na primeira classe - e passou a demonstrar-me, com grande detalhe, a melhora dos serviços que se obtém quando se paga um preço maior.
 
Meu preço foi o ano passado, mas agora estava recebendo a melhor recompensa  que  poderia ter imaginado.
 
Ah, sim, primeira classe.. é muito melhor de voar.
 
Fim
 

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