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Jamais na vida
DS Bauden
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Tradução
de Fernanda
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- Abaixei a cabeça no instante,
que comecei assimilar o que acabava de fazer. Notei que seus dedos
me levantavam o queixo até que me encontrei cara a cara com esses
preciosos olhos azuis que não demorariam em perseguir-me a todas
horas.
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- -Me chamo Charlie -ela estava do lado da
minha bagagem-. Mas pode chamar-me de comandante, colocando o boné
de piloto na cabeça.
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- -você vai pilotar meu avião
até Houston? -exclamei.
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- Sim.
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- -Parece que vou voltar a ser tua piloto.
Posso-te assegurar que este vôo não vai ser muito
divertido, mas posso compensar-te quando aterrizemos no Texas -me jogou
seu sorriso zombador e sexy e me começou a ferver o sangue ao compreender
o que queria dizer.
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- - me acerquei e a beijei ligeiramente os
lábios.
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- Ela olhou os rostos assombrados que nos
rodeavam.
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- -Oh, como vou me divertir contigo -resmungou,
dando-me uma palmadinha no traseiro. Devolveu-me o beijo e correu ...
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- Fiquei olhando quando corria até
a porta para embarcar no avião com os assistentes de vôo. Captou
meu olhar e me piscou o olho no momento em que passava pela porta.
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- Deus, em que me meti?
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- Tinha passado mais de um ano e seguia sem
saber nada de Charlie. Quando meu vôo aterrizou em Houston não
a encontrei mais já tinha se passados tantos meses, não
tive maneira de encontrá-la por nenhuma parte.
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- Depois daquele encontro sexual num banheiro
público do aeroporto, não tinha voltado a transar com ninguém.
Sim, tinha tido oportunidades, mas não conseguia animar-me. Charlie
me tinha deixado muito mal, emocional e sexualmente.
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- ¡Maldita seja!
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- Tinha tido discussões internas com
ela mais de cem vezes. Quase diariamente tentava imaginar o que lhe diria
se voltássemos a nos encontrar cara a cara. A coisa já
era ridícula: sabia e todos os que me rodeavam o sabiam. Ainda que
nunca mencionava à pessoa que me tinha rompido o coração,
a gente dava por certo que tinha sofrido uma mal relacionamento. Como podia
dizer-lhes que para ter uma ruptura primeiro precisa ter uma relação?
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- Os amigos que se preocupavam comigo me chamavam
para jantar ou me convidavam para que conhecesse gente nova. Nada podia
comparar-se meu encontro com Charlie.
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- Charlie.
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- ¡Maldita seja!
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- Hoje era o Dia dos Namorados um dia para
os amantes. Jessica, outra mulher lésbica do trabalho, ia fazer uma
festa para todas que estava "solteiras". Disse:
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- -Venha Terri, todas estamos no mesmo barco.
Vamos para minha casa, vai ser bom e esquece-te de teus problemas.
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- Mencionei quanto detestava o Dia dos Namorados?
Eu só queria ficar em casa e dormir até que começasse
um novo dia, mas estava, a caminho da casa de Jessica para celebrar que
estava solteira.
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- Ao estacionar reconheci alguns carros
do estacionamento do trabalho.
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- - parece que vou ter muita gente com quem
beber esta noite para esquecer minhas penas, eh? -disse em voz alta, tirando
as chaves do contato.
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- Saí do carro e subi devagar até
a porta principal, onde apertei a campainha. Estava-me mordendo a bochecha
por dentro e me assustei quando Jessica, meio bêbada, abriu bruscamente
a porta.
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- -Hei, garota! Você veio! Entra! -Jessica
cambaleou e me puxou para dentro da casa.
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- -Oi, Jess.como está? -disse
com um sorriso zombador.
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- -¡ estou ótima! Entra, vou
pegar uma bebida pra você-disse, agarrando-me o braço e levando-me
a sala de estar.
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- Quase todas suas amigas estavam sentadas
no sofá e algumas cadeiras espalhadas pela sala. Algumas estavam
ao redor da mesa da cozinha, entregadas a uma espécie de jogo com
bebida. De repente, senti-me como se estivesse de novo na universidade jogando
isto. E perdendo. Esse jogo nunca me dei bem. Assombra-me que conseguisse
aprender algo na universidade.
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- Ao notar uma mão no ombro, voltei-me
e vi um par de mulheres do trabalho, Jamie e Wendy.
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- -Oi, garotas. Como estão? -perguntei
com meu tom mais alegre e decidido.
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- -Estupendamente, Ter. Como está esta
noite? -perguntou Jamie, bebendo um gole de seu copo.
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- -Muito bem. Que está bebendo-perguntei,
olhando seu copo de plástico.
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- -Suco da selva -replicou alegremente.
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- Sim, a universidade de novo. Agora não
me cabia a menor dúvida.
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- -Quem fez. só pode ser a Jess? -perguntei
rindo.
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- -Não, uma de suas amigas. Não
é linda? -perguntou Wendy, assinalando as costas de uma mulher que
quase fez meu coração parar.
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- Engulindo com grande dificuldade e com os
olhos desorbitados, esperei que a mulher de cabelo escuro se virasse.
Ao ouvir que alguém a chamava, Tina se virou e sorriu. Não
era ela... Não era ela. Graças a Deus.
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- -Terri? Te passa algo? Parece que viu um
fantasma -perguntou Wendy amavelmente.
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- Respirando fundo várias vezes para
acalmar-me o coração , mexi a cabeça e respondi:
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- -Sim, sinto. É que se parece com
alguém que faz tempo que não vejo e levei um susto.
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- -Uma antiga namorada? -perguntou.
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- -Algo assim -respondi com mais aspereza
do que pretendia.
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- Se um encontro sexual num banheiro público
do aeroporto não se pode considerar seruma antiga namorada.
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- -Sinto ouvir isso, Terri. Já sabe,
se te serve de consolo... é ela que deveria se lamentar. És
um partidaço -disse, piscando-me o olho, e se afastou seguida de
Jamie.
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- Sentindo-me melhor, virei e vi que
Jessica vinha para ao meu encontro com uma copo na mão.
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- -Toma, minha querida, bebe isto. curará
todos seus males... e mais -disse, rindo de sua própria brincadeira.
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- Ao cheirar o líquido que tinha no
copo, sorri reconhecendo o conteúdo: era a minha bebida preferida.
Bebi um bom trago e senti que me esquentava as entranhas estupendamente.
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- -Mm... obrigada, Jess.
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- -De nada. vamos jogar "Jamais na vida".
Deverias jogar. Se queres dar um pum, é a oportunidade perfeita.
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- -Jamais na vida? -perguntei, pois não
recordava desse jogo.
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- -Sim, é quando alguém
diz, "Jamais na vida eu fiz sexo num carro". E então todos
os que fizeram sexo num carro bebem um trago. Vai ser divertidíssimo,
venha!
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- Rindo ao ver o entusiasmo de minha amiga,
aceitei jogar mais tarde.
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- -Diga-me quando quiser.
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- -Está certo-disse e regressou à
cozinha para pegar outro copo.
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- Ao final de uma hora e várias vodkas
com suco , sentei-me pesadamente no sofá. Observava à gente
ir e vir, bati um papo com algumas bêbadas, mas realmente estava bem.
Jessica me apresentou uma mulher que se chamava Becky e que estou
segura de que tinha bebido uma caixa de cervejas inteira . Estava dormindo
como um tronco a meu lado, babando alegremente entre ronquito e ronquito.
De vez em quando, soltava um soluço . Isto me fez achar graça
e chamei outras pessoas pára que viessem vê-la. Nestes
momentos, não tinha que se esforçar muito para manter-me entretida.
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- Procurei a Jessica e a vi falando animadamente
com uma mulher que eu não conhecia. Fazendo um esforço para
levantar-me, afastei-me de minha roncante parceira de sofá e me aproximei
de minha amiga.
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- -Eh, Jess. Quando vai começar o jogo?
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- -¡Eh! Pois vamos começar já.
Estava esperando que chegasse uma amiga minha, mas parece que não
vai vir. venha, pega uma cadeira e senta.
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- Fiz o que disse e me sentei a seu lado.
Vi que outras mulheres enchiam seus copos antes de sentar-se ao redor da
mesa.
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- -Vai, Jess, é sua casa. Começa
você-propôs uma pequena ruiva.
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- -Bem. Mm... tá, já tenho
a pergunta. Jamas na vida me chuparam os dedos dos pés -disse e bebeu
um trago, indicando que sim o tinham feito.
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- A maioria da mesa bebeu um trago, o qual
provocou risos gerais. A seguinte era eu. Não tinha nem idéia
de que dizer.O que eu fiz que ninguém mais tivesse feito?
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- -espera deixa eu pensar por um momento...
mm... -já estava ficando nervosa e por fim recordei um episódio
de minha juventude-. Jamais na vida pratiquei sexo num parque em cima
de uma mesa de merenda.
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- Ao ver os olhares desorbitadas de algumas,comecei
a rir e bebi alegremente um trago de meu copo. Só eu bebi.
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- -Ooh, ninguém mais? ¡Caramba,
sou uma lenda! -disse rindo e agitando o punho no ar.
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- -Só se for em sonhos. Segue, Wendy,
que ao passo que vamos não vai caber a cabeça na sala -caçoou
Jessica.
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- -Está com ciúmes -lhe sussurrei,
ganhandoum ligeiro beliscão na coxa.
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- Depois de passar um momento fazendo alardes
e bebendo com minhas novas amigas, olhei a meu redor e me dei conta de que
éramos as únicas que ficamos na casa de Jessica. Suponho que
as demais já tinham aproveitado a festa por aquela noite. Ainda
que só fosse isso, Jessica tinha razão: estava me divertindo
e não estava pensando em formas de estrangular a Charlie. O mero
fato de estar bem e com gente conhecida e gente nova estava me sentindo
maravilhosa.
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- Ao olhar o relógio, vi que eram cerca
de onze horas. Faltavam uma hora para eu sobreviver a outro Dia dos namorados.
Por mim, que terminasse o mais logo possível. Uma cotovelada me trouxe
de volta ao jogo.
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- -Obrigada, Jess -murmurei, tratando de secar
a bebida que acabou de cair na minha calça. Devia estar
bebada mesmo, normalmente teria tido um ataque depois que
alguém me manchasse a roupa.
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- -Sua vez, carinho -disse Jess com certa
dificuldade.
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- -Ta bom, algumas já dissestes coisas
que poderia dizer , assim pensei e disse-. Mmm... muito bem, senhoras, -disse,
jogando um olhar aos olhos interrogantes que me olhavam-. Jamais na
vida...
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- -Pratiquei sexo num banheiro
publico de um aeroporto -terminou a voz atrás de mim, cortando-me
a respiração. Só tinha uma mulher que tinha essa voz.
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- E estava atrás de mim.
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- Todos os olhares estavam posados em mim
enquanto eu lutava valentemente para controlar minhas emoções.
Não se ouvia nem uma mosca no silêncio absoluto que reinava
na sala.Antes de dar-me conta do que estava passando, a raiva acabou com
toda minha capacidade de raciocínio. Levantei-me, voltei-me e me
enfrentei ao demônio que tinha torturado meus sonhos durante tantos
meses. Com um rápido movimento , atirei-lhe o resto do copo na cara.
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- -Acho que esse gole você deva beber
-disse entre os dentes e cruzei a cozinha e me dirigi a primeira porta que
encontrei.
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- -¡Terri, espera! -exclamou Charlie,
que correu atrás de mim e aprisionou meu corpo contra a porta com
o seu.
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- -Que demônios fazes aqui, Charlie?
-disse .
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- -Jessica é minha amiga. Disse-me
que ia estar aqui -sussurrou, roçando-me a orelha com seus lábios
úmidos e provocando-me todo tipo de descargas pelo corpo.
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- ¡Maldita seja!
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- -Se afaste de mim, quero ir! -disse, tentando
se afastar dela em vão-. De onde a conhece?
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- -Estudamos juntas no mesmo colégio.
Quando vi as etiquetas de tua bagagem, soube que trabalhava para a mesma
empresa. Perguntei-lhe se te conhecia e me disse que sim. Não disse
nada do nosso.
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- Bufei com desprezo diante disso.
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- -O nosso? Nunca teve nada parecido com "o
nosso", Charlie. Você se assegurou disso ao deixar-me plantada
em Houston.
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- Seu corpo se afastou de mim e me virei entre
seus braços, colando as costas na porta. Ao olhar esses preciosos
olhos, pareceu-me ver uma expressão de tristeza neles. Quanto me
propus a possibilidade, desapareceu. Pôs-se a secar o resto da bebida
da cara.
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- -Sinto por Houston.
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- -Sim, eu também -repliquei sarcasticamente-.
Agora afastesse de mim!
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- Isto não estava saindo como nas fantasias
que eu tinha imaginado.
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- ¡Maldita seja!
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- Quando tentava encontrar o trinco da porta,
pôs sua mão sobre a minha.
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- -Mas não sinto pelo o que aconteceu
naquele quarto, Terri. Em absoluto.
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- -Acredito que não! -. Não
pode ser desagradável mesmo trepar com uma desconhecida num
banheiro público? Acho que teus amigos pilotos desfrutaram muito
ao ouví-a. Alegro-me de ter podido levantar-te o ego entre
teus colegas -minhas emoções estavam raiando ao pranto.
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- Não! Não ia chorar.
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- Ao notar que ficou paralisada com
esse último comentário, querei acabar com ela.
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- -Não se preocupe, Charlie. Não
foi mais do que uma transa. Decente, isso sim. É que não me
agrada que me façam de tonta -disse com má intenção.
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- -Não quis te magoar, Terri... -se
calou e soltou um longo suspiro-. Podemos conversar em outro lugar?
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- Ao olhar para o salão, dei-me conta
de que tínhamos um público. No momento em que me fixei nas
cabeças , foram desaparecendo uma a uma com ar culpado.
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- -Jess? -chamei a minha amiga.
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- Voltou a responder com a cabeça.
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- -Sim?
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- -Se importa que vamos no seu quarto para
conversar? -perguntei, sem saber muito bem por que lhe estava dando esta
oportunidade.
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- -Podem ir, subam é o segundo
quarto da esquerda, que é de convidados. Teram mais privacidade
-disse generosamente.
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- -Obrigada, Jess -disse Charlie e começou
a subir as escadas.
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- -Não há problema, amiga -Jessica
voltou a ficar com suas convidadas.
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- Encontrar o quarto de convidados foi fácil.
Ficar ali e escutar a Charlie ia ser um pouco mais difícil. Quando
entrei no quarto, encontrei-a sentada na borda da cama brincando com as
fibras do edredon que tinha em cima da cama.
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- Fechei a porta e fiquei de pé diante
dela, sem querer ficar muito perto.
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- -Fala, Charlie, espero que tenhas o que
dizer. Não quero passar a noite toda aqui-disse com impaciência.
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- Charlie me olhou e respirou fundo antes
de começar.
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- -Terri, não quis te magoar.
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- -Você já disse isso-a interrompi.
Levantei as mãos para desculpar-me e lhe fiz um gesto para que continuasse.
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- -Ficar com vc foi muito excitante. Quando
me perguntou se já tinha feito isso com alguém, respondi-te
sinceramente que não. Disse-te que costumava verificar todas medidas
de segurança pessoalmente antes de voar e era verdadeiro. Nunca tinha
ficado com ninguém no aeroporto enquanto esperava para voar. Você
tinha algo que me chamou a atenção e não podia tirar
os olhos de cima de ti. Deu-me uma adrenalina que não pudia me controlar.
Me dei conta que estava nervosa pelo vôo e depois uma coisa levou
à outra... e... bom, já conhece o resto.
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- -Sim, Charlie, já conheço
o resto, estava ali, se não se lembra? Mas o que não sei é
o que passou depois de aterrizar. Por que não veio falar comigo?
Por que agora está aqui e onde esteve todos estes meses?
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- Dei-me conta de que lhe enchia a cabeça
com tantas perguntas, mas que droga, parecia-me que tinha direito de saber
por que tinha feito isto comigo. Esperar com paciência não
era uma de minhas virtudes. No momento em que tinha decidido começar
outra leva de perguntas, levantou a cabeça e me olhou com olhos assustados.
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- -Tinha medo, Terri.
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- Notei que minha cara refletia claramente
minha surpresa.
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- -Tinha medo -disse, mais como afirmação
que como uma pergunta.
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- -Sim, . Tive medo do que tinha sentido ao
estar contigo. estar com uma desconhecida deveria dar uma sensação...
bom, estranha! Mas não foi assim. Sentia-me bem contigo, como se
fôssemos amigas a vida toda. O que sentimos ao fizermos amor no banheiro...
pois... as vezes não se tem essa quimica com a pessoa que vivemos
a anos. Mas aí estava eu, contigo como se já conhecesse cada
centímetro de teu corpo e como ia responder. É sério,
estava com medo!
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- Desconcertada com sua brutal sinceridade,
sentei-me no pé da cama e voltei olhá-la.
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- -Não é brincadeira, é
verdade?
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- Olhou-me nos olhos e soube que dizia
era sério.
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- -Caramba-foi o único que consegui
dizer.
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- Ficamos assim um momento, inseguras.
Estivemos olhando-nos até que alguém chamou à porta.
Quando respondi verbalmente, Jessica disse:
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- -Estão bem? -perguntou, com cara
de preocupação.
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- -Sim, estamos bem. É que tínhamos
que falar de umas coisas -respondeu Charlie pelas duas.
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