Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 52
Julia e Isa iam quietas na frente, enquanto dona Marta, sempre muito falante, tratou de fazer um interrogatório para Vanessa e Tamy, se eram casadas, tinham filhos...
- Está vendo Isa, essas moças já são casadas e tem filhos.
- Eu não sou casada - explicou Tamy. Meu noivo morreu antes mesmo de saber que eu estava grávida e tenho cuidado de nosso filho.
- Sinto muito - falou com pesar na voz. Amanhãe; deveria ser o seu casamento Isabel, nunca você vai achar um rapaz bom como o Matheus, e que ainda te ama. Eu vejo como ele te olha, é o mesmo olhar de quando apareceu lá em casa e pediu para o seu pai para namorar você. Lembro que ele colocou a sua melhor roupa, mas naquele dia seu pai demorou a voltar do trabalho. Quando chegou o pobre rapaz dormia no sofá. Até tentei acalmá-lo quando começou a falar, mas mesmo gaguejando ele conseguiu dizer o que queria. Seu pai vendo aflição do menino fez sua melhor cara de bravo e ergueu a voz, fazendo com que ele acreditasse que não ia deixar. Fez muitas recomendações, e finalmente deixou. Acredito que ele não tenha ouvido muita coisa, pois o nervosismo era maior. Quando seu cérebro conseguiu processar o sim, ele sorriu. Abraçou a mi m e o seu pai, pediu para que não contássemos nada a você e saiu correndo.
- Ele nunca disse que tinha ido me pedir em namoro - confessou sincera. Olhou para Julia que retribuiu o olhar.
- Foi sim. E você deixou um rapaz desses, que desde menino sempre foi correto. - disse Marta ainda se lamentando pelo fim do noivado.
Após as colocações de Marta, ninguém falou mais nada até chegarem à boate. Somente o rádio e Julia tinham voz dentro do carro.
Uma música de Helena Elis começou a tocar. Julia não resistiu, começou a cantarolar junto com a cantora. Isa sorria ao seu lado, pois sabia que estava cantando para ela.
Lugares Proibidos
Eu gosto do claro quando é claro que
você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
Os rapazes da banda, os primos e alguns amigos, levaram Matheus para a sua despedida de solteiro. Tinha muita mulher, bebida para todos os gostos, e a diversão era visível, menos para o noivo. Ele até entrava nas brincadeiras só para não dizer que era um chato. Fugiu um pouco daquela agitação e ligou para Isa. Já estava um pouco alterado por causa da bebida que o fizeram beber.
Elas tinham chegado, e esperavam Julia voltar do estacionamento.
Isa sentiu o celular vibrando em sua pequena bolsa. Pediu licença e se afastou o suficiente para não ouvirem a conversa. Pensou que fosse Julia, mas viu no visor a foto de Matheus. Achou estranho ele estar ligando, já que tinha saído com os rapazes. Mesmo assim atendeu.
- Oi, Matheus.
- Oi, Isa. - disse e suspirou.
- Matheus o que foi? Não está bem? - logo se preocupou com sua saúde. Ele continuava mudo do outro lado da linha.
- Isa só me ouça - pediu Matheus enquanto se sentava no chão. Eu vou me casar amanhã com você no meu coração. Sei que você não vai impedir meu casamento, que ama a Julia, mas vou me casar te amando. Não estou dizendo isso para que sinta culpa, mas porque eu precisava ser sincero comigo. A Mari não é você. Por mais que eu queira amá-la, sei que não vou. Não vou viver muito Isa - ele começou a chorar. Eu não sei se vou poder dizer sim para ela. Desde que me conheço sempre sonhei casar contigo. E quando eu tiver que fazer os votos, não será sincero, Isa - e desligou.
- Matheus... - ela o chamou antes de ver que a liga&cccedil;ão já tinha sido encerrada. Nesse instante Julia chegou e colocou a mão em seu ombro.
Estava ligando pra mim por isso se afastou do pessoal? - perguntou.
Isa não soube o que dizer. Olhou para Julia e as palavras de Matheus ecoaram em sua mente a deixando totalmente inerte. Querendo ou não mexeu com ela. Ainda não sabia definir até que ponto isso a afetou. Preferiu não dizer nada a Julia.
- Foi engano, pensei que fosse você.
- Meu amor você leu o e-mail? - disse enquanto caminhavam em direção as meninas e a mãe de Isa.
- Li - foi a resposta proferida secamente.
Julia esperava mais entusiasmo, aquele sorriso lindo, afinal eram oficialmente namoradas e a resposta que recebeu pareceu sem importância alguma. Sentiu o coração ser oprimido pelo desapontamento, e onde a felicidade transbordava agora a sombra da incerteza o consumia. Deteve Isa, que andava um passo à sua frente, segurando delicadamente em seu braço. Ela parou, e ao se virar Julia notou uma lágrima escorrendo de seu olho esquerdo.
- O que foi Isa, não está bem? Eu fiz alguma coisa? Se arrependeu?
- Sim, me arrependi de ter atendido o celular - disse olhando para o solo, sem conseguir focar seus olhos nos de Julia.
- Quem era para te deixar assim? Não foi um simples engano. O que foi? Um desses desocupados que ligam para nós dizendo que raptaram alguém da família, para tentar arrancar algum dinheiro ou créditos em celular para entregar a suposta pessoa? Se for isso me passa o telefone que vou ligar imediatamente para a polícia.
- Não foi isso Julia. Esquece.
Julia seguiu a seu lado até se aproximarem de suas amigas. Marta não dizia nada, mais se incomodava em ver as mulheres de mãos dadas, e seu olhar era de reprovação. Não tinha direito de dizer nada, afinal estava no lugar freqüentado por elas, e quem estava fora de lugar era ela e suas filhas.
Julia de repente sentiu o coração apertado, e a alegria que estava sentindo se transformou em preocupação. As cinco entraram na boate. A primeira visão que tiveram foi de um casal de mulheres se beijando. Vanessa e Tamy seguraram o braço de Marta e a levaram para uma mesa vazia. Isa e Julia seguiram-nas.
A casa estava cheia. Logo que sentaram uma garçonete veio até a mesa. O barulho era ensurdecedor, mal conseguiram fazer seus pedidos. Isa se sentou ao lado de Julia que a olhava. Tantas coisas começaram a passar em sua mente como um filme. Estava ao lado da mulher que amava, e deveria estar feliz, mas não estava. Matheus conseguiu mexer com ela. Os sentimentos que tinha por sua namorada não mudaram. E não mudariam.
Sentiu Julia tocando sua perna por debaixo da mesa. A olhou e lhe deu um meio sorriso. Aquele toque a fez estremecer, qualquer toque de Julia a deixava nas nuvens.
O que está acontecendo com Isa, se perguntava a todo o momento. Será que é por causa de sua mãe? Não era a sua Isa que estava ali. Um segundo depois sentiu Isa tomando a sua mão e entrelaçando seus dedos.
Aquele gesto de carinho acalmou os pensamentos de Julia por algum tempo. Chegaram as bebidas e Isa foi a primeira a pegar seu copo. Tomou quase tudo em um gole só, deixando sua mãe pasma, se perguntando sobre o que aquela cidade tinha feito a sua filha. Em vários momentos não reconhecia a filha, alguns anos longe de casa a mudaram muito.
De repente começou uma confusão na pista de dança. Os gritos e palavrões conseguiam ser mais alto que a música que tocava na hora.
A curiosidade foi geral, e todas queriam saber o que estava acontecendo. Isa e Tamy subiram em cima de suas cadeiras para poder terem uma visão melhor. O movimentar de algumas pessoas, possibilitou um reconhecimento mais específico. Naquela balburdia, Isa reconheceu alguém.
- Eu não acredito! - se apoiou em Julia para descer, a puxou pela mão e foram em direção à confusão. Julia a deteve.
- Isa o que foi, porque estamos indo para o meio dessa confusão?
- Porque minha irmã está lá. Temos que tirá-la dali. Vai me ajudar ou não?
- Vou - respondeu Julia. Fica atrás de mim - pediu e se aventuraram no meio daquela bagunça.
- Sua sapatona nojenta, eu não lhe dei liberdade para passar a mão em mim - gritou Bianca.
- Queridinha se veio aqui está sujeita a qualquer coisa. Se não suporta, como disse... Ah! Lembrei sapotonas não trouxesse seu lindo corpinho para nos provocar. Olha sua roupa - mediu a garota de cima a baixo. Está muito gostosa! Queria que eu não pegasse? - gritou para Bianca ouvir enquanto as outras concordavam com a mulher.
- Eu não sabia que tinha que me vestir como você - falou com desdém na voz. Não tem vergonha? Você não é homem para se vestir assim. Pegou essa camisa de seu irmão ou de seu pai? - criticou a mulher que trajava uma camisa masculina. Eu gosto de homem, e não disso... - falou de forma acintosa e debochada inndicando a mulher à sua frente.
- Posso te dar mais prazer que seu homem, se é que tem com esse gênio do cão - retrucou.
As duas gritavam cada vez mais alto, e da agressão verbal logo passariam para a física. Foi exatamente o que aconteceu. Bianca voou no pescoço da mulher e começou a arranhá-la, e ela apenas aproveitava para passar mesmo a mão nela toda.
- Estou sendo estuprada - gritava Bianca, e encontrava apenas o riso e os xingos das outras que estavam em volta.
- Você merece! Dê o que ela está precisando Roberta, dê um trato nessa homofóbica desgraçada - as mulheres gritavam horrores. Quando ela ia beijar Bianca, que já esta imobilizada, pois a outra era bem mais forte, uma mão a pegou pela gola da camisa, puxando-a de uma vez.
- Quer brincar comigo, Roberta? - gritou Julia olhando direto nos olhos da outra.
- Não - disse Roberta, abaixando a cabeçl;a e saindo fora.
- Acabou o show! - disse Julia, olhando feio para aquelas que ainda estavam falando alguns desaforos.
- Dra. Julia salvando homofóbicas? Você nos ajudava a dar uma lição nelas. O que foi, está mais tolerante com essas idiotas?
Isa se abaixou e ajudou sua irmã a se levantar. Estava com a blusa rasgada e um corte no braço.
- Não enche Laís.
Julia já tinha ficado alguns meses com essa mulher. Claro que não deu certo, pois ela adorava dar showzinhos de ciúmes em toda a parte.
- Não quer companhia? Vamos relembrar os velhos tempos...
Julia a encarou e teve vontade de dar um murro na boca imunda de Laís, mas deixou quieto, não ia arrumar mais confusão.
- Vamos - determinou Julia, segurando no braço de Bianca. Você é louca de arrumar confusão aqui.
- Larga de mim! Você é uma delas - disse Bianca puxando o braço.
- Bianca se não fosse ela, só Deus sabe o que teria acontecido contigo. Você me dá vergonha!
- Vergonha tenho eu de você andar com essa aí.
- Cala a sua boca, ela é mil vezes melhor que você.
- Isa, calma! - pediu Julia, pois se aproximavam da meesa onde estavam sentadas.
- Filha o que aconteceu? - perguntou Marta levantando-se para sua filha mais nova se sentar.
- Mãe esse bando de sapatão quis me bater, me estuprar. Sei lá o que mais poderiam fazer. Só porque não aceitei uma mulher macho passando a mão em mim - disse fazendo cara de nojo.
- Bianca tenha mais respeito com as pessoas - disse Isa olhando para sua irmã.
- Olha só a simpatizante falando. Também tem que ser... - olhou para Julia que pegou um copo da mesa e tomou num gole só. Já estava farta daquela garota.
Devia ter te deixado nas mãos de Roberta, aí sim, teria motivos verdadeiros para nos odiar, pensou Julia olhando para aquela garota sem noção alguma das coisas.
- Mãe está sagrando - mostrou o corte no braço. Eu não sei o que vim fazer aqui. Só pra passar nervoso... - foi quando se deu conta da presença de sua mãe. Mãe o que está fazendo aqui? Isso aqui não é lugar pra você.
- Eu acho que vim para ver você, mais uma vez, aprontando das suas. Não sei a quem você puxou, só pode ter sido trocada na maternidade. Não é possível uma pessoa ser assim. Porque não é como a Isa? - suspirou demonstrando insatisfação, pegou o primeiro copo que estava na mesa e tomou. Era o copo de Tamy que havia pedido um uísque. Apesar do gelo desceu queimando-lhe a garganta.
- Mãe acho melhor que você não queira que eu seja como ela. Escuta o que estou te falando! - e olhou para Isa.
- O que foi Bianca, está insinuando o que?
- Eu nada maninha. Diz você, por que não tenho idéia do que pensou.
Isa ficou com tanto ódio que acabou fechando a mão e batendo três vezes em sua testa com os olhos fechados, respirando fundo na tentativa de se acalmar, para não dar na cara de sua irmã.
- Deixa-me ver isso - falou Julia. Não vou te contaminar com minha doença.
Vanessa que já a conhecia, estava vendo a hora em que sua amiga ia explodir.
Bianca estendeu o braço e Julia examinou. Viu que era um corte superficial. Pegou o restante de uísque do copo e jogou no ferimento, o que fez a garota gritar e puxar o braço.
- Caralho, ardeu. Ficou louca? Porque jogou isso - perguntou aos gritos.
- É só para não infeccionar. Sou médica se não sabe. Se fosse para eu jogar teria jogado em outro lugar.
- Médica. É mesmo, esqueci. Com certeza deve ser ginecologista.
- Bianca já chega - gritou Isa.
- O que foi que aconteceu? Contaram-me que houve uma briga. Estão bem? - perguntou Mari olhando para todas.
A única que respondeu foi Vanessa, que era a mais calma na mesa. Tamy tinha ido dançar, pois não estava suportando Bianca. Isso porque só viu a garota dez minutos, e não tinha muita paciência para besteiras. Falam que oriental é sempre calma, mas Tamy não era.
Em pouco tempo, Bianca conseguiu tirar do sério um bando de mulheres, sua família e Julia. Vanessa era a única neutra na situação.
- Está. Eu acho! Os ânimos esquentaram um pouco - respondeu Vanessa não acreditando muito em suas palavras.
- Mari você podia ter escolhido um lugar melhor para sua despedida de solteira. Como consegue tocar para essas pessoas, olha só aquilo - apontou para um casal de homens que estavam se beijando. Vão para o motel! - gritou, mas os rapazes não ouviram.
- O que deu em você, Bianca? - repreendeu sua mãe. Para. Daqui a pouco virão te pegar e ninguém nesta mesa vai te ajudar. Então baixa a sua bola.
Bianca fez uma cara para sua mãe e se calou.
- Meninas vou adiantar minha apresentação - sentiu Mari que sua despedida não ia rolar como desejou, ou mesmo se iria acontecer.
Isa não conseguiu olhar para sua amiga.
Julia seguiu atrás de Mari e a chamou.
- Mari posso te pedir uma coisa? Queria cantar uma música para Isa.
- Claro, vem comigo, tenho que acabar de me trocar e você me diz que música quer cantar para ela.
- Obrigada - disse Julia. Mari sabe se aconteceu algo com a Isa? Estou achando ela um pouco estranha. Recebeu um telefonema e disse que era engano, mas senti que ficou mexida com alguma coisa já estavam no camarim improvisado.
- Não sei Julia. Quando saí de casa ela estava bem, feliz. Mas também achei porque ela não olhou para mim.
- Mari como você é a melhor amiga dela, acha que ela vai gostar? - mostrou a caixa com o anel.
- Nossa, que lindo! Ela vai adorar. Deve ter custado uma nota - brincou. Ela ficaria feliz mesmo se você desse um anelzinho daqueles que vinham em doces. Ela te ama muito - falou se virando para olhar Julia. Eu vou ser sincera, não confio totalmente em você. Então não pise na bola, porque vai ganhar uma inimiga, e não queira que eu seja. Agora não vou estar tanto tempo com a Isa, por isso quero que cuide dela muito bem.
- Pode deixar, vou cuidar dela. Eu a amo. Nunca coloquei um desse no dedo de ninguém e nem desejei usar - mostrou o anel. Já namorei muito e por algumas vezes achei que estava amando, mas nada se compara com o que sinto por sua amiga. Sabe, ela me completa por inteira.
- Que bom ouvir isso. Sinto que está sendo sincera.
- Estou sim - respondeu Julia olhando nos olhos de MMariana. A irmã da Isa é insuportável. Já sabe que eu não gosto de homens, e é extremamente preconceituosa. Ela não tem certeza, mas está desconfiada que tem algo mais que amizade entre eu e a Isa.
- A Bianca é uma pessoa perigosa. Se ela descobrir pode até não dizer nada aos pais, mas com certeza terão que pagar muito bem pelo seu silêncio.
- Isa vamos balançar o esqueleto? - perguntou Vanessa tentando tirá-la da mesa. O clima estava pesado com aquela irmã dela ali do lado. Vanessa conseguia sentir a energia das pessoas e nada de bom vinha de Bianca.
- Vamos - respondeu Isa já se levantando. No momento estava tocando músicas eletrônicas. Isa deixou a bolsa com sua mãe, e não olhou para sua irmã.
Isa e Vanessa juntaram-se a Tamy na pista de dança, e começaram a dançar.
Alguns minutos depois ainda continuavam dançando, quando o celular de Isa começou a tremer dentro da bolsa.
- Está tocando o telefone de Isa - disse Marta para Bianca.
Bianca não pensou duas vezes e pegou o celular. Apertou a tecla de atender e viu a foto de Julia no visor.
- Meu amor não precisa responder. Ouça-me. Estou com a Mari, daqui a pouco volto pra mesa. Sua irmã conseguiu nos tirar do sério, mas temos que ter calma, senão ela terá realmente certeza que estamos juntas. Ela não vai hesitar em dizer à sua mãe. Amor estou com tanta vontade de te beijar.
- Acho que não é a mim que está querendo - disse Bianca. Obrigada por me confirmar o que eu queria - e desligou.
Julia gelou na hora que ouviu Bianca, e saiu correndo. Não sabia o que poderia acontecer. Onde estava a Isa que não atendeu?
Na mesa viu apenas Marta e Bianca sentadas. Olhou pelo salão e encontrou Isa com suas amigas, dançando. Ficou indecisa se voltava para a mesa ou ia contar a Isa o que tinha acontecido. Ela não a perdoaria.
Suas pernas ficaram trêmulas. Poucas vezes se sentiu assim, sem saber o que fazer. Foi até o bar, pediu uma dose de uísque e bebeu num gole só. Respirou fundo e começou a caminhar em direção a mesa. Tinha que enfrentar a situação seja qual fosse.
Ao se aproximar as duas mulheres a olharam. Uma tinha um sorriso perverso nos lábios e Marta acabou desviando seu olhar para onde Isa estava.
Continua...