Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 39
Matheus sentiu uma tristeza imensa ao ver aquela cena, que apenas fechou a porta, saindo sem dizer uma palavra. Mari encontrou com ele vindo do quarto.
- A Isa já acordou? O que foi Math? Ficou triste? - perguntou sem saber de nada.
- Acho que ela nem dormiu. Vou me deitar. Estou cansado.
- Tudo bem. Daqui a pouco levo alguma coisa para você comer.
Matheus não respondeu nada e foi para o quarto. A decepção era palpável por vê-las daquela forma.
Mari abriu a porta. Viu Natália se vestindo e Isa colocando a blusa. Ficou de boca aberta e com os olhos arregalados. Só então compreendeu que Matheus vira muito mais do que ela, e por isso ficou triste daquele jeito.
- Isabel eu não posso acreditar! Bastou Matheus te liberar e você foi correndo dormir com ela...
- Mariana, não aconteceu nada - disse Isa se levantando da cama. - Acordei com ela me tocando, quando vi estava deitada sem roupa do meu lado, e me beijou a força.
- Ah Bel, você bem que gostou! Estava me querendo tanto quanto eu, admita. Senti isso pelos seus toques, beijos... que beijos! Andou praticando com a nervosinha do carro?
- Cala a boca! - gritou Isa para Natália. - Mari não aconteceu nada al&eacuute;m desses beijos. Quando vi o ursinho que a Julia me deu caindo, parei imediatamente. Não é com ela que quero dormir pela primeira vez - olhou para Natália. - É com a Julia. O Matheus nos viu e está achando o mesmo que você. Vi a decepção no olhar dele, eu o magoei.
- Claro que magoou. Se ele tivesse te encontrado com a Julia, o baque não seria tão grande. Deve estar pensando que você não via a hora de se livrar dele pra ir pra cama com a primeira que encontrasse. Isabel, você sabe o quanto ele gosta de você, e não precisa ver isso, foi bom contigo, sempre te respeitou! Sabia que ele não me beijou até terminar com você? - fitou-a decepcionada. - Nossa, você está pior que a Julia, ela já conhecemos a fama, mas você... - virou a costa e foi embora deixando as duas ali no quarto.
- Conseguiu o que queria Natália, me fez ficar mal com as pessoas que eu gosto.
- Isabel, não fiz nada que você não quisesse. Porque não sou a vilã desta história, e minha cara, você não é vitima também. Pare de tentar colocar a culpa nos outros, assuma o que você faz. Estava a fim e ponto.
Isabel não disse nada porque era verdade. Por instantes a desejou, mas não tinha certeza se ia até o fim se não tivesse visto o ursinho. - Dá pra você ir embora daqui?
O celular de Isa tocou. As duas olharam para ele. Natália por estar mais próxima o pegou. Abriu um sorriso ao ver quem era.
- Olha, é a sua namoradinha? Eu acho que vou atender.
- Não atenda - pediu Isa quase numa súplica.
- Nada tenho a perder, ao contrário, posso ganhar você se eu atender, afinal vim para ficar contigo - tinha esperança de conquistar Isa, e não perdeu a oportunidade. - Alô.
- Porque você está atendendo o celular da Isabel? - Perguntou Julia bem irritada.
- Porque eu estava mais próxima do aparelho. Estávamos conversando um pouco sobre o futuro... Vou passar para ela.
- Amor, sua amiguinha quer falar contigo.
Isabel não estava acreditando na atitude de Natalia. Não havia distancia entre elas, portanto era desnecessário gritar e chamá-la de amor.
- Você é doente! Me dá isso - pegou o celular com raiva.
- Julia, ela está louca.
- Isabel o que está acontecendo?
- Até agora você não me achou louca - disse Natália bem alto para Julia ouvir.
- O que essa vagabunda está falando? E porque ela está aí ainda?
- Julia não dê ouvidos a ela. Não está vendo que quer te irritar?
- Já me irritou. Quero falar com você, estou indo para sua casa - e desligou o telefone.
- Julia! - queria falar para não vir, mas não deu tempo. - Natália vai embora. A Julia está vindo para cá, e não quero mais confusão.
- Eu vou Bel. Sua namoradinha ficou bem irritada. Se me encontrar é bem capaz de me encher de porrada - passando ao lado de Isabel deu-lhe um selinho e foi embora.
Isa estava puta consigo, com Natália, e arrasada pelo que fez com Matheus. Que cara teria para falar com ele? Precisava se explicar, mas como fazer isso, se não tinha desculpa para o que ele viu. Foi tomar banho porque estava se sentindo suja demais.
A campainha tocou e Matheus foi abrir a porta. Olhou para Julia com tristeza. Nem parecia o Matheus que tinha sempre um sorriso no rosto. Estava sério, como nunca o viu, nem mesmo quando estava internado.
- Oi, Julia! Entra.
- Oi, Matheus.
Mariana que estava na sala se levantou para cumprimentá-la, tão séria quanto Matheus. Julia não fazia idéia do porque agiam daquele jeito estranho. Seria por causa dela? Será que Isa falou com Matheus?
- Como foi a passagem do ano? - perguntou tentando quebrar o clima tenso que pairava naquele ambiente.
- Bem - respondeu Mariana. Matheus apenas sentou-se no sofá e ficou calado.
- Mariana, pode chamar a Isabel para mim?
- Ela estava tomando banho, vou ver se já terminou.
Os dois ficaram sozinhos na sala e Julia não resistiu. Tinha que perguntar o que estava acontecendo.
- Matheus, está chateado comigo?
- Não Julia, não é nada contigo. Estou com dor de cabeça - e deu um sorriso amarelo para sua médica, voltando a seguir a atenção para a televisão.
Julia não se convenceu, sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas percebeu que Matheus não queria falar. Ficou calada esperando Isabel.
- Julia, ela pediu para você esperá-la uns dez minutos, que já vêm - disse Mari sentando-se ao lado de Matheus, entrelaçando sua mão na dele, e fixando-se na novela que ele, aparentemente concentrado, estava vendo.
- Tudo bem - respondeu Julia avaliando aquela cena incomum para ela, mas que a fez pensar no término do noivado de Matheus e Isa. Certamente, não havia sido nada amistoso como imaginara, mas o curioso era que não se sentia culpada por ele estar chateado.
Os dez minutos de espera foram os mais longos de sua vida. Sentiu os olhares que Matheus lhe lançava, depois se focava em um ponto qualquer da sala, permanecendo assim por segundos pensando em alguma coisa, que o fazia balançar a cabeça negativamente, para em seguida voltar a ver televisão. Mari que era sempre agitada, estava quieta e também pensativa.
- Julia, quer beber alguma coisa? - perguntou Mari. - Acabei de fazer café quer um pouco.
- Quero sim, mas deixa que eu mesma pego - queria sair dali, e o café foi o pretexto perfeito. Não estava agüentando aquele silêncio, olhares que lançavam para ela e não conseguia decifrar se eram de raiva ou outra coisa. O café desceu queimando sua garganta. Sentiu vontade de ficar ali até o café acabar ou Isa aparecer, mas como não podia beber tanto café, voltou para a sala.
- Mari, seu café estava muito gostoso e realmente eu precisava dele.
- Deu sorte, porque meu café é sempre ruim - respondeu Mari.
- Julia, preciso falar com você - disse Matheus.
Isa apareceu na sala nesse instante, mas não ouviu o que Matheus disse.
- Vamos sair um pouco? - convidou Isa, sem olhar para o casal sentado ao lado de Julia.
- Espera um momento, o Matheus quer falar comigo.
O estômago de Isa revirou, sentiu-se mal, respirou e olhou para os dois, mas sem encará-los. Esperou que Matheus começasse a falar o que viu. Julia o olhava nos olhos esperando por sua resposta.