Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 32
- Julia a Isa já gostou de uma menina de nossa cidade. Como sabe, sempre a amei de uma forma que não sei explicar. Eu as vi se beijando uma vez, e quase morri de tristeza. Naquela noite eu me droguei muito. Minha mãe me encontrou num estado deplorável. E no dia seguinte parti para a casa de meus tios. Tive bastante tempo para pensar, e quando voltei soube que a Natália iria se casar com um amigo meu. Fui procurar a Isa. Ela fingiu estar bem, mas por dentro eu sabia que estava arrasada. A abracei e a deixei chorar no meu peito. Sabia que não era de saudades minhas, mas ela precisava do meu carinho, do meu amor e não pude negar. Naquele instante a perdoei.
Quanto a você, obrigado por me contar. Também gosto de ti. Se eu tivesse em condições juro que te chamaria para briga por roubar o amor da minha vida. - Sorriu. - Olha Julia, não vou mais empatar a vida da Isa. Eu a amo e por isso vou deixá-la ser feliz. Se fizer a Isa sofrer vai se ver comigo. E não quero outra médica.
- Você não existe Matheus! - disse Julia olhando com imenso afeto para aquele rapaz que lembrava tanto o seu irmão. - Posso te dar um abraço?
- Claro. O certo seria eu querer te matar! - sorriram. - Sabe tenho um carinho t&attilde;o grande por você. Eu ainda não entendo duas mulheres juntas... mas acredito em amor, se existe entre vocês, não serei eu a atrapalhar. Vou te contar um segredo: A Mari se declarou para mim. Disse que me ama. Vou deixar ela me amar. Não conta isso para Isa, que eu mesmo quero falar com ela.
- Matheus, pode confiar, não vou contar. A Mari vai te fazer muito feliz - os dois ainda ficaram conversando por mais um tempo até voltarem para a festa.
Depois dos convidados cumprimentarem todos da banda, Mari foi até Isa, que estava com uma garrafa de Smirnoff na mão e o pensamento bem longe dali. Precisamente em Natália.
- Isa! - chamou Mari mexendo a mão na frente de seu rosto. - Tem alguém aí? - disse divertida.
- Mari desculpa, senta aqui. Fiquei tão orgulhosa de você! Sou sua fã, sempre fui, desculpa nunca ter dito. Parabéns! - abraçou sua melhor amiga. - Mari preciso te contar uma coisa. Já que estou quase bêbada vou poder te contar direito. Vamos ali na varanda.
- Isa não quer deixar para me contar em casa?
- Não... - afirmou categórica, olhando para uma linda lua cheia. A praia ainda estava lotada, ainda tinha bandas se apresentando. - Mari eu vi a Natália. Ela veio atrás de mim.
- Como veio atrás de você? - indagou.
- E a Julia viu tudo. Não posso mais fazer isso com o Matheus. A Natália não tinha que voltar agora.
Definitivamente, Mari não estava entendendo nada. - Isabel, por favor, me explica isso direito. Respire e fale devagar, uma coisa de cada vez - disse observando o quanto sua amiga estava sofrendo.
- Mari, eu gosto de mulher. Tive um caso com a Natália. Não posso mais trair o Matheus, nem quero deixá-lo mais doente. Desejo a felicidade dele ao lado de uma mulher que o ame. A Natália me beijou.
Mari ainda não tinha processando tanta informação. Olhava para Isa com os olhos arregalados, focada na parte de "gostar de mulher".
- Como assim gosta de mulher? Desde quando? - perguntou Mari num tom mais alto.
- Desde sempre.
- Como pode fazer isso com o Matheus? Você sabe o que é gostar dele anos a fio, e ter que me segurar por sua causa? Poderia ter me contado antes sobre suas preferências. Isabel você me enojou! - disse e saiu de perto de sua amiga.
- Mari, volta aqui! - pediu sem sucesso. Ficou mais um tempo ali, tentando acreditar na reação da amiga, que foi totalmente inesperada.
Matheus que vinha ao lado de Julia foi parado abruptamente por Mari.
- Matheus, podemos ir embora agora? - pediu.
- Podemos. Cadê a Isa ela vai com a gente ou não?
- Não sei. E também não quero ir com ela.
- O que foi? Brigaram? - indagou Matheus.
- Não brigamos. Apenas estou desapontada com ela. Contou-me umas coisas que nunca esperei ouvir da boca dela. Eu presenciei uma cena bem comprometedora no hospital, estava na cara. Sou uma tapada mesmo... - disse enquanto batia na testa.<
- O que está falando Mari? - perguntou Matheus, vendo-a falando consigo mesma. Olhou interrogativamente para Julia perguntando do que se tratava, e ela apenas ergueu os ombros não sabendo também. Isa voltou para dentro e seus olhos encontraram os de Mari, que de imediato virou a cara para ela. Isa desviou o olhar deles. O garçom se aproximou com uma bandeja de bebidas, ela pegou uma taça e foi para o outro lado da sala onde algumas mulheres dançavam. Matheus foi atrás dela.
- Isa o que aconteceu entre você e a Mari?
- Nada Matheus, nada importante.
- Isa eu vou embora. Se quiser pode ficar. Divirta-se um pouco, e quando quiser ir embora a Julia te leva.
- Vou ficar. Não estou a fim de começar o ano brigando com a Mari. Você está bem?
- Estou sim - respondeu Matheus dando um selinho em Isa. - Vou indo, preciso descansar. Vai ficar bem?
- Vou.
Mari aproximou-se de Isa. - Feliz ano novo sua falsa! - jogou um copo de vinho na cara dela e foi embora.
Isa ficou ali parada sem fazer nada. As pessoas olhando-a sem entender. Julia quis ir atrás de Mari mas foi impedida por Matheus - Cuida da Isa - disse ele e foi atrás de Mariana.
Continua...