Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 24:
Chegaram ao consultório de Julia.
Julia pegou um termômetro, puxou o zíper da jaqueta de Isa para colocá-lo. Sua mão roçou na pele da loirinha e seu coração deu sinais de estar vivo ainda. Começou a ouvir o coração de Isa batendo apressadamente em seu ouvido, olhou-a com carinho, enquanto ela permanecia com os olhos fechados. Estava mais linda com o novo corte de cabelo, curto e repicado. Sua vontade foi de beijar aqueles lábios macios, que por alguns minutos foram seus. Naquele momento ela emanava fragilidade.
Mari e Vanessa chegaram ao consultório.
- Julia como ela está? Perguntou Mari super nervosa e foi até sua amiga.
- Ela teve uma queda de pressão, tem febre e um forte resfriado. Sabia o porquê de ela estar resfriada. Mari leve-a até a sala de radiografia e depois passe na sala de medicação.
Isa se sentou.
- Isabel você vai tomar uma injeção para baixar a febre e está com o peito um pouco cheio vai fazer uma inalação. Você tem bronquite?
- Tenho! Respondeu Isa, já descendo da maca. Pensei estar sonhando contigo, mas agora vejo que não era sonho, desculpa por ter que me atender.
- Isabel aqui é um hospital e eu sou médica, meu dever é ajudar qualquer pessoa. Estava odiando o modo com que a estava tratando, como se fosse uma paciente qualquer. - Podem ir.
- Vamos Isa, falou Mari já pegando na mão de sua melhor amiga.
Isa ao sair tocou no braço de Vanessa, que estava perto da porta. - Obrigada pela conversa e desculpa por isso.
- Isa não se preocupe. Vai se medicar, disse Vanessa afagando o rosto de Isabel.
Antes de deixarem o consultório as duas depararam-se com Matheus, que estacara à porta do consultório, branco feito papel. Acompanhado por sua mãe, que lhe segurava o soro, com a cara mais feia do mundo.
- Meu amor o que aconteceu?
- Matheus o que está fazendo aqui? Você não está bem, disse Isabel.
- Isa você acha que eu ia ficar bem sabendo que você desmaiou no corredor? Até parece que não me conhece.
- A minha pressão caiu, mas agora estou bem. Volta para o quarto, meu querido. Vou ter que tomar uma medicação para b aixar a febre e fazer um raio X. Qualquer coisa, a Mari vai te avisar. Ela deu um beijo no rosto dele e depois o olhou e disse: - Eu não te mereço.
- Quem não te merece é o meu filho! Exclamou D. Conceição.
- Mãe, não se meta em minha vida, disse Matheus, a seguir deu um beijo em sua noiva e voltou para o quarto.
- Julia o que acha que está fazendo, tratando a mulher que você ama como uma qualquer?
- Porque você a defende tanto? Disse Julia indo se sentar. Trato-a como ela merece. Sua boca dizia isso, mas seu coração queria dizer que ouvir o coração dela pulsando a mil por hora em seu ouvido foi como se ouvisse a mais linda musica de amor.
- Eu a defendo porque não é como aquelas vagabundas com as quais você sempre andou. Ela é uma boa menina, insegura, mas é a pessoa que pode te amar a vida toda.
- Nenhuma mulher me fez sofrer tanto, será que você não entende isso , Vanessa? E agora estou dando uma chance real para a Adriana, que sabe muito bem o que quer.
- Eu entendo. E sei que a Adriana vai sofrer demais, quando você se acertar com a Isa. Eu já disse a ela, mas vejo que quer se iludir.
Isa entrou para fazer a radiografia e Mari ficou esperando. Não quis perguntar nada ainda, queria que Isa melhorasse um pouco, mas ia querer saber o que estava acontecendo, e a razão pela qual Julia a tratava com a maior indiferença. Tentava ao máximo não tocar neste assunto, mas sua curiosidade a consumia. Será que a Dra. Julia avançou o sinal e Isa a colocou em seu lugar, para estar tratando-a desta forma, só pode ser isso. Isa anda muito calada, sempre falou mais que eu, e anda jururu pela casa, mas deve ser por causa do Matheus. - Porque ele não se apaixonou por mim, eu teria dado todo o meu amor. Não sei o que vai acontecer comigo, quando ele se for. A Isa não sofrerá tanto quanto eu. Olhou para sua aliança e a tirou. Não podia seguir com seu noivado, não amava o Pedro.
Isa saiu da sala.
- Mari o rapaz disse que o raio-X ficará pronto daqui uns 10 minutos, fique aqui e pegue para mim, que eu vou tomar a minha medicação.
- Tá eu espero. E cuidado para não cair, vai devagar.
- Tá vou devagar. Disse para sua amiga e foi para a sala de medicação. Não esquecia o olhar frio que Julia lhe dava todas às vezes, que se viam. Não é mais aquele olhar de amor, é um olhar magoado. Porque eu não penso antes de fazer bobagens. E o Matheus não existe, saiu da cama só para ver como eu estava. E eu não dou o valor que ele merece, ao invés disso, o traio, me apaixono por mulheres e mesmo assim ele não desiste de mim.
Mari chegou à porta da sala de medicação e viu sua amiga fazendo inalação. Ficou no corredor esperando Isa, e decidida a terminar o seu noivado.
Dez minutos, acabou a inalação de Isa e ela teria que retornar ao consultório de Julia.
- Isa eu vou terminar o meu noivado. Disse Mari ao ver a amiga.
- O que? Por quê? Disse Isa sem entender.
- Não posso continuar com essa farsa, não o amo, quando aceitei até fiquei feliz, mas não é com ele que desejo me casar.
- Eu não deveria ter lhe deixado sozinha, o que aconteceu naquele corredor. Eu que desmaio e você que tem um surto de loucura.
- Não fiquei louca. Estou sendo honesta comigo mesma. Não quero viver infeliz e nem fazê-lo infeliz. É isso o que vai acontecer. E mudando de assunto. O que está acontecendo entre a Julia e você? Pelo que sei estavam muito amiguinhas, você brigou por causa dela, até eu viajar não saia uma frase de sua boca, em que Julia não estivesse e agora ela está te tratando com frieza. Ela voltou com aquela história de te levar para cama, e você disse não, e agora ela está te ignorando, foi isso o que aconteceu?
- Não. Respondeu Isa, sem olhar para Mari que a olhava esperando uma resposta mais ilustrativa do que aconteceu.
- Isabel dá para me contar o que aconteceu de verdade, um mega poxa para você. Depois de tantos anos de amizade, pensei que confiasse em mim. Acabei de te contar que vou terminar o meu noivado, porque você é minha melhor amiga, mas eu não sou a sua. Mari começou a caminhar na frente de Isa.
- Mariana dá para parar, não posso correr atrás de você. Entenda uma coisa, tem coisas que são difíceis para eu contar, mas não quer dizer que não confio em ti, tenho medo de expor coisas que guardo aqui dentro, por favor Mari não brigue comigo também, esses dias tem sido os piores de toda a minha vida e não vou suportar ficar sem a minha melhor amiga.
Mariana se virou e olhou nos olhos de sua amiga, balançou a cabeça negativamente, e decidiu não falar mais nada. - Vamos estendeu a mão para Isa pegar.
Isa estava um pouco distante de Mari e teve que dar mais alguns passos até poder pegar na mão de sua amiga. - Vou deixar passar porque está doente, mas têm que parar com isso e me contar as coisas.
- Está bem, vou te contar.
Esperaram uns 15 minutos até Julia voltar a atendê-la. Ela saiu na porta e a chamou. Mari entrou na frente e entregou o raio-X para ela. Isa entrou e se sentou na cadeira, enquanto a dra. olhava a chapa. Mari rompeu o silêncio daquela sala, ela não era o tipo de deixar as coisas para lá.
- Julia o que está acontecendo entre vocês duas? A Isabel não quer me contar. O que você fez a ela?
Julia tirou os óculos e olhou para Mari que estava encostada na maca esperando uma resposta.
- Mari pare com isso, depois conversamos sobre isto. Ao falar Isa lhe lançou um olhar assassino.
- Porque sempre sou eu que levo a culpa das coisas? Sua amiguinha sabe que eu não fiz nada. Fala para ela Isabel, o que aconteceu! Diz o que você fez comigo no momento que eu estava mais feliz. Fala alguma coisa, dá última vez sua boca não parou fechada, quando foi o júri e o carrasco me condenando sem ter certeza de nada, acreditou num papel e não em mim, que te provava todos os dias que eu estava mudando.
Agora que Mari ficou confusa, não estava entendendo nada, olhava de uma para a outra. Isa de cabeça baixa e Julia soltando faíscas de raiva. - Isa fala alguma coisa, não vai deixar que ela fale assim com você.
- Não posso Mari! Ela tem razão eu a condenei, acreditei num papel e não nela. Isa olhou para Julia se levantou e foi até ela, só a mesa as separavam. Eu magoei o seu coração com minha imprudência, não deixei você se explicar em momento algum. Todas as palavras que proferi não terei como me defender e não quero porque eu mereço. Sei que quer me magoar, quer que eu sinta a mesma dor que te fiz sentir e neste momento colocou a mão no rosto de Julia. Eu também estava muito feliz e agora sou a pessoa mais triste deste mundo, porque eu sabia que você não queria ser magoada novamente e eu a magoei tão depressa que você não teve como fugir de mim. Isa já não conseguia mais falar. Eu posso sentir a sua dor e ela me consume todos os dias. Me desculpe.
As duas choravam e Mari continuava sem entender. Até que Julia tirou a mão de Isa de seu rosto e se afastou, enxugou as lágrimas e voltou a ser a Dra. Julia.
Isa ao ver Julia se afastando dela sentiu outra vez seu coração sangrar. Tinha ferido demais o seu amor para ser desculpada.