O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Traduzido por Fernanda
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Kris estava acordada quando Julianne se levantou da cama. Tinha ouvido cada movimento e cada som, at� que a porta se abriu e silenciosamente se fechou. Podia ouvir os passos dela descendo os degraus at� que, finalmente, se sentiu segura para abrir os olhos.
Olhou para o desconhecido quarto, ainda n�o acostumada com os �ltimos acontecimentos tentou determinar suas emo��es. Enquanto se observava, se olhando mas n�o se vendo, se perguntou o que a tinha levado a esse momento. Em um certo momento estava espiando Julianne, t�mida para para se aproximar da atriz, e no momento seguinte estava batendo na porta de Julianne, admitindo coisas que nunca tinha pensado que diria, estava cansada de pensar racionalmente.
Se Kris tivesse pensado claramente, teria parado no p� da escada, olhado � porta do quarto de Julianne e ent�o teria seguido para o quarto de hospede. Teria se deitado, perguntando-se o que quis dizer Julianne. Teria inventado e reinventado uma est�ria que teria terminado com um beijo. Mas estaria bem porque n�o teria sido real. N�o haveria consequ�ncias para essas fantasias.
Voltando a seus pensamentos reais. Tinha ultrapassado a barreira da possibilidade e tinha saltado de cabe�a, sem pensar em mais nada. Tinha-se entregado ao momento, � tens�o, ao j�bilo e a excita��o, afastando a confus�o, incerteza e temor. E agora o que ia fazer? Agora que tudo estava claro, agora que sabia exatamente o que sentia quando beijou Julianne, o que ia fazer?
Tudo tinha mudado.Sentiu no instante em que voltou � consci�ncia. Antes de se beijarem j� havia sentido, uma mudan�a, sutil, ainda que inquestion�vel. O marco inteiro de sua amizade tinha sido freneticamente alterado por uma simples declara��o de amor. N�o tinha como voltar atr�s depois daquele momento; nenhuma forma de n�o saber.
Kris fechou seus olhos lembrando do beijo de Julianne. Naquele momento perdeu toda inibi��o, toda preocupa��o, toda d�vida. Tinha desejado dar tudo de si para Julianne, rasgar o tecido de sua exist�ncia previamente sem sentido e mudaria para o mundo de Julianne. Queria fazer que Julianne visse, sentisse a profundidade de seus sentimentos. Foi como morrer e renascer de novo, seu corpo inteiro estremecia com os choques de prazer que o percorriam. Tinha sido acolhedor, perfeito e aterrorizador; e desejou mais.
E ent�o tudo mudou.
Ficaram quietas durante meio segundo, uma min�scula fra��o de tempo, mas suficiente para surgir a realidade ao redor delas.
O que aconteceu? O que fizeram?
Kris rolou pela cama e enxugou os olhos, sentindo-se completamente perdida. Uma coisa era admitir seus sentimentos por Julianne, outra era o depois. E agora que sabia que Julianne sentia o mesmo, o que significava? O que fariam?
O som da campainha interrompeu os pensamentos de Kris e sua aten��o foi ao som de vozes desconhecidas. Podia distinguir a de Julianne, mas n�o conseguia ouvir o que ela estava dizendo.
Kris perguntou-se quem tinha chegado. Tinha ouvido uma voz masculina, com certeza. E Talvez outra feminina, mas n�o tinha certeza. Tamb�m se perguntou quanto tempo poderia se esconder no quarto de Julianne antes de ficar �bvio que estava se escondendo.
Depois de pensar v�rios minutos, decidiu finalmente que precisava se levantar. Culpou a sua bexiga e o fato de n�o poder evitar Julianne para sempre.
Mas dava para esconder uns minutos mais.
Eu lhe trouxe uma c�pia de Vermelho como eu,� anunciou Adrian segurando a fita. Pode agreg�-lo em sua cole��o de filmes odiados.�
�� muito interessante,� comentou Karen. �A Rachel adorou.�
Julianne olhou para escadas por cima do ombro de Adrian. Estava meio antecipando, meio temendo que Kris acordasse. Sabia que precisavam conversar, mas teria que esperar at� que ela voltasse da estr�ia dessa noite. E n�o tinha id�ia do que dizer a Kris quando a visse.
Adrian se virou para ver o que Julianne olhava. N�o vendo nada, se virou. Julianne. Estou aqui, balan�ou a m�o que segurava a fita.
Se lembrando de repente que tinha companhia, a mente de Julianne se focou em seus convidados. Desculpem.
�Vermelho como eu,� repetiu Adrian lhe dando o filme. �� todo seu.�
Julianne ficou olhando a fita em sua m�o e depois Adri�n. �Obrigada. Mas, que coisa � essa de Vermelho como eu?�
�Meu filme,� se lembra. Ma��s? Gente?�
Julianne ficou olhando-o inexpresivamente.
Adrian suspirou. �O filme do tomate.�
Julianne enfim se lembrou. Tentou n�o olhar para o alto. Sabia o quanto era importante a dem�ncia de Adrian, para ele . �N�o posso esperar para ver.� Se virou para Karen. �Bom, o que tenho que fazer hoje?�
�Vai almo�ar com Derek e seu pai, Steven, ao meio dia. Depois tem uma entrevista ou duas, que n�o vai tomar muito o seu tempo. E tem aquele jantar �s seis com os patrocionadores. E o filme come�a �s oito. E depois haver� uma festa na casa da diretora.�
Julianne suspirou para si. Nunca consiguirei voltar para casa. �N�o �.�
� bom voltar para L.A.?� brincou Adrian. �E esse Derek. � o cara que vai te acompanhar esta noite, foi por ele que me trocou?�
Ele tem oito anos,� disse Julianne.
Que inferno, Jules. J� � mau que seja l�sbica. Agora tamb�m � ped�fila?�
�N�o teve gra�a,� disse Julianne.
Adri�n encolheu os ombros. �N�o se pode ter gra�a sempre. Porque vai levar uma crian�a de oito anos no filme. N�o tem aquela cena de sexo bem quente?�
Julianne balan�ou a cabe�a. �N�o. A filmamos. Todos se lembram daquela cat�strofe. Mas os produtores acharam melhor que o filme n�o fugisse muito da s�rie. Ent�o a cortaram.�
�Que porcaria,� disse Adrian. No DVD tamb�m ter� cenas cortadas? Ou vai ser sem cortes?�
Julianne ignorou a pergunta e voltou a olhar para escada.
Adri�n arqueou uma sobrancelha quando a pegou olhando de novo por cima de seu ombro. "Julianne, o que est� acontecendo com voc�?� Ent�o teve que dizer. �Esqueci de dizer que Kris veio comigo.�
Ooooooh! Onde ela est�?� perguntou Karen olhando ao redor.
Julianne desejou matar os dois. Fiquem quietos e tentem se comportar como adultos maduros ?�
Os dois olharam-se. �N�o somos adultos maduros?� perguntou Adrian.
�N�o, n�o somos,� respondeu Karen. Assim seguiu olhando para �s escadas a cada dois segundos?�
Adrian olhou-a com surpresa. Est� em seu quarto?�
�Por favor, deixa-a.�
Significa que h� algo que deixar?� perguntou Adrian.
Julianne come�ou a ir para a cozinha e parou secamente quando viu Kris entrar na sala. Pega de surpresa, levou um segundo at� que Julianne reagiu. �Bom dia,� disse tentando n�o parecer t�o torpe como se sentia. Se virou. �Kris, esta � minha assistente, Karen, e meu ocasional melhor amigo, Adrian.�
Prazer em conhec�-los,� disse Kris. �J� ouvi falar muito de voc�s.� Disse aos dois mas Julianne notou que seu olhar n�o abandonou Adrian.
Julianne olhou para Adrian, cujo o olhar estava completamente em Kris, e sentiu um ci�mes louco. Mas logo ignorou isso. �Algu�m est� com fome?�
�Estou quase desmaiando,� respondeu Kris,olhando para Julianne. �Mas tenho que tomar banho antes.�
�Farei algo enquanto toma seu banho,� disse Julianne.
Kris pediu licen�a para seus novos conhecidos, olhou para Adri�n mais do que o necess�rio e desapareceu pelo corredor e foi para o quarto de hospede.
Julianne deu uma olhada para Adrian que derritiria at� metal.
O que!� disse Adrian levantando as m�os defensivamente. �� que ela me parece familiar.�
�Voc� viu a foto dela,� lembrou-lhe Julianne, insegura de por que estava ficando irritada.
Karen afastou-se da linha de fogo e foi sentar-se no sof�.
Adrian se aproximou de Julianne. � Eu Juraria que j� a vi antes.�
�Vou fazer o caf� da manh�,� anunciou Julianne, insegura do que comentar sobre isto porque n�o estava entendendo o que estava sentindo. Quer?�
�N�o, obrigado,� disse Adrian
parecendo preocupado.
�Karen, quer caf�?� ofereceu Julianne.
�N�o,� respondeu Karen. �Mas, se importa se eu babar um pouco sobre a sua TV?�
Pode ir,�respondeu Julianne. Estava indo, mas Adri�n a parou.
O Que est� acontecendo?�
Julianne balan�ou a cabe�a. �N�o tenho id�ia,� disse sinceramente. �Estou muito confusa. E acho que estou um pouco� louca.�
Isso � novo por acaso?� brincou Adrian tentando aliviar o humor.
Julianne mordeu os l�bios e olhou para o corredor. �Ontem � noite nos beijamos."
Os olhos de Adrian dilataram. O que?�
Ela disse que est� apaixonada por mim.�
Adri�n olhou-a. �Desde quando?�
�N�o sei,� respondeu Julianne. �Nos beijamos e foi t�o� perfeito. S� que, depois as coisas ficaram estranhas entre n�s. E perguntei-lhe se desejava passar a noite em meu quarto e fazer. Mas s� dormimos, ou fingimos dormir e� n�o sei o que significa tudo isto. N�o sei o que deseja, ou se posso lhe dar. E agora, de algum modo, tenho que suportar esse dia de hoje e n�o sei como vou fazer para n�o ficar louca.�
�Sim, definitivamente parece que precisa falar com ela,� concordou Adrian. �Vejo que n�o vou ser de grande ajuda neste momento. Adorei a parte do beijo. Deveria instalar c�meras neste lugar.�
Julianne ficou olhando para ele. �Sabe, �s vezes pergunto-me por que perco meu tempo te contando as coisas.�
�Porque voc� contemplou o poder da tanga,�disse Adrian. �Nenhuma mulher conseguiu resistir.�
Julianne quase riu disso, mas ent�o recordou de seu problema. �N�o sei o que fazer.�
N�o � sempre seu problema?�disse
Adrian. �Eu lhe digo sempre...
Leu isto em alguma p�gina da Playboy?� perguntou Julianne.
N�o,� disse Adrian. �Voc� tem que fazer o que acha certo.�
Julianne suspirou. �o problema � este , n�o sei o que � certo.�
�Um� dois� tr�s� quatro,� contou Karen. Vacilantemente soltou sua ficha.
�Que droga.�
Ja!� disse Adrian. �Dois mil d�lares, por favor.�
Kris olhou para Karen e sorriu. �porque lhe vendeu o Park Place.�
�Naquele momento pareceu um movimento inteligente,� disse Karen contando seu dinheiro do Monopolio. Hipotecou umas propriedades, vendeu tr�s casas e, depois de muito reclamar, deu-lhe seus dois mil d�lares para Adrian. �Est� bem. Recuperarei meus hot�is e ent�o voce vai ver.
Kris riu e lan�ou os dados. Chegou � seguran�a de uma de suas pr�prias propriedades. �Ufa� disse aliviada. Olhou para Adrian quando era sua vez . Todo o dia fiquei tentando me lembrar de onde eu te conhe�o, mas n�o tenho id�ia. Talvez tenha te visto na televis�o com Julianne. �Bom, quem � esse cara que vai com Julianne na estr�ia?�
Karen e Adrian trocaram olhares.
��, um tal, Derek,� respondeu Adrian.
Derek. Kris tentou recordar se Julianne tinha falado de algum Derek alguma vez, mas n�o disse. � um velho amigo?�
Come�aram a rir e Kris olhou-os com confus�o.
�� um amigo de oito anos,� contou-lhe Karen.
Kris ficou um pouco desconcertada. Conhece a oito anos?�
Adri�n sorriu. �N�o, ele s� tem oito anos.�
Oito?�
�Oito,� confirmou Karen com um sorriso. �A irm� de Derek escreveu uma carta para Julianne e contou que seu irm�o estava doente. N�o tenho certeza que doen�a ele tem, c�ncer, talvez. E Julianne escreveu aos pais dele oferecendo-se para pagar qualquer tratamento que fosse necess�rio, se fosse preciso. E em qualquer caso, se Derek senti-se bem , gostaria que ele fosse seu acompanhante na estr�ia do filme. Enviou quatro passagens de avi�o, junto com a carta, para que a fam�lia pudesse vir.�
Kris sorriu, voltando-se a se apaixonar por Julianne. �Foi muito bonito da parte dela. Julianne sempre faz essas coisas?�
Adrian tossiu
Karen encolheu os ombros e olhou para o tabuleiro, era sua vez. �Julianne nunca lia seus e-mails.�
�E s� come�ou porque fiz um trato com ela,� disse Adrian.
Que tipo de trato?� perguntou Kris com curiosidade.
eu tinha que ligar para uma garota,� respondeu Adrian. pensou em algo e ficou quieto. �Eu , disse que ligava contanto que ela lesse tr�s cartas por semana.�
Kris franziu o cenho. Por que ela n�o as lia?�
�Alguns te�ricos acham que � porque n�o tinha tempo para ser encomodada,� respondeu Adrian. Olhou significativamente para Karen. �Mas acho que � porque era mais f�cil fingir que n�o se importava. Sempre teve problemas com as pessoas n�o a vendo pelo que realmente � e acho que ler o e-mails de seus f�s era como abrir um punhado de espelhos. Teria que enfrentar diretamente como as pessoas a via.�
Kris ponderou por um momento, n�o segura de que isso fizesse sentido para ela. Agora ela l�?�
�N�o sei, tenho umas duas caixas para que leve para Nova York, se quiser,� disse Karen com um sorriso. �A maioria passa por seu f� clube oficial e eles enviam uma foto com uma assinatura. � sua vez.�
Se desculpou e lan�ou. Conduziu seu carrinho met�lico pela Boardwalk e suspirou. �Bom, oficialmente acabei.�
�Eu ganhei,� anunciou Adrian segurando sua fortuna. Onde posso mudar para dinheiro de verdade?� Sorriu. �Sabe, quando jogamos com Julianne, dizemos que ela tem que no dar dinheiro de verdade se perder.�
Kris riu e come�ou a ajudar a guardar as pe�as do jogo de cima da mesa.
Deveriamos ir,� anunciou Karen. �Tenho que voltar para Rachel.�
Kris olhou para Karen. �Quem � Rachel?�
�Minha namorada,� respondeu Karen. �Est� deprimida por minha ida a Nova York. E eu sigo lhe dizendo que � s� por um m�s, enquanto Julianne termina de filmar , est� muito carente com isto.�
Vai para Nova York?� perguntou Kris, incapaz de decidir qual coment�rio lhe surpreendia mais.
Karen consentiu. �Sim, � muito dif�cil ser assistente a longa dist�ncia. Mas estava acabando meu curso de roteirista e Julianne foi bastante am�vel para n�o se queixar de minha prolongada aus�ncia.�
Kris sentia curiosidade onde ficaria Karen, mas n�o perguntou. Tamb�m n�o entendia para que precisava Julianne de uma assistente. Julianne parecia se virar muito bem sozinha. Mas Kris tamb�m n�o disse nada.
Adrian interpretou a pausa na conversa para ele falar. �Bom, foi um prazer conhecer voc�, Kris� disse.
Kris tamb�m se levantou. �Obrigada por ficarem um pouco comigo.�
�Foi um prazer,� respondeu Adrian. Olhou-a durante um tempo.Vai parecer uma frase comum, mas j� n�o nos vimos antes?�
Kris sorriu. �Tenho me perguntando a mesma coisa. Voc� me parece t�o familiar.�
�Hum,� disse Adrian pensativamente.Vou lembrar!
Julianne ajeitou o microfone em sua blusa e esperou o sinal. Chegou cedo, p�s
sua cara de entrevistas e deu sua plena aten��o � pessoa
em sua frente.
Bem-vindos de novo a nosso especial Guardian: A Second Chance. Estou com � estrela do filme, Julianne Franqui. Como est�, Julianne?�
�Estou bem, obrigada,� respondeu. �E voc�, Phil?�
�Fant�stico,� respondeu ele.
Julianne perguntou-se se algu�m normal usa a palavra �fant�stico� para descrever seu estado, alguma vez ser� que foi realmente �fant�stico.� Esperou que ele continuasse.
J� viu o filme?� perguntou Phil.
�N�o, ainda n�o, vou assistir hoje � noite. Estou muito emocionada por ver o produto terminado.�
�Ainda n�o est� gravando os novos epis�dios do seriado. O que tem feito para se manter ocupada durante este per�odo?�
�Estou fazendo um filme chamado Summer�s End, que acredito estar estreando no final o ano que vem.�
Est� gostando desse novo filme?�
�Estou sim. Vai ser um filme maravilhoso.�
�Tenho certeza que seus f�s est�o ansiosos pela sua estr�ia,� respondeu Phil. �Tenho aqui algumas perguntas enviadas via e-mail por alguns de seus espectadores.�
Pode ler,� respondeu Julianne.
Phil levantou a folha este � de Jane Harvey, de Minnesota, gostaria de saber se ainda est� saindo com o Adrian Cruz'?�
Julianne obrigou-se a rir, mas a verdadeira era que a pergunta lhe encomodava. Por que as pessoas tem tanto interesse por sua vida amorosa? Tamb�m estava insegura sobre o que responder. Uma coisa era romper a bolha de ilus�o em que viviam sua m�e e sua irm�, e outra muito diferente era contar para o p�blico.
E Kris? Tinha passado menos de vinte e quatro horas desde que se beijaram e as coisas j� estavam complicadas. Seria bem mais f�cil esconder sua rela��o com Kris se as pessoas ainda achavam que ela estava com Adrian. Mas ser� que tinha uma rela��o? Podia sentir aproximar-se uma dor de cabe�a. �N�o, j� n�o estamos mais juntos,� respondeu finalmente, decidindo que a verdade era mais complicada, ainda era melhor que uma mentira.
�Bom, Jane, ele est� dispon�vel, brincou Phil.
Desta vez Julianne riu.
Kris andou pela casa de Julianne observando cada m�veis, cada objeto. Encantava-lhe saber que tudo ali era do gosto de Julianne. Ou n�o? Ser� que contratou um decorador? Talvez Julianne tenha dito, mas n�o se lembrava. Mas isto n�o importava muito.
Sentia-se triste ali, insegura de onde se encontraria com Julianne, ou se encontraria. Dizem que o amor conquista tudo, lhe tinham dito, seria mesmo verdade? Nunca tinha visto. Tudo o que tinha presenciado sempre foi ao contr�rio. Ent�o, qual foi o sentido de ter dito a Julianne o que sentia? que sentido tinha ter se emocionado por Julianne sentir o mesmo?
Em um m�s ou dois, Julianne voltaria para Calif�rnia. Seguiria com sua s�rie e filmes, e Kris voltaria a vender pinturas na rua; perdendo seu tempo e energia estudando para se converter em algo que j� era.
Era t�o tonto pensar essas coisas. Era louco pensar que algo poderia sair disso. Jamais poderiam fazer dar certo.
Mas, ainda assim, todos estes pensamentos l�gicos n�o apagou o que sentiu ao ouvir Julianne dizer �eu te amo'. N�o podia mudar como se sentia quando pensava em Julianne, sem importar quanto inocente fosse o seu pensamento. Desejava mais. Desejava tudo. Desejava passear por essa casa e n�o se sentir uma intrusa. Desejava fazer a Julianne todas as perguntas que tinha pensado mas ficou t�mida para fazer. Desejava tocar Julianne sem temer que seu contato fosse mal recebido. Desejava um final para toda esta dolorosa incerteza.
Kris sentou-se no p� da escada perguntando-se ser� que Julianne mudou de id�ia; temendo que tudo o que nunca imaginou desejar tivesse aparecido e depois desaparecido, e a todo momento tentava se convencer desesperadamente que isso n�o importava.
Depois do jantar com os patrocinadores. Julianne foi ao hotel onde Derek e seus pais estavam hospedados. J� estava apaixonada pelo menino e s� o tinha visto durante uma hora. O almo�o com Derek e seu pai foi agrad�vel, foi um pouco mais estranho do que estava acostumada. Tinha-lhe agradecido profundamente por sua ajuda com o tratamento de Derek e Julianne agradecia pela id�ia encarregando o destino, de todas as cartas que Karen podia escolher a esmo, escolheu a de Jennifer para ser uma das tr�s cartas.
Tamb�m tinha que agradecer a Adrian e seu est�pido acordo. Mas principalmente a Kris� Kris era a raiz de toda esta bondade.
Enquanto chegava no restaurante, Julianne queria que Kris estevesse com ela. Ficou t�o ocupada tentando evitar o embara�o e tinha esquecido do que era importante. Como podia dizer a Kris que a amava e abandon�-la na manh� seguinte?
A noite algo teria que mudar. J� tinha come�ado, esta metamorfose inconsciente que se iniciou no momento que recebeu o primeiro e-mail de Kris. Julianne tinha mudado, podia sentir; mas ainda era a mesma. E isso lhe preocupava.
No corredor do hotel observou as portas do elevador se abrir e apareceu Derek e seu pai. Sorriu para eles. �Pode vir se quiser,� disse ao homem. �Se n�o se sentir c�modo em deixar Derek a meu cuidado.�
Steven sorriu. �Derek n�o me deixaria ir,� disse rindo. �Divertam-se. S� o traga antes de meia-noite.�
�Ser� mais cedo entre dez ou dez trinta,� prometeu. J� tinha decidido n�o ir a festa na casa da diretora. Tudo o que desejava que passasse r�pido essas duas horas de pura interpreta��o e ent�o voltar para casa, voltar para Kris.
Julianne sorriu para Derek e ofereceu-lhe sua m�o. �Pronto?�
O menininho consentiu e pegou sua m�o.
Julianne sorriu e sentiu-se feliz e aturdida, um pouco petrificada pelo que lhe aguardava em sua casa. Olhou ao sorridente garoto, cuja vida tinha ajudado a salvar, e se sentiu confiante, de que o destino existia.
Kris pegou um ponhado de areia, deixando-a escorrer entre os seus dedos. Era
calmante, mesmo estando inquieta e impaciente com o passar do tempo. Teve
quase o dia inteiro para compreender todas as suas emo��es e a
�nica coisa que tinha conseguido entender de fato era que amava Julianne.
E isso n�o era novidade.
�Fiquei feliz de te encontrar aqui.�
O cora��o de Kris disparou e ela virou a cabe�a para vera Julianne vindo at� ela. �Oi,� disse sentindo-se t�mida de repente. Em sua mente, sabia exatamente o que dizer a Julianne no instante que chegasse em casa. Mas agora n�o lembrava de uma s� palavra do extenso mon�logo que tinha escrito mentalmente.
Julianne sentou-se e Kris notou pela primeira vez que trazia uma tigela. �Oi,� respondeu Julianne.
O Que est� comendo?�
�Um experimento,� declarou Julianne pegando uma colherada. Apontou o conte�do da tigela. �� Cap�n Crunch Berries, Honey Nut Cheerios e Kashi Go.�
Kris franziu a cara com avers�o. �Ficou louca?�
Quer a primeira colherada?� ofereceu Julianne.
Kris negou com a cabe�a, mas depois se sentiu morbidamente curiosa. Planeja comer isso?�
Por que n�o?� perguntou Julianne. �Imaginei j� que s�o bons separados, devem ficar bem melhor juntos.�
Kris sorriu. �Lamento dizer que sua l�gica n�o � muito convincente. O que tem de errado com pizza congelada.�
Julianne pareceu pensativa. �Sabe, est� combina��o n�o ficou mal.�
Est� gr�vida por acaso?� quis saber Kris.
�N�o sei, depende de quanto foi h�bil ao me beijar,� respondeu Julianne brincando.
Kris quis rir, mas o coment�rio a lembrou de tudo o que ainda n�o tinham conversado. Como foi o seu dia?
Julianne ficou olhando sua tigela de sortidos cereais.Foi bom, disse misturando o cereal com o leite. Ergueu uma colherada. Acha que vou gostar disso?
�N�o, nem um pouco,� respondeu Kris e n�o pode evitar de rir.
Julianne levou o cereal em sua boca e mastigou pensativamente. �Hummm,� disse depois que engoliu. �N�o ficou ruim.�
Kris era c�tica. �N�o h� como estar bom isto.�
�Delicioso,� disse Julianne entre as colheradas. �Devo misturar com mais freq��ncia.�
E o que te levou a esta nova descoberta culin�ria? perguntou Kris.
Julianne sorriu. �Bom, esta manh� notei que n�o tinha cereais. Ent�o antes de voltar para casa parei para compr�-los. E n�o pude decidir entre seus favoritos e os meus. Assim peguei um de cada. E depois n�o consegui decidir qual eu comeria. Ent�o pensei em provar todos ao mesmo tempo. Sorriu. Foi estranho?�
�Muito,� confirmou Kris. Mas tamb�m foi bonitinho. Olhou para longe, sabendo que tinham que conversar sobre o que tinha acontecido. O Que vamos fazer?� perguntou.
Julianne olhou-a. �Ficar sentadas na praia.�
Kris n�o esbo�ou um sorriso, nem olhou para Julianne.
Julianne percebeu que a conversa seria
s�ria. �Acho que nos comportamos como duas idiotas. Eu mais que voc�,
porque eu deveria ter feito mais al�m do p�nico que senti.�
P�nico?� perguntou Kris.
Julianne largou a tigela de cereal e se virou para encarar Kris. Tem id�ia de quanto tempo estou apaixonada por voc�?
Kris paralisou-se com essas palavras.
Antes mesmo de eu me dar conta,� disse Julianne. �antes de conhecer-nos em Nova York. Antes de comprar sua segunda pintura. Esse tempo todo eu estava t�o convencida de que nunca poderia acontecer nada entre n�s que nunca me permiti me perguntar o que aconteceria se algo acontecesse de verdade. E ontem � noite aconteceu. E fiquei em p�nico porque n�o sabia o que significava para mim estar apaixonada por voc�.�
Kris pensou um pouco sobre o que Julianne tinha dito. Tinha muitas coisas que pensar antes de falar algo e era dif�cil decidir em qual se concentrar. Mas decidiu ir para a qual realmente importava. O resto poderia resolver depois, sozinha. Agora j� sabe o que significa estar apaixonada por mim? As palavras soavam-lhe irreais ainda n�o entendia como tinha chegado ao ponto de dizer tais coisas a outra pessoa, poderia ser qualquer pessoa, mas era para Julianne Franqui.
�Sei o que sinto,� disse Julianne. �Mas n�o sei o que sente, ou o que deseja.�
Kris olhou-a fixamente. O Que voc� deseja?
Eu desejo voc�, disse Julianne.
Kris queria chorar de felicidade e medo, mas conseguiu n�o chorar. Ainda tinha muito o que falar. �Realmente ainda n�o sei o que desejo. Quero dizer sei o que sinto por voc�. Sei o que significa no que diz respeito a n�s? Mas voc� ainda � Julianne Franqui. Ainda � famosa e as pessoas sempre est�o querendo saber de sua vida. Ter�amos que esconder tudo. N�o sei o que dizer a meus pais. E sua carreira� e se as pessoas come�arem a desconfiar? Ser� not�cia de todos os jornais. Todos saber�o. Est� disposta a se arriscar?
E voc�? perguntou Julianne suavemente.
�N�o tenho tanto o que perder como voc�, Julianne,� declarou Kris. Suspirou. �Mas, pensando em meus pais . Sei como reagiram com William��
Julianne consentiu, mas ficou calada.
�N�o quero cometer um erro,� continuou Kris sentindo romper seu cora��o. At� onde iria com isto? Ser� que desejava romper com Julianne antes mesmo de ter algo que romper?
Julianne n�o respondeu em seguida. Finalmente, perguntou, Voc� lamentou ontem � noite?�
�N�o,� disse Kris rapidamente. E voc�?
Jamais poderia lamentar ficar contigo,� respondeu Julianne.
Kris n�o sabia como interpretar esse coment�rio. O Que quer fazer?
�Quero estar com voc�,� respondeu Julianne sinceramente. �Mas n�o quero complicar a sua vida.�
E a sua vida?
Julianne sorriu. �Minha vida j� � complicada. Voc� � mais importante que meus medos banais.�
Kris ficou triste. Se Julianne n�o fosse famosa provavelmente n�o seria t�o complicado. �Ainda assim � sua vida, Julianne. Ser� sua vida que estar� constantemente em evid�ncia.�
�Eles tmb�m te arrastaram.�
�N�o tenho nada que perder,� disse Kris.
Julianne suspirou. O que quer dizer com isto?
Kris vacilou, insegura de como proceder. �Estou dizendo que, posso me sentir completamente aterrorizada com nossos futuros, mas isto n�o muda o fato de que estou completamente apaixonada por voc�... �
Julianne ficou olhando-a. �Ontem � noite eu disse para minha m�e que estava apaixonada por voc�.�
O Que? perguntou Kris, mais que emocionada. Quando?
�Quando estava l� fora me esperando,� respondeu Julianne. �Eu at� disse a palavra "sapat�o" para minha m�e.�
Kris riu, ainda n�o recuperada da revela��o de Julianne. O que ela disse?
�Nada, ainda,� Julianne respondeu. �Soltei a bomba e sai fora. N�o tive not�cias dela at� agora, deve estar ainda l� com a boca aberta.�
�Uau,� disse Kris. Nunca imaginei voc� saindo do arm�rio logo para sua m�e. Amar Julianne significava que sua sexualidade era totalmente assunto aparte. Ainda n�o estava completamente preparada para enfrentar esse momento. De algum modo, o amor parecia bem mais f�cil quando n�o se pensava em todos os detalhes que o acompanhavam.
�Estou cansada de viver uma mentira,� explicou Julianne. �Estou cansada de fingir cada dia de minha vida. S� quero ser eu.�
Kris sorriu. �Parece bom na teoria.�
�Sei,� admitiu Julianne. �Mas estou disposta a tentar.�
Kris consentiu perguntando-se quantas tentativas precisaria. Acha que o amor � suficiente para fazer as coisas darem certo?�
Quer descobrir?�
Esta foi a pergunta que se fez o dia todo. Queria descobrir? Sim. Mas tamb�m tinha medo. O que era mais importante: medo ou amor? Olhou para Julianne, que estava a olhando com expectativa. �Sim,� disse.
Julianne sorriu. �Acha que somos loucas?�
�Com diploma e tudo,� disse Kris sorrindo, sentindo-se emocionada de novo. Ia ficar com Julianne Franqui. Em que loucura estava se metendo? E por que n�o se importava com mais nada?
Julianne olhou para o oceano por um momento. �Quer ir ver um filme ou outra coisa?
Kris come�ou a rir. Isso � tudo?
Por acaso estava esperando fogos artificiais ou algo assim?� perguntou Julianne com um sorriso. �Poderia passar a pr�xima hora declarando meu eterno amor por ti, se preferir.�
Kris considerou a oferta. �N�o vou receber nenhum tipo de pr�mio por ter te ganhado?�
Julianne fingiu pensar. �Compartilharei minha cria��o contigo.� Segurou a tigela do agora empapado cereal.
Kris pegou e ficou olhando para aquilo. �Que nojo.�
Julianne sorriu. �Fica linda at� quando est� com nojo.�
O cora��o de Kris bteu forte, ainda n�o estava acostumada a ouvir essas coisas de Julianne. �Vai levar um tempo para eu me acostumar a isto. �
N�o precisa comer se n�o quiser,� brincou Julianne. �Parece um pouco nojento mesmo."
�Estava falando de n�s,� disse Kris com um sorriso.
�Provavelmente,� disse Julianne.
Kris ficou na frente de Julianne e decidiu que desejava algo al�m do cereal. Posso querer outra coisa?� perguntou levantando a tigela.
�N�o sei,� disse Julianne. �Me deu muito trabalho inventar isto.� Colocou a m�o no queixo e ficou pensativa... �Bom, mas s� desta vez.� Pegou a tigela de volta e a protegeu. O que voc� quer?.�
�N�o sei, outra coisa,� disse Kris se aproximando.
Julianne olhou ao redor. Areia?
N�o,� disse Kris, seu rosto estava a cent�metros do de Julianne.
Julianne olhou em seus l�bios, depois para o rosto. �Voc� n�o me deixa pensar quando faz isso.�
�Bom,� disse Kris com um sorriso.
�Eu te dou o oceano,� susurrou Julianne. � minha oferta final.�
Acho que terei que aceitar,� respondeu Kris ro�ando seus l�bios ligeiramente contra os de Julianne. �A n�o ser que deseje mudar sua oferta final.�
�� dif�cil negociar com voc�, Srta. Milano.�
� melhor se acostumar.�
E ent�o, naquele momento, cessou a conversa.
FIM... por agora.
Bom meninas, acho que muitas de voc�s esperavam mais do final, eu tamb�m. Quero informar que a autora Ingrid Diaz j� escreveu v�rios capitulos de o lado cego do amor 2, para as interessadas entre na p�gina do conto http://midnightisland.com/weblog/index.php/the-blind-side-of-love-v2
Infelizmente a autora n�o me autorizou a traduzir TBSOL, porque ela me disse que vai publicar como livro e por isto, n�o me autoriza. Talvez um dia ela libere, mas agora n�o tem nenhuma chance disto acontecer.
Agora � com vcs meninas mandem e-mails para ela em ingl�s ou espanhol.para elogiar o seu trabalho: [email protected]
Quero agradecer a todas vcs que gostaram do conto da Ingrid e de minha tradu��o. E todos os e-mails de apoio que recebi naquele momento que quase decisti se n�o fosse vcs n�o teria chegado ao final, sei que um pouco demorado, mas pe�o que me perdoem andei meio pregui�osa estes dias e meu teclado perdeu a vida de tanto eu digitar...rss. Quero deixar um beijo especial para aquelas leitoras que se tornaram minhas amigas, Joyce, Mari, L�, Yara e Cotoquinho.
E um beijo para todas dessa tradura mais ou menos..rss, que roeram as unhas e perderam noites de sono e dias de espera pelas minhas postagens..Eu adorei traduzir meu conto favorito para vcs.
Fernanda