Biografia
Nasceu em 1912 no interior da Bahia, terra do poeta Castro Alves . No ano seguinte ao de seu nascimento, uma epidemia de varíola obriga a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus, onde viveu a maior parte da infância que serviu-lhe de inspiração para vários romances.
Foi jornalista, e envolveu-se com a política ideológica, tornando-se comunista, como muitos de sua geração. São temas constantes em suas obras: os problemas e injustiças sociais, folclore, a política, crenças e tradições, e a sensualidade do povo brasileiro - contribuindo assim para a divulgação deste aspecto de nossa gente.
Suas obras são umas das mais significativas da moderna ficção brasileira, com 49 livros, propondo uma literatura voltada para as raízes nacionais. Em 1945, foi eleito para Deputado Federal pelo PCB, o que lhe rendeu fortes pressões políticas.
Foi casado com Zélia Gattai, também escritora e que o sucedeu na Academia Brasileira de Letras. Com ela teve dois filhos: João Jorge, sociólogo; e Paloma.
Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952).
Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros. Na década de 1990, porém, viveu forte tensão e expectativa de um grande baque nas economias pessoais, com a falência do Banco Econômico, onde tinha suas economias. Não chegou porém a perder suas economias, já que o banco acabou socorrido pelo Proer, controvertido programa governamental de auxílio a instituições financeiras em dificuldades. O drama pessoal de Jorge Amado chegou a ser utilizado pelo lobby que defendia a intervenção no banco, para garantir os ativos de seus correntistas.
Cacau
Livro subversivo
Segundo livro de Jorge Amado, "Cacau", de 1932, apresentou o escritor ao grande público e foi apreendido pela polícia por ser considerado um livro subversivo. Bom para ele, já que isso serviu de propaganda e aumentou a impressionante venda da obra, que teve uma tiragem de dois mil exemplares esgotada em quarenta dias. Verdadeiro fenômeno de mercado, "Cacau" fala sobre a opressão e a exploração dos
trabalhadores rurais pelos coronéis. O próprio Jorge Amado diz, em uma nota escrita no início do livro: "Tentei contar neste livro, com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia. Será um romance proletário?". Esta história inaugura o ciclo do cacau na sua obra, continuado por "São Jorge dos Ilhéus", "Terras do sem Fim", "Gabriela, cravo e canela" e "Tocaia grande". --por Flávia Ribeiro
Romance proletário
"Cacau" foi o segundo livro do autor baiano. Publicado em 1933, traz uma nota introdutória que explica o romance: "Tentei contar neste livro, com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia". E arremata: "Será um romance proletário?" Na época, a pergunta soava como uma provocação e um enfrentamento. O governo getulista já mostrava sua vocação autoritária e os problemas sociais não eram resolvidos. "Cacau" conta a história de um rapaz sergipano de classe média que perde tudo e vai para o sul da Bahia tentar a sorte. Lá, emprega-se na fazenda de um coronel, Mané Frajelo, apelido dado pelos empregados a Manoel Misael de Souza Telles, tiranete local, senhor de escravos de todas as raças. Com um estilo hipernaturalista e seco, o narrador-herói conta, em primeira pessoa, as infelicidades de uma classe oprimida. No final, traz uma mensagem de esperança, através do engajamento do herói no comunismo. Um livro datado e dotado de imensa força. -- por Luís Antônio Giron
O cais de Salvador
Pedro Bala, Professor, Sem Pernas, Pirulito, João Grande e Dora são alguns dos meninos de rua que formam o bando dos "Capitães da areia". São também personagens inesquecíveis, crianças e adolescentes que vivem nas ruas e no cais de Salvador nos anos 30 e que emocionam até hoje. A história deles faz parte das vidas de milhares de brasileiros, que leram o livro e viram as inúmeras montagens teatrais. "Capitães da areia" é um dos mais populares romances de Jorge Amado, um best-seller capaz de encantar adolescentes e adultos com seu lirismo. É difícil não se identificar com a histórias dessas crianças e de seus crimes, em um país tão cheio de menores abandonados e marginalizados. Proibido na ditadura do Estado Novo, o livro revela uma época em que muitos escritores eram politicamente engajados em causas revolucionárias. Jorge Amado conseguia sê-lo sem prejuízo da dramaticidade. --por Flávia Ribeiro
Meninos de rua
Capitães da Areia é a denominação histórica dos meninos de rua que andam em bandos em Salvador, praticando mendicância e pequenos crimes. Capitães porque agem como pequenos senhores das ruas da cidade. Areia porque moram num trapiche abandonado no areal do cais, onde antigamente as embarcações atracavam. No seu sexto romance, Jorge Amado conta a história do bando de meninos de rua liderados por Pedro-Bala. Têm entre 6 e 16 anos e andam em grupos mais ou menos organizados. As molecagens e infelicidades do bando de Pedro-Bala agitam as páginas de um dos melhores romances do escritor baiano. É um retrato poético e duro de uma cidade que produz riqueza e miséria na mesma proporção. Quando publicado, em 1937, em plena vigência do Estado Novo, o romance foi considerado subversivo e queimado em praça pública. Hoje é reverenciado como marco do romance urbano. -- por Luís Antônio Giron
Idílio de amor
Quando Jorge Amado escreveu e publicou "Gabriela cravo e canela" , em 1958, deu uma guinada estética em sua carreira. Até então, preocupava-se com a pintura da luta de classes sob um ponto de vista marxista. A partir de Gabriela, sua visão de mundo explode na exaltação mais universal da liberdade. A "crônica de uma cidade do interior" trata do longo idílio de amor entre a mulata Gabriela e o comerciante árabe Nacib. A história floresce em 1925, ano em que a pequena cidade de Ilhéus, na zona cacaueira, época em que a economia do cacau trazia grandes mudanças para a região. O autor contrasta duas situações: a urbanização trazida pelo cacau e a velha ordem, dominada pelos coronéis, que impõem sua vontade pelo uso do trafico de influência e dos matadores profissionais da época - os jagunços.-- por Luís Antônio Giron
Saudade da Bahia
O livro é a crônica de uma pequena cidade baiana, Ilhéus, quando passava por bruscas transformações, por volta do ano de l925. A riqueza trazida pelo cacau possibilitara o desenvolvimento urbanístico, rasgando-se ruas, construindo-se casas, fundando-se jornais e estabelecimentos comerciais. Nem por isso, no entanto, evoluíam os costumes dos habitantes, imperando, naquele cenário de violência, a lei dos mais fortes, os fazendeiros, que tendo a seu trabalho os jagunços, impunham o domínio do ódio e do terror. É neste cenário, que Jorge Amado faz desfilar a figura amorosa, sexual e primitiva de Gabriela. A figura de mulher que despertou o amor do árabe Nacib. O sabor de lembrar de personagens que fazem parte do imaginário brasileiro. Literatura e vida se completando pela escrita do baiano que soube se comunicar com sua gente. --por Patrício Bentes
Sobre o mar
"É doce morrer no mar..." Os versos, entre macabros e líricos, fornecem o fio condutor à narrativa do quinto romance do escritor baiano. Inspiraram também o compositor Dorival Caymmi para fazer um ciclo de canções. O livro é marcado pela atmosfera de tragédia e acaso que toma conta das vidas dos pescadores e suas mulheres, que vivem de esperar e temer. Trata-se da mais poética das narrativas do escritor. Lançado em 1936, foi celebrado por Monteiro Lobato e Mário de Andrade como um marco na literatura brasileira. A história de Gumercindo, o pescador Guma, e sua mulher, Lívia, tem um caráter universal, apesar de se passar num local e numa cultura restritos. Segundo pesquisa do jornal "O Globo", é um dos maiores livros da literatura brasileira, ao lado de "Iracema" e "Inocência". -- por Luís Antônio Giron
Sinopse:
Tieta, ex-pastora de cabras expulsa de sua terra pelo próprio pai, volta ao lar anos depois. E volta rica, cheia de planos, causando mudanças em sua cidade. Uma história divertida e sensual, que virou novela e filme de sucesso.
Tom folhetinesco
"Tieta do Agreste, pastora de cabras, ou a volta da filha pródiga, melodramático folhetim em cinco sensacionais episódios e comovente epílogo:emoção e suspense!" O livro de Jorge Amado se anuncia assim e cumpre todas as promessas. A história de Tieta, pastora de cabras de Sant'Ana do Agreste que é expulsa pelo próprio pai e volta anos depois, riquíssima graças à prostituição, é contada em tom folhetinesco. Engraçado e sensual, o livro traz personagens inesquecíveis, como a irmã da protagonista, Perpétua; seu sobrinho Ricardo; e o coronel Artur da Tapitanga. Jorge Amado usa e abusa de expressões e folclore regionais para criar uma narrativa envolvente, na qual o autor vez por outra se faz de personagem e dá seus próprios palpites na trama. Foi transformado em novela de grande sucesso, com Betty Faria como Tieta, e depois em filme, com Sônia Braga como a protagonista. --por Flávia Ribeiro
Sinopse:
Um romance forjado como um estudo sobre a economia cacaueira do sul da Bahia, terra natal do escritor, se transf
orma num relato violento, em que coronéis prepotentes escravizam homens e mulheres a seus caprichos e interesses econômicos.
Conflito e cacau
Ilhéus, a terra natal de Jorge Amado, "terra adubada de sangue", é o palco desse romance publicado em 1942. Ele marca a maturidade de Amado como escritor e crítico da realidade de seu país. O conflito entre coronéis e camponeses e a transformação da região gerada pela riqueza do cacau são os motores do entrecho, também feito de assassinatos covardes, vinganças gratuitas e despotismo dos coronéis, verdadeiros senhores feudais do sul da Bahia. Desfilam pelo romance personagens que ficaram famosos, como os coronéis Juca Badaró, Horácio e Maneca Dantas, a donzela Lúcia, a prostituta de luxo Margot, jagunços e matadores. Eles trabalham e tocaiam nas matas, freqüentam o bordel da Machadão e as casas grandes. No livro, Jorge Amado retoma e aperfeiçoa o tema de "Cacau". Detalhe: foi feito em homenagem ao compositor soviético Dmitri Shostakovitch.-- por Luis Antonio Giron
Farda, Fardão, Camisola de Dormir
Sinopse:
A disputa por vagas na Academia Brasileira de Letras é o tema central deste romance divertido e atípico de Jorge Amado. "Farda, fardão, camisola de dormir" é capaz de surpreender, positivamente, os fãs do escritor.
Segundo o aclamado escritor peruano Mario Vargas Llosa, "Farda, fardão,camisola de dormir" é uma "deliciosa sátira sobre intrigas entre acadêmicos, menos divulgada que as outras, apesar de seu humor sutil e de sua devastadora crítica à cultura burocratizada". Jorge Amado usa, neste livro, um humor cáustico para narrar histórias sobre disputas de cadeiras na Academia Brasileira de Letras. Apesar de contar uma história deliciosa, não fez um sucesso tão grande quanto outros livros do escritor, talvez por não se passar na Bahia e não falar dos folclores e mares baianos. Pois até por isso, por tratar de um universo estranho à obra de Jorge Amado e mostrar uma outra face do autor, surpreende e diverte. --por Flávia Ribeiro
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