A ORIGEM E EVOLUÇÃO DA DIOCESE DE SANTOS
Wilma Therezinha Fernandes de Andrade
A Organização Eclesiástica no Brasil
A criação da Diocese de Santos foi um fato culminante no processo de catolização das regiões brasílicas. É uma história que começa longe, em Portugal dos Descobrimentos, incumbido, muito antes de 1500, da evangelização das terras descobertas ou por descobrir, por autorização do Papa. Estabelecia-se o regime do padroado concedido desde 1456, à Ordem de Cristo, então tendo por grão-mestre o Infante D. Henrique, o Navegador. No correr dos tempos, o grão-mestrado ficou inerente à Coroa e a administração temporal e espiritual ficaram, em grande parte, unidas.
Em 12 de junho de 1514, quando o Brasil era um Interminável litoral com florestas próximas das praias, freqüentadas por caravelas e naus, carregadas de pau-brasil, o país passou à jurisdição da Diocese do Funchal, sediada na Ilha da Madeira, criada por Leão X. Assim se conservou durante 38 anos, quando foi estabelecido o primeiro Bispado brasileiro, pelo Papa Júlio III, sendo D Pero Fernandes Sardinha, pela Bula SUPER SPECULA MILITANTIS ECLESIAE, de 25 de fevereiro de 1551, o primeiro Bispo do Brasil. A criação da Diocese de S. Salvador, sufragânea de Lisboa, completava a estrutura administrativa do Governo Geral, instituído para corrigir os defeitos do sistema das capitanias hereditárias. É claro que antes da criação do Bispado de S. Salvador lá havia atividades eclesiásticas no Brasil. Na própria armada do Descobrimento, havia frades e, como é sabido, foi um franciscano quem rezou as duas primeiras missas no Brasil. Também a expedição de Martim Afonso de Sousa que chegou à nossa região, em 1532, trouxe dois franciscanos aos quais se atribui a igreja de Santo Antônio, construída próxima à atual Matriz de São Vicente. Há ainda um documento de D. João III, em 1534, que informa sobre um vigário e quatro capelães que iam para Pernambuco, configurando-se, assim, o provimento dos primeiros clérigos nomeados para o Brasil. A criação da paróquia de S. Vicente é de 30 de junho de 1535, sendo a primeira da Capitania de S. Vicente.
O primeiro pároco foi Pe. Gonçalo Monteiro, vindo com a esquadra afonsina, em 1532, e trabalhou até 1539, tendo sido loco-tenente do donatário Martim Afonso. Foi, também, vigário de Santos, de 1549 a, pelo menos, 1560. A criação do primeiro bispado na Bahia foi, do ponto de vista eclesiástico, o inicio de uma sistematização da obra evangelizadora e, do ponto de vista político, representou o fortalecimento da centralização, que era um dos objetivos desta nova fase da colonização portuguesa. D. Pero encabeçou a longa lista dos bispos do Brasil que, além dos trabalhos pastorais e evangelizadores, tiveram, com freqüência, de enfrentar conflitos contra colonos insubmissos e autoridades prepotentes e não poucos sofreram e até morreram por causa deste enfrentamento. História de fé e coragem! No século XVIII, a Diocese de São Paulo A Capitania de São Vicente ficou sob a jurisdição canônica do Bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro, criado em 1676. D. José de Barros Alarcão é considerado o primeiro bispo do Rio de Janeiro, pois assumiu a mitra em 1681. Nesse ano a Capitania passou a chamar-se São Paulo, por ter se transferido a sede da Capitania do litoral para o planalto. A expansão geográfica do Brasil no século XVII e primeira metade do século XVIII, ocasionada pela descoberta do ouro e diamantes; o crescimento da população; o aumento do numero de vilas e cidades e os problemas daí decorrentes, obrigaram ao desmembramento do bispado do Rio de Janeiro, o que ocorreu em 1745. Foram, então, criados os bispados de São Paulo e Mariana e as prelazias de Goiás e Cuiabá, no reinado de D. João V, o qual tinha como Ministro, o santista Alexandre de Gusmão. O território da Diocese paulista abrangia, além do atual Estado de São Paulo, parte do de Minas Gerais e os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A criação da Diocese de São Paulo deu-se pela carta-régia de D. João V, de 22 de abril de 1745 e pela bula do Papa Bento XIV, CANDOR LUCIS AETERNAE, de 6 de dezembro de 1745. A provisão da Mesa de Consciência e Ordens, de 6 de setembro de 1746, tornou civilmente criada a Diocese de São Paulo. Como a Capitania de São Vicente esteve desde 1748 subordinada, do ponto de vista administrativo, à Capitania do Rio de Janeiro (tendo sido mantida nessa condição até 1765), a criação do bispado paulista significou uma autonomia sob o ponto de vista eclesiástico. O primeiro bispo D. Bernardo Rodrigues Nogueira, nascido em Portugal, em 1695, veio para o Brasil para tomar posse de seu bispado. Passando, em 1746, pela Vila de Santos, foi recebido com festas e aqui ficou mais de um mês, começando a organizar a Diocese. Para que ele subisse a Serra do Mar, foi melhorado o Caminho do Cubatão, tendo entrado, na cidade de São Paulo, no mês de dezembro. Até novembro de 1748, quando faleceu, muito trabalhou: organizou a nova Diocese, publicou quatro Pastorais e deu testemunhos de vida piedosa. Sucederam-se a D. Bernardo quatro bispos, no século XVIII; cinco nomeados no século XIX e três no século XX. Em 1908, o Papa Pio X elevou 8. Paulo à Província Metropolitana Eclesiástica, sendo D. Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo metropolitano. No século XX, a Diocese de Santos Durante o governo de D. Duarte, deram-se novos desmembramentos da Arquidiocese paulista entre os quais a Instituição da Diocese de Santos, em 4 de julho de 1924. Faziam parte da Diocese de Santos as paróquias de N. Sra. do Rosário; Sagrado Coração de Maria; Santo Antônio do Embaré; Santo Antônio do Valongo, todas em Santos; a de São Vicente e a de Conceição de Itanhaem. Ainda: as paróquias de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, no Litoral Norte. Também nela se integravam: Apiai, Iporanga, Xiririca (atual El-Dorado Paulista), Iguape, Cananéia, Jacupiranga, Juquiá, Prainha (atual Miracatu), na região do Ribeira de Iguape (Litoral Sul). Abrangia a extensa Diocese 19.164 km2 e abrigava uma população de 344.041 pessoas. A Diocese de Santos formou-se do desmembramento das dioceses de Botucatu, de Taubaté, e da Arquidiocese de São Paulo. Os limites da recém-criada Diocese eram as Arquidioceses de São Paulo e Curitiba e as dioceses de Taubaté, Sorocaba, de Barra do Pirai (Rio de Janeiro) e por fim, o oceano Atlântico. Abrangia, pois, toda a zona marítima do Estado de São Paulo e os municípios do Ribeira e de Apiai. Foi o Papa Pio XI quem deu origem à nova Diocese, pela assinatura da Bula "UBI PRAESULES", em 4 de Julho de 1924.
Criada a Diocese, seu primeiro Bispo foi Dom José Maria Parreira Lara, que tomou posse a 18 de Abril de 1925, regendo a Diocese até 2 de Outubro de 1934. Dom José Maria, nos nove anos em que aqui esteve, deixou a marca da humildade, da simplicidade e da dedicação às famílias pobres e suas crianças. Nessa perspectiva fundou a Associação "A Casa do Senhor". Sua finalidade principal foi "o amparo às crianças filhas de operários e empregadas domésticas, que tendo necessidade de trabalharem fora de seus lares, se acham em dificuldades para zelar pelos seus filhinhos, ficando fundada a Creche com semi-internato para ambos os sexos de 3 a 6 anos, e internato para meninas de 6 a 18 anos (art. 3º do Estatuto). Para isso, manteve Escola Primária e Profissional. Também procurou olhar pelos doentes e velhos desamparados, mantendo Ambulatório, Farmácia e Dispensário aberto a todos os necessitados. A Associação congregou grupo de senhoras e confiou os cuidados da casa às Irmãs Calvarianas. Dom José Maria iniciou uma Diocese muito carente de Clero e de meios materiais. Narra-se que o Arcebispo de São Paulo, convidava-o para administrar o Santo Crisma a fim de que pudesse usufruir na ocasião das espórtulas oferecidas pelos fiéis. Por essa dedicação às crianças e aos pobres recebeu o epíteto de "Bispo da Caridade". Logo ao início de sua gestão pastoral criou a Paróquia de São José Operário e de Nossa Senhora do Terço no Macuco, em 1925. Em 1926 criou a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Pompéia. Em 1931 a de São Francisco Xavier em Registro e, em 1934, a de Santo Amaro e Nossa Senhora de Fátima, no Guarujá. Em 2 de Outubro de 1934, foi transferido para a Diocese de Caratinga, Minas Gerais. Tomou posse a 6 de Janeiro de 1935, vindo a falecer a 8 de Agosto de 1936. Acometido da febre tifóide durante Visita Pastoral que, apesar de conselho médico, empreendeu, disse: "É meu dever! E eu o irei cumprir. Muito embora com o sacrifício de minha vida".
Dom José Maria P. Lara
1º Bispo Diocesano
Dom Paulo de Tarso
2º Bispo Diocesano
Dom Idílio J. Soares
3º Bispo Diocesano
Bispo Emérito
Dom David Picão
Bispo Diocesano , Dom Jacyr Francisco Braido