DOUTRINA CATÓLICA
O Pecado Original
Editor do Site
O Catecismo da Igreja fala do pecado original na II Parte . O Pecado de Adão foi um pecado pessoal que afetou toda a natureza humana. O pecado original não é fruto dos nossos atos , mas um estado transmitido , uma herança da nossa condição humana decaída.
Pecado introduzido no mundo pela decisão do primeiro homem que optou pela ciência do bem e do mal e foi por isso condenado a peregrinar pela terra decaída , exilado do paraíso.
A junção da alma com o corpo no mundo , não se faz de modo pleno, como nos tempos da vida no paraíso . A harmonia da criação se desfez com o desejo humano de igualar-se a Deus. O homem transgrediu a lei divina e adquiriu a corrupção física e moral , fruto dos seus desejos egoísticos.
Para devolver ao homem a graça primeira que desfrutava antes da queda original Deus enviou seu Filho como nosso salvador que instituiu o batismo e os demais sacramentos , como forma de apagar o pecado original e todos os nossos pecados pessoais.
No batismo, morremos com Jesus , morre em nós a natureza pecadora do homem , e surge um novo homem. A graça justificadora do batismo nos restitui o céu , do qual estávamos proibidos de ingressar desde a queda original
Todos os demais pecados , após o recebimento da graça justificadora do batismo são frutos dos nossos atos conscientes. Não herdamos mais nenhuma maldição com a vitória do Cristo na cruz, todas as culpas futuras advirão de nossos atos conscientes e livres.
O batismo apaga, portanto, o pecado original como o pecado pessoal que eventualmente esteja presente nas nossas almas.
As crianças devem ser batizadas para receber a plenitude da graça que as faz nascer para a vida sobrenatural ; evitando também que morram , ainda como crianças, sem a purificação batismal imprescindível para a salvação. O recebimento da graça santificante do batismo independe dos méritos pessoais.
Sem a graça santificante do batismo , estaremos excluídos de toda a vida litúrgica da Igreja. Mesmo Jesus Cristo , que não tinha pecados , e que é a fonte de todas as graças , foi batizado, na plenitude da sua humanidade. Assim desejou o Cristo diante João Batista para que toda a Justiça fosse feita ; naquele momento , o Espírito Santo que vive Nele eternamente , veio ao seu encontro na forma de uma pomba . Tal como o Espírito Santo que sempre está com a Igreja também volta a ela na celebração da Santa Missa. Deus glorifica a Si eternamente e Jesus glorifica ao Pai Nele - o Cristo é a glória eterna de Deus que , ao Se glorificar , glorifica o Cristo.
As confissões cristãs ortodoxas (cismáticas) e os muçulmanos não aceitam a existência do pecado original, assim como, na própria história da Igreja romana, ele foi contestado (por hereges como Pelágio).
Diz o Catecismo católico, que: "A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original foi aperfeiçoada sobretudo no século V, em particular, sob o impulso da reflexão de S. Agostinho contra o pelagianismo; e no século XVI, em oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural de sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa, e assim reduziria a influência da falta de Adão à de um mau exemplo. Os primeiros reformadores protestantes, ao contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e sua liberdade anulada pelo pecado de origem; identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência ao mal ("concupiscência"), que seria insuperável. A Igreja se pronunciou especialmente sobre o sentido do dado revelado com respeito ao pecado original no II Concilio de Orange , no ano de 529 (cf. DS 371-72) e no Concilio de Trento, no ano 1546 (cf. DS 1510-1516), (CIC, n. 406).
No Concilio de Trento, a Igreja considerou anátema negar a existência do pecado original ou reduzi-lo a um mero aspecto da mortalidade, bem como afirmou ser esse mesmo pecado completamente removido das nossas almas com o batismo e o recebimento da graça justificadora .Diz ,também, o Santo Concílio :"a concupiscência, deixada para o combate, não pode causar danos aos que não a consentem e a resistem com coragem , pela graça de Jesus Cristo. (...) aquele que legitimamente lutar, será coroado'(2 Tm 2,5)" (Cc de Trento: DS 1515).
A negação da existência do pecado original, a proposição fundamental do pelagiansmo, foi considerada herética em concílios da Igreja.
O fato de não mais portarmos o pecado original , após o batismo, não implica que estejamos destituídos, por completo, do sofrimento e da morte física ; na verdade, só estaremos livres em definitivo do sofrimento, quando estivermos no plano sobrenatural ou no dia do Juízo-Final.
O batismo é uma nova criação, um novo nascimento, sem o qual, não entraremos no Céu, como disse o próprio Cristo Jesus. A graça batismal segundo o catecismo da Igreja , é uma participação na vida de Deus, nos introduzindo na intimidade da vida trinitária : "pelo Batismo o cristão participa da graça de Cristo, Cabeça de seu Corpo. Como 'filho adotivo' pode - agora - chamar 'Pai ' a Deus , em união com o Filho único. Recebe a vida do Espírito que a infunde a caridade e que forma a Igreja."(CIC , n 1997)
Adquirimos, com o batismo, uma nova filiação, somos adotados pela graça, passamos a integrar a família de Deus, em comunhão com toda a Igreja celeste e convidados cooperar na obra de Deus. (cf Jo 1, 12-18), filhos adotivos (cf Rm 8, 14-17), partícipes da natureza divina (cf 2 P 1, 3-4) e da vida eterna (cf Jo 17, 3).
Diz o Catecismo (n. 1265) "O Batismo não somente purifica de todos os pecados, faz também do neófito "uma nova criação" (2 Co 5,17), um filho adotivo de Deus (cf Ga 4,5-7) que foi feito "partícipe da natureza divina" ( 2 P 1,4), membro de Cristo (cf 1 Co 6,15; 12,27), co-herdeiro com Ele (Rm 8,17) e templo do Espírito Santo (cf 1 Co 6,19).
Nossa Senhora Maria Santíssima foi preservada do pecado original , a Virgem Maria foi a primeira pessoa a receber a graça justificadora , a mesma sob a qual a humanidade vivia antes da queda ; em virtude da missão a ela confiada de permitir a vida ao mundo, do Cristo salvador.
Maria Santíssima é a segunda Eva. A Eva de antes da queda , plena de graça. A Eva que , dessa vez , foi serva fiel do Senhor , disse sim a Deus, assumindo a graça a ela confiada de trazer ao mundo o Cristo salvador!