O reconhecimento dos milagres em Lourdes
______________________________________________-- Duas instituições científicas e uma eclesiástica analisam cada caso.
-- Mais de seis milhões de peregrinos visitam todos os anos a pequena localidade de Lourdes, no sul da França, conhecida em todo o mundo pelos milagres que com freqüência ali são registrados.
-- A Igreja Católica reconheceu oficialmente 67 milagres e cerca de 7.000 curas inexplicáveis após as aparições da Virgem Maria em Lourdes (11 de fevereiro de 1858), segundo constata o livro "O médico ante os milagres" ("Il medico di fronte ai miracoli", Editorial São Paulo), redigido pela Associação de Médicos Italianos.
-- Na obra colaborou o doutor Patrick Thiellier, diretor do "Bureau Medical", o Escritório Médico criado no Santuário para examinar cientificamente os supostos casos de cura.
-- Em 1905 Papa Pio X pediu que todos os casos de supostos milagres ou curas registrados em Lourdes fossem analisados de maneira científica.
______________________________________________O Escritório Médico
______________________________________________O Escritório Médico explica em sua página web (http://www.lourdes-france.com) que seu objetivo é o de poder declarar uma cura "segura, médica e definitivamente inexplicável".
Para isso, aplicam-se quatro critérios: "que o diagnóstico da enfermidade seja perfeitamente claro"; "que o prognóstico seja permanente ou terminal, em breve prazo"; ""que a cura seja súbita, sem convalescência, de golpe e duradoura"; "quem nenhum tratamento possa considerar-se como causa dessa cura nem sequer que a tenha favorecido".
Os enfermos que vão a Lourdes em grupo, acompanhados de ao menos um médico, vêm com um expediente médico que descreve seu estado.
Esse expediente serve de base de trabalho quando um peregrino declara ter sido curado.
Em caso de que se dê uma cura milagrosa, o expediente e o peregrino curado são apresentados no Escritório Médico, ou seja, ao médico permanente de Lourdes e a todos os médicos presentes naquele dia e que desejem participar desse exame.
O exame é feito seguindo um questionário preciso. Ao terminar esse exame, não se chegará a conclusão definitiva alguma. A pessoa curada será convidada a apresentar-se diante da comissão no ano seguinte ou em anos seguintes.
______________________________________________O Comitê Médico Internacional
______________________________________________Se os diferentes exames resultarem favoráveis, o caso de cura será enviado ao Comitê Médico Internacional.
Esta segunda instância foi criada em 1947 e está composta por cerca de 30 especialistas, cirurgiões, professores ou convidados de diversos países que se reúnem uma vez por ano.
Como em um tribunal de apelação, o Comitê Médico confirma ou rejeita a postura tomada pelo Escritório Médico em «primeira instância».
O voto final sobre a investigação propõe três opções: a rejeição, a aceitação definitiva do sujeito como curado excepcionalmente, ou a decisão de esperar para completar a investigação. As decisões devem ser tomadas por ampla maioria. Em caso de que seja aprovada, será conhecida como "medicamente inexplicável".
______________________________________________Exame da Igreja
______________________________________________Isto não significa que se trata de um milagre. Para que se dê esta declaração, se requer o estudo do caso por parte da Igreja. O expediente é confiado ao bispo do lugar onde reside a pessoa curada, quem deve criar uma comissão diocesana formada por sacerdotes, canonistas e teólogos.
As normas que ditam a conduta da comissão são as determinadas em 1734 pelo futuro Papa Benedito XIV em seu tratado: "Da beatificação e da canonização dos servos de Deus" (Livro IV, parte 1a capítulo VIII, no 2).
Esta comissão deve garantir que não encontre para a cura explicação alguma válida, médica, científica ou natural.
Em seguida, corresponde ao bispo pronunciar-se de forma definitiva. Depois de ter invocado o Espírito Santo, declarará milagrosa ou não milagrosa a cura.