Explicando a Santíssima Trindade
( I Jo. 5:7-8 ) “Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.”
_____________________________________________________________A Santíssima Trindade é um dogma da Igreja Católica , uma proposição teológica de crença obrigatória , definitiva e imutável. Assim sendo , é absolutamente verdadeiro , para todo o cristão, a existência de um único e mesmo Deus; criador do céu e da Terra e de tudo que nela há. Criador das coisas visíveis e invisíveis.
Sobre a Santíssima Trindade, o Concílio de Latrão (1215) assim manifestou-se:
"Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Deus Eterno, Verdadeiro, Imenso, Imutável, Incompreensível, Onipotente e Inefável; Pai, Filho e Espírito Santo; três pessoas certamente, mas uma só essência, substância ou natureza absolutamente simples. O Pai não vem de ninguém, O Filho apenas do Pai, e o Espírito Santo de Um e de Outro, sem começo, sempre, e sem fim" (Dz.428).
Esse Deus, que é eternamente um único e mesmo Deus, possui três Pessoas, eternamente, unidas na Sua constituição.
As três Pessoas da Santíssima Trindade correspondem às processões divinas imanentes ou " ad intra". O Verbo de Deus é o modo como Deus conhece e ama a Si mesmo. O Verbo é o princípio da sabedoria eterna presente na criação do mundo , o principio através do qual tudo foi feito, princípio que sustenta toda a realidade criada , e sem ele, nada foi feito. O Verbo é , assim , a palavra de Deus um engedramento eterno do entendimento divino. O Deus Pai, o Deus Filho e o Espírito Santo formam , portanto , uma unidade eterna, como revelada pelos evangelhos. São João evangelista é categórico "E estes três são um" (lJo 5,7)
As Três Pessoas encontram-se unidas em substância.Cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade é plenamente Deus.Sobre essa proposição manifestou-se o Concílio de Florença:"(...)o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho .O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho, é o mesmo Deus único" (ver Catecismo da Igreja Católica (c.245)). Essa última definição do credo católico :a afirmação teológica segundo a qual "o Espírito Santo procede do Deus-Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho, é o mesmo Deus único, constitui o principal ponto de divergência com a chamada Igreja ortodoxa. Trata-se da controvertida questão do "Filioque". Para a Igreja oriental, o Espírito Santo provém unicamente do Deus-Pai, "através" do Deus Filho, e não "do" Deus Filho; sendo "com" Ele igualmente cultuado. Apenas o Deus-Pai não procede de ninguém.
O Concilio de Toledo pronunciou -se sobre a questão: "O Espírito Santo, que é a terceira Pessoa da Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza. Contudo, não se diz que Ele é somente o Espírito do Pai, mas, ao mesmo tempo, o Espírito do Pai e do Filho". Não há nenhum rebaixamento no grau de adoração da Terceira Pessoa da Trindade nessa definição católica, como alegam os ortodoxos; isto porque, quando a doutrina católica afirma ser o Espírito Santo também originário do Deus Filho, ela obedece aos dizeres do próprio evangelho, quando o evangelista João 1 diz que " No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus"
Se o Verbo "é" Deus - uma processão intelectiva de Deus - o Espírito Santo necessariamente deve provir Dele. O Deus Filho também deseja o envio do Espírito Santo .
A Santíssima Trindade foi uma verdade teológica revelada pelo Deus-Filho, pelo Cristo.
Antes da vinda do Cristo, não se cultuava a Deus na forma trinitária, portanto foi com Nosso Senhor Jesus Cristo que a Trindade nos foi revelada. E o Cristo prometeu enviar o Espírito Santo Paráclito para o inicio da missão . São Paulo observa na Epístola aos Romanos:
"a revelação do mistério que foi ocultado durante muitas gerações, mas está agora revelado e, por meio dos escritos proféticos, tornou-se conhecido a todas as nações" (Romanos 16:25-26).
Diz o Catecismo da Igreja : " Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito do seu Filho, é realmente Deus (Gl 4,6). Consubstancial ao Pai e ao Filho, ele é inseparável dos dois, tanto na vida íntima da Trindade, quanto no seu dom de amor pelo mundo. Mas ao adorar a Santíssima trindade, vivificante, consubstancial e indivisível, a fé da Igreja professa também a distinção das Pessoas(...)( CIC 689 )
Jesus sempre teve consigo o Espírito Santo de Deus , mesmo antes de receber o batismo . O Cristo é o ungido de Deus . Diz o Catecismo da Igreja : "A vida pública de jesus tem início com o seu Batismo por João no Rio Jordão(At 1,22)(CIC 535); "O Espírito que Jesus possui em plenitude desde a sua concepção vem "repousar"sobre Ele. Jesus será a fonte do Espírito para toda a humanidade. No Batismo de Jesus "abriram-se os Céus", que o pecado de Adão havia fechado. É o prelúdio da nova criação (CIC 536)
A complexa idéia do Deus trino e uno é objeto de muita controvérsia, e motivo para o surgimento de várias heresias. A compatibilização de distinções na unidade divina, parece ser o centro das dificuldades geradas na doutrina cristã. O que diferencia as três Pessoas da Santíssima Trindade são as relações estabelecidas entre elas, como afirma o catecismo católico. O que distingue as três Pessoas da Santíssima Trindade é, portanto, o relacionamento existente entre elas jamais a substância. As três Pessoas compartilham eternamente a mesma substância divina. Nenhuma das Pessoas é maior em poder, glória e eternidade.
Exemplos neotestamentários desse relacionamento entre as Pessoas da Santíssima Trindade, encontramos em algumas passagens como em João :
" NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. 3 E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. 4 Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. 5 Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? 6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. 7 Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. 8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. 9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 10 Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. 11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. 12 Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. 13 E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. 15 Se me amais, guardai os meus mandamentos. 16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; 17 O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. 18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. 19 Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis. 20 Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. 21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. " Jo(14; 2 - 21):
A Segunda Pessoa da Trindade, o Deus-Filho, foi definida pelo I Concílio de Nicéia(325 d.C.) como possuidor de duas naturezas e duas vontades, unidas ; mas imiscíveis. O Filho de Deus é, plenamente, homem e plenamente Deus; consubstancial ao Pai. ("homousios");participe, portanto, da mesma substância do Pai.
Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo as definições do Concílio de Nicéia - em resposta à heresia de Ário - é definido como "Deus de Deus","Luz da Luz","Deus verdadeiro do Deus verdadeiro". O Cristo é as primícias dos que dormem; ele é - assim - a imagem do homem futuro.
Jesus Cristo é, portanto, verdadeiramente, homem e verdadeiramente Deus; gerado porém jamais criado. O Deus Filho é um engendramento de Deus. Ele é o Verbo incriado, através do qual tudo foi feito. O Cristo é o Único Filho de Deus que de uma única vez redime toda a humanidade.
Diz o Novo Testamento:"O qual, sendo de condição divina, não reteve avidamente o fato de ser igual a Deus, mas se despojou de si mesmo, tomando a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens e aparecendo em seu porte como homem..." (Fil 2,6-7). Diz também São João, evangelista logo ao iniciar seu evangelho "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (Jo 1,14). Cada uma das três pessoas da Santíssima Trindade deve ser cultuada igualmente, objeto da mesma adoração.
Todas as três pessoas possuem igual divindade. Não há hierarquia na Santíssima Trindade. O próprio Cristo afirmou inquestionavelmente: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30); além de ordenar aos apóstolos que levassem seus ensinamentos bem como a ministração do batismo em nome das três pessoas (Mt 28, 19).
A doutrina católica da Santíssima Trindade pode assim ser entendida:
"A fé católica é esta: que veneremos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade" (ver-Catecismo da Igreja Católica, no 266).
O III Concílio de Constantinopla (680-681), dirimiu as dúvidas existentes sobre as duas vontades do Cristo questão relacionada a duas proposições heréticas - o monofisismo de Eutiques e, posteriormente, monotelismo de Sérgio, patriarca de Constantinopla - "Proclamamos igualmente, conforme os ensinamentos dos Santos Padres, que não existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso. E estas duas vontades físicas não se opõe uma a outra como afirmam os ímpios hereges..." (Dz. 291 e Dz. 263-288).
Quando Deus atua, são sempre as Três Pessoas que atuam; contudo, cada uma realiza uma obra específica conforme suas propriedades.
O Cristo salva e julga, o Espírito Santo anima a vida e conduz a Igreja transmitindo as graças de Deus nos sacramentos e as demais graças solicitadas pelos fieis. Diz assim o catecismo da Igreja Católica: "Pois da mesma forma que a Trindade não tem senão uma única e mesma natureza, assim também não tem senão uma única e mesma operação (...) Contudo, cada pessoa divina opera a obra comum segundo a sua propriedade pessoal" (ver Catecismo da Igreja Católica, no 258).
O Deus Pai é o criador do mundo; o Deus Filho é a salvação ofertada por Deus aos homens, através da segunda Pessoa da Trindade que há de vir no Fim dos Tempos para julgar os vivos e os mortos. O Cristo é a Nova e eterna aliança de Deus para com os homens celebrada nele mesmo. O Filho de Deus é o modo como Deus revela-Se aos homens na plenitude dos tempos.
O Espírito Santo anima a vida, conduz a Igreja, e unge seus filhos com Seus dons de cura, sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade, e temor de Deus.
A Santíssima Trindade é uma verdade de fé, um mistério - objeto de crença e não de entendimento pleno. Mais importante que destrinchar o mistério da Santíssima Trindade é praticar a caridade e o amor ao próximo. Assim diz oficialmente a Igreja de Roma.
Prof Everton Jobim
_____________________________________________________________Increatus Pater , Increatus Filius , Increatus Spritus
______________________________________________________________Alguns esclarecismos , em acréscimo , sobre as Processões divinas
______________________________________________________________A propósito do significado da expressão " processão na essência " . Cabe observar que segundo a definição da doutrina católica , existem duas processões imanentes à divindade : a processão intelectiva e a processão volitiva.
A processão não é uma ação causal na substância divina , não é uma divisão na simplicidade e na unidade eterna de Deus , mas sim , uma ação que produz uma relação interna a Deus - uma relação , eterna e absoluta , na divindade. Nesse processo , não se criam novas substâncias , não são acrescentados acidente à divindade , porque Deus é sempre Ato puro . Sua essência se confunde com a Sua existência , não havendo acidentes em Deus.
Deus é um ser imutável , pleno , uno e indiviso. Contudo , em Deus , existem relações de processão que constituem , ou originam , as chamadas Pessoas da Trindade .
Em Deus , só existem distinções , em suas relações. Em Deus não há acidente ! As relações , em Deus , não são acidentes , são a própria essência divina , pela qual Deus é subsistente. Em Deus , portanto , Pessoa é Relação , enquanto subsistente , ou seja a própria essência divina.
Em Deus existem quatro relações .
As pessoas são as relações ; a principio , deveriam existir quatro pessoas e não três , como Cristo nos revelou .
Processão intelectiva : Paternidade e Filiação .
Processão volitiva : Expiração e Processão .
As relações opostas tem que pertencer necessariamente à pessoas divinas distintas.
Paternidade e Filiação são relações opostas. A Paternidade corresponde a uma pessoa - o Pai - , e a Filiação corresponde a outra ao Filho. A Paternidade subsistente é a pessoa do Pai. A Filiação subsistente é a pessoa do Filho. Expiração e Processão são relações que se opõem entre si , mas não se opõem nem à Paternidade nem à Filiação. Portanto , se a expiração se opõe à processão , elas não podem pertencer ambas a uma só pessoa , quer ao Pai , quer ao Filho. É impossível que a "processão" - Deus amado - pertença ao Pai e ao Filho juntos , nem a cada um em separado, isto obrigaria o ato do querer divino preceder ao ato do entender divino. O que é impossível em termos lógicos pois o conhecer precede logicamente o querer.
Primeiro , Deus conhece a Si mesmo , e depois manifesta o amor eterno por si . Sempre lembrando que essa ordem de precedência é , apenas , lógica ; pois em Deus , não há sequência temporal - nos termos de passado , presente e futuro - , que são , sempre , um eterno presente em Deus.
O Espírito Santo procede do Pai e do Filho , porque essas duas pessoas estabelecem ou são o estabelecimento do conhecimento eterno de Deus ; que , sequencialmente , Ama a Si , eterna e necessariamente , após conhecer a Sua própria natureza. O Pai e o Filho amam a si próprios e deles procede o Espírito Santo , como unidade do amor divino .
Essas Pessoas não são três substâncias diferentes , mas sim , relações na mesma substância divina. As Pessoas da Trindade são relações em Deus . São ações eternas em Deus , que não têm começo nem fim.
Existem três Pessoas na mesma substância divina ; que não se constituem em três divindades , ou na união de três deuses , ou ainda , em um processo de mutação na divindade.
Deus é um Ser Uno , Simples , Eterno ; e Nele existem Três Pessoas , eternamente unidas .
O Deus Filho é o conhecimento que Deus tem de Si próprio ; é como um espelho de Deus . Deus Se conhece no Deus Filho - o Verbo divino é a Verdade de Deus , o Deus conhecido.
O Verbo é chamado de Deus Filho porque procede do Deus Pai . O Deus Filho é , assim , a ação eterna do entendimento divino . Ele procede apenas do Deus Pai.
O Deus Espírito Santo corresponde ao ato de amor de Deus por Ele mesmo . Deus quer a Si , na Pessoa do Espírito Santo . O Deus Filho também manifesta Seu amor por Si , e esse ato de amor se expressa no Espírito Santo que também procede do Deus Filho.
No Deus Pai , estão o Deus Filho e o Espírito Santo ; no Deus Filho estão o Deus Pai e o Espírito Santo ;e no Deus Espírito Santo , estão o Pai e o Filho.
Existem também processões " ad extra " , que são as relações da Trindade realizadas no mundo . São também chamadas de processões econômicas . Em Pentecostes houve um processão "ad extra " , Deus Pai e Deus Filho enviaram o Espírito Santo Paráclito aos apóstolos , sendo que o Pai e o Filho estão presentes no Deus Espírito Santo enviado.
Nos Sacramentos também ocorre a processão divina , a graça santificante é a expressão da processão divina em nossas almas . Através dessa processão , Deus Se oferece eternamente em Sacrificio , para a Sua glória , e para a redenção dos homens , na Santa Eucaristia.
No Batismo , também ocorre processão quando morremos no pecado e recebemos a filiação adotiva , acolhendo o Espírito Santo em nossas almas. A graça é , portanto , a persistência na vida divina ; a união da vida humana à vida divina. Mediante a qual , Deus revela , permanentemente , as suas verdades aos homens.
Ele justifica os homens e permite que estes cresçam na graça , na justiça e na caridade com a aquisição de méritos.
A Trindade é uma verdade revelada pelo Cristo , antes da Sua vinda não se concebia Deus como um Ser Trino e Uno.
Existe uma outra ação divina , distinta da processão , que é a 'criação' . Na criação , Deus faz existir algo diferente Dele ; como na criação do mundo , da alma humana e etc. Na 'processão' , ao contrário , Deus não cria nada , apenas estabelece , eternamente , um relacionamento interno a Ele. Esse relacionamento não tem começo nem fim , mas foi revelado aos homens num determinado momento da história.A substância divina é espiritual ( amor , verdade , vida e perfeição ), e as três Pessoas da Trindade partilham essa mesma substância.
SOBRE A SANTÍSSIMA TRINDADE
Disse Santo Tomas de Aquino:
"Quando falamos de Santíssima Trindade, temos que fugir dos erros opostos e caminhar com precaução entre ambos: Um é o de Ario, que afirma a trindade de substâncias com a trindade de pessoas; e o outro o de Sabelio, que afirma a unidade de pessoas com a unidade de essência.
Para não cair no erro de Ario, é necessário que ao falar de Deus nos guardemos de usar os vocábulos "diversidade" e "diferença", por temor de alterar o conceito da unidade de essência, bem que para expressar a oposição relativa podemos empregar a palavra "distinção". Por isso, quando em qualquer escrito ortodoxo falemos as palavras diversidade ou diferença das Pessoas, devemos entender distinção. Do próprio modo, si se quer não alterar o conceito da simplicidade divina, devemos guardarmos de usar as palavras "separação" e "divisão", as quais significam divisão de um todo em diversas partes. Assim também, para não alterar o conceito da igualdade das pessoas divinas, devemos evitar a palavra "disparidade"; e por último para não alterar o conceito da semelhança entre as mesmas pessoas, não podemos dizer de nenhumas que seja dessemelhante e estranha a outra, porque, como disse Santo Ambrósio (De Fide, lib. II), entre o Padre e o Filho nada tem que seja dessemelhante, pois neles tem uma mesma e só divindade. Ao qual acrescenta Santo Hilário, que em Deus nada tem de separável. (De Trinitate, VII).
Enquanto ao erro de Salesio, para não cair nele, devemos abstermos de empregar a palavra "singular", por ser oposta ao conceito da comunicabilidade da essência divina. Porque como disse Santo Hilário em seu mesmo citado livro: Chamar Deus singular ao Padre e ao Filho, é um sacrilégio. Pela mesma razão não devemos tampouco usar a palavra "único", se não queremos adulterar o conceito de pluralidade de pessoas, pois, como disse também Santo Hilário, em Deus cabe a singularidade nem o sentido que implica a palavra "único". Dizemos certamente Filho único, por quanto, em efeito, Deus não tem vários; mas está mal dito Deus único, por quanto, a divindade é comum à várias pessoas. Tampouco devemos usar a palavra "confundido" por não tergiversar a ordem da processão das pessoas divinas, pois como disse Santo Ambrósio: O que é uno, não é confuso, assim como também tampouco é múltiplo ou que não contém diferença alguma. Evidente também, por último a palavra "solitário" , como oposta ao conceito da união entre as pessoas divinas, porque como disse Santo Hilário (IV, De Trinit.): O Deus à quem adorar devemos, não é um Deus solitário nem um Deus em quem se ache fale diversidade alguma."(Sum. Theol., I, q. XXXI, 2)."
Espero ter contribuído para o melhor esclarecimento do tema . A questão é das mais difíceis e complexas no âmbito da doutrina da Igreja.
Prof Everton Jobim -- Antropologia das religiões
(*) Anício Mânlio Torquato Severino Boécio - filósofo do século V / VI defendeu idéias sobre a Santíssima Trindade (relações na substância divina) e a natureza humana (substância racional) que foram adotadas por São Tomás de Aquino. Buscou , sempre , conciliar a fé e a razão. Autor do Tratado 'De Trinitate' ; é considerado o precursor da escolástica .