Temas Sócio-Políticos nos "Smurfs"

Por J. Marc Schmidt

Traduzido por Alexis Lemos (ab_lemos AT ig.com.br)

1) Introdu��o:

Esta � uma an�lise discursiva do programa de televis�o "Os Smurfs", criado por Peyo e levado ao ar pela primeira vez durante a maior parte dos anos 1980. Em outras palavras, esta � uma an�lise de alguns dos temas s�cio-pol�ticos que eu percebi na s�rie.

"Os Smurfs" � um programa �nico. Ele �, primeiro e acima de tudo, um desenho animado, e como tal � direcionado para crian�as. A discuss�o poderia acabar aqui, contudo, diversamente de muitos outros desenhos animados ou mesmo outros programas de televis�o, "Os Smurfs" � sobre uma sociedade inteira e suas intera��es consigo mesma e com intrusos, em vez das aventuras de apenas uns poucos personagens. Portanto, eu acredito que ele �, em resumo, uma f�bula pol�tica, da mesma forma que "O Le�o, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" [da s�rie "Narnia" de C.S. Lewis - N. do T.] � uma f�bula sobre a cristandade. Em vez de cristandade, todavia, "Os Smurfs" � sobre marxismo.

Eu n�o estou acusando "Os Smurfs" de serem algum tipo de propaganda subversiva infantil - e ainda que fosse, seria realmente pior do que a enxurrada de desenhos "brinquedol�gicos" da mesma d�cada, que existiram apenas para vender brinquedos de pl�stico? De qualquer forma, este ensaio deveria ser encarado como um elogio do mais alto n�vel. Que outros programas infantis poderiam expressar a quest�o do marxismo dessa forma, e em tal ponto fulcral da hist�ria da Guerra Fria? "Os Smurfs" deveriam ser elogiados por usar met�foras e o artif�cio do conto de fadas para apresentar as crian�as aos temas pol�ticos. Se Peyo era um socialista, todavia, ele n�o era obviamente do tipo que tinha tempo a perder com a vers�o praticada na Uni�o Sovi�tica e em outros estados policiais do bloco oriental. Ele era um ut�pico. H� uma aus�ncia clara de qualquer tipo de ex�rcito ou pol�cia na Vila Smurf. Em raras ocasi�es, quando � necess�rio, eles formam sua pr�pria mil�cia civil para defender-se de amea�as. Sen�o, � o absoluto oposto do estado policial.

Ap�s minha breve an�lise do marxismo em "Os Smurfs", falarei sobre as quest�es de feminismo e homossexualidade no programa. Mas o interesse central neste ensaio � argumentar que "Os Smurfs" foi uma f�bula marxista.

2) A Vila Smurf como uma Utopia Marxista:

A pr�pria Vila Smurf � um modelo perfeito de uma comuna ou coletivo socialista. Ela depende de si mesma, e a terra n�o � possu�da por indiv�duos, mas pelo coletivo inteiro de todos os Smurfs, isso se a palavra "possu�da" for apropriada.

Papai Smurf representa Karl Marx. Ele n�o � tanto um l�der dos Smurfs quanto um igual reverenciado pelos outros por sua idade e sabedoria. Ele tem uma barba, como tinha Marx, e por conseguinte poderia ser concebivelmente tamb�m uma caricatura. E finalmente, ele se veste de vermelho, que � a cor tradicional do socialismo. O Smurf G�nio poderia representar Trotsky. Ele � o �nico na vila que chega perto de igualar o intelecto do Papai - ele � um pensador. Com seus �culos redondos, ele tamb�m pode ser uma caricatura de Trotsky. Ele � freq�entemente afastado, ridicularizado ou mesmo expulso da comunidade da vila por suas id�ias. E, de fato, Trotsky foi banido da URSS.

A despeito de suas diferentes profiss�es/peculiaridades, todos os Smurfs s�o completamente iguais. Deste modo, enquanto as ocupa��es de certos Smurfs, tais como Fazendeiro, Pr�tico e Guloso, s�o mais importantes que outras, tais como Desajeitado, Ranzinza ou Pregui�oso, n�o existe o sentimento de que certos Smurfs s�o superiores ou inferiores a outros por causa do seu trabalho, ou n�vel de habilidade, porque no fim, todos s�o em primeiro lugar, Smurfs.

Economicamente, a Vila Smurf � um mercado fechado. N�o h� dinheiro, e todas as posses s�o comunais - propriedade do coletivo. Cada qual � igualmente um trabalhador e um propriet�rio. Os Smurfs rejeitam a id�ia de uma economia de livre mercado, com sua gan�ncia e injusti�as, e o coletivo � mais importante e valioso do que o indiv�duo. O todo � maior do que a soma de suas partes. John Lennon convidou-nos a "imaginar nenhuma posse". A Vila Smurf atinge este objetivo. De fato, muitas das id�ias expressas naquela can��o s�o realidade na Vila. H� uma grande obra de capital, ou meios de produ��o produzidos, na Vila Smurf: o dique. Ele � apropriado, operado e reparado pelo coletivo inteiro. Todo os Smurfs se referem um ao outro pelo mesmo t�tulo: "Smurf". Por exemplo, Smurf G�nio, Smurf Pr�tico, Smurf Brincalh�o, Smurf Pregui�oso, Papai Smurf. Isto � altamente evocativo do uso da palavra "camarada" nos estados socialistas quando se referindo uns aos outros, em vez de t�tulos mais elitistas.

Somando-se � id�ia de completa igualdade na Vila, a maioria dos Smurfs vestem o mesmo tipo e cor de roupa. � um uniforme geral de trabalho, e com seus gorros peculiares e pele azul, � altamente evocativo do assim chamado "Terno Mao", comum na China mao�sta. Na tradi��o do marxismo puro, a Vila Smurf � at�ia. N�o h� deus, e n�o h� Padre Smurf. Existem apenas as for�as "reais" da natureza e f�sica, e estas s�o representadas metaforicamente pelas personagens M�e Natureza e Pai Tempo. De fato, h� magia tamb�m, tanto praticada por Papai, Gargamel, Balthazar e outros, mas � simplesmente outra ferramenta, algo que ocorre na natureza, que tem propriedades f�sicas e que pode ser explorada com a t�cnica certa. N�o �, como em muitas religi�es, um modo de entender o universo num contexto sobrenatural.

O epis�dio "O Rei Smurf" foi a ilustra��o final do conflito marxista entre o tipo de governo ruim, opressivo, onde reis (e capitalistas) gananciosos exploram a popula��o para seus pr�prios fins; e o bom modelo pol�tico igualit�rio formulado por Marx. No epis�dio, uma mil�cia � formada para derrubar G�nio, que se tornou rei na aus�ncia de Papai Smurf, e a ordem ut�pica � restaurada quando Papai Smurf retorna. Neste caso, Papai Smurf, como o pr�prio Marx, representa a forma ideal de marxismo.

O bruxo malvado Gargamel representa o capitalismo. Ele incorpora tudo de ruim sobre o capitalismo. Ele � ganancioso, impiedoso, e sua �nica preocupa��o � com a pr�pria satisfa��o. Ele demonstra o que acontece quando o indiv�duo torna-se mais importante do que a sociedade na qual ele vive. N�o por coincid�ncia, ele tamb�m � um velho ermit�o louco sem nenhum amigo verdadeiro.

O que Gargamel quer fazer com os Smurfs? Ele tem duas id�ias. A primeira � com�-los. Isso � ins�lito, porque os Smurfs s�o pequenos e raros, e n�o seriam t�o bons para comer quanto, digamos, um cervo. � semelhante a obsess�o de Frajola em comer a refei��o tamanho-bola-de-golfe representada pelo Piu-Piu. Existem duas explica��es.

A primeira � que metaforicamente, ele quer devorar o socialismo, como o Ocidente queria fazer com a URSS e seus sat�lites durante a Guerra Fria atrav�s de suas t�ticas de cerco. A segunda � que, como um genu�no capitalista, ele deseja transformar tudo numa mercadoria - inclusive pessoas. A segunda coisa que Gargamel planeja fazer com os Smurfs quando os capturar, � transform�-los em ouro. Como o supercapitalista supremo, ele est� mais preocupado com sua pr�pria riqueza do que com igualdade e justi�a. Como qualquer capitalista estilo Adam Smith, � seu estado "natural" querer tanto dinheiro quanto possa obter.

Gargamel � um homem frio, amargo e por fim, vazio. Isto porque ele n�o tem nada mais na vida a n�o ser uma busca desalmada por riqueza e posses. Uma exposi��o definitiva sobre os efeitos anti-sociais do racionalismo econ�mico.

O gato ruivo de Gargamel, Cruel, representa o trabalhador no impiedoso estado de mercado livre que � a casa de Gargamel. Ele n�o se queixa, ou, dado que n�o tem voz (isto �, sindicatos), � metaforicamente incapaz de se queixar. Ele n�o pode negociar seu sal�rio - ele come o que quer que seja dado pelo seu mestre. Ele � menor e menos pr�spero que Gargamel, e metaforicamente, representa o proletariado, enquanto Gargamel representa a burguesia. Cruel � explorado e oprimido. Ele arrisca sua vida lutando e ca�ando para seu mestre, e n�o tem a capacidade intelectual para questionar este estado de coisas, da mesma forma que o trabalhador sofreu sua sina por s�culos, porque a educa��o estava fora de alcance para ele, e ele n�o tinha outra op��o a n�o ser trabalhar para seus patr�es.

Gargamel � dono de sua casa e de tudo dentro dela, incluindo o capital do seu equipamento alqu�mico, mas em nada isso lembra o modo como os Smurfs se apropriam de sua vila. Se a mesma estrutura pol�tica existisse na casa de Gargamel, tanto ele quanto Cruel seriam donos em p� de igualdade, sem levar em conta o tamanho superior, conhecimento e habilidade de Gargamel. Mas Cruel n�o possui nada.

A incurs�o de novos personagens no fim da s�rie/dos anos 1980, tais como os "Os Snorks", com suas cores, apar�ncia e roupas diferentes, podem ser vistos no mundo real como uma incurs�o dos interesses comerciais para incrementar a popularidade e vendabilidade do velho programa. No programa, metaforicamente, eles representam a invas�o ocidental na harmonia ut�pica da Vila Smurf, da mesma forma que as reformas glasnost e a perestroika de Gorbachev, de meados para fins dos anos 1980, anunciaram a morte definitiva da Uni�o Sovi�tica.

3) Feminismo e "Os Smurfs"

Monique Wittig escreveu que as mulheres s�o definidas como mulheres, enquanto os homens s�o definidos por sua ocupa��o, a id�ia sendo que os homens t�m ocupa��es mas as mulheres n�o. Por exemplo, se um acidente estiver sendo relatado, as v�timas podem ser descritas como 'um professor, um encanador e uma mulher'. Smurfete � a �nica na vila a n�o ser definida por uma ocupa��o ou um tra�o de personalidade como os homens, ou verdadeiros Smurfs, mas por seu sexo. Ela n�o � um membro verdadeiro da sociedade por causa do seu sexo, e isto � representado metaforicamente no programa pelo fato de que ela foi criada por Gargamel.

O sufixo diminutivo 'ete', comum em nossa sociedade, tamb�m identifica Smurfete como n�o sendo igual aos homens. Ela � o segundo sexo.

Acima, eu afirmei que todos na Vila eram iguais. Num certo sentido, isso ainda � verdadeiro. No in�cio, todos eram do sexo masculino, e a introdu��o da Smurfete n�o quebrou a ordem patriarcal. Assim, Smurfete � igual aos outros politicamente, mas n�o socialmente.

Num estado patriarcal ideal, sexista, as mulheres n�o s�o parte da comunidade. Elas n�o ocupam a 'esfera p�blica' do trabalho e do mundo exterior, e certamente n�o trabalham. A principal ocupa��o da Smurfete parece ser ficar por a� embelezando o cen�rio, ou seja, 'sendo a mulher', embora quando parte-se para a resolu��o de um problema, os produtores, a quem somos gratos, n�o fizeram dela uma doidivana descerebrada. Ela � realmente um pouco mais arguta do que o resto dos Smurfs, exceto, naturalmente, do que o Papai.

Smurfete � definitivamente o 'objeto' do olhar masculino. Dado que ela � o objeto, os homens s�o os sujeitos. Eles s�o ativos, ela � passiva.

Smurfete n�o tem seios. Acredito que isso � significativo quando consideramos como ela foi criada. Come�ou a vida quase como a cria��o frankensteiniana de Gargamel. Como um capitalista, ele naturalmente a tratou como uma mercadoria, algo que pode ser feito, usado e descartado, tudo enfim para fazer dinheiro para ele. A id�ia de que uma mulher pode ser feita por um homem nega �s mulheres o papel chave na procria��o. O fato de que ela n�o possui seios vai al�m nessa nega��o da natureza, uma tentativa de controlar as mulheres para faz�-las conformar-se � norma social imposta pela ordem patriarcal.

Smurfete � uma cria��o secund�ria, visto que ela foi criada depois dos homens. Ela tem um cora��o de pedra, e tecnicamente, � an�mala. F�sica e metaforicamente, ela n�o � uma Smurf 'real'. Ela �, em resumo, ruim e errada, como as culturas patriarcais t�m visto as mulheres por s�culos.

Como voc� faz uma mulher melhor? Em outras palavras, como voc� faz uma mulher que seja aceit�vel pela sociedade (isto �, a Vila ou nossa pr�pria sociedade)? Um, voc� retira toda a luta dela. Faz�-la d�cil, faz�-la andar na linha criada e mantida pela estrutura social dominada pelos homens. Um exemplo visual disso � a transforma��o dela de morena em loira. A sociedade ocidental tradicionalmente estereotipa mulheres de cabelos escuros como inteligentes, mas loiras como est�pidas, por�m mais belas e desej�veis. E este � outro modo de fazer uma mulher melhor. Voc� a faz bonita. Essencialmente, quando Papai Smurf lan�a seu feiti�o para fazer de Smurfete uma Smurf 'real', a diferen�a vis�vel foi de que ela tamb�m ficou mais 'bonita'. Logo segue-se que antes, ela era feia. Assim, quando ela se torna uma mulher, feio se torna errado, e belo � igual a certo, e de certo modo, real. Mas porque uma coisa � bela e outra n�o �? Quem diz? Por fim, a ordem patriarcal. E a Vila Smurf, com sua propor��o de 99:1 de machos para f�meas, � definitivamente um patriarcado. Isto contribui para a id�ia da mulher como mercadoria - ela � modificada e feita por homens, e � bela por seus padr�es. E ao fim disso, ela agradece.

Gloria Steinem escreveu outrora que 'as mulheres foram as primeiras drag queens da hist�ria', significando que os ideais de beleza s�o todos impostos pela ordem patriarcal, e que n�o h� outra raz�o para que as mulheres se pare�am 'com mulheres' al�m da necessidade de distin��o entre os sexos, e para refor�ar a id�ia das mulheres como meros objetos, como o foco do olhar masculino. Smurfete n�o � exce��o. Numa sociedade patriarcal ideal, n�o existem mulheres. Voc� pode imaginar com o que a Vila Smurf se pareceria se a propor��o de machos para f�meas fosse de 50:50? Uma coisa � certa, n�o seria a mesma utopia que � apresentada no programa. Talvez isso signifique que o estado ideal marxista s� pode operar verdadeiramente quando tudo for igual, inclusive sexualmente, embora seja quase imposs�vel imaginar uma Vila Smurf toda feminina. Provavelmente isso � mais devido ao profundo e intr�nseco sexismo em nossa pr�pria sociedade do que por qualquer outra raz�o. Se feminino fosse o sexo 'natural' dos Smurfs, n�o posso ver porque todas se pareceriam com Smurfete. O conceito de beleza, se enfim existisse, n�o teria base, nenhum quadro de refer�ncia no qual ser comparada a 'loira e simp�tica'.

4) A Vila Smurf como Homotopia

A Vila Smurf sempre foi exclusivamente masculina, at� a chegada da Smurfete, quando ela ainda continuou esmagadoramente masculina. Isso significa que eles n�o procriam pelos meios tradicionais, e por conseguinte, 'heterossexualidade' n�o seria a norma.

Muito semelhante �s cidades-estado gregas tais como Atenas, as quais muitos acreditam que seja o mais pr�ximo de uma democracia pura que o mundo jamais chegar�, o governo era exercido por todo o povo, e por 'todo o povo' eles queriam dizer s� os homens. Mulheres n�o eram convidadas para participar de assuntos p�blicos. Em Atenas, a homossexualidade n�o era incomum, nem era particularmente desaprovada. Nenhum Smurf jamais constituiu um relacionamento com Smurfete. Embora ela seja o foco de algumas rivalidades heterossexuais infantis, especialmente entre Robusto e Pr�tico, nunca h� qualquer tens�o heterossexual na Vila. A tens�o est� mais entre os pr�prios Robusto e Pr�tico, que parecem mais interessados em impressionar um ao outro do que � Smurfete.

Se a Vila Smurf existiu por eras sem quaisquer f�meas, como poderiam os Smurfs ter sido capazes de entender o que Smurfete era? Certamente, a natureza proveria exemplos de relacionamentos macho-f�mea que os Smurfs poderiam ter sido capazes de observar, mas em sua pr�pria esfera, nunca houveram quaisquer mulheres, nem qualquer heterossexualidade. Por conseguinte, como poderia Smurfete ter sido capaz de seduzir algu�m? Os criadores est�o tentando dizer que a heterossexualidade � o estado natural, mesmo se ele nunca existiu na sociedade e nunca houve qualquer quadro de refer�ncia para entender o que a atra��o heterossexual era? Sobre este ponto, estou preparado para eximir os criadores. Provavelmente, eles nem estavam pensando nisso, porque na nossa sociedade, a heterossexualidade � vista muito mais como norma.

Finalmente, eu acredito que personagens como Robusto, Pr�tico e Vaidoso s�o arqu�tipos gays. Vaidoso � o tipo de arqu�tipo gay comumente apresentado pela ind�stria de entretenimento hetero, por exemplo, no sitcom brit�nico "Are You Being Served?", enquanto Robusto e Pr�tico s�o arqu�tipos gays no mesmo estilo do Village People, com sua masculinidade extremamente ic�nica, exagerada ao ponto da afeta��o. Entrementes, acredito que Rude e G�nio representam um casal gay estereotipado.

5) Conclus�o

Eu acredito que no m�nimo Peyo estava tentando apresentar certas teorias marxistas sob a forma de um conto de fadas aleg�rico. "Os Smurfs", ent�o, obtiveram sucesso da forma que o melhor tipo de literatura fant�stica obt�m - jogando uma luz sobre o mundo real no qual vivemos. Existem muitas evid�ncias que sugerem que "Os Smurfs", como narrativa, � uma f�bula socialista ut�pica. E finalmente, penso que uma grande parte do encanto do programa prov�m do seu ideal ut�pico, porque mesmo que ele seja improv�vel de algum dia ocorrer no mundo real com todas as suas complexidades, n�s podemos ainda imagin�-lo.


©1998-2005 by J. Marc Schmidt
Página atualizada em 08/02/2005
http://geocities.yahoo.com.br/worgtal
1