GUERREIROS ALADOS

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Sempre que pensamos em andar mais rápido, especialmente pelo fato de que nossos carros de produção são extremamente pouco potentes, nossas primeiras atenções sempre, ou quase sempre se voltam para motor transmissão e rodas, raramente nos preocupamos com aerodinamica. Tempos diferentes, pessoas diferentes e carros diferentes. Sempre que lembramos automobilismo de competição norte americano nos transportamos quase que imediatamente a um Drag-strip, quase não nos recordamos de Road-racing, ou mais especificamente, de Nascar. Em 1966 foi lançado um carro novo para a época, uma carroceria B nova, chamada então de Dodge Charger, com um desenho relativamnente estranho, uma longa capota estilo fast-back, em um claro intuito aerodinamico. Vale recordar que apesar de relativamente novo o 426 Hemi já estava com sua imagem completamente consolidada no meio automotivo, era o adversário a ser batido tanto nas baias da NHRA, AHRA, NASCAR ou USAC. Essa versão do Charger passou mais ou menos em branco, havia o Coronet, que era a mesma plataforma, mas sem tanto impacto visual, e que, a meu ver, ficou mais em evidencia, como por exemplo, Dick Landy ainda usava em 66 e 67 um Coronet ao inves do novo Carro. Então veio 1968, e um novo Charger chegou, com linhas mais fluidas e tido por muitos como o mais belo carro Chrysler de todos os tempos. Ichard Etty foi uma força vitoriosa em 67, vencendo para a Plymouth o Grand National daquele ano, fato que viria a mudar drasticamente em 68 com o novo e escorregadio Charger,que ganhou o titulo nacional e venceu 9 corridas(contra apenas 5 em 67). Havia, no entanto, um ponto que a principio não foi muito notado, mas a vigia traseira inclusa entre as colunas criava uma forte turbulencia na parte traseira do veiculo, que não ajudava muito na estabilidade direcional em alta velocidade. Este fato veio a ser corrigido em 69, com o lançamento do Charger 500, que tinha uma vigia traseira montada fluxa com as colunas, a montagem era feita por uma firma particular a Creative Indutries em Detroit, bem como uma grade plana e fluxa a linha de contorno dos paralamas e da frente. Mas como a concorrencia não dormia no ponto, junto com o 500, chegaram também o Torino Talladega e o Cyclone Spoiler, que mataram a vantagem inicial do Dodge, fazendo inclusive que Richard Petty trocasse de camisa, e em 69 a Ford venceu 26 das 54 corridas e o Charger 22, a Plymouth, sem King Petty apenas 2. 

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Notamos ai que a GM estava bem longe das cabeças nestas arenas. Não que não tivessem motores decentes para acompanhar mas depois veremos que nem sempre ganha o melhor ou mais tecnico, mas tapetão conta também. Durante o feliz ano   1969 viria a tona o que de mais fantástico se fez em termos de aerodinamica no mundo das competições de Nascar, os Dodge Daytonas e os Plymouth Superbirds. Foi feita uma extensão de fibra de 18 polegadas na frente, dois scoops reversos sobre os paralamas dianteiros para livrar os pneus por causa de mais rebaixamento de suspensão e uma asa traseita que ficava cerca de 60 centimetros acima da mala, e nos primeiros testes no campo de provas de Chelsea em Michigan os protótipos passaram de 200 mph com facilidade (a bagatela de cerca de 330 Km/h, mesmo com 7 litros debaixo do capo, eram forçados a usar restritores em baixo dos carburadores, porque o Hemi fluia tão melhor que os Fords e que os GM 427 que eram forçados ao restritor para contrabalançar)

daytona3.jpg (13946 bytes)Uma vez mais a Creative Industries entrou em ação e fez montagens de vários carros para serem vendidos a público, e pronto, estavam homologados para as pistas. Eram feitos sete carros por dia, tendo a produção começado nos primeiros dias de junho de 1969, e o primeiro Daytona foi remetido para Kingston em Ontário, Canada, em 27 de junho, 1969, e o numero 500 foi para Lafayette, Indiana em 8 de setembro.

 daytona1.jpg (28289 bytes) Foi um sucesso arrebatador, Bob Isaac estabeleceu o recorde de circuito fechado de 201.104 mph, e como se não fosse bom o bastante, bateu mais quatro recordes ilimitados em Bonneville e ainda ganhou o campeonato nacional. Vale lembrar que o record inicial de 201.104 mph levou 14 anos para ser quebrado, só caiu em 1983 por Cale Yarborough com 202.650 num Chevy. Também houve uma massacrante vitória em Daytona, quando os 4 primeiros colocados tinham asas, e uma estrela de 5 pontas. Após a casa arrombada, puseram a tranca. Carro com asa somente com motor pequeno (305 cid), daí, Mopar Team Out. A ausencia da potencia gerada pelos Hemis tornava inviável o conceito.

Mr.V8

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