<bgsound src="reflectl.html"> CRÔNICAS



 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 






























 
 



























 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
























 
 




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



































 

Do Cuidado com as Palavras

Paulo Coelho

Quantas vezes dizemos para alguém: "puxa, faz tempo que não discuto com fulano". Ou: "nunca mais tive uma gripe". E de repente, no dia seguinte, pegamos uma gripe ou discutimos com fulano. 
Então concluímos: se falamos as coisas boas que acontecem conosco, isto traz má sorte. 
Nada disso. Na verdade, a Alma do Mundo - antes de qualquer problema - sempre nos mostra quanto tempo ficamos sem nos aborrecer com determinada coisa. Ela quer nos dizer como a vida tem sido generosa até aquele momento - continuará sendo, se superarmos com bravura o obstáculo. 
Mantenha as palavras positivas no ar. Elas vão lhe ajudar a crescer em qualquer dificuldade. 
 


O Desânimo não tem condições de prestar auxílio
 
Você já percebeu que quando estamos desanimados não conseguimos ver as coisas ao redor? 
Uma pessoa desanimada não consegue auxiliar nem a si própria, nem aos outros. 
Portanto, quando perceberes que estás desanimada, procure logo agitar-se, fazer algo, pensar diferente, para não cair nessa, pois quando nos desanimamos, não conseguimos muitas vezes, ver uma luz no fim do túnel. 
Por pior que estejamos nos sentindo, temos sempre que pensar no lado positivo, pois muitas vezes é isso, a escuridão, que os outros querem que vejamos. 
Por pior que você esteja, pense logo positivamente, para não cair o seu padrão vibratório e nunca diga “não estou bem”. Não reclame, porque quanto mais curtimos o negativo, mais o atraímos, e quanto mais curtimos o positivo, também mais o atraímos, embora esse lado seja mais difícil do ser humano trabalhar. Por incrível que pareça, o lado negativo sempre sobressai, aparece mais em tudo. 
Então, o melhor é você treinar o seu lado positivo para atraí-lo. 
Pense sempre positivamente. Não desanime. Lembre-se sempre que pode haver alguém em situação pior que você. 
Lembre-se: você é único e como único é especial. Especial para Deus e para você mesmo. 
Anime-se 

Maria Cristina Costa Braga Hortelli Fogaça 
 



Que Bela Lição!
 

Ao ler um dos matutinos que circulam em nossa terra, nesta última terça feira, deparei-me com a foto de um adolesceste, de rosto encoberto e guarnecido por dois policiais.No dia anterior ele fora detido por assalto à mão armada. No texto da reportagem chamou-me  à atenção que o menor é filho de um conhecido comerciante. 

Fiquei imaginando o que teria levado um jovem que, teoricamente, fora educado no seio de uma família e recebendo o carinho e o colo dos seus pais, a cometer tamanha estupidez. Imaginei logo o sofrimento que toda a família deveria estar passando naquele momento e, como pai de 10 filhos, sofri um pouco com o ocorrido, até imaginando que ninguém estaria livre de passar por uma situação como aquela. 

Com esse pensamento reflexivo percorri as outras folhas do jornal e, para minha surpresa, encontro, em nota paga, uma carta de esclarecimento do pai daquele adolescente infrator para a sociedade. 

Não conheço o pai do garoto, nem mesmo sei ao certo o que o moveu a dar esse tipo de esclarecimento, para mim um extraordinário testemunho de vida, nem tampouco possuo autorização do mesmo para tocar num assunto tão complicado, mas a nota é de uma clareza de idéias tão fascinante, que vou reunir os meus filhos nessa sexta feira (como faço habitualmente) para discutirmos o ocorrido. Acho até que outros pais que estejam preocupados com o processo de educação de seus filhos, não deveriam perder essa oportunidade. Se dinheiro tivesse e permissão da família conseguisse, republicaria em todos os jornais no domingo e falaria até com o bispo para que dispensasse da missa do domingo todas as famílias que ousassem reunir-se em torno dessa nota, refletindo os aspectos implícitos e explícitos que ela contempla. É bastante rara, nos dias de hoje, uma atitude pública com a intensidade e a profundidade atingida por essa nota, que passo a chamar de “clamor de um pai sofrido, mas que não perdeu a lucidez”. 

Na nota, o pai do adolescente torna público que reconhece no filho o infrator, assume que houve falhas no processo de educação, relata o esforço que todo grupo familiar vem despendendo no sentido de recuperar o jovem, traz à tona a séria problemática das drogas, assume publicamente (acredito de coração partido) que o filho deve responder na justiça o crime cometido e sem favorecimentos, assume os prejuízos financeiros das vítimas e tenta atenuar, numa atitude rara de pedir desculpas, o impacto psicológico que o fato provocou em várias pessoas da sociedade. 

No entanto, o melhor ele reservou para o final quando textualmente afirmou: -“ na certeza de que todo o possível será feito para a recuperação do meu filho, com tristeza, mas com determinação, reafirmo que não aplaudo o que fez, porém, vou apóia-lo no caminho de seu retorno ao convívio da sociedade”. 

Como pai me esforço todos os momentos da minha vida, oferecendo mãos, ombro e colo aos meus filhos e, por isso, fico sensível o suficiente para entender esse pai, que no momento convive com a tristeza e mesmo com a decepção, mas que parece estar movido ainda pela esperança. 

Marco Antônio Mota Gomes 



Pipa de Jornal

por Artur da Távola 

    Subia pela Rio Petrópolis e numa daquelas pequenas aberturas laterais à margem da estrada, irregulares, três meninos soltavam pipa. Eram das bem pobres que jamais consegui já nem digo fazer, seria tarefa demasiada, mas compreender como voam. Que alegria, a deles! 

            É o mistério e a superioridade dos meninos pobres. Aprendem a improvisar e a fazer. Hoje ainda mais que antigamente, porque tudo já vem pronto, feito, industrializado, estupefaciente, com pilhas, luzes, controle remoto. Os meninos das casas pobres de beira de estrada, como os do morro, ainda são capazes da delícia que é fazer pipa até de folha de jornal, sapecar-lhe um rabicho também de papel e são tão danadinhos que as dobras saem perfeitas e a pipa sobe dez metros mas sobe, e se mantém no alto. 

            O menino de classe média e o rico, hoje como ontem, perde para o da roça e o do morro que aprendeu cedo lutas e lidas impossíveis para quem já encontrou o mundo prontinho para servi-lo, da babá ao brinquedo. 

Um dia o Jorge meu primo, que era de fazenda, afundou, prazenteiro o pé descalço numa bosta fresca de vaca. Exibia-se para o primo da cidade, tímido e com nojo da bosta cheirosa e verdolenga. Como ele, meninos pobres ainda fazem pipas pequeninas de jornal, usam canivetes, estilingue, não têm a mania de lavar-se a cada sujeirinha, bebem água na folha da taioba, andam descalços, enfrentam e adulam cães, sabem de passarinho, de histórias da mula sem cabeça e do caipora, descascam laranja com os dentes e as unhas imundas de alegria e folguedo. 
Meu carro passou rápido e lá se foi um conspícuo cidadão de cabelos brancos a pensar nas alegrias da natureza que a tecnologia avassaladora insiste em ocultar das crianças já que estas em vez de se formarem em cidadania, desde pequenas especializam-se em....consumidoras precoces. 
 



Do Despojamento

 por Paulo Coelho 

Conheci a pintora Miie Tamaki durante um seminário em Kawaguchiko. Perguntei o que pensava da religião."Não tenho mais religião", ela respondeu. 

"Foi educada para ser budista. Mas, com o passar do tempo, comecei a ver que o caminho espiritual é uma constante renúncia. Temos que superar nossa inveja, nosso ódio, nossas angústias de fé, nossos desejos. Fui me livrando de tudo isto, até que um dia meu coração ficou vazio: os pecados tinham ido embora, e minha natureza humana também. 
"Durante algum tempo aceitei isto, mas notei que não podia mais compartilhar da vida a minha volta. Foi então que larguei a religião. Hoje tenho meus conflitos, meus momentos de raiva e de desespero, mas sei que estou de novo perto dos homens - e conseqüentemente perto de Deus". 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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