Capítulo 8 – A Luz e a Sombra

Era tarde no Santuário. Miro estava sentado na escada da frente da casa de Escorpião, amarrando uma faixa no pulso direito. O vento soprava, assobiando forte. O dia era calmo e sereno, poucos eram os sons que cortavam o silêncio.

Miro deitou-se no chão, com os braços dobrados atrás do pescoço. Olhava para o céu, observando as nuvens que passavam. Estava tudo muito calmo. Fechou os olhos, e passou a apenas prestar atenção nos sons do ambiente.

Ouvia o som do vento, ou de algum pássaro que cantarolava. Sentia o vento em seu rosto, agitando seus cabelos.

Seus olhos se abriram. Havia ouvido algo que não era normal e tinha quase certeza de que tinha sentido a presença rápida de um cosmo.

Abaixo das doze casas, vários sentinelas iam ao chão, alguns lançando um único gemido, antes de caírem inertes.

Silêncio novamente, mas era diferente.

Miro ouviu sons de pedras rolando. Viu uma sombra muito rápida que invadiu a casa de Libra à sua frente.

Levantou-se num segundo e correu, descendo as escadas, parando diante da porta da saída da casa de Libra.

- Saia quem estiver aí! - gritou – Quem ousa atravessar as doze casas irá encontrar aqui o seu fim!

- Hahahahaha... - ouviu-se um riso debochado de uma voz feminina forte - Isso é verdade?

- Quanta ousadia! Apareça! - gritou Miro enfurecido.

- Não se preocupe. - respondeu a voz, com ironia. Neste momento surge saindo da casa de Libra uma pessoa coberta por uma longa capa azul marinho com um capuz que escondia o rosto. – Lutarei com você se assim exigir. - A garota retira o capuz, revelando sua face, a de uma mulher jovem de cabelos ondulados avermelhados. - Mas não terá o resultado que espera.

- Uma mulher? Não..., não uma mulher comum. - disse franzindo a testa - Você deve ser uma amazona.

- Talvez. - respondeu a garota.- Mas com certeza eu não sou uma amazona comum, como as que se cobrem com máscaras.

- Você vai se arrepender de ter cruzado o caminho com um cavaleiro de ouro! - neste momento a armadura de escorpião sai de sua caixa e surge vestindo Miro. – Sofra por sua ousadia, com a Agulha Escarlate! - Miro lançou seu golpe contra a amazona que estava a sua frente.

A amazona saltou se desfazendo da capa, que acabou sendo atingida. A capa se rasgou por inteiro. O vento levava embora os trapos que restavam enquanto a amazona rodopiava no ar, com sua perna esticada como uma lança, desceu mirando o golpe na face de Miro.

Desviando-se com facilidade, Miro não pode evitar ser atingido de leve no rosto. Foi apenas um pequeno arranhão, mas sentiu uma dor forte, um ardor naquele pequeno ferimento.

"Arh... Como isso aconteceu?" – pensou Miro enquanto percebia que a armadura que a amazona vestia resplendia um brilho dourado magnífico.

______________

Shun-rey aproximou-se do local de onde o Mestre Ancião se encontrava diante da cachoeira de Rozan e chamou-o.

- Mestre! Esta jovem chegou aqui procurando pela cachoeira de Rozan, como havia me falado. Era ela a pessoa que você disse que viria?

- Shun-rey, se esta jovem é a que veio procurar pela jóia dos rios, então certamente é ela.

- A jóia dos rios, é exatamente o que eu vim buscar. Como o senhor sabia que eu viria até aqui procurar a jóia dos rios?

O Mestre fez uma pequena pausa antes de responder.

- Por que sei que Atena não poderá encerrar a sua visita sem elas.

O tempo pareceu parar. Lien respirou fundo, com um olhar de surpresa e assombro, sem conseguir dizer alguma coisa.

- Shun-rey.

- Sim, mestre.

- Por favor, vá cuidar de seus afazeres. Esta jovem provavelmente demorará muito aqui.

- Sim mestre.

Lien observou Shun-rey se afastar, e quando já estava longe perguntou ao Mestre:

- Então você sabe disso?

- Eu não sou o único que sabe sobre isso. Mas não tenha receio, o tempo ainda está a seu favor. Porém não deve demorar a cumprir sua tarefa.

- Eu entendo. - Lien saltou por uma pedra se aproximando da cascata.

- A jóia está escondida em alguma parte dentro da cachoeira. - falou o Mestre.

- Sim, eu sei.

Lien ficou a observar a cachoeira de Rozan, vendo as águas se derramarem no riacho. Viu um ponto reluzente como uma safira numa parte alta da cachoeira. Saltou, pisando em uma pedra que tinha maior relevo para ganhar impulso. Agarrou um objeto onde havia visto o brilho, mas quando olhou em sua mão era apenas uma pedra.

- Hum??? – olhou curiosa. De repente à sua frente ela viu mais uma vez o brilho, e em seguida o fluxo das águas aumentou, derrubando-a do alto.

Lien nadou até a margem e ficou de pé numa parte rasa do riacho.

Olhou para o alto sem entender. Olhou de novo para um mesmo ponto brilhante que agora estava ao alcance de suas mãos. Pode ver o formato esférico da jóia. Colocou suas mãos na água e sentiu com as pontas do dedo, mas ao tentar agarra-la, a jóia se desfez como se fosse água. O brilho novamente percorreu o caminho até a parte em que as águas da cachoeira tocavam o riacho e se agitavam.

Lien mergulhou de novo e vindo por debaixo da água viu novamente a jóia, mas quando a alcançou novamente desapareceu.

Subiu a superfície e viu de novo o brilho no topo da cachoeira.

Percebeu que a jóia mudou de posição, voltando ao riacho em uma parte em que a correnteza se agitava.

"Espere – pensou – está sendo atraída pela força da correnteza..."

Aproximou-se da margem e estando com as águas na altura da cintura, com os braços eretos junto ao corpo e as mãos fechadas começou a emanar o cosmo. Ao seu redor as águas começaram a se agitar. As ondas se fortaleciam. Lien aumentava cada vez mais o seu cosmo, e as águas a circundavam e começaram a formar um redemoinho. O redemoinho foi ganhando força e ganhando altura até formar um ciclone.

Os olhos de Lien tinham um brilho azulado, que cobria as pupilas, brilhando intensamente.

A cachoeira ia perdendo força, tornando-se mais fina, as águas eram puxadas para o ciclone. A grande cachoeira já era então um fio fino de água, perante as águas que iam subindo até o céu.

As pernas bambearam, levando-a quase a se ajoelhar. Mas ergueu-se novamente. O ciclone a cobria totalmente. O mestre ancião observava atentamente.

O brilho surgiu na frente de Lien, deixando as águas do redemoinho. Lien colocou suas mãos em torno dela e fechou os olhos.

As águas desceram dos céus, formando ondas enormes.

Depois que as águas se acalmaram, o mestre se aproximou da margem do rio. Viu a jovem Lien levantar-se e caminhar até a parte seca com a esfera nas mãos.

Quando chegou diante do Mestre, deu um sorriso observando a jóia. Caiu no chão, inconsciente.

______

Era uma armadura de ouro que cobria o corpo da amazona que estava diante do cavaleiro de Escorpião. Seu elmo descansava em seu braço, enquanto mantinha uma expressão séria desafiadora, com o olhar fixo no cavaleiro de escorpião.

A expressão da amazona agora era severa.

Miro lançou seu golpe contra a amazona, que ao memo tempo atacou-o criando uma espécie de chicote do seu dedos indicador e médio.

O chicote de fogo acertou o braço de Miro, que sentiu uma enorme dor, fechando os olhos num gemido.

Mas a amazona não conseguiu se desviar a tempo e foi ferida no ombro esquerdo. Ela colocou sua mão por alguns instantes na ferida, mas não se demorou em voltar ao ataque.

Saltou do degrau onde estava e balançou o chicote quase acertando no rosto de Miro, este se desviando por milímetros contra-atacou-a com seu golpe.

Seguiu-se a luta, com Miro atingindo a amazona em um momento de descuido.

A amazona colocou a mão sobre o ferimento na cintura, um fio de sangue escorria.

- Vai morrer depois que receber as 13 agulhas que faltam.

- E você acha que irá conseguir viver para dispará-las? – e tornou a golpeá-lo com o chicote.

__________

No interior da Casa de Libra, Mira estava sentada no centro do salão em posição de meditação.

Seu cosmo penetrava no chão, descendo por uma grande profundidade, tentando alcançar a jóia que estava oculta bem no fundo da terra.

"Por favor Helena e Merrick, aguentem só mais um pouco." – implorava em seu pensamento.

Suas lembranças voltavam para o salão onde as amazonas se preparavam para suas missões.

- Quem poderia dizer que uma das 12 jóias sagradas estaria escondida justamente no Santuário? – dizia Helena, a jovem de cabelos avermelhados.

- Certamente as nossas ancestrais não queriam de forma alguma que nós as reuníssemos. – concluía Merrick, com sua voz fria e melancólica.

- De qualquer forma eu preciso ir até lá. Todas as outras já partiram, e não serei eu quem vai ficar para trás sem fazer nada! – Mira estava impaciente e ia a caminho da saída quando foi interrompida por Titânia.

- Acalme-se Mira! Não se esqueça de que lá estão os cavaleiros de ouro que são considerados a elite de Atena.

- A elite de Atena... – Helena não sentiu-se nem um pouco satisfeita com as palavras de Titânia. – Porque não vamos então até lá para vermos como é essa elite?

- O que você está sugerindo Helena? – perguntou Titânia desconfiada.

Nesse momento Merrick se aproximou de Helena, demonstrando ter compreendido suas palavras, e se pronunciou.

- Mestra Titânia, permita-nos acompanhar a jovem Mira ao Santuário. Nós a protegeremos enquanto ela retira a jóia da Casa de Libra. Sabe que somos capazes de conter os cavaleiros de ouro.

Titânia ponderou sobre a proposta, e relutante concordou em aceitá-la.

- Por favor, tomem muito cuidado. Evitem ao máximo mortes e batalhas, para que não torne a nossa relação com o Santuário ainda mais tensa.

- Não se preocupe senhora. – respondeu Helena – Não causaremos nenhum estardalhaço.

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Merrick cobria seus cabelos dourados com uma capa negra, enquanto aguardava à frente da casa de Libra.

- Qual o seu propósito aqui? – uma voz de origem desconhecida a questionava.

Merrick permaneceu em silêncio, em sua expressão melancólica que jamais demonstrava o que sentia.

- Estou vendo que não irá responder. Mas isso não fará diferença quando ambas forem para o outro mundo.

O céu tornou-se escuro, assim como tudo que havia ao seu redor. O chão era um mar de sangue que cobria os seus pés.

Mas Merrick não parecia demonstrar surpresa. Fechou os olhos e projetando-se para frente e os abriu manifestando um cosmo negro que encerrava o que via num universo cinzento e sombrio.

Tudo a volta desapareceu na escuridão, restando apenas ela e seu adversário.

De um lado estava Shaka de Virgem, com seu cosmo dourado e resplandecente na escuridão, sentado na flor de Lótus. Do outro Merrick, coberta por uma palidez profunda, com seu cosmo cinzento como núvens de tempestade. Seus olhos agora estavam negros e sem brilho.

"É a primeira vez que vejo um cosmo tão mergulhado nas sombras com este. E é tão poderoso que pode encerrar o inferno, impedindo que as outras fossem atingidas." – refletia Shaka.

- Esse cosmo é tão negro quanto o mundo das trevas. Você é algum tipo demônio que saiu das sombras?

Continua

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