Capítulo 7 – Farpas do Passado

Lien andava por trilhas em campos de plantação de arroz. Avistou uma jovem com um chapéu de palha, de calças arregaçadas até o joelho, com as pernas mergulhadas num campo de arroz, cuidando do cultivo e correu depressa até ela.

A jovem levanta a cabeça para ela. É Shun-rey.

De volta a Jamian.

No que Mu respondeu com olhar severo e voz calma.

Surge um garoto sorridente de cabelos ruivos, por de trás dele. É Kiki.

"Mestre Mu?" – pensou a jovem.

A jovem olhou para trás. Olhou para a cratera, observando-a. As águas na fenda saltavam para cima, gotejando a margem.

Voltou o olhar para frente.

A jovem recolheu suas coisas e andou até Mu. Este fez um gesto com a cabeça e virou-se para seguir o caminho. Kiki ao seu lado e a jovem um pouco atrás. Deram alguns passos, na direção da trilha, silenciosos. Apenas as águas a quebrarem esse silêncio.

Mas num segundo de distração de Mu, a jovem solta suas coisas e corre rapidamente dando um salto e mergulhando na fenda.

Mergulhou com todo o fôlego, nadando com toda força para o fundo da fenda, aproveitando-se do momento, onde as correntes ficavam mais fracas. Foi até o fundo da cratera. Encontrou uma abertura numa parede de rocha. Era uma entrada que levava por um corredor inundado. Nadou por essa passagem até o fim. Quando saiu pelo outro lado, pode levantar a cabeça para fora da água. Inspirou bastante ar e expirou lentamente.

Flutuou até a margem. Estava numa caverna enorme, com várias estalactites no teto. No centro de todas elas, havia uma estalactite que se destacava pelo seu tamanho. Era grande e comprida, lembrando o formato da ponta de uma espada de coloração azul clara.

A jovem se aproximou desta estalactite que chamou sua atenção. A ponta ficava na altura de sua cabeça. Ela olhou para dentro da ponta e viu em seu interior uma esfera. Era uma das 12 jóias, a jóia dos mares.

Com as mãos tocou os lados da ponta, sentindo sua espessura e dureza. Forçou um pouco os braços para ver se estilhaçava, mas nem sequer rachou. Tirou as mãos. Olhou para elas e para a estalactite. E novamente as colocou nela.

Concentrou sua energia na ponta. Suas mãos começaram a brilhar. Algumas gotas começaram a escorrer por suas mãos, e a parte em que tocava começou a afundar fazendo buracos no lugar das mãos. Escorreu uma gota de suor em sua testa, e ela respirou fundo para continuar. Alguns vapores começaram a subir e logo desapareciam.

A estalactite foi embranquecendo e depois ficando avermelhada. Pequenas rachaduras surgiram, e a ponta estourou, quebrando-se em mil pedacinhos.

Finalmente a garota pode tocar na jóia. Tirou com as costas da mão alguns pedaços de gelo que a cobriam no chão e a pegou. Era de um azul esverdeado, brilhante. Amarrou-a no pano que estava na sua cintura.

Foi quando escutou um estrondo. Olhou para a extremidade inferior da estalactite e viu uma rachadura fina. Essa rachadura começou a crescer, e foi subindo, aos poucos e atingiu a base.

Quando olhou para cima e pode ver o teto em torno da estalactite rachar.

Com os olhos arregalados, respirou fundo e correu. A pesada estalactite caiu como um trovão, fazendo o chão tremer, e espatifou fazendo voar uma nuvem de gelo como se estivesse explodindo.

Mergulhou pela passagem e nadou sem parar até a saída. Atrás dela, no lugar da estalactite começou a jorrar uma quantidade imensa de água.

Ao sair da passagem, a jovem sentiu uma certa resistência da água. As ondas ganhavam força naquele espaço estreito. Muitas vezes a jogava contra a parede.

Tentava, apesar disso, avançar o máximo possível, mas quanto mais avançava a força das ondas aumentava.

Sentiu uma pancada forte, quando bateu contra uma das paredes. Seu braço levou um corte por causa da rocha. Chegou perto da saída. Colocou a cabeça pra fora e inspirou com força, mas foi jogada com força pro fundo, contra uma das paredes. Tentou se segurar apoiando, mas a onda veio como um chicote contra suas costas, socando-a novamente contra a parede.

Quando olhou para baixo percebeu uma rachadura subir pela parede. Parecia que iria quebrar. Foi quando aconteceu, num estranho momento, alguém a segurou, e em outro instante estava no chão. Mu a havia tirado de dentro das águas com seu tele-transporte.

Atrás deles, a rocha se rompeu, e uma enorme onda se formou. A onda caiu em cheio sobre os dois. Mas logo após isso retornou e as águas se acalmaram finalmente.

Mu olhou para trás, vendo a mudança que havia ocorrido naquela paisagem. A jovem que estava nos braços estava desacordada, e ele perguntava-lhe em pensamento: "Quem é você? Por que está aqui? E por que você fez o que fez?"

Shido estava agora em sua mansão, numa salinha de café, diante de uma bela mesinha. Servia uma xícara de chá, e acompanhando havia também uma travessa de prata cheia de bolinhos doces incrustados com cerejas, passas e morangos silvestres.

Anna parecia estar se divertindo um pouco com a situação, mas diante do silêncio que se instalara na sala, levantou-se para se retirar:

Anna virou pelo corredor e subiu as escadas. Mas ao ouvir algumas vozes, acabou sentado-se na escada, para ouvir as conversas.

Anna apenas escutava a música completamente distraída, fechando os olhos. Pulou, e colocou as mãos na boca desesperada, contendo o grito, quando levou um susto, ao sentir uma mão tocando em seu ombro. Olhou para trás, para o rapaz que havia feito isso e disse em voz baixa:

A música os fazia relembrar cenas da infância, onde o garoto Shido, sentado numa roda com outras crianças, assista a uma garotinha de cabelo comprido, loiro com um laço de fita e vestido branco, tocando violino sentada numa pedra.

Monike respirou fundo e respondeu com ar sério:

Shido arregalou os olhos, espantado.

Shido fechou os olhos apertados, e olhou para Monike com olhar frio.

Monike arregalou os olhos, dando-se conta do que havia dito e tentou olhar para Shido outra vez.

Anna e o rapaz que estava ao lado se esconderam atrás de uma parede, depois de ouvirem a conversa. Anna estava bastante triste, sentindo-se até arrependida por estar ali.

Shun-rey subia pelas trilhas na montanha, acompanhada de Lien que estava sempre a olhar pros lados, para ver as paisagens.

Entrou pela porta da frente, pendurando seu chapéu numa chapeleira.

 

Fim do 7o. Capítulo

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