Capítulo 5 :O Templo

Uma grande agitação corria pela Cidade das Amazonas. Todas as amazonas buscavam em todos os cantos por alguma pista sobre o paradeiro de Atena e dos Cavaleiros.

Lien desceu a ladeira correndo, passando pelas árvores. O vento carregando seus cabelos. Foi chegando ao fim do bosque, entrando em uma área aberta, num campo de plantação com enormes pés de centeio que alcançavam a cintura.

Avistou uma pessoa. Era Anna, parada, de costas para ela. Sua trança levemente tremulava com o vento.

O sol estava prestes a se por, o céu estava alaranjado, com várias nuvens densas e que tendiam a escurecer.

Lien parou atrás de Anna. Estendeu o braço para tocar em seu ombro, no que antes disso Anna virou-se e olhou para ela.

Anna e Lien chegaram bem próximo da porta da frente do salão. Agachadas, junto à porta, espreitaram pela fechadura.

Lien segurou delicadamente a maçaneta. Empurrou um pouco para frente, quando sentiu uma mão segurar rápido e firme o seu ombro.

Anna abriu a porta lentamente, e as três caminharam pelo salão em silêncio. Alguns poucos raios de luz penetravam pelas janelas e a tendência era de escurecer conforme o sol ia partindo.

Atravessaram uma das portas ao fundo, e caminharam por um longo corredor até chegarem à porta. Anna empurrou-a e ela se abriu facilmente.

Ambas trocaram olhares desconfiados. Anna abriu ainda mais a porta. Avistaram um templo ao fim da escada de pedra. Foram descendo lentamente, sem fazer barulho. Ventava, e o vento levantava a poeira. Lien foi se aproximando cada vez mais do templo. Olhou por fora a entrada, reparando na arquitetura. Uma serpente de pedra no alto vigiava quem passasse pela entrada.

Lien virou-se para trás, olhando suas companheiras.

Lien entrou no Templo. Havia muita poeira cobrindo todo o lugar. Teias de aranha se acumulavam nos cantos das paredes e haviam algumas folhas secas no chão. Mas a poeira do chão parecia ter sido movida, haviam algumas marcas como se alguém tivesse andado por lá.

Lien achou estranho. Não havia ninguém dentro, mas ela sentia que havia uma atmosfera estranha lá, algo que lhe dava calafrios.

Foi se aproximando do altar. O altar ficava a uns três degraus do piso e ao redor dele a parede fazia uma curva. Era um pouco diferente, tinha um estranho formato. Era uma rocha grande que a havia sido esculpida em forma de um círculo. Nesse circulo haviam doze fendas em forma esférica, de baixo relevo, que parecia feito para se encaixar algum objeto esférico. E no centro havia um tampo em formato de cuia, virado para baixo. Estava completamente empoeirado.

Lien deu a volta para poder alcança-lo com a mão. Limpou um pouco a poeira e percebeu que era de feita de um cristal transparente muito bonito. Ela esfregou um pouco mais e descobriu linhas tortas bem finas sobre o cristal. No início pensou que fossem rachaduras, mas observando melhor, percebeu que as linhas faziam o desenho do mapa Mundi. Era algo muito bonito, e Lien continuou a tirar com a mão a poeira da cúpula.

Quando foi tirar a poeira do topo assustou-se, ao ver o reflexo de um rosto conhecido. Afastou-se num pulo, andando de costas até esbarrar na ponta de uma escultura na parede. Olhou para cima, e foi se afastando conforme ia identificando aquela figura.

De repente seu coração começou a disparar, a respiração cada vez mais rápida, e foi se afastando daquela parede. Contornou o altar rapidamente, sem tirar os olhos da parede, e sentiu o chão sumir quando tropeçou nos degraus. Caiu no piso inferior, arrastou-se um pouco para trás até tomar firmeza e levantar-se. Agora de frente para a porta, parou alguns centímetros da porta. Com os olhos formando lágrimas, soltou um grito choroso.

Anna e Naia que estavam ao redor foram correndo até ela. Anna abraçou Lien, estava extremamente nervosa.

Anna conduziu Lien para fora, enquanto Naia entrou no Templo.

Naia avistou a parede ao fundo do templo e percebeu a razão do espanto de Lien.

Olhando ao fundo do templo, Naia pode ver as imagens de Atena e dos quatro cavaleiros esculpidos na parede do fundo do templo.

Diante de uma sacada, Titânia observa o céu escuro. Estava quase totalmente limpo, podendo ver as constelações com nitidez. Mas sua mente estava distante, mais distante do que aquelas estrelas.

Pode ouvir a porta por de trás dela se fechar. Titânia virou-se para a senhora que estava atrás dela.

Vestia-se de modo simples, com um vestido azul escuro de mangas compridas e um manto que enrolado em torno de sua cabeça, que caia sobre o ombro.

No grande salão, ao fundo, Titânia levanta-se de sua cadeira e observando os rostos das amazonas que lá se encontravam, reunidas diante dela, agachadas. Lien, Naia e Anna também estavam entre elas. Monike e Mira estavam ao fundo.

Titânia respirou fundo, e começou a falar:

No alto do palácio, aquelas pessoas se reuniam em torno de um altar idêntico ao que havia no Templo. Como estava escuro seguravam tochas que refletiam a luz sobre a cúpula do altar.

Titânia tinha em suas mãos uma esfera de uma cor que não podia distinguir, brilhante, que variava de verde, prata e azul. Era uma cor que parecia variar conforme a luz e a posição. Titânia depositou a esfera em uma das cavidades. A jóia começou a brilhar levemente, enquanto ao seu redor uma neblina se formava contornando o altar cobrindo inclusive as jovens ao redor. A neblina dispersou-se, e alguns raios de luz começaram a refletir em prismas no fundo da cúpula, que terminavam marcando pontos de luz em alguns pontos do globo, revelando a localização das outras jóias.

O olhar de Anna se concentrava num ponto que estava marcado na América do Norte.

Fim do 5o. Capítulo

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