RÉQUIEM

Magic Knight Rayearth

Por Ryoga K2R - [email protected]

 

 

Megido era um castelo flutuante.Preso por grandes correntes negras a algumas centenas de metros de uma densa floresta tropical. Com suas grandes arvores, esta floresta esquecida é habitada por criaturas já extintas e predadores ferozes.

Feito de rochas enegrecidas, o castelo foi construido para ser uma prisão. Uma prisão eterna e inviolavel.

Em um de seus vastos e silencios salões, um homem toma um singelo gole de vinho.

Seu nome já havia sido esquecido a séculos. Fora uma de sua punições, a outra foi ser aprisonado em Megido.

Quem o havia punido?

É uma longa história...

 

CAPITULO 05 - Aqueles que sempre vou amar.

 

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Elanor olhou tristemente para Ferio que jazia ao seu lado. Um curandeiro acenou e saiu da sala. A preocupação estava estampa em seu jovem rosto.

Ferio sorriu para a menina que segurava sua mão com força. Sentia seu dedos finos e gentis.

- Não se preocupe, Elanor - disse Ferio lentamente - logo, logo vou ficar bom...

- Me desculpe - murmurou Elanor - foi tudo minha culpa...

- Está enganada. A mulher queria a mim e além do mais eu até morreria por você!

Elanor tremeu ao ouvir essas palavras. Quer dizer que ele daria sua vida por ela? Ele gostava tanto dela a ponto de arriscar sua vida? Ou era apenas cavalheirismo?

-Acho melhor você ir pra casa - continuou - sua mãe deve estar preocupada.

-Mas...

Ferio alisou os longos e dourado cabelos de Elanor. Percebia a tristeza e a preocupação em seu olhar. Ela acentiu com a cabeça e caminhou lentamente até a porta.

-Boa noite , Ferio - disse enquanto sorria. Era um sorriso forçado, mas era o minímo que devia a ele.

- Boa noite, Elanor. Sonhe com os anjos!

Assim que a porta se fechou, a expressão de Ferio mudou-se. Gemeu baixinho e tossiu com violência. O sangue vermelho respingou no carpete. Ele limpou a boca com um lenço e se deitou olhando para o teto.

Seus ferimentos tinham sido mais sérios do que aparentava, havia sido pura sorte ter sobrevivido. Pena que isto custara a pureza de Elanor.

-Anne, queria que estivesse aqui- murmurou antes de dormir.

Do lado de fora, Elanor ficou alguns instantes recostada a porta. Seu corpo tremia levemente, enquanto lágrimas lerdas escapavam de seus olhos verdes.

-Desculpe, desculpe, desculpe... - repetia si mesmo. O momento em que havia matado Yaga ainda estava engravado em sua mente. Lembrava-se com exatidão, para seu desepero, da hora em que a foice deslizou de sua mão.

Caminhou cambaleante pelos corredores, sem rumo, até que seus passos incertos a levassem a um grande jardim. Havia uma pequena fonte ao centro que espirrava água cristalina para o alto. A grama verde e as flores exoticas surgiam em todos os cantos. Passaros cantavam nos galhos das árvores.

Ela se sentou num banco próximo a fonte. Os olhos tremulos olhavam sem ver o chão de marmore que se estendia a sua frente. Estendeu o braço e olhou pra a palma de sua mão.

Um passarinho de penas azuis e olhinhos negros e curiosos logo pousou entre os dedos da elfa. Elanor sorriu ap senti-lo acariciando-a. Ele piou várias vezes enquanto balançava a pequena cabecinha.

Ela fechou os olhos assim que o passaro começou a cantar. A melodia entrava em seus ouvidos e trazia uma tranquilidade merecida a seu coração perturbado.

"Mate. Mate ele!"

Foi com horror que Elanor sentiu sua mão se fechar num movimento brusco. Abriu os olhos assustada, a ponto de presenciar o sangue quente da ave escorrer entre seus dedos. Uma pena azulada desceu lentamente até tocar o chão frio.

Ela havia matado uma segunda vez.

Elanor apenas chorou.

 

+++++

 

Marine saiu apressada da escola. Tinha marcado de se encontrar com suas amigas num parque próximo a escola de Anne. Estava um pouco atrasada e por isso tinha pressa.

Ela se misturou a multidão de alunos e sumiu da visão de Keichi. Ele parou esbaforido, o corpo arqueado e as mão sobre os joelhos.

Perguntou a algumas meninas que passavm ao seu lado, e eram amigas de Marine, onde ela ia. As meninas responderam entre risinhos e Keichi correu o mais que pode.

Hoje seria o dia de sua declaração a Marine. Nem que fosse na marra!

Aissu o observava ao longe. Havia apreensão em seu olhar. Por que sentia uma estranha dor no peito, toda a vez que via Keichi correr atras de Marine?

Seria amor?

Balançou a cabeça e correu atras dele. Estava curiosa pelo que iria acontecer. Sabia que não era uma atitude muito louvavel espionar os outros. Mas e daí?

Sumiu pelo portão com um sorriso nos lábios, mas seu coração se fechava numa estranha sensação.

 

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Estavam apenas os três reunidos no quarto.

Marisa tomou mais um gole de chá enquanto ajeitava o cobertor sobre suas costas. Seus cabelo estava umido e suas bochechas coradas. Desviava o olhar toda vez que ele encontava o rapaz a sua frente.

Laguna, parado no peitoril da janela, olhava absorto para o céu estrelado. Vestia roupas folgadas e claras. Sua cimitarra ainda estava presa na cintura, ele jamais a abandonava.

Ascot levantou o olhar impaciente. Ajeitou seu grande chapéu e sorriu para Marisa. Estava contente por ela estar bem, mas ao mesmo tempo estava bravo por sua fuga.

Ela sabia disso, por isso evitava falar com ele.

Foi Laguna quem tomou a iniciativa:

- Acho que você nos deve algumas explicações milady Marisa...

Ela se encolheu. Como poderia lhes explicar sem os envolver?

- Desculpe- disse lentamente -mas eu só posso contar isso ao Guru Cleph..

-E por que? Marisa você quase foi assassinada!!!- Ascot estava tenso, temia pela vida de sua aluna.

- Eu sei, mas...

- Sua vida corre perigo! Por favor, por favor me conte- implorava.

- Desculpe- respondeu baixando olhar- eu tenho que falar com Cleph.

- E se mais alguem lhe atacar? - Laguna se fez presente, olhava-a diretamente.

- Por isso que eu quero que vocês me levem aos castelo...

- Então vamos fazer isso!- confirmou Laguna vestindo sua capa.

Ascot sorriu e levantou sua aluna docemente pela mão. Alisou-lhe os cabelos e disse confortavelmente.

- Desculpe. Eu tive medo quando pensei que a fosse perder. Nós vamos leva-la ao castelo.

- Obrigada..

Laguna se virou bruscamente, sacando a cimitarra. Enfiou a cabeça pela janela. Olhou pra todos os lados.

-O que foi Laguna?- perguntou Ascot intrigado.

-Melhor nos apressarmos! Alguém estava nos espionando...

Sob o telhado da estalagem uma pequena figura saltitava de alegria. O ecoar dos sinos preenchiam as ruas da cidade.

- Ai ai que cena meiga - e se sentou, os braços se agitando no ar- pena que eles jamais sairão dessa cidade vivos.

E riu, um riso de gelar a alma. Saltou e dançou sobre o telhado. Um jovem pássaro pousou ao seu lado e a observava curioso.

Lilith franziu a testa ao ve-lo e se abaixou para admira-lo.

-Ai que coisinha mais fofa! Pena ainda estar viva.

Seus dedos se fecharam sobre a ave que piou uma ultima vez. Ela riu. Estava feliz, cumpriria sua missão e destruiria uma cidade como brinde. Poderia ter um dia mais perfeito?

 

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Cleph, um mago de setecentos anos. O conselheiro mor de Zefir. Se apoiou em seu cajado e olhou para as nuvens negras da noite. Parecia jovem para um observador desatento, mas a preocupação causava-lhe rugas, rugas que marcavam sua face.

Priscila estava ao seu lado, o cabelo loiro e comprido balançando suavemente. Vestia suas vestes comuns e observava aflita o mago a sua frente.

-Será que aconteceu algo a Lantis?- perguntou Priscila, quebrando o silêncio.

Cleph se virou e olhou para ela. Os olhos tremiam de preocupação.

-Ele está a dois dias desaparecidos- lamentou-se - temo que algo tenha acontecido. Mesmo forte como é, ainda ha pessoas que são muito mais poderosas que ele...

- Como assim, Cleph? Lantis e você são os mais poderosos de Zefir!- ela tinha certeza disso, após a morte de Zagar e a partida das Magic Knights não haveria nesse mundo qualquer um que se igualasse a eles.

Mas Cleph balançou a cabeça negativamente.

- Está enganada, existem seres que nos superam. Eles estão adormecidos, mas se vierem a despertar, nada poderá dete-los. Nem mesmo as Magic knights.

-É verdade, Cleph?- Priscila suava frio -Quem são esses de quem você está falando?

Mas antes que Cleph pudesse responder, batidas violentas a porta do salão desviaram-lhe atenção.

-CLEPH!!CLEPH!!POSSO ENTRAR??

Era a voz de Rafaga. A porta se abriu lentamente, como por mágica. Ele entrou apressado, parou diante do mago e curvou-se como o costume.

-Temos problemas!! Ferio desapareceu de seu quarto!!!

-O que??- Cleph puxou o cajado para perto de si e tentou sentir a presença do principe. Mas foi inútil, Ferio não estava mais no castelo.

"Eu não pensei que Ele chegaria a esse ponto"- murmurou, os olhos fitando aflitamente para Rafaga- primeiro Lantis e agora Ferio. Creio que uma guerra esteja prestes a começar. Prepare seus soldados Rafaga.

Rafaga acenou com acabeça e saiu do salão. Priscila olhou para o mago aflita.

- Cleph o que está acontecendo?

- Priscila, você acredita no fim do mundo??

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Ferio abriu os olhos, estavam embaçados por uma estranha névoa. Sentia frio e percebeu que estava sendo carregado. Virou o rosto tentando ver quem o carregava, mas seu corpo não obedecia.

Deveria ser uma magia de paralisia. Sentia apenas os braços fortes o envolvendo e o manto espesso que ocultava seu sequestrador. Olhou para o céu e avistou um gigantesco e negro castelo surgir entre as nuvens.

O reconheceu imediatamente. Ouvira várias histórias sobre ele quando pequeno. Já o vira várias vezes em seus pesadelos.

Era Megido.

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Foi com assombro que Lucy chegou ao parque. Havia combinado com suas amigas de se encontrarem ali, mas não esperava encontrar um grifo em plena Tóquio.

O monstro rugiu e disparou um jato de chamas contra Anne, Ela rolou pelo chão desviando. Olhou para os lados procurando um lugar para se esconder. Mas não havia.

Várias arvores estavam ardendo em chamas. Algumas pessoas começavam a aparecer devido a confusão, mas agiam como se estivessem vendo a gravação de um programa de TV. Suas mentes não podiam conceber a verdade.

Anne estava encurrala-da. A cabeça de leão rugiu com força e avançou um passo. A garota recuou mas sorriu aliviada ao ver Mokona saltitando a sua frente.

-Pupupupu- repetiu ele alegremente, como se aquilo fosse uma brincadeira. A jóia em sua testa brilhou e Anne sentiu uma estranha força envolve-la.

Sentiu o vento sussurando aos seus ouvidos. Palavras gentis e confortantes.

No mesmo instante, Lucy sentiu como se seu corpo explodisse em chamas. Um calor que transbordava em seu corpo apartir de seu coração.

Marine, que chegava nesse momento no parque, sentiu seu corpo se agitar como ondas num oceano. A pureza das águas e sua furia surgirem em seu intimo.

As três olharam decididas para a criatura que recuou um passo. A multidão aumentava e aplaudiam agitadamente, quando Anne deu um passo em direção ao grifo, um turbilhão de urras explodiu no parque.

Mas as tres meninas nada puderam fazer, o grifo trincou como se fosse de vidro e se despedaçou, sendo arrastado pelo vento.

Anne abraçou Mokona e olhou envergonhada para a multidão que a aplaudia. Após alguns vivas e apertos de mão, logo todas as pessoas foram embora.

-Você viu que efeitos!!- cochichou um rapaz de cabelos negros.

-Deve ser uma nova super sentai!! Mal posso esperar- comentou um garotinho.

-Quase pensei que aquele monstro era real- sorriu um senhor de terno.

Lucy e Marine se aproximaram de Anne, que se sentou cansada. Mokona não parava de pular ao redor delas e Marine acolheu-o nos bracos.

-Você está bem Anne?- perguntou Lucy preocupada.

A menina sorriu e ajeitou os oculos.

-Estou bem, Lucy. Apenas cansada.

-Mas o que foi aquilo?- Marine se sentou ao lado da amiga.- primeiro Mokona aparece na Terra e agora você é atacada por um monstro!!

-É..e eu me senti meio estranha, parece que recuperei minhas magias.

Elas se entreolharam

-Eu também!- confirmou Lucy.

-É eu também- Marine olhou para Mokona- O que está acontecendo?

Mas mokona não respondeu, apenas sorriu largamente e se aconchegou no colo da menina.

O sol já se escondia no horizonte e as meninas olharam para a Torre que imergia da metropole. A torre de Tóquio, o local de onde haviam partido para Zefir.

-Acho que deveriamos voltar para lá- disse Lucy apertando o medalhão em seu peito- eles podem estar com problemas.

-Concordo com você - Anne lembrou-se de Ferio, seria uma ótima oportunidade de reve-lo.

-Que tal, amanhã? Afinal, amanhã é dia de descanso, não é?- sugeriu Marine.

As três se olharam e sorriram. Iriam para Zefir, reveriam as pessoas que amavam e ainda descobririam se suas preocupações possuiam fundamentos.

+++++

-Droga! Onde ela foi- reclamou Keichi entrando num beco. Mas ali estavam apenas um rapaz e uma mulher de asas. Havia perdido Marine de vista e começava a se odiar por isso.

Espere...uma mulher de asas???

Foi então que ele reparou e recuou um passo. O estranho rapaz avançou em direção a Keichi sorrindo. A mulher com asas de borboleta (seria uma fada?) apenas o olhava com desaprovação.

-Er... voces não viram uma menina de cabelos azuis? O nome dela é Marine, sabe...

-Marine Ryuzaki? Está falando da Magic Knight?- a mulher parecia intrigada.

-Magic Knight??- Keichi continuava recuando, passo por passo até finalmente tropeçar e cair ao chão. Olhou assombrado para o rapaz a sua frente. Ele tinhas as costas ensanguentadas e o olhar de um assassino.

-Keichi???

Uma voz feminina fez com que Keichi vira-se e visse Aissu entrando no beco. O que ela estava fazendo ali?? Por que o seguira??

- Aissu!! Vai embora daqui- gritou Keichi, mas era tarde demais, o rapaz desapareceu a sua frente e surgiu as costas da garota. Ela virou-se assustada.

-Aiii!! Quem é você???

Mas era o rapaz que parecia espantado. Firmou os olhos e sorriu.

-Quem diria!- disse ele- Nunca pensei que você escolheria um corpo de mulher Iliel? Muito esperto, sim, sim.

Aissu não estava entendendo nada, apenas recuou até ficar lado a lado de Keichi.

A mulher olhou para Aissu intrigada.

-Quer dizer que ela também é um Caído, Mestre Siriel?

-Sim, eu tenho certeza.

-Acho que está na hora de acordar, meu senhor.- e dizendo isso, fortes lampejos rurilaram a redor de Aissu. Keichi ainda tentou puxa-la para fora do turbilhão de luz.

Mas foi inutil.

Aissu ressurgiu logo depois, um sorriso estranho nos lábios e os olhos vermelhos. Em suas costas, dois grandes cortes banhavam suas vestes em vermelho.

-Seja bem vinda, Mestre Iliel.- curvou-se a mulher.

-Vamos embora- disse Aissu nom tom diferente. Não era mais a voz que Keichi conhecera, parecia funebre e sem sentimentos.

Viu com espanto Aissu desparecer subitamente junto do rapaz e da mulher de asas. O que estava acontecendo??

Sozinho, num beco de Tóquio, Keichi deixou uma lágrima escorrer de seus olhos.

-Aissu...- murmurou.

CoNtInUa...

++++

PREVIEW

O desejo de retornar

poderá ser suficiente?

 

Requiem 06 - Batalha na Torre de Tóquio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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