Magic Knight Rayearth Fanfiction
REQUIEM
Por Ryoga K2R
( [email protected] )O sol ardia dourado no céu do vasto deserto, nuvens finas passeavam despreocupadas e ignorantes a caravana que vinha a rápidas passadas em meio as grandes dunas de areia. Era uma caravana grande e típica do deserto, com seus dromedários robustos e homens de vestes claras.
A frente da caravana vinha quem parecia ser o líder, de vestes brancas e cabelo negro preso em um grande rabo de cavalo, tinha olhos negros e honestos. Na cintura pendia presa ao cinto uma grande cimitarra de fina qualidade e adornada por várias runas, provavelmente elficas.
Ao seu lado, vinha um homem baixo e de grandes bigodes, carregando um estranho objeto feito de madeira onde olhava aflito o resultado de suas contas:
- Mestre...- disse roucamente – eu acho q os mantimentos não vão durar ate chegarmos em Truly , teremos que economizar...
Mas ele interrompeu seu avisos ao perceber que o líder parara e desmontara o dromedário. Suas vestes balançavam e seus olhos examinavam a areia .
-Mestre Laguna – continuou – o Senhor deveria dar mais atenção aos meus avisos. Seu pai não aprovaria esses seus modos.
- Elcaios – disse Laguna ainda olhando para a areia – não me importo com sua opinião sobre meus modos, apenas mande vir os curandeiros .Temos uma pessoa que precisa de seus poderes.
E ele se agachou, levantando logo depois trazendo em seus braços fortes o corpo de uma jovem. Seus longos cabelos negros esvoaçaram no ar e suas duas mechas vermelhas se agitaram violentamente.
Elcaios olhou preocupado e correu apressado para o fim da caravana, voltando logo depois acompanhado por dois homens altos que carregavam pequenas algibeiras de couro.
-Façam o que for necessário para salva-la – ordenou Laguna entregando-a aos curandeiros que acenaram afirmativamente com a cabeça.
- Mas essa agora, nossas provisões acabando e ele aumenta ainda mais a caravana – murmurou Elcaios que se encolheu assustado ao perceber o olhar severo de Laguna que pousara sobre ele.
- Guarde seus comentários a si mesmo, Elcaios. Sou o líder da caravana, mesmo que seja a pedido de meu pai, se não estiver contente com minhas ordens é livre para partir.- disse Laguna apontando o vasto deserto.
-N...não meu Mestre eu sempre o obedecerei...
Laguna satisfeito acenou para a caravana que se fechou a sua volta. Iam passar a noite ali e deviam montar o acampamento rápido, pois a noite prometia ser realmente fria.
Capítulo 02 – CALMARIA ANTES DA TEMPESTADE
" Como você prova que existe? Talvez não existamos..."
As garras da criatura se chocaram com o asfalto que faiscou com o impacto. Aturdida Lucy abriu os olhos lentamente. Mokona estava em seu colo olhando-a preocupado. Ele à havia salvado do forte ataque.
Lucy piscou duas vezes seus grandes olhos vermelhos. Não acreditava no que via. Mokona estava bem ali na sua frente, branco, macio e com sua belíssima jóia vermelha a brilhar em sua testa. Mokona soltou um "pu" arrastado e Lucy o agarrou e o esfregou contra seu rosto.
-Ah Mokona !!!! Faz tanto tempo que eu não te vejo!!! Senti muita saudade de você!!!
Mokona sorriu, mas a alegria do reencontro não durou muito tempo. A criatura rugiu alto e os fitou agressivamente. Lucy se levantou segurando Mokona em seu colo, estava mais calma agora e podia raciocinar perfeitamente.
Mas mesmo assim não sabia o que fazer. Estava em Tóquio, não em Zefir, ou seja nada de espadas ou magias. Estava com uma grande desvantagem. O monstro rugiu e avançou com suas afiadas garras. A jóia de Mokona brilhou intensamente e Lucy se viu envolta de uma brilhante luz dourada.
Num lampejo , tanto ela quanto Mokona desapareceram subitamente. As garras da criatura se chocaram outra vez no asfalto arrancando várias faíscas.Ele rugiu insatisfeito, sua presa escapara, ele havia falhado.
Sua imagem começou a trincar como se fosse feito de vidro e em instantes se despedaçou, arrastado pelo vento e desaparecendo como se nunca houvesse existido. Deixando para trás várias pessoas atônitas e as ruínas do que antes fora uma loja.
***
O barulho dos grilhões metálicos se chocando contra a as paredes de rocha eram constantes. Gritos agudos de dor permeavam o ar. A escuridão pairava pesada e absoluta.
Lantis não sabia onde estava, mas sentia o frio do aço prendendo seu pulso. Sabia que havia sido aprisionada por uma estranha velha, mas o "por que" já era outra história.
Seu corpo doía devido aos ferimentos que sofrera, o cheiro podre no ar lhe provocava náuseas.Tentava invocar seus poderes mágicos mas não conseguia nenhum efeito. Provavelmente os grilhões também anulavam a magia. Estava lidando com profissionais.
-Vejo que já acordou?- a voz soou leve a seus ouvidos, fina e infantil.
-Quem é você?
-Realmente a Yaga maneirou com você...ela não te cortou em pedaços tão pequenos que ninguém jamais pudesse contar. Ou ela está perdendo o jeito...- riu, fazendo com que o barulho de sinos ecoassem pelo calabouço.
-Yaga? Então esse é o nome dela?
Ele sentiu dedos finos e femininos lhe alisarem a face. Ele desviou o rosto do toque.
- Não se preocupe, você vai ter companhia, a bruxa velha já deve estar providenciando isso. – e riu alto deixando para trás um preocupado Lantis. O que ela queria dizer com companhia? Lantis forçou os grilhões tentando se soltar, mas era completamente inútil, por mais que tentasse não conseguia pensar em uma maneira de escapar, o jeito seria esperar para ver o que estava por acontecer.
***
Marine estava esgotada. passara a tarde toda jogando tênis com Keichi e seu corpo merecia um esperado descanso. Assim que avistou sua cama repleta de bichos de pelúcias coloridos desabou em meio ao lençol azulado.
Havia passado uma tarde maravilhosa na companhia de Keichi, se sentia bem na presença do rapaz e começava a desconfiar que estava apaixonada. Seu coração batia mais rápido ao vê-lo e se sentia segura ao seu lado. Sintomas do famoso sentimento tão explorado pela mídia : o amor.
Afundou sua cabeça no travesseiro. Forçava o sono que demorava a vir. O sol já desaparecera no horizonte e a escuridão imperava no céu repleto de pontos brilhantes.
Uma brisa fria adentrou furtiva e gelou o corpo de Marine que gemeu de frio.
- AHHHH!!!Não diga que eu esqueci de fechar a jane...
Seus olhos se arregalaram, sentado próximo a janela havia um garoto, encolhido e segurando um ursinho pardo de pelúcia. seus olhos eram azuis e tristes.O vento brincava com seu cabelo prateado preso por uma fita em formato de laço. Suas roupas eram azuis e pareciam refletir o brilho das estrelas que preenchiam o céu.
- Mas o que você faz aqui garoto? – questionou Marine se levantando da cama.
O garoto se virou assustado. Seus olhos se arregalaram de assombro e mordeu seu lábio aterrorizado.
Outra brisa e o garotinho desapareceu como se nunca houvesse existido. Marine esfregou os olhos não acreditando no que acabava de ver e se sentou na cama.
- Devo ter jogado tênis demais, estou vendo coisas. – e desabou outra vez na cama.
O telefone tocou subitamente.
***
- Eu estou bem Elanor, não precisa ficar comigo aqui no quarto.- disse Ferio enquanto se sentava em sua cama. Estava com seus ferimentos curados, graças aos poderes dos curandeiros, magos especializados em magias de cura.
Ao seu lado Elanor o olhava preocupado. Seus belos olhos verdes brilhavam como jóias raras.
-Mas.. você tem certeza que está bem ???
-É claro- sorriu- os curandeiros do castelo são os melhores que existem!!!
- Mas...
- Nada de "mas", já é tarde e sua mãe vai ficar preocupada!!!- advertiu Ferio
Ele se levantou e alisou os cabelos de Elanor, beijando-lhe a fronte. Ela ruborizou completamente. Ele sorriu.
- Então boa noite e a gente se vê amanhã tá?
-Tá...
Elanor saiu, olhando ainda uma ultima vez para Ferio que acenou sorrindo. A porta se fechou num baque surdo e ela caminhou solitária pelos corredores do castelo.
Ferio desabou na cama. O corpo doía e estava cansado. Os olhos se fixaram no teto e uma imagem muito especial se formou em sua mente. O sorriso sincero, os cabelos dourados e os grandes olhos verdes rodados por aros negros.
- Anne...estou com saudades...- uma lagrima brilhou timidamente em seus olhos
***
"Gonna be trouble
It's gettin' out of hand
Gonna be trouble
But baby, I'm the man
I'm gonna save you
I'll be your knight
I'll be your saviour
How 'bout tonight? YEAH!
Gonna be trouble
Baby, I'm the trouble man
Want a fighter? Come on--
But don't you understand?
I can't be double
Baby, I'm the trouble man
Baby, don't you worry
Not gonna run away (I can't)
Baby, don't you worry
Yeah man, I'm here to play..."
- Ei cara porque parou?- repreendeu o jovem baterista acenando com as baquetas para Keichi, que se virou meio assustado.
- Er... desculpa! Eu tava pensando em outra coisa...- desculpou-se Keichi meio encabulado.
- Tá tudo bem – sorriu a jovem guitarrista de longos cabelos ruivos- chega de ensaio por hoje...além do mais não tem como ensaiar se o vocalista fica pensando em garotas...
-Ei!!! Eu não tava pensando nisso não!!!! Eu só tava... tava...tava...
- He he viu?- sorriu outra vez afagando os cabelos negros de Keichi.
- Er...desculpe Aissu-san
Aissu Kurimu, é a líder da banda da qual Keichi faz parte, a Explosion Danger. Jovem, bonita e de sorriso amável e considerada a garota mais bonita do colegial. Seus cabelos ruivos são sedosos e compridos, de movimentos lânguidos e envolventes. Na opinião de Keichi, ela só perde em beleza para a Marine, mas a opinião de um apaixonado não deve ser levada em conta.
- Falando nisso Keichi-kun você não vai visitar sua namorada hoje? – disse Aissu em tom de deboche, enquanto guardava a guitarra rubra na mochila.
-Humm? Você está falando da Marine? Nós não estamos namorando ainda não..- riu levemente.
-Não teve coragem de contar pra ela né? – Aissu se virou rindo, mas foi surpreendida. A sua frente, com seu rosto próximo ao dela, estava Keichi com um sorriso maroto nos lábios.
-A vaga ainda está disponível, você não quer se candidatar? – Keichi a envolveu pela cintura. A respiração de Aissu acelerou, ele podia sentir as batidas fortes e velozes do coração dela batendo descontroladamente. O vermelho tingiu-lhe a face e ela o empurrou para trás se afastando de seu abraço.
E se virou zangada, de braços cruzados.
- Ei!!! Aissu-san eu só tava brincando...- Keichi não esperava que ela fosse ter aquele tipo de relação eles se conheciam a bastante tempo , receava ter perdido uma grande amiga por uma brincadeira boba.
Aproximou-se temerosamente, mas Aissu se virou sorrindo, seu cabelo foi jogado para o lado com força.
- Eu sei seu bobo!- riu, o riso mais fingido já visto – eu preciso ir embora agora. – e recolheu a mochila da guitarra saindo da garagem onde faziam o ensaio. Deixando para trás um preocupado Keichi e um baterista atônito.
***
A escuridão.
Para todos os lados que olhava era apenas isso que via. Entrou apressada no salão real, olhando para as formas negras que pareciam se mover na escuridão. Parou diante e um belíssimo trono prateado adornado de finas jóias, se ajoelhou em sinal de respeito, com a mão direita sobre o peito.
- Morgana Le Fay se apresentando Senhor.- disse com voz firme, sem levantar os olhos, para o homem parado a sua frente.
Ele sorriu, bebendo um gole do vinho de sua taça de cristal.
-Tenho um trabalho pra você- disse com uma voz extremamente calma e rígida. Era possível notar um certo ar de nobreza em sua voz e seus gestos. O manto negro e ombros largos eram os únicos detalhes que podiam ser notados na escuridão.
-Estou sempre pronta para lhe servir.
- Obrigado Le Fay! Sempre soube que podia contar com você.
Aquelas palavras encheram Morgana de alegria. Ela sempre o servira e começava a pensar que ele não havia percebido o quanto se dedicava. Principalmente quando soube que até a velha Yaga havia recebido uma missão.
-Quero que vá até o mundo Místico! – continuou pausadamente, como se meditasse com cada palavra que dizia - É chegada a hora de despertar os Caídos.
- OS CAÍDOS!!!- Morgana estava surpresa, não era possível que ele desejasse despertar os quatros Caídos, será que ele havia enlouquecido?
- Não há o que temer Le Fay, apenas os encontre para mim com sua bússola mágica.
- S...sim meu senhor – respondeu tremula, seria uma missão arriscada, mas faria o possível para cumpri-la. Até daria sua vida se fosse necessário.
***
Aquele era o quarto mais bagunçado já visto, roupas em um canto, livros esparramado no outro. Revistas, canetas, CDs, tudo esparramado por sobre a cama. O caos emperava naquele cubículo conhecido como o quarto de Shinta.
Normalmente organizado, a baderna começara em sua duvida de qual roupa vestir. Jogava calças e camisas por sobre o ombro, aumentando ainda mais o caos. Ele estava decidido, iria convidar Anne para sair. Iria finalmente revelar seu sentimentos para ela e precisava escolher a roupa adequada e o presente adequado para a situação.
-Não! Também não! Não! Essa não! -estava assim há horas e faltava ainda escolher o presente. Pelo visto não será hoje que ele saberá a resposta de Anne sobre seus sentimentos.
- ARRRRGHHHH!!!Essa também não!!!!
***
TRRRRIIIIIMMMMMMM!!!!
- Eu atendo!!!
Anne saiu da cozinha enxugando suas mãos em um guardanapo e retirou o telefone azulado do gancho, atendendo com a sua tipica calmaria.vestia um avental longo e branco com o desenho de uma galinha amarela brincando com um ovo.
- Alô!! Família Hooji boa noite!
- Posso falar com a Anne?- questionou uma voz feminina e ofegante do outro lado, Anne reconheceu a voz e sorriu.
- Oi Lucy, sou eu quem está falando!!
- Anne será que você podia vir até minha casa amanhã depois da aula?
- Hmmm?
- E que tenho algo que eu...- a fala interrompeu bruscamente, Anne ficou apreensiva segurando firmemente o telefone.
- Ei Lucy tudo bem ? Lucy?
- PU PU PU PUUUUUUUUUU!!!!
Anne quase largou o telefone de tão surpresa que ficou, piscou duas vezes os belos olhos verdes e ajeitou os óculos, se recuperando do susto. Não seria possível que fosse quem ela estivesse pensando, não poderia ser Mokona!!!
- Ai ai ! Dá licença Mokona!!! Ei Anne você ainda está aí?? – insistiu Lucy.
- Lucy, o Mokona está mesmo aí?
- He he está sim! ^^
***
Elanor caminhou lentamente até finalmente atravessar um arco esmeralda. Surgiu diante de seus olhos um salão vasto repleto de árvores e flores. Pássaros de todas as formas e cores voavam de um lado para o outro, cantarolando.Uma belíssima fonte havia sido construída no centro do salão e a esguichava para o alto um jato cristalino de água.
Ela se sentou na fonte, as mãos descansando sobre o colo.
- Está preocupada com o que Elanor querida?
Elanor se virou e sorriu ao ver quem era. A pele bronzeada quase brilhava de tão bela, os cabelos de um leve tom rosa balançavam livres delineando suas belas formas. Os olhos azuis brilhavam alegres. Um vestido leve de um branco pálido, quase transparente , caia-lhe dos ombros e terminava rente ao chão.Em seu colo segurava um pequeno bebê que remexia sonolento.
-Ah! Oi Caldina!!! Como vai? E seu bebê?
Caldina sorriu, sentando-se ao lado de Elanor. A menina começou a brincar com as mãozinhas do bebê que se agitavam no ar. O rosto redondo sorria, a pele morena igual ao da mãe e os fios loiros de cabelo já brotavam no alto da cabeça.
- Ela é tão lindinha!!! Como é mesmo o nome dela?
- Esmeralda!! Foi Rafaga quem escolheu.
- Esmeralda? È um nome lindo!!!
Sim,mas na verdade o real motivo de ela chamar-se assim foi em homenagem a falecida princesa Esmeralda. Cladina pensou em contar isso a Elanor, mas desistiu em prolongar o assunto. Percebia que Elanor tentava mudar o rumo da conversa.
- Mas , Elanor, por que você estava tão triste?
Elanor crispou as mãos e baixou o olhar.
Elanor arregalou os olhos e Caldina sorriu.
-Estava obvio querida. Só o Ferio ainda não percebeu. Ele é meio lento pra essas coisas. E além disso tem a ...
Caldina parou levando as mãos à boca. Ela deveria contar a Elanor sobre Anne? Destruir as esperanças da elfa? Talvez Anne nunca retornasse a Zefir, seria melhor que Ferio ficasse com Elanor.
Caldina se levantou. Seus cabelos balançaram languidamente.
- É melhor irmos dormir. Amanhã será um grande dia!!
Elanor assentiu com a cabeça.Amanhã realmente seria um dia agitado.
Sem que percebessem um par de olhos brilharam sadicamente em meio às sombras
Continua...