Meninos também choram...
(Meninos também choram...)
De Luiz A. B. do Nascimento
Capitulo 2
Adeus é muito tempo...
Parte 2 de 2
Igor ouviu a campainha tocar, levantou-se do sofá para atender, sabia bem quem era..., abriu o portão e de pé a sua frente estava o mesmo cabelo dividido ao meio, o sorriso terno e doce, o amigo: "Henrique...", Abraçou-o deixando o rosto pousa-lhe no ombro.
Acomodaram-se no quarto. Igor achava-se deitado na cama, olhando o teto displicentemente, seu amigo estava sentado na beira da cama de Fabinho que ficava no mesmo quarto.
Os dois haviam trocado poucas palavras, possuiam coisas a dizer, mas não queriam adentrar em determinados assuntos por vontade própria, desejavam que a conversa fluísse, pensavam até em deixar tudo como estava afinal de contas, não importava se faziam qualquer coisa ou nada, sempre tinham bons momentos juntos.
Foi quando Henrique pode ver o garoto a sua frente dar-lhe as costas, já o tinha visto triste antes, todavia era a primeira vez que o via tão recolhido, dentro daquele corpo magro um conflito enorme ocorria, afinal de contas fora reprovado no vestibular e no terceiro ano. Agora perdia a avó, uma pessoa da qual ele pouco falou durante o tempo que se conheciam. Mas como realmente consolar um amigo nessas horas? Se havia uma resposta ele não a conhecia, olhava Igor, que ainda se comportava da mesma maneira, calado, prendendo o problema. Às vezes telefonava ou ia pessoalmente a sua casa, mas na hora de falar, dizia não ser nada, debochava dos assuntos fazendo-os cair na mesmice, dificilmente se aprofundavam; E isso começou a preocupar Henrique, pois até quando Igor suportaria carregar tanto sofrimento, tanto rancor, tanta decepção?
Sentiu-se então inútil. Ali estava seu melhor amigo, sofrendo e ele nada podia fazer, do que adiantava ser tão inteligente, dominar matérias como química e física se não podia trazer conforto a aquela pessoa pela qual tinha tanto carinho?
O que diria? Aquelas palavras frias usadas por todos nestes momentos: "Eu sei como se senti" – mentira! – "A vida é assim mesmo" – mentira! Mentira! Mentira!
"Será que devo?" _pensou.
Tinha medo de tentar. Tinha medo de dar carinho à alguém, de demonstrar que se importava com seu amigo.
Antigamente, durante suas conversas, falavam alto, mentiam citando fatos nunca ocorridos, pareciam querer afirmar a cada momento que eram homens. Fingiam não ter sentimentos, fingiam estarem seguros, era estranho..., Henrique pode perceber que como ele, todos os homens viviam fingindo...
Puxou os joelhos para junto do corpo. A vontade de gritar era grande, queria poder soltar aquela aflição num berro que arrancasse as duvidas.
Ficou encolhido. Calado.
Precisava de algo naquele momento, não palavras, pois elas apenas servem de escudo aos nossos sentimentos. Precisava de algo..., mas o que seu coração pedia e a sua alma suplicava? O quê?
Estava quente, o braço que enlaçou seu ventre, era quente. Um frio percorreu a barriga dos dois, homens não podiam se abraçar, são senhores das palavras que confortam, mas será que apenas as palavras podem ser usadas para amenizar a dor? O sofrimento? Deixaram-se estar, ambos. Deitados. Eram amigos e amigos não possuíam sexo são apenas eles mesmo.
Ele precisava de algo, não queria mão no ombro e frases usuais que tiveram seu real significado perdido, fragmentado pelo uso, pela fulga. Tinha plena certeza de sua integridade, um homem, mas antes de tudo um ser humano. Agora, ele sabia do que precisava um amigo, um abraço, um conforto de verdade..., o carinho.
Tic, tac, tic, tac....
O relógio sobre a pequena cômoda a separar as duas camas, tilintava num som ritmado.
Tic, tac, tic, tac....
Igor pegou o aparelho para ficar apar das horas.
Tic, tac, tic, tac....
Henrique, tinha algo a dizer que deveria dar-lhe orgulho, todavia a notícia a vagar só lhe trazia tristeza, mas precisava contar, afinal não teria outra oportunidade. A vida realmente era muito engraçada, havia se esquecido completamente daquilo, quando Igor ligara para sua casa soube que o destino o carregava. No caminho, enquanto pedalava, refazia mil vez aquele momento...., agora, ele havia chegado e se sentia indefeso contra a verdade: contar-lhe era sua obrigação.
Preocupado. Como Igor encararia aquilo? Depois de passar por tantos acontecimentos tristes, como reagiria? É nessas horas que a vida parecia tornar-se uma piada sem graça.
Tic, tac, tic, tac....
Tic, tac, tic, tac....
Ele fechou os olhos antes de responder.
Tic, tac, tic, tac....
Felicidade! Aquela alegria no rosto de Igor, o fez se sentir ainda pior, durante todo o dia tentará faze-lo sorrir e quando assim conseguia..., Tinha que ser nessa hora!
Henrique encostou a cabeça na parede.
Tic, tac, tic, tac....
Tic, tac, tic, tac....
O que dizer? Sentir? Fazer? Nada. Minto existe outra alternativa, a que recorre todos os homens nesses momentos: fingir.
Igor fingiu um extenso sorriso de orelha a orelha, deveria parecer convincente para dizer que contente por tudo e que Henrique deveria ficar feliz, pois os sonhos sempre são mais importantes que tudo na vida.
Henrique fingiu aceitar a situação, fingiu acreditar quando o amigo disse que logo, logo iriam se reencontrar, fingiu crer que aquele abraço dado na porta da casa de Igor não seria o ultimo.
Fingiram um tchau, até logo, quando deveriam ter dito adeus, fingiram estarem conformados, pois a vida é assim mesmo. Abandonaram-se.
Rec. Play.
"Me sinto triste.
Hoje tive duas noticias ruins: a morte de minha vó e a partida de Henrique, mas o pior nisso tudo é saber que só sinto realmente pela partida do meu melhor amigo. Apesar dela me conhecer desde criança, foi ao lado de Henrique que passei toda a minha infância. Mesmo sabendo que o meu nome foi idéia dela, era quando ele pronunciava que eu me sentia feliz. Minha vó ouvia tudo que eu dizia, mas era meu amigo que entendia o que eu não dizia.
Vou sentir muito a sua falta..., amigo."
Stop.
"Amigos quando parte
não vão-se sós,
deixa um pedaço de si,
leva um pedaço de nós."
(autor desconhecido)
NOTA DO AUTOR
Agradeço as pessoas que me enviaram e-mails, criticando (Muito) e elogiando(ainda bem!) a fanfic, muito obrigado. Uma entre todas as queixas foi a de que eu escrevo nenhuma NOTA na minha fic. Tudo bem pessoal, aqui está! Mas, o que falar?
Bem, eu não sei quando tive a idéia para escrever está história, penso eu, ter começado por um comentário da minha irmã. Disse ela que ninguém escrevia histórias onde pessoas comuns pudessem viver situações comuns, sem seguir o padrão MALHAÇÃO, que divide os jovens entre bons e maus, este estereótipo não existe nas nossas vida, não acham? Fora isso, os alunos do MULTIPLA ESCOLHA (não sei se esse é ainda o nome do colégio pois, quase não assisto TV), são lindos, sarados, inteligentes e caridosos, (Chega dar nojo diante de tanta pureza! Eca!), com toda a humildade espero conseguir seguir com essa fanfic fugindo dessa temática. OK, eu continuo a falar na próxima, que eu vou matar a televisão antes que ela me mate, chega de conversa, chega de mentira, que eu vou assaltar uma livraria, fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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