Capítulo V : A Sombra da Morte

"Oi, Amor . tudo bem com você ?

Desculpe não ter ido te encontrar na hora do jantar, também não tenho nenhuma explicação boa o suficiente pra te dar. .

Não estava me sentindo bem, e também não estava com vontade de descer . Não sei por que, apenas não estava com paciência, ou birra, ou sei lá, resolvi ficar por aqui.

Bem, de qualquer forma, eu estou preocupado com você. Tem algo de errado, embora eu não saiba o que é e você não tenha me contado. Sei que pode ser assunto de mulher, por isso não te perguntei nada o dia inteiro, achei que você precisava ficar sozinha . Eu compreendo. Mas não deixo de ficar preocupado. Não sei de tudo, tampouco faço previsões como a Cassie. Ajo de acordo com a situação da melhor maneira que puder. Imagino que eu tenha te deixado irritada, ou furiosa, ou ofendida, sei lá, mas não me sai da cabeça de que eu tenho um pouco de culpa nisso . Se não for por nenhum dos motivos citados acima, então eu não inspirei confiança o suficiente para você se abrir comigo. Mas eu só queria ter um tempo com você, para podermos conversar. Sei que conversando podemos resolver todos os problemas.

Podemos conversar ? Não precisa ser agora, você decide quando estiver mais a vontade para conversar, mas quero ter certeza de que você esteja bem.

Te amo. Mais do que o Sol e a Lua, você é o Astro-Rei que brilha no meu céu, que ilumina meu caminha à noite, que invade meus sonhos e me faz sorrir. É a mais bela flor do meu jardim, a mais bela fada da minha Arcádia, a mais encantadora donzela de meu Reino.

Com todo amor

Yoh "

Em seguida Yoh escreve a carta para Crabbe. Ele aproveita que ainda estava cedo e vai até o corujal, dando a carta de Crabbe para Karasu e tomando emprestado Pitichinho e usando-o para enviar a carta para Gina, retirando-se depois para a torre da Corvinal. Já era hora de dar um rumo a tudo aquilo, antes que as coisas se complicassem ainda mais .

***

Em seu quarto, a mesma estava na cama. Amanda havia lhe trazido algumas guloseimas, e ambas estavam comendo um pouco enquanto o sono não vinha, quando Pitchicnho passou pela janela, pousando no colo de Gina e deixando uma carta em suas mãos.

- Quem te mandou ? - Perguntou Amanda.

- O Yoh...

- O Pitchinho obedeceu ele, é ? Que coisa ...

- É ...

- Não vai abrir a carta ?

- Imagino o que ele tenha escrito, eu ...

- Abre logo isso ! - a amiga dava um soco na cama - até onde vai ficar agindo assim ? Está parecendo uma criança que fez arte ! Se ele te enviou a carta, é por que está preocupado, oras ! - Gina abriu e leu o conteúdo da carta.

- Ele quer conversar comigo...

- É só isso que ele diz na carta ?

- Bem, não . Na verdade, ele pede desculpas por não ter ido descer para jantar, disse que estava se sentindo estranho ... que está preocupado comigo, e que entende que tem coisas que eu não iria me sentir muito a vontade para contar, e que ele só queria saber se eu estou bem.

- E você achando que era um bicho de sete-cabeças...

- Ai - ela coloca a mão no rosto - que vergonha ! E eu pensando um monte de coisas dele !

- Tá, mas e agora, vai contar para ele ?

- Bem ... eu já resolvi com o Harry e ...

- Eu sei, Gina Weasley, a rainha do gelo .

- Melhor ser dura e acabar com isso do que dar corda. Mas já acabou. E eu não acho que o Harry realmente me ame. Talvez esteja apaixonado, mas amar, não. Assim como a Cho.

- Sabe, eu até que fiquei com um pouco de pena dela, quando o Yoh comentou na sua casa que ela perguntou por ele e ele não deu retorno.

- É ... ele ficou o tempo todo atrás dela, e acabou desistindo, justamente quando estavam começando a se dar bem. É mais irresponsável do que eu imaginava.

- Gina, ele cansou de esperar igual você, que cansou de esperá-lo.

- Mas ter sido amado por mim uma vez não dá a ele o direito de ser amado por mim para todo o sempre. Não sou alguém que sempre estará a disposição dele. Sabe, eu nunca te contei isso, mas .. bom, no ano passado, alguns dias antes de conhecer o Yoh, eu fui falar com ele***. Ainda não tínhamos voltado para a escola, sabe. Me declarei por completo, disse o quanto o amava.

- Então era por isso que você estava tão triste naquele dia?

- Um pouco . Ele disse que estava surpreso com isso, mas que lamentava por não poder corresponder aos meus sentimentos. Eu disse que entendia e fui embora . Nunca me senti tão mal na minha vida, sabe. Era puro sorriso, mas por dentro, estava muito, mas muito ferida. Até que eu conheci o Yoh, ou melhor, nós duas, que nos acompanhou, nos incluiu em seu grupo de amigos e ... bom, o resto você conhece.

* Nota dos autores : mais detalhes a respeito dessa declaração que Gina fez para Harry, leiam o fanfic "Ele não me Ama, Ele não me quer, ele não me vê como mulher"

 

- Tá, para de enrolar e escreve logo para ele antes que ele durma, anda !

- Mas o que eu escrevo ?

- Sei lá, a namorada é você !!!!

***

Algo estava estranho. Sentia-se bastante estranho há algum tempo.

No começo começou com tonturas ocasionais, depois perdia o apetite, mas as coisas pareciam piorar.

O que era ? Não era novidade, já sentiu tal coisa antes, mas não se lembrava direito do que era. Alguma doença ?

Provavelmente .

- Tudo bem com você ? - Cassie colocava a mão em sua testa e depois em seu pescoço - você está pelando !

- Nossa ! O que foi, Yoh ? - Chaz o encarava - seus olhos estão horríveis !

- Eu ... não sei ... acho que não devia ter levantado da cama ... hoje - e ao terminar, seu corpo perde a sustentação, de modo que o mesmo, no corredor, tomba .

- Yoh . - Cassie olhou para Chaz. -Vamos leva-lo para a enfermaria e rápido !!!!!!!!

- Claro !

Os dois levaram o amigo para a enfermaria , madame Pomfrey ficou horrorizada com o estado de Yoh.

- O que foi isso ?

- Eu não sei, ele desmaiou no corredor !

- Algo de anormal ?

- Bem ... ele não estava com muito apetite ontem a noite, disse estar se sentindo estranho e ...

- Ainda não começaram as aulas, chamem a professora Kneen, quero fazer algumas perguntas para ela.

- Claro. - Os dois saíram da enfermaria e foram a procura de Jane.

***

- Gina, quer olhar pra mim, por favor ?

- Estou ouvindo sua voz.

- Olhe para mim.

- Não quero levantar o rosto, Amanda .

- Pra não ter que virar ele depois e encarar o seu irmão e a Mione, que estão do lado do Harry. Sabia que isso não adianta nada ?

- Se eu ignorar ele, talvez dê resultado - ela olhava pelo ombro de Amanda - onde ele está ? Ainda não chegou ...

- Não , não chegou....

- Aonde ele se meteu ? Ele sempre acorda cedo ... será que ficou magoado comigo, quando disse que estava tudo bem ?

- Deixa disso, Gina !

- Mas eu estou preocupada ... não nos falamos o dia inteiro, algo pode ter acontecido com ele . Talvez eu devesse perguntar a senhora Jane - Gina arregala os olhos quando vê Chaz e Cassie caminhando pelo corredor e parando em frente a mesa dos professores, de modo que em seguida Jane se ergue e caminha apressadamente por entre os alunos.

- O que será que aconteceu ? - Gina tinha um semblante de que estava visivelmente preocupada .

- Deve ser algo na sala ou ...

- Mas ... eles são alunos e... ai , por Merlim ... será que aconteceu algo com ele ?

***

Jane corre até a ala hospitalar , ao chegar lá vê seu bebê desacordado na maca.

- Ele tem alergia a algo ? - Perguntou madame Pomfrey.

- Bom, ele tinha, mas quando era bem pequeno e ... ele tinha alergia sim, mas havia se curado.

- A que ?

- Cães .

- Cães ? Mas ... mas o único que tem um cachorro aqui é o Hagrid, e mesmo assim ...

- Eu sei quem tem um cachorro e fica andando com ele pela escola, mas depois eu resolvo isso - ela se aproxima de Yoh - filho, tudo bem com você? Filho ?

- Hã ... - ele tentava se manter acordado - oi, mãe . Acho que vou me atrasar pra aula ...

- Shh ! Não fale, meu lindo. Apenas descanse. Você está muito quente, tem que descansar.

- Mãe, o que foi isso ?

- Sua alergia voltou, meu pequeno lorde .

- Minha ... alergia ? Por isso eu não me lembrava e ... o cachorro do professor Remo, ele ...

- Pode deixar, vou providenciar para que isso seja resolvido. Dá pra fazer um casaco bem quentinho com a pele dele !

- Mãe !

- Calma ! Prefere um tapete ?

- Mãe !

- Veja pelo lado bom , quando estiver sujo, é só leva-lo para fora e bater nele !

- Só a senhora pra me animar - ele tossia - ai, acho que não me sinto muito bem ...

- Descanse um pouco, querido. Mais tarde mamãe vem aqui pra ver se você está melhor, tudo bem ?

- Tudo ...

- Não fica assim, tesouro ! Obedeça a senhora Pomfrey, e eu te trago uma surpresa, ok ?

- Ok .

- Que depressão, filho ! Aproveite, não é sempre que você se livra de mim tão facilmente ! Mas não pense que vou aceitar isso como justificativa para não continuar estudando para seus testes de NOM's !

- Ai ... seria até divertido, se não doesse.

- O que eu tenho que fazer para elevar seu animo ?

- Yoh ! - A ruiva entrava correndo na enfermaria, se atirando encima dele.

- Esqueça o que eu disse, vou deixar os dois a sós, mas não demore muito, Gina, pois ainda tem aula.

- Tudo bem. O que houve ? Eu fiquei preocupada !

- Eu ... eu estou um pouco doente, quero dizer ... acabei desmaiando no meio do corredor, e foram chamar minha mãe.

- O que houve ? Por que não me contou que estava com problemas ? - havia uma lágrima em seus olhos, mas no mesmo instante ela se dá conta de sua hipocrisia - eu ...

- Eu não sabia, juro. Quando pequeno eu ela alérgico a cães, fiz tratamento e superei isso, mas acabou voltando, e o cachorro do professor Lupin me deixou assim.

- Mesmo ? Mas eu estava tão preocupada ... não faça mais isso, ok ? Podia ter me avisado, eu fiquei tão preocupada ! O que acha que eu pensei quando vi sua mãe sair correndo ?

- Desculpe, mas como eu disse, não tenho controle de tudo. E você, como está ? - ele acariciava seus cabelos - Sente-se melhor ? Parecia tão distante ontem, me deixou preocupado .

- Eu sei, é que aconteceu uma coisa que ... - ela olhava para Pomfrey - que eu preferia não te contar agora. Juro que quando você sair daqui, eu te conto tudo, ok ?

- Ok . Mas você está bem, mesmo ? Não suporto te ver triste, moranguinho .

- Com você, eu sempre estou feliz - ela abaixa seu rosto e ambos compartilham um singelo e até inocente beijo, ficando com os lábios colados por alguns minutos, como prova da inocência de seu amor. Mas para Gina, era muito mais do que isso. Sentia falta dele, do toque do mesmo, da presença dele, dos lábios dele nos seus. Como era bom estar ao seu lado. Até a irritação que sofreu no dia anterior era jogada fora, quando estava perto dele.

- Ai !!!

- O que foi ?

- Minha cabeça ... estou com um pouco de dor de cabeça ...

- Ah, Yohzinho lindo ... tá dodói, tá ? Pois a ginazinha vem te dar papinha na hora do almoço, tá !

- Vou adorar isso - ele sorria, observando-a .

- O que foi ? O que tanto olha ?

- Sua beleza. Sua simplicidade. Você é tão linda, Gina .Mas mais bonita do que você, é a sua personalidade.

- Tá me deixando encabulada !

- Mas é verdade, você é incrível, seu jeito de ...

- Aham, hora de ir, Gina .

- Mas, madame Pomfrey ...

- Ela tem que estudar, Yoh .

- Eu sei mas ... eu estava quase ganhando outro beijo !

- Terá tempo para outros mais tarde, meu jovem. - Até a hora do almoço, lindinho. - ela lhe dava um rápido beijo e se despedia.

- Até - ele via Amanda do lado de fora da enfermaria acenando, dando-lhe tchau.

- Realmente iria ser uma longa semana ...

***

- Ai, droga !

- Tem que se concentrar um pouco mais, Ju !

- Espera ! Não ! Não ! Não !

- Lamento, mas seu bispo já era.

- Droga !

Era a sexta peça consecutiva que Julieta perdia para Rika no xadrez do bruxo. Mas será possível que ela seja tão boa no xadrez quanto no Quadribol ? Mas que droga !

- Calma, Ju - James se aproximava, colocando a mão em seus ombros - não se irrite, e só se concentrar.

- Concentrar ? Não é você quem está perdendo aqui !

- Relaxe, é só um jogo. Mana, cadê a Ariel ?

- Por ai.

- Por ai ?

- É, por ai.

- Como assim, por ai ?

- Por ai, horas ! Eu tenho mais o que fazer do que ficar prestando atenção nela, sabia ? - ela move a peça e, em uma tacada só, bloqueia o avanço da torre e do cavaleiro de Julieta .

- Ai !

- Queridinha, lamento dizer mas você está em maus lençóis - ela geme quando vê o peão de Rika reduzir a poeira a sua torre.

- Ai ! Isso não é justo ! Você joga isso a vida toda, eu só estou aprendendo a jogar agora !

- Grande desculpa ...

- Queria ver você vencer do seu irmão - ela sorria, apontando para James.

- Ele ? Há, ele é pato, Ju ! Venço ele com uma mão nas costas, uma perna amarrada, um comensal na minha cola e em cinco minutos !

- Ei, também não precisa esculachar ! - ele reclamava, visivelmente ofendido . - só por que você ganhou aqueles campeonatos, não significa que é a melhor de todas !

- Não sou a melhor de todas ... mas com certeza sou melhor do que você ! - ela se ergue com a mão na cintura e um sorriso vitorioso .

De novo, não.

Poucas foram as vezes em que Julieta teve a chance de presenciar uma discussão entre os irmãos Hooch. Rika Hooch e James Hooch, alunos do sétimo e sexto ano da Corvinal, respectivamente, ambos batedores do time de Quadribol de sua casa, o qual recentemente recebeu o apelido de "Os Corvos". A cooperação entre ambos era incrível. Assombrosa, na verdade. Talvez por serem irmãos, talvez por serem amigos, talvez por jogarem juntos há bastante tempo, as opiniões eram diversas, mas a sincronia que ambos eram capazes de atingir em campo era assombrosa. Tal prova disso fora durante o jogo contra a Sonserina no ano anterior, no qual ambos arremessaram balaços e calcularam com perfeita exatidão o ponto no qual iriam se chocar.

Realmente, juntos eram capazes de fazerem coisas incríveis.

Mas também eram motivo de bate-boca.

Sabendo disso, Julieta resolveu, de uma vez só, intervir antes que começassem a discutir coisas sem sentido pelo resto da tarde.

- Hã, gente ... tá bom, pra que brigar, eu ...

- Que foi, maninho ? Não quer jogar uma partida ?

- Só pra você provar que é melhor do que eu em outra coisa, é ?

- Você é tão habilidoso quanto eu, talvez até mais.

- Ah, e dai ? Que coisa essa de querer que eu me torne profissional !

- Profissional ? - Julieta começava a "boiar" em meio aquela discussão toda.

- Viu aqueles troféus todos lá em casa, Ju ? Eram da Rika, sabe. Ela é campeã juvenil do torneio de Xadrez de bruxo da Inglaterra. Ficou entre os três primeiros no torneio anual da Grã-Bretanha e entre os vinte melhores no torneio Europeu .

- Uau ! Não sabia que você era tão boa assim, Rika !

- Obrigada . - ela batia no peito - mas o meu querido irmão joga tão bem e não gosta de competir ...

- Já disse que não gosto de torneios e ...ah, deixa pra lá. O que acham de irmos passear ? Que tal se formos até Hogsmeade ?

- Está nos convidando para ir ao vilarejo, irmãozinho ? - ela perguntava, com os olhos arregalados.

- Sim ,por que ?

- Tsc, tsc ... - ela balançava a cabeça, sorrindo em sinal de reprovação - James Hooch ... realmente tem muito o que você tem que aprender - ela puxa um casaco que estava na cadeira, enrosca-o na cintura de James - como não ser "vela", sabe .

- E quem está sendo "vela" aqui ?

- Eu - ela une as mãos de James e Julieta, enquanto os empurra para fora da sala comunal da Corvinal - vão se divertir vão . Como diz aquele ditado trouxa, "Um é pouco, dois é bom, três é demais" - James e Julieta já estavam praticamente do lado de fora enquanto Rika, do lado de dentro, acena para ambos - vãovãovãovãovão !

- Acho que isso foi uma indireta, James.

- Percebi ... bom ... vamos ?

- Mas ... eu não estou arrumada para ...

- Está linda assim - ela enrubrece com o comentário dele - é sério - ela fica ainda mais vermelha.

- Eu ... obrigada . - ela se olhava . O modelito até que estava ótimo para um passeio . - bem, vamos. É melhor do que passar o dia aqui, não é mesmo ?

- Claro . - eles caminhavam pelos corredores da escola, encarando o solão que fazia do lado de fora.

- James ...

- Sim ?

- A Rika, tipo, meio que, bem, hã ...

- O que ? O que disse ?

- Ela ... hã, lá onde vocês moram ... ela tem saído com alguém de lá ?

- Que eu saiba, não. Volta e meia alguém para ela passar o tempo, mas algo sério, não.

- As vezes acho que ela ainda está um pouco magoada por ter rompido o namoro com o Carlos.

- Isso já tem mais de dois anos. Eram amigos antes de resolverem namorar, e continuam amigos depois disso. Mas não pense que minha irmã é de ficar sozinha, ela sempre tem alguém para passar o tempo.

- É ? - ela perguntava, enquanto entravam na carruagem para Hogsmeade - então quer dizer que de última hora ela pode arrumar alguém para ir ao baile de inverno ?

- Pode ... mesmo que tenha que "roubar" o par de alguém. - ambos descem no vilarejo e começam a andar por ele. - E agora, quer fazer algo ?

- Foi você quem me convidou, improvise ! Que tal um cinema ?

- Cinema ?

- Xiiii, esquece ! - ela fazia uma careta enquanto dava língua para ele - esqueci que não estamos no mundo dos trouxas. Vem, já que você está pouco inspirado, então vamos ver umas vitrines por ai .

- Eu não estou sem inspiração, apenas ...

- Não esperava que sua irmã recusasse o convite e ficasse sozinho comigo, certo ?

- Hã ...

- Tudo bem, James - ela sorria enquanto dava o braço para ele - eu não mordo.

- Certo - ele juntava sue braço com o dela, e ambos caminhavam pelas ruas do vilarejo, ocasionalmente parando em uma ou outra loja para ver as ofertas.

- James , você gosta realmente de mim ? - Os dois se olharam. - É que raramente você gosta de ficar sozinho comigo...

- Eu realmente gosto muito de você. - Ele acaricia o rosto da namorada.- E eu sei o por que dessa sua pergunta. Bem, eu evito realmente que fiquemos sozinhos , pelo motivo qual ... minha mãe se mete muito quando estamos sozinhos.

- Ah James ... ela só quer cuidar que você não faça perguntas ousadas. - O rapaz ficou vermelho , mais Julieta não sabia se era de vergonha ou de raiva. - Ela falou isso para mim... - ele ficou mais vermelho - que você disse que eu era só uma paquera ...

- Eu ... eu posso explicar.

- Pois bem - ela o encarava, batendo o pé no chão.

- Olha ... me desculpa , não foi minha intenção, e ...

- Não ? Trocamos correspondência as férias inteiras, saímos durante o final do ano, e não somos namorados ?

- Sim, somos, mas me incomoda ter minha mãe pegando no meu pé.

- Isso é uma bela desculpa, sabia ?

- DESCULPE !!! Não foi minha intenção . O que quer que eu faça, que fique de joelhos e implore pelo seu perdão ?

- Oficializar isso para a usa mãe já está de bom tamanho ... James, não pode ficar com medo dela, dela querer ficar dando palpites. Não sei se eu posso agüentar isso ! - James a agarrou pela cintura, e lhe deu um beijo de dar inveja a muitas bruxinhas sem pretendentes.- Hmmm ... nada mal, mas eu esperava mais do que isso.

- Quem é que está passando da conta aqui, heim ?

- Nem tanto, só gosto de aprontar um pouco quando não tem ninguém me controlando ...

- Hmmm...

- Não vá pensar maldade !

- Imagina ...

- Olha, que lindo ! - ela aponta para uma loja - veja só, não é aquela loja nova de truques, brincadeiras e peças que inaugurou ?

- Sim ... ouvi falar que são dois ex-alunos ... mas não me lembro do nome ...

- Vamos lá. - Julieta puxa James. Fred e Jorge estavam super contentes pois estava lotado de alunos a simples loja de Logros.

- Ué, eu não te conheço ? - ela olhava para Fred - você não era o batedor da Grifinória no ano passado ?

- Hmmm ... e você ... você é a goleira da Corvinal, certo ? E ai, James ? Passeando ?

- Sim . Está cheio aqui, não ?

- Sabe como é, sempre tem alguém querendo pregar uma peça em alguém - ele puxa James para bem perto - e nós temos essa loção especial. As garotas não vão desgrudar de você depois do primeiro beijo.

- Hmmm ...

- O que vocês dois estão cochichando ?

- Nada, não - ele dizia com um sorriso.

Julieta se aproxima e lê o rotulo do produto, olha surpresa para James, que estava com um sorriso muito sem graça.

- Loção para barba, James ? Mas você não tem barba ainda !- Ele olha para a loção e se surpreende com os dizeres, depois olha para o rapaz que lhe mandava um sorriso .

Realmente, um malandro era um malandro, não iria deixar pistas.

- Ele tem o que os trouxas chamam de penugem no rosto. - Fred vira o rosto de James. - Olhe, por enquanto não aparece, mais tem.

- Nossa, que legal ! - Julieta olhou para o balcão e viu enfeites muito bonitos de anjinhos, que dançavam. - Vou querer um daqueles.

- Então embrulhe para presente, Fred. E vou querer aqueles brincos para a minha mãe e ... hmm ... aquele jogo de xadrez de bruxo, ele ...

- Explode ? Mas é claro, nós temos um nome a zelar, oras !

- James, você não vai aprontar isso com a sua irmã, vai ?

- E por que não ? Ora, vamos ...

- Mas ela vai ficar furiosa !

- Justamente !

- Você James, me dá nos nervos. - Julieta andou até o balcão, Jorge se aproximou de James.

- Já é brava agora, imagina quando vierem a se casar...

- Dai até lá terei domado a fera.

- Rapazes ... hunf ! - ela bufava do lado de fora .

- Acho que é hora de sair, Jorge . Até mais.

- Até.

- Ju ... por que isso ?

- Olha, as vezes nem eu te entendo ! Você parece uma criança !

- Ah, que é isso ! Não sou eu quem fico dando gritinhos por causa de um urso de pelúcia ou fico histérico quando vou em uma festa e percebo que tem um garoto com a mesma roupa que eu.

- Pois fique ai com seu xadrez bruxo, eu vou voltar a Hogwarts ! - Ela andou depressa, emburrada, deixando James muito nervoso.- E HISTERICO É VOCÊ !

- Ai meu pai - ele batia o pé, enquanto ela se afastava. Quando ela já estava no fim da rua, ele se dá conta do que estava fazendo e corre atrás dela.- Ju !!!!

- Não quero falar com você !

- Ai ... deixa disso, anda. Olha, vamos esquecer esse negócio de xadrez, ok ?

- Ainda estou furiosa com você !

- Ok, ok, então vamos comer alguma coisa, ok ? - ele colocava a mão por cima do ombro dela - ok ?

- Hmmm ....

- Por favor - ele fazia uma cara de criança pedindo doce, e ela se remói toda ...

- Tá bom ... vou te dar uma chance, mas só uma, heim !!! Vamos no três vassouras...

- Então vamos madame Juju. - Os dois vão conversando até o três vassouras, na entrada se encontram com Chaz que já estava saindo com alguns amigos ( e amigas ).

- Oi Chaz.

- Oi, Julieta. Oi, James. Se divertindo ?

- É - ela dava um beliscão em James - a gente tenta. Vambora, Mô !- ela o puxava pela orelha, e arrumam uma mesa para se sentar.

- E então ? O que este caro gentleman pode fazer para agradá-la ? Talvez uma salada de besouros com creme de rosa, ou um delicioso bolo de alegria recheado de carinho ? Posso te receitar também o especial da casa, o "Batedor ao molho pardo recheado de beijos", que experimentar ? - Julieta fica muito sem graça , e James sorri com isso. - Sabia que ficas linda assim , corada pela vergonha ?

- Você é um cavalheiro James , e espero que você de um fim nesse jogo de xadrez.

- Não vai começar, não é ?

- Vou sim, sua irmã é minha amiga, e se acontece algo de ruim a ela ? Não dê para alguém , menos para a sua irmã !

- Ok .

- Prometa .

- Sim, prometo - a garçonete trás a comida deles - palavra de Inglês !

- Ótimo - ela aproveitava que ninguém estava olhando e dava um rápido beijo nele - é tão bom sair de vez em quando, sabe . As vezes me sinto sufocada lá dentro, com os professores te observando para tirar pontos por qualquer coisa .

- Você é muito séria sabia , ia ser uma brincadeira legal... não tem nada demais em se descontrair, sabe.

- Eu sei, só que sou uma trouxa ...

- De novo com esse papo, Ju ? Já disse, ser trouxa ou não ... isso não tem a menor importância . O Yoh é trouxa, o Chaz é trouxa ...

- O Yoh é meio trouxa, e a mãe dele é professora. O Chaz não é trouxa, os pais dele só não são capazes de fazer magia, mas descendem de uma longa linhagem de bruxos sangue-puros. Eu ... eu só venho de uma família trouxa, sabe.

- Acha que os professores a descriminariam só por causa disso ?

- Já estou cheia do pessoal da Sonserina pegando no meu pé, James. Cheia. E o Snape também, com os pontos que ele tira da Corvinal, é uma sorte termos ganho o titulo ano passado. Aquele homem odeia gente de "sangue-ruim"

- Não seja exagera ...

- Pra você é fácil falar, cujos pais são bruxos.

- Você pode ser o que quiser, e sua origem não afetará isso se você assim o quiser .

- Jura ? - os olhos brilhavam .

- Claro. Os bruxos só existem hoje em dia por que em épocas antigas se uniram aos trouxas, Ju.

- Mas eu não entendo isso, por que alguns acham que trouxas são inferiores aos de linhagem, como você, por exemplo ?

- Isso se chama preconceito, e não é de agora. Seja em relação a povos, a motivos de religião, cor e raça, o preconceito sempre haverá. Estudei um pouco acerca da história dos trouxas, e isso é uma forte característica. Não somos apenas nós, os bruxos, que somos preconceituosos, que as vezes fazemos acepções de pessoas, mas todos. Negros, Judeus, turcos ... não somos os únicos .

Julieta se calou , na verdade ela estava triste sim, mas não sabia o que a levava àquela tristeza interior.

- É uma sociedade preconceituosa, Ju. Nós fazemos essa sociedade.

- Eu não sou assim.

- Não mesmo ? Tem algo do qual você não gosta, a ponto de não suportar ? Uma pessoa, uma situação, uma cor ... começa por ai, você não gostando de algo a ponto de não suportar a existência dessa coisa.

- Então é disso que você tem vergonha - ela dizia em um tom tão baixo que ele mal ouviu .

- Como disse ?

- Então é por isso que você não conta pra sua mãe sobre nós, James.

- Como é ? Mas ... mas que besteira !

- É ? Pelo que eu lembro, você me contou que ela só soube sobre nós por que Carlos comentou com ela na festa do ano passado ... você estava muito envergonhado quando ela foi falar conosco ... ela só sabe que eu existo por que eu jogo Quadribol, e você nem mencionou que o filho caçula dela tem uma namorada há algum tempo ...

- Mas ... mas ... isso é absurdo ! Eu não tenho ódio de trouxas !

- Acha mesmo que não tem ?

- Claro que não !

- Estou com dor de cabeça, vamos embora. - ela se ergue, e ele a acompanha dando-lhe a mão.

Começaram a caminhar, indo em direção a carruagem, com aquilo entalado na garganta de James e ele não conseguindo falar. Faltavam-lhe palavras para dizer para ela que não odiava trouxas, e aquilo era uma idiotice que ela estava pensando .

***

Não havia muito o que fazer, a não ser ficar parado. Ocasionalmente agitava sua varinha, fazendo um ou outro livro seguir em sua direção, mas não havia mais nada a fazer.

- E ai, Yoh ? Tudo encima ? - ele olhava para a porta da enfermaria, aonde a menina de cabelos brancos acenava para ele, de modo que Yoh começou a espirrar na mesma hora - o que foi ?

- Atrás ... atchim ... de você ! - ele apontava, e a mesma percebia que o cachorro estava atrás dela novamente.

- Droga ! Melhoras, Yoh ! - ela apertava o passo, enquanto o canino a seguia. Mas que coisa, por que aquele "animal" tinha que ficar perseguindo-a ? Já estava ficando cheia daquilo !

Claro que saber que aquilo não era um cachorro não ajudava em nada. E já estava ficando cheia, aquele bicho realmente estava pegando no seu pé. Tinha que tomar providencias, e sérias.

- Sabe, cachorrinho ... acho que sei do que você precisa, vem comigo - e caminhava em direção do salão comunal da Lufa-lufa, enquanto Sirius a seguia inocentemente, afinal, o que uma menininha de treze anos, uma criança, poderia fazer ?

Ele se arrependeria amargamente por ter pensado nisso.

******

- EU NÃO ACREDITO ! NÃO ACREDITO ! EU MATO AQUELA PESTE ! VOU ARRANCAR A PELE DELA E FAZER UM CASACO !

- Sabia que eu nunca te vi cheirando tão bem, Sirius ?

Remo estava prestes a ter um ataque de nervos. Nunca, mas nunca imaginou o amigo passando por uma situação daquelas. Ele já fora chutado, apedrejado e pisoteado por ser um cachorro ... mas nunca chegaram ao cumulo de lhe dar um banho, nunca .

- Argh ! Depois eu fui me lamber e tinha um gosto horrível de sabão ! Daí eu fui jogar a água fora e o Filth me enxotou da escola ! - berrava o mesmo na sala de Remo.

- Viu só ? Isso é pra você aprender a não ficar perseguindo colegiais. Que vergonha, amigo ! Justo você, o maior conquistador da escola, o terror das meninas, sendo feito de gato e sapato por uma terceirista ? Tsc, tsc, tsc ...

- Aquilo não é uma garota, é uma peste ! Ela me iludiu dizendo que ia me dar algo para comer, e eu entrei inocentemente no dormitório feminino, até que ela me arrastou para o banheiro e começou a me lavar !

- Bem feito . E aposto que você queria ver alguns quintanistas sem roupa, não é ?

- Claro que não ! Eu só ... só ... bem, quando me dei conta, ela estava me esfregando todo, me enchendo daquele sabão pra cachorro, jogando talco em mim ...

- E colocando essa fitinha linda, não é ? - Remo não agüentava e começa a rir das fitas rosas que a aluna em questão colocou no cachorro, as quais apareceram em pontos dolorosos quando ele tomou forma humana .

- O pior foi essa coleira anti-pulga ! E o pior é que essa coisa não sai de jeito nenhum ! Já tentei rasgar, esticar, queimar ... nada ! E essa cor rosa dela no laço .. grrr !!

- Deixa eu ver ... "loja de truques e logradouros dos irmãos Weasleys" ... acho que não vai sair tão cedo, Sirius ... mas por que estava perseguindo ela ?

- Tem algo de estranho com ela. Ela não é normal, tenho certeza disso.

- Alguém que usa fitinhas vermelhas no cabelo não pode ser considerado normal.

- Mas elas também não saem ! Aquela garota é uma peste !

- Jura ? Ela sempre foi tão comportada na minha aula ...

- Não importa, tenho certeza de que foi ela quem vimos no estádio, ela pode saber algo sobre nós.

- E você a perseguindo não ajuda muita coisa, não é mesmo ? O que tem de anormal nela ? Ser bagunceira ?

- Pra você ela pode ser uma santa, mas ela é uma peste, mesmo ! E ela me deu uma corrida outro dia que eu fiquei pasmo !

- E daí ? Nunca ouviu falar em competições de corridas de trouxas ?

- Tem alguma mulher pré-adolescente que faz cem metros em menos de dez segundos ? E que droga, não conhece nenhum feitiço para tirar isso, não ?

- Não, teremos que ir direto falar com os vendedores, a não ser que você vá falar com ela, ou eu vá e tenha que explicar como fiquei sabendo dessa história ou porque meu cachorro a esta perseguindo. Não se preocupe, semana que vem eu irei até Hogsmeade e procuro me informar ...

- Argh !!!

Ambos ouvem uma batida na porta e na mesma hora Sirius se transforma.

- Lupin, Sirius, eu ... ei, desde quando resolveu usar fitas, Sirius ? - Harry o encarava, e percebe na mesma hora o quanto ele estava irritado com isso, pela cara de raiva que ele fez em forma de cão.

- O que você quer, Harry ? - se adiantava Remo .

- Bem, é com você, Sirius. Sabe sobre aquele papo da minha mãe mudar de idéia ? Bom, eu ... eu acho que o Kneen não é a melhor pessoa pra ficar com a Gina, ele não vai saber cuida dela, sabe. Não vai amá-la como eu, cuidar dela como eu. Será que você poderia ... poderia ... her ... dar um pulo na enfermaria e ver sobre o que eles estão conversando quando a Gina for visitá-lo ?

- Quer dizer ... espionar ? - ele observa o afilhado de forma curioso, já tendo retornado a sua forma humana.

- Não, apenas observar e ver o que ele tanto fala com ela .

- Ok, estou indo, Harry - ele se despede do afilhado e, ao se virar, percebe o semblante duro do amigo .

- O que você fez ?

- Apenas vou lhe dar uma mãozinha amiga .

- Mas você sabe das conseqüências .

- Infelizmente sim, mas não tenho tempo pra isso.

- Espionar não me parece uma tática muito louvável. Sirius.

- E não é, mas se ele acha que vale a pena observar os adversários, então talvez a hora seja agora. Antes eu pensava que era só paixonite crônica, mas me enganei. Vejamos no que isso vai dar e o quanto ele irá ser capaz de conquistar essa garota . - Sirius saiu da sala em forma de cão, tendo a maior tristeza da vida dele .

- Olá, Penélope - Luna acenava e acariciava seu pelo - como você está bonita, sabia ? E cheira tão bem ...

Harry olhava surpreso para aquilo. Penélope ? Lupin ria mais do que nunca.

- Escuta, esse cachorro é macho - Harry se adiantava.

- Com esses lacinhos e essa coleira rosa ? Não me parece.

- Mas ele é macho, sim.

- Pode provar ?

- Claro, ele ... hã, deixa pra lá - ele se retira.

- Olá, professor Lupin .

- Olá, Luna. Foi você quem deu um banho NELA ?

- Claro . Estava toda suja e cheirando mau, dai eu dei um banho e depois alimentei a Penélope .

- Penélope ?

- É ... o senhor gostou ? Ficou tão bonita, né Penélope ?

- É ... acho que ela vai gostar do nome - o cachorro latia pesadamente, mas nenhum dos dois deu a mínima.

- vem, Penélope - Luna caminhava e, inexplicavelmente, Sirius sentia como se estivesse sendo arrastado por uma força invisível, de modo que decide segui-la .

Seria uma looooooona semana ...

***

Alguns dias depois ....

Amanda e Gina estavam voltando da enfermaria , foram visitar Yoh que ainda estava mal, a ruiva estava se culpando, e Amanda consolando-a., dizendo que não era culpa dela, o que realmente não era.

- Vamos Gina levanta esse astral, pense que daqui a pouco tempo vai ter o baile de inverno. - Amanda pega na mão de Gina e começa dançar com a amiga no corredor. - O Yoh estará ótimo , e tudo ficará bem...

- Só você para me animar, bem vamos a aula com o professor Lupin.

As duas foram conversando aos cochichos para a aula de DCTA , alguns meninos olhavam para elas, ainda mais com o boato que estava correndo que Gina Weasley e Yoh Kneen não estavam mais namorando. As duas entraram na sala , a aula era com o pessoal da Corvinal , as duas se sentaram ao lado de Luna e Gabrielle , e estavam trocando receitas de beleza, mais o professor nem notou que isso ocorria , eles abafavam a risada quando ele falava algo que era engraçado , eram meninas normais , mais nem um pouco CDF'S.

- As quatro senhoritas poderiam vir aqui e explicar a evolução que tem um feitiço negro ?

- Errr.... claro. - Diz Gina indo na frente das amigas. - Bem...

A aula foi divertida para os outros alunos e o professor , pois as quatro estavam se enrolando, mais estavam dando a explicação certa.

O sinal bateu , era hora de irem para a aula de vôo , mais está era apenas com o quinto ano da Grifinória.

- Foi divertida a aula, né ? - Pergunta Amanda ao lado de Gina.

- Foi sim. - Gina olha para o lado, e vê o sexto ano indo para a aula de trato das criaturas mágicas.

Na hora do almoço as duas deram uma passada rápida na torre para guardarem o material que não usariam mais naquela tarde. Amanda saiu na frente de Gina, a ruiva teve que trocar de blusa , pois caiu tinta na que estava usando e, na sala comunal, encontrou quem não queria encontrar: Harry Potter , mais esse não viu que a ruiva estava ali, ele estava olhando para a lareira. Gina saiu dali antes que ele a visse.

- Snufles ? Você aqui, garoto ? - Perguntou Gina. - Mas .. eu estou falando com um cachorro ... bem ... mas como eu sei que você é esperto, vem, vamos ao salão almoçar.

Sirius seguiu Gina , ele queria falar com Harry , mas já que a ruiva fez um convite que é difícil de recusar, e ela estava tão distraída que não viu que já havia chegado ao salão.

- Nossa, Gina. Demorou heim ... - Disse Amanda tirando a mochila do lugar que reservou para ela.

- Eu vim olhando os quadros , são tão bonitos.

- Ah Gina , então senta ai e almoça, não teremos as últimas duas aulas professora Minerva veio avisar, professor Snape esta adoentado, pegou uma gripe.

- Coitado do professor.- Gina fez uma cara de preocupada , as duas começaram a rir.

Harry entrou no salão, estava com o cabelo molhado, a gravata desarrumada, alguns botões da camisa aberto, não estava até em cima , ele se sentou ao lado de Rony. Amanda tomou um gole de suco e olhou admirada para o jeito "largado" de Harry. Da mesa da Corvinal um certo moreno olhava aquilo com um ar de ciúmes, Carlos riu mas não falou nada.

- Vai falar com ela, Chaz. - Diz Rika. - Mas vamos concordar meninas , o visual do Potter está muito legal. - Julieta, Miranda, Ariel e Cassie se olharam e concordaram com a cabeça.

- Depois eu falo com a Amanda. - Chaz se levanta. - Vou pegar um livro que esqueci.

Gina e Amanda estavam conversando , a ruiva vê a hora que Chaz sai do salão e cutuca a amiga.

- Vai , corre que você encontra ele. - Amanda sorriu e saiu correndo dali, Gina sorriu e pegou o material dela e da amiga e foi deixar o livro de poções na torre da Grifinória.

Amanda conseguiu alcançar Chaz , o garoto estava encarando o chão, e Amanda ficou olhando para a parede...

- Bem .... gostariadeiraobailecomigo???

- Como ?

- Gostaria de ir ao baile comigo ? - Amanda sorriu e abraçou Chaz , os dois ficaram vermelhos ao ver o que estava acontecendo.

- Desculpa ... Eu aceito ... - Chaz riu , e ergueu o rosto de Amanda.

- Obrigado por ter aceitado, até o baile senhorita Wood.

- Chaz .... me perdoa .... pelas outras semanas ... - O garoto olhou nos olhos da menina.

- Eu entendo. - Ele deu um selinho nela , e foi embora.

Amanda levou os dedos aos lábios e sorriu , estava com um sorriso besta e foi com esse sorriso para a torre. Gina estava esperando a amiga, e riu do jeito que ela estava.

- Viu um dragãozinho verde ?

- Um gatinho persa. - Ela se jogou na poltrona. - Gina eu vou ao baile com o CHAZ ... ele me convidou , daí eu e ele ...

- Você e ele ? - Gina se sentou melhor para ouvir.

- Demos um selinho , a verdade ele me deu um selinho , ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ele é tão lindo, aqueles olhos, aquele sorriso, aquele perfume - Amanda fechou os olhos e suspirou.

- Amanda, não quero atrapalhar, mas temos aula de Herbologia agora...

- Vamos logo, estou com pique para tudo hoje, até para cantar uma canção para o professor Snape. - As duas se olharam e fizeram uma careta. - NAUM !!

Elas saíram rindo, teriam apenas mais uma aula e depois, folga , pois o fim de semana começava.

***

Harry estava indo em direção a sala da professora Sibilia , Rony foi acompanhar Hermione, o moreno não via mais seu padrinho, talvez não tivesse conseguido se livrar das fitas que colocaram nele.

- Harry, mais um ano e estamos formados. - Diz Neville. - Você sabe o que irá fazer depois que se formar ?

- Não pensei ainda no que irei fazer.

- Que pena, eu quero ser professor ! Vou estudar muito para realizar esse sonho !

- Eu não decidi ainda , talvez jogador ou auror.

- Você e o Rony não andam mais juntos como andavam, não é ?

- É ... - Harry entrou na sala e se sentou na última mesa.

A aula foi muito chata para todos , depois que o sinal tocou todos saíram e foram para os jardins, Harry saiu correndo para a torre, guardou o material e foi procurar pela pessoa que realmente estava no coração dele. Depois de procurar encontrou ela e Amanda, indo em direção a biblioteca.

- Gina, eu preciso falar com você.

- Eu não tenho mais nada a falar com você, Potter. - Amanda ficou olhando sem reação para o que estava acontecendo.

- Mais eu preciso, pode me escutar ?

- Não posso, estamos ocupadas, ME SOLTA POTTER !!!

- Mas por que isso ? Não vou te fazer mal, não precisa gritar, tá todo mundo olhando !

- Ora , ora ... - Aquela voz arrastada, Gina nunca sentiu tanto alivio em escutar. - Não sabe que a Weasley tem namorado, Potter ? E antes que eu vá contar ao K...Yoh ... solte ela ... só eu posso provocar a Weasley.

- Se manda Malfoy, ninguém te chamou aqui. - Gina e Amanda aproveitando a deixa , saíram correndo dali.

- Perdeu a fama Potter, é isso sua dor de cotovelo , Hogwarts inteira cansou de saber que a pobretona da Weasley era apaixonada por você. - Draco riu alto. - E eu sei o que você está pensando ... eu só fiz o que fiz , pois gosto de ver essa cara que você faz , eu adoro ver você se dar mal Potter, e por mim , você se dará muito mal !

Draco saiu dali seguido por Goyle e Pansy, Harry ficou vermelho de raiva, Rony e Hermione viram o que ocorreu, o moreno saiu dali e foi para um lugar que ele poderia pensar melhor e não agredir ninguém com insultos. Sua semana terminou mal ...

Bom, pelo menos amanhã iria ter treino de Quadribol, e poderia tentar falar como Gina novamente. Mas que droga, será que nem uma chance ela poderia lhe dar ?

- Harry ...

- Hmm ? Rony ? O que foi ?

- eu é que pergunto - Harry olha ao redor, percebendo que Hermione não estava por perto - o que houve ? Você anda muito distante .

- eu estou bem, Rony - e continua andando, deixando o amigo ali .

- Mas não está mesmo - e Rony vai atrás .

- Dá pra parar de me seguir ?

- Não enquanto eu não descobrir qual é o seu problema .

- Eu não tenho nada, já disse ! - e ele apertava o passo, de modo que deixa Rony para trás .

***

- Como me encontrou ?

- Pedi para Pitichinho te procurar, depois foi só segui-lo. Cara, definitivamente você não está bem.

- Me deixa em paz, Rony - ele falava, sentado na grama encostando-se em uma arvore - eu estou bem.

- Olha ... sei que não dou conselhos tão bons quanto os de Sirius, Lupin ou Hermione, mas sou seu amigo, cara. Me preocupo com Você, quero te ajudar. Anda, diz o que está acontecendo, que eu estou preocupado. Pode se abrir comigo, o que está acontecendo ?

- Você vai rir.

- Por que riria ? Harry, até parece que Você não passou as últimas férias na minha casa, cara ! Por que isso ? O que esta te incomodando ?

- Você não vai acreditar .

- Tente.

- O Kneen.

- Heim ? Como é que é ?

- Eu disse que você não iria acreditar.

- Espera ... o Yoh está te incomodando ? Mas ... o que foi que ele fez ? O cara passou a semana inteira na enfermaria - o que o lembrava de que não foi visita-lo um dia sequer. Até que era uma boa idéia dar uma passada por lá no intervalo.

- Tudo ! Eu queria que ele não existisse !

- Mas ... mas ... o que ele te fez, Harry ? eu simplesmente não estou entendendo !

- Eu odeio esse sujeito !

- Pensei que você odiasse o Malfoy.

- Os dois ! Mas esse cara eu odeio mais ainda ! Queria que ele não existisse !

- Mas ... o que ele fez ? Vai me dizer que ainda esta irritado por causa do comentário que ele fez da sua família ? Harry, desencana, vai me dizer que e só por isso ? Não vale a pena ficar irritado o final de semana inteiro só por causa disso, cara. Vem, vamos ate o vilarejo comer algo e ...

- E a sua irmã, Rony . Ela só tem olhos para ele.

- Minha ... irmã ? - Rony parava de andar. Tinha um detalhe muito importante ali que ele não estava levando em conta .

- Rony ... eu .... amo .... - Rony arregalou os olhos.

- Ama quem ? - Harry olhou para o amigo e um pequeno sorriso se formou.

- Pode ficar tranqüilo ... não é você. - Rony fechou o cenho , e se sentou ao lado dele.

- Então me conte .. quem você ama ?

- A Gina...

- Minha irmã ? - Rony sorriu. - Mais isso é maravi.... isso não é bom .... ela está namorando o Kneen.

- Eu sei disso Rony ... eu sei disso ... Ela não quer nada comigo. - Harry se lembra das palavras que ela disse a ele. - Eu quero que o Kneen tome uma poção de sumiço , tomará que a senhorita Florinda troque as fórmulas e dê essa poção a ele...

- Eu tam... quer dizer ... não pense assim ...

- Eu não posso fazer nada...

- Se serve de consolo, eu preferia a Gina namorando com você do que o Kneen, algo me diz que ele esconde alguma coisa, se quiser ajuda... eu posso te ajudar com o maior prazer.

- Obrigado Rony, mas Gina é sua irmã, e se algo acontecer ela ficará com raiva de você, por isso terei que enfrentar isso sozinho. Mas não consigo falar com ela, terei que ver se amanhã eu consigo. - Harry suspirou. - Eu descobri tarde demais que amo sua irmã.

- Somente o tempo cura feridas, somente o tempo faz as pessoas acordarem. Talvez ainda seja o começo de tudo Harry, ainda há tempo para a Gina acordar, ou somente o tempo será capaz de curar os corações feridos.

Os dois amigos se olharam, Harry fez o que há muito não fazia : Chorou. Chorou , chorou por não ter visto quem realmente amava, pois seu inimigo agora não era Voldemort, era sim Yoh Kneen o garoto que tirou Gina de seus braços, o tempo foi ingrato por mostrar tarde demais, mais se ele mostrou agora ... talvez não fosse tarde... Rony tinha razão, talvez fosse o começo de tudo. - Vamos Harry, jantar faz bem. - Diz Rony sentindo o estômago pedir alimento.

- Vamos e, Rony. - O amigo olhou para ele. - Obrigado, você deu o melhor conselho que recebi até agora.

Rony sorriu , e eles seguiram novamente para o castelo, estavam calados, Hermione esperava por eles, sorriu ao ver os dois.

- Venham, tenho algo para contar a vocês.- Os dois se olharam mas seguiram a amiga, entraram em uma sala que nunca haviam visto. - Bem , saiu no profeta diário , mas como você dois não gostam de ler... - Hermione limpou a garganta. - " Extra , o foragido Sirius Black é inocente, ontem por volta do meio-dia , Pedro Pettigrew foi preso por Aurores no centro de Londres trouxa , a captura foi difícil segundo o Auror Mundungus Fletcher, ele havia se transformado em um rato mas ficou sem saída em um beco, foi travada uma pequena batalha, pois ele estava usando uma luva especial de prata, mas as mesma foi removida logo após ele ser esporado, agora se aguarda fielmente que Sirius Black esteja vivo, pois o Ministério da Magia tem que pedir desculpas e pagar todos os anos que deixou um inocente preso, amigos íntimos de Black disseram que o homem jamais foi um Comensal da Morte, pois estava já no ultimo ano do curso de Aurores a dezesseis anos atrás. "

Rony e Harry se olharam e ficaram sem ação, Hermione estava sorrindo ao ver a cara deles , depois de uns minutos processando a noticia Harry se fez presente.

- Cadê o Sirius ?

- Ele foi com o professor Dumbledore , lógicamente após ele fazer um feitiço e tirar todas aquelas fitas cor-de-rosa , para o Ministério da Magia. - Hermione sorriu. - Harry, você vai poder sair da casa de seus tios !!!!!!

Os três amigos se abraçaram , esperança é sempre a última que morre , pensou assim Harry, que percebeu que seu óculos estava totalmente embaçado, as lágrimas não paravam de cair de seus olhos. A noticia se espalhou como pólvora pelo castelo. Naquele dia, Draco Malfoy não parecia muito contente. Edwiges estava no ombro de Harry, o garoto estava no jardim da escola, a neve caia de leve, Rony e Hermione estavam abraçados, alguns alunos estavam ali também. Dumbledore logo chegaria com Sirius Black, para a alegria do mesmo.

Amanda e Gina estavam olhando de longe tudo, Amanda queria se aproximar mas Gina não queria ir, então optou por fazer companhia a ela.

Jane estava olhando de longe também, não sabia por que mas estava sentindo uma incrível vontade de conhecer o Sirius Black de agora.

se ao menos ele saísse daquele disfarce de cachorro, poderiam ter conversado há muito tempo.

Bons tempos, quando aqueles cinco eram um bando de espertalhões e arruaceiros. Pelo visto, o truque que ensinou para eles teve sua utilidade, do contrário Sirius e Pedro não teriam conseguido se esconder durante tanto tempo.

É ... seu bebê não sabia que o cão que lhe estava causando problemas era o próprio Sirius. Mas talvez fosse melhor ele descobrir por conta própria, mesmo.

***

- Luna ...

- Sim ?

- Eu gosto da sua companhia, sabe ... é até bom ter alguém para conversar e que não fique reclamando enquanto eu pratico com o violino ...

- sem problema ...valeu pelas aulas de vôo, a propósito.

- Bem ... é leal ter alguém para conversar enquanto passo o tempo, valeu mesmo por ter vindo me visitar durante a semana, mas. .. não tem mais nada para fazer do que ficar aqui comigo ?

- É que aqui é o único lugar aonde aquele pulguedo não pode me seguir - ela apontava para fora da enfermaria, indicando o que queria dizer - Yoh, eu não agüento mais, ele me segue a semana inteira !

- O que você quer que eu faça ? Estou assim por causa dele, lembra ?

- Ai é que tá ... você é alérgico e eu quero que ele pare de me seguir ... temos objetivos em comum e um "inimigo" em comum, compreende ? O que acha de cuidarmos para que o peludo passe uma férias forçadas do lado de fora da escola ?

- Não sou vingativo.

- É por causa dele que você está aqui, lembra ?

- Mas posso mudar de idéia. O que pretende ?

- Bem - ela mostrava uma pulseira amarrada no braço - essa pulseira está conectada com a coleira que eu coloquei nele, posso dar ordens para ele e ele irá obedecer, mesmo contra sua vontade.

- E por que ele não obedeceria ?

- Tenho motivos para acreditar que ele é bastante teimoso ... mas continuando, vou ordenar que ele fique lá fora, e ele não poderá vir aqui por que a coleira não deixa.

- E se chover ?

- um banho não lhe fará mal, e se a coisa engrossar, eu mando ele voltar pra dentro. Mas o professor Lupin vai saber na hora que eu estou mantendo o cachorro lá fora e virá atras de mim, no entanto ...

- No entanto ...

- É ai que você entra, você fica com a pulseira, é perfeito, é a última pessoa que vão procurar.

- Não sei, não ...

- Ele vai ficar longe e você poderá ficar com a Weasley, entendeu ?

- Tenho que responder agora ?

- Não, pode me dar a resposta até o fim do dia.

- Certo.

- Olá, Yoh !

- Gina ! - os olhos dele brilhavam - Me tira daqui !

- Vá com calma, senhor Kneen - madame Pomfrey o advertia - pode ir, mas recomendo cuidado, ouviu ? não está no seu melhor estado.

- Pode deixar, madame Pomfrey. Eu vou cuidar dele.

- Falo sério, Virgínia. Não deixe-o nem a vinte metros de qualquer cachorro, entendeu ? Se isso acontecer, o estado dele pode piorar, e muito - ela falava, enquanto Yoh terminava de se trocar e pegar seus livros e o estojo do seu violino.

- Certo, então obrigado pela estadia, madame Pomfrey.

- Até não tão cedo, Yoh.

- Até - ele se despedia, ao passo que os três ali saem, de modo que Luna segue em caminho oposto a eles. Tinha que resolver umas coisas com um certo canino ...

***

A mesma caminhava pelos corredores da escola. Onde estava aquela cachorrinho ?

- Ah, achei você, Penélope - o mesmo não latiu desta vez - vem comigo, vem ! - Ele a seguiu, de modo que foram até a parte das carruagens. -- Bem, vamos resolver isso, totó. Quero que fique aqui até eu mandar você entrar, certo ? - O cachorro sorriu, de modo que Luna percebeu que ele não usava mais a coleira. Ela dá um passo para trás, quando Sirius toma a forma humana, encarando-a.

E que encarada, pensava. Ele tinha praticamente o dobro do seu tamanho !

- Glup !

- Olá, menininha. Ainda querendo brincar, é ? - ele sorria ameaçadoramente para ela, e naquele momento, a menina que tinha o mesmo nome de sua antecessora ficou estática de medo.

- Bom ... eu já vou indo ...

- Espera um pouco - ele a pega pelo braço e a ergue - não ia se divertir as minhas custas ?

- NHAC !!! - Sirius a solta quando a mesma encrava os dentes em seu braço.

- AAAAAAAAAAAAAHHHHHHH !!!! MOLECA !!! - ele corre atrás dela e, quando percebe que ela estava ganhando terreno, ele se transforma em cachorro e a segue, conseguindo ficar ao lado dela, com muito esforço.

- Au ! (tradução : até que Você corre bem, menina !)

- Mamãe vive dizendo isso - ela continua correndo.

Sirius continua atrás dela, um pouco surpreso. Ela ... ela entendeu o que ele disse ?

- Socorro ! - ela diminuía a velocidade para algo mais normal ao correr pelos corredores do colégio, parando atrás de Lupin e se escondendo. - professor, esse cachorro feio quer me morder !

- Mas que coisas feia, Penélope - ele sorria para o amigo - deixa a menina em paz, vai.

- Au ! ( tradução : mas ... Lupin, essa menina ...)

Ela dá língua para Sirius, e o mesmo se conforma, dando meia volta. Isso não iria terminar assim ...

- Ele te machucou ? - Perguntou Lupin se agachando.

- Não, professor. - Luna sorriu. - Eu machuquei ele...

- Como ????

- Nada não. - Luna sorriu, Lupin teve um dejá vú , aquele sorriso, ele já havia visto aquele sorriso em tantas ocasiões passadas ....

- Então vá para a torre da Lufa-Lufa, que logo tocarão o alarme para os alunos irem para suas casas.

- Tchau, professor ! - ela pega uma pedra que estava no bolso e, fazendo mira, acerta em cheio em Sirius na forma de cão, o qual já se afastava. O mesmo range os dentes e late, de modo que a menina não fica ali, sendo perseguida por um cão furioso. Ela faz uma curva e para em uma parede, de modo que Sirius vem com tudo, até que ela afunda na parede e ele se choca contra o concreto maciço.

- Au ! Caim ! Caim ! (tradução : Diabos ! Devia ter saído com mais garotas da lufa-lufa pra descobrir onde ficava a entrada - ele se erguia, zonzo pela batida, cambaleando pelo caminho.

Aquilo já estava começando a ficar intimo e pessoal ...

Luna entrou rindo na sala comunal da Lufa-Lufa , até que era divertido provocar o cão Black , de forma que começou a rir mais ainda.

- Mas o que é isso, meu amigo ? - Remo se dirigia ao cão, que entrara em sua sala. - algum problema ?

- Todos ! Aquela menina é uma peste, se eu ...

- calma, deixa pra lá. É só uma adolescente, é comum essa atitude dela, fazíamos o mesmo, lembra ?

- Eu não era assim, digo ... bom, você me entendeu.

- Entendi mesmo.

- Quem é aquela garota ?

- Luna Fletcher, por que ?

- Luna ... Fletcher ? quer dizer que ... o pai dela ... é o ...

- Pois é, pode acreditar, aquela garotinha de 13 anos é a filha mais velha do bom e velho Fletcher, o mesmo que acabou de prender nosso velho amigo Rabicho ...

- Mundungus se casou com a Gaia, que era sua namorada... - Sirius se calou ao ver a cara do amigo. - Desculpe, não foi minha intenção.

- Tudo bem, eu sei - ele olhava para fora - eu não tenho moral alguma para culpa-lo, pelo contrario, ele foi um grande amigo, consolou ela quando ela mais precisou. Hoje eu posso me sentir melhor graças a poção de Snape, mas na época ... sabe, eu pensava em pedi-la em casamento, mas tinha medo de feri-la e fazê-la ficar igual a mim, no fim eu disse que queria dar um fim ao nosso relacionamento, e ela chorou muito, sabe . A Luna ... ela me lembra a Gaia, o olhar adolescente, cheio de energia e bagunceira ... ela tem uma boa família .

- Nunca sentiu vontade de voltar atrás ?

Remo se ajeitou e olhou pela janela, até que seria bom ver Gaia novamente.

- Não ... - ele dizia em voz alta para ninguém em especial, apesar de Sirius estar presente - o que passou, passou. Ela reconstruiu sua vida sem mim, não precisa de mim, e não sou eu quem irei estragar isso - ele terminava de ajeitar seus materiais. Ainda tinha muito o que preparar, muito para vir. - - Foi melhor assim . Quando vejo essa menina cheia de vida, me consolo sabendo que a mulher que um dia eu amei agora e feliz, e foi um dos meus amigos quem fez isso. Ele não me traiu, pelo contrário, ele fez algo que eu não podia fazer.

- Você Remo , as vezes eu acho que você é masoquista.....

- Talvez . Bem, Você amava aquela mulher, não amava ? Mas isso foi no passado, hoje seu coração não bate tão forte por ela quanto antigamente, não é mesmo ? Pois eu digo o mesmo, já não sinto a paixão contagiante que eu sentia, mas pelo menos fico feliz que uma amiga tenha tido mais sorte do que nós, tomado um rumo diferente dos demais. Veja Tiago, Pedro, eu e Você. E as outras também, sabe. Marie, por exemplo. Ou nossa falecida amiga, sabe ... eu acho que ela se deu bem, me pergunto o que aconteceria se ela estivesse ao meu lado, mas deixa estar. Isso e passado .

- Hum ... - Sirius se sentou. - Mas sabe que ... a peste de cabelo branco ... não, não é nada ... loucura minha. - ele toma a forma de cão, saindo.

- Aonde vai ?

- Jantar.

- Desse jeito ?

- Eu ainda não cheguei oficialmente aqui, iriam se assustar com isso. E desse jeito posso ficar perto do Harry sem chamar suspeitas. Ele deve estar no salão agora, estou indo.

***

- E então, sente-se melhor ?

- Sim, minha linda. Como tem passado ? Sinto saudades de você.

- Mesmo ? - os olhos dela brilhavam - Que bom ! - a mesma o abraçava. Sentia saudade, muita saudade mesmo.

- Bom, vamos até o alojamento para eu colocar minhas coisas, depois vamos comer algo que eu estou morrendo de fome, ai aproveitamos o resto do dia, ok ? Fiquei a semana toda dentro da enfermaria, não sei o que andou acontecendo por ai e preciso respirar novos ares ! Se bem que estou curioso, a Luna estava me contando que ela colocou umas fitas especiais em um cachorro e elas não saiam de jeito nenhum, parece que o professor Lupin e o diretor tiveram que levá-lo a outro lugar para retirar as fitas e ... bom, deixa pra lá, chega de ficar comentando o que aconteceu na escola nesses dias, pois só você me interessa.

- Ok - ambos caminham até a Corvinal, aonde todos tem uma surpresa. - pena que sua mãe não está aqui, ela ia adorar ver que você melhorou.

- Pois é, mas você sabe, tem coisas que "papai e mamãe precisam fazer, depois de um tempo sem se encontrarem".

- Yoh ! Cara, como você tá ?

- Puxa, cê tá vivo, é ?

As perguntas não paravam, até o momento em que ele retira seu violino de dentro da caixa.

- Ah não cara, de novo não ! - alguns se preparavam para tapar os ouvidos, quando escutam aquilo.

Era uma doce melodia. Doce e bela, sem igual. Suave, envolvente, cativante, animadora, incentivadora.

E a maneira como ele tocava ... como se fosse uma habilidade natural. Comparando com o Yoh antes de ir para a enfermaria, este de agora estava bem mais evoluído. Quando ele disse que estava enferrujado, não acreditaram, acharam que era pura conversa .

Se enganaram. O mesmo praticava desde muito, mas muito cedo. Antes mesmo de andar de vassoura, ele já tocava tal instrumento. A maturidade e o surgimento de novos gostos o fizeram deixar aquilo de lado, mas certas coisas você nunca esquece.

Todos ali ficam espantados. Não imaginavam que mãos que seguravam tão fortemente uma vassoura para atingir altas velocidades eram capazes de puxar de um fino instrumento tão bela melodia.

Ele para de tocar, meia hora depois. O salão comunal da Corvinal estava lotado de alunos de todos os anos, e só não estava mais cheia por que a entrada estava fechada.

- Nossa - Gina estava espantada. Não imaginava que ele tinha essa habilidade com tal instrumento.

Todos ali pensavam de igual forma, de modo que quando ele termina, uma salva de palmas é ouvida. O barulho é tão grande, que podia ser ouvido até mesmo do lado de fora.

- Lindo Yoh , adorei. - Diz Gina o abraçando.

- Eu toquei somente para ti. - Yoh beijou Gina , e foram aplaudidos.

Depois de todos conversarem , eles saíram da sala comunal da Corvinal, e foram indo devagar até o salão, para o jantar.

Amanda veio correndo e seguiu com os dois.

- Yoh , janta com a gente ? - Perguntou Amanda.

- É Yoh , por favor ! - Gina fez carinha de bebê.

- Tudo bem, vamos lá.

Ambos começaram a andar, até que Gina fitou bem QUEM estava no salão.

Ela até que tentou mudar de direção, mas quando se deu conta, Yoh já estava sentado na mesa da Grifinória, com ela se sentando ao seu lado, e Amanda a sua frente .

- Oi, Yoh ! Sente-se melhor ? - Hermione acenava para ele.

- Estou, obrigado pelos doces.

- De nada . - ela respondia, estando ao lado de Rony ... e Rony ao lado de Harry, o qual olhava Gina pelo canto do olho , e tentava tragar a presença daquele sujeito ali, enquanto jogava ocasionalmente um pouco de comida no chão.

Yoh espirou um pouco, mas não deu importância, continuou conversando com todos que vinham conversar com ele.

- Yoh , amor , você está bem ? - Perguntou Gina.

- Sim . Lembra do que madame Pomfrey disse ? Ainda estou me recuperando, é só uma gripe passageira - ele espirrava de novo - não disse ?

- Yoh, e aquele violino, como esta ? - perguntava Amanda.

- Vai bem, por que ?

- Você sabe de algo ? - Gina estava curiosa

- Claro. Toda vez que eu passava pelo corredor da enfermaria eu ouvia um som de taquara rachada.

- Também não precisa humilhar - ele falava, visivelmente ofendido.

- Tá, até que ficou bom. Madame Pomfrey tem uma ótima paciência, heim.

- Bom ... ela disse que aprecia a música ... e disse que eu estava longe de atingir isso, dai tinha que praticar quando ela não estava e isso se não houvesse ninguém ali.

- E que tal tocar algo pra gente ?

- Agora ?

- Claro !

- Não sei ...

- Yoh acabou de fazer um recital lá na torre da Corvinal, você precisava ter visto.

- Ah, mas que maldade, Yoh . Justo eu que volta e meia era obrigada a ouvir aquilo no caminho das aulas, não vou ganhar nada ? - ela fazia uma cara de desapontamento .

- Toca, Yoh - Gina segurava em seu ombro, fazendo aviãozinho e servindo comida na boca dele.

- Bem ... atchim ... eu - ele erguia o pescoço. Sua mãe não estava ali, acabou indo passar o final de semana em casa, com seu pai, como sempre. E isso só por que soube que o estado dele iria aumentar.

- Anda, Yoh - Amanda o incentivava .

- Olha, eu ...

- Vamos resolver isso - ela se erguia - gente, quem é a favor de que o Yoh toque ? - algumas meninas erguiam a mão, deixando-o levemente encabulado.

- Ei, o que você vai fazer ? - Harry dirigia a palavra a ele pela primeira vez em dias.

- Não é que eu queira fazer, mas elas não me deixam opção.

- Não aqui, eu gosto de comer em silêncio, por favor. Vá se exibir em outro lugar .- Ele jogava mais comida para debaixo da mesa .

- Harry, não seja grosseiro - Hermione batia em seu ombro mas ele não dava a minina. Realmente não estava com a menor vontade de fazer amizade ou ser gentil com o mesmo.

Naquele momento, Yoh se lembrou do tratamento que recebeu das ultimas vezes em que conversou - se é que aquilo pode ser chamado de conversa - com Harry. Muito parecido com agora.

- Como diz aquele ditado trouxa, Potter, "A voz do povo e a voz de Deus" - ele abria sua caixa, revelando um belíssimo violino bem trabalhado e cuidado, o qual reluzia com a iluminação .Gina e Amanda se afastam um pouco mais, de modo que ele tem espaço. Alguns alunos da mesa olham para ele, curiosos, e ficam em total silêncio.

Começa com algumas notas bem suaves, quase imperceptíveis.

Depois, mais graves.

Em seguida, mais amenas .

Fortes.

Envolventes.

Draco pisca seguidas vezes rapidamente. Aquilo que ele estava ouvindo ... não podia ser ...

A Glória de Seizer !

Segundo a historia, um antigo Lorde Malfoy que viveu no norte da Irlanda, defendeu bravamente seu território contra trouxas e bruxos ingleses que queriam tomar o poder, e o mesmo trouxe orgulho para toda uma geração de Malfoys com sua vitória, mostrando o quanto era forte.

Aquela melodia ... a qual seu pai lhe ensinou só uma vez, e até hoje ele se esforçava para acertar ... o Kneen ... ele tocava aquilo com seu violino, o mesmo não fazia nem metade daquilo com seu piano.

Ele não se agüenta de curiosidade e se ergue, caminhando ate lá, ficando há poucos metros dele, observando- o.

- Se manda, grifinório - ele empurra Simas, o qual sai de seu lugar, de modo que Draco se senta bem ao lado de Yoh, não acreditando . Aquilo era uma melodia história, que só os mais antigos livros de história relatavam.

- Ei, seu estúpido ! - ele reclamava, mas todos estavam tão hipnotizados que mal deram atenção a ele.

- Bela melodia , não acha Minerva ?

- A Glória de Seizer, Alvo.

- Quem esta tocando ? O jovem Malfoy ?

- Kneen.

- Compreendo .

De seu lugar Snape, mesmo comendo, prestava atenção naquilo. Conhecia um pouco da historia dos Malfoy, uma das famílias de bruxos mais antigas da era atual. Aquela melodia não era apenas algo para se vangloriar do poder deles, era uma demonstração do amor pela sua terra natal, pelo que era seu, o desejo de defender aqueles que estavam sob suas asas.

- Nunca achei que iria ouvir tal coisa aqui - comentava o professor Alvo. O salão inteiro estava em silêncio, de modo que o som ecoava por ele.

Gina estava admirada. Já o ouviu tocando, mas estava impressionada. Sabia que ele literalmente estava colocando sua alma ali, para poder tocar tão bem.

E era verdade ! Podia jurar que ele estava com uma cor estranha ... estava corando ... ficando inchado ... com algumas bolinhas vermelhas no rosto ...

Seus olhos ... seus olhos estavam fechados, mas a face ...

Algo estava errado. Muito.

Ele termina a melodia, mas ninguém bate palmas, simplesmente por que não tiveram tempo. O som do violino dele caindo no chão era a única coisa ouvida.

Primeiro, ele se apoiou na mesa da Grifinória e vomitou. Mas vomitou mesmo, mais do que tinha comido.

Depois, ele bateu com a face na mesa, e ficou ali. Seus olhos estavam fechados, ele se contorcia violentamente, tendo espasmos naquele local, enquanto uma baba escorria pela sua boca.

Todos estavam surpresos, e muitos em pânico. Amanda correu para chamar madame Pomfrey, enquanto Draco, o qual estava próximo, tocava na testa dele e no pescoço, percebendo ...

- A temperatura dele esta diminuindo - ele segurava no pulso - e o pulso dele esta sumindo também - ele coloca a cabeça próxima ao coração de Yoh, tendo uma surpresa - ele ... nossa ... o coração dele esta quase ... parando !

Naquele momento, Rony olhou assustado para Harry, e o mesmo mal entendia.

Mas aquele olhar ...

Rony não achou que o amigo falou serio quando disse que queria que o Yoh sumisse de "suas" vidas, mas ... ele não achou que quando ele disse sumir, ele quis dizer algo daquele jeito.

Mas, ao ver o namorado de sua irmã ali estendido na mesa e tendo convulsões, ele começou a pensar até onde o amigo iria para conquistar o coração de sua irmã, até que ponto ele seria capaz de agir.

Ele pulou por cima da mesa, ficando ajoelhado nela. Com jeito ele apoia ambas as mãos no peito de Yoh e começa a fazer uma massagem pulmonar nele .

- Levanta, anda ! - ele continuava, sob o olhar de pânico da irmã. No que ele foi pensar ? - anda - Desde quanto tinha o direito de decidir o que era melhor para ela ? Quase perdeu o amor dela no ano passado, e o de Hermione também, por causa disso - acorda - tudo bem que ainda tinha ressalvas contra o Yoh, mas ... mas isso era algo totalmente além do que ele imaginava. Harry não seria capaz de algo assim, seria ?

Seria ?

Madame Pomfrey chegou com Florinda no salão, as duas colocaram ele na maca que Madame Pomfrey havia conjurado, logo elas saíram dali levando Yoh as pressas para a ala hospitalar.

Enquanto ele saia, os alunos estavam em sem ação. Não sabiam o que aconteceu, tentavam entender. Amanda , Chaz, Gina e um monte de alunos da Corvinal foram atrás dele, enquanto alguns da Grifinória se limpavam da sujeira na mesa.

- Será que ele vai ficar bem ? - Hermione colocava a mão no ombro de Rony.

- Espero que sim, Mione. Espero que sim.

- Você ... você fez o que pode, Rony. A maioria estava desesperada e você fez aquilo.

- Meu pai é curioso quanto a trouxas, acabei aprendendo um pouco sobre isso - ele olhava par o chão, ao perceber que o violino de Yoh havia sumido. Onde teria ido parar ? - mas acho que não serviu de muito.

- Você fez o que pôde, Rony. Sua irmã ... eu estou orgulhosa de você. Muito. Tenho certeza de que ele ficará bom.

- Eu quero acreditar nisso, Mione - ele olhava preocupado e com um olhar de culpa para Harry, a culpa que ele mesmo sentia a respeito do que disse de seu provável ex-futuro cunhado.

- Vamos Rony, vamos ir lá com sua irmã.

Draco fez a primeira coisa que veio em sua cabeça, correu até o corujal , não que sentisse amizade pelo Kneen, mas sua professora deveria saber que o filho estava mal.

" Profª. Kneen ,

Seu filho teve um ataque na hora do jantar, foi muito mal para a enfermaria , eu senti que o pulso dele estava parando... Venha para a escola.

Draco Malfoy."

- Draco ?

- O que é ? - ele se virava para Goyle .

- Para quem foi essa carta ?

- Para a professora Kneen, mas não pense que eu me importo com o idiota do Kneen, ele foi burro por ter saído ainda estando daquele jeito. Só fiz isso por que estou curioso com o conhecimento dele e da professora. E além do mais - ele se lembrava da melodia que ouviu - tenho assuntos pendentes a resolver com ele. - Vai logo Gwenhwyfar , entregue essa carta a pessoa certa.

A coruja dourada com o brasão da família Malfoy na coleira levantou vôo, Draco olhou ela ir, e depois olhou para Crabbe e Pansy.

- Vamos para a sala comunal da Sonserina.

- E o Kneen ?

- O que tem ?

- Não vai vê-lo ?

- Se ele ficar bom ou não, é problema dele, Goyle. Vamos, temos mais coisas para resolver do que ficar nos preocupando com isso.

Eles se retiram, até que Draco dá pela falta de Goyle, o qual havia ficado para trás, mas em seguida ele o vê correndo.

- Aonde foi ?

- Fui ver se a coruja foi direitinho. Não vai querer que nenhum grifinório intercepte a coruja e fique rindo de você, não é mesmo ?

- É, tem razão, vamos. Já está ficando tarde, e estou ficando com sono. A última coisa que quero é encontrar com um fantasma por aqui.

***

Quase morto.

- Vamos, garoto ! - ela usava todas as suas técnicas de reanimação, ressuscitamento ... tudo !

- Eu quero entrar ! - ela ouvia os gritos da ruiva do lado de fora - deixa eu entrar !

- Nada disso ! - Florinda segurava os alunos do lado de fora - ninguém entra aqui ! Madame Pomfrey !

- Não posso ser interrompida agora, Florinda ! Isso é muito difícil, não deixe ninguém entrar !

Havia um número enorme de alunos do lado de fora da enfermaria. Lufa-Lufa, Grifinória, Corvinal ... até mesmo alguns alunos da Sonserina, seja admirados com o recital, seja curiosos, mesmo.

- Será que ele ficará bem ? - Rony se perguntava, de modo que seu lamento era ouvido por Hermione. A mesma estava do lado de fora da enfermaria, encostada em uma parede. Sabia que não poderia entrar lá, no máximo um parente dele, e não havia nenhum por ali no momento.

- Rony, pare com isso, não vai adiantar de nada ! Só podemos rezar por ele !

- Rezar ? Hermione, você viu, o pulso dele estava quase nulo !

- EU SEI, MAS NENHUM DE NÓS DOIS É MÉDICO, NÃO PODEMOS FAZER NADA !!!!- Rony a encara, percebendo um certo desespero em sua voz - desculpe, eu ... eu não queria gritar com você.

- T-tudo bem, eu ... desculpe, não sabia que você e ele eram assim tão amigos.

- Eu ficaria assim por qualquer pessoa que eu conhecesse, se quer sabe - ela enxugava lágrimas furtivas que escapavam.

- Desculpe. Mas eu realmente não sei o que houve. Eu ... nessa semana que passou eu fiquei sabendo de algo e pensei uma coisa a respeito dele, mas ... bom, você entendeu.

- O que você pensou ?

- Algo que eu não queria ter pensado ... e gostaria de esquecer que pensei nisso algum dia. - ele observa a porta ser fechada e trancada por dentro, e sua irmã se aproximando com o medo estampado no rosto. Ele nota que o capitão da Corvinal a segurava pelos ombros, ao passo que um rapaz de cabelos cinzas abraçava outra que estava chorando.

- Rony ... ela precisa de você .

- Eu ...

- Você é o irmão dela, Rony. Você sempre quis uma chance de reconquistar o respeito dela, não é ?

- Não desse jeito.

- Não importa, ela precisa de você. Precisa muito.

- Certo - ele se aproxima e Carlos a solta, ao passo que Rony a abraça carinhosamente - Mana, calma, vai dar tudo certo . - ele falava, tentando lhe dar algum consolo.

- Ele ... ele ... ELE ... - Gina soluçava desesperadamente. Nunca, mas nunca viu sua irmã assim. Bem, até viu, quando ela descobriu que fora usada por Voldemort.

Mas aquilo ...

Ela o abraçava, apertando-o com uma força que ele duvidava que a caçula tivesse. Fazia tempo desde que se trataram assim, com tamanho grau de intimidade e carinho.

Um carinho que Yoh deveria conhecer.

Se sentia um crápula ao sentir as lágrimas dela encostando em seu peito. E quando ela lhe dirigiu a palavra, ele se sentiu pior ainda.

- Mano ... você ... você acha que vai terminar tudo bem ?

Ele congela com as palavras dela, quando percebe a total gravidade da situação.

Gina precisava de segurança.

No entanto, ele não podia fornecer tal segurança, simplesmente por que a mesma não existia. Não sabia o que iria acontecer, e pelo pouco que sabia sobre o corpo humano, Yoh estava tremendamente mal.

- Vai dar sim - ele mentia, forçando uma entonação de voz para lhe dar segurança - vai dar tudo certo, você vai ver.

***

- O que eu faço, Madame Pomfrey ?

- Os embrugos ! Traga-os ! - Florinda os trás e, com uma seringa, ela insere diretamente na veia dele - isso deve fazer o pulso dele voltar ao normal !

- Não está funcionando !

- Tenha calma ! Não podemos perder a calma nesse momento ! Continue com a massagem pulmonar !

- C-c-claro ! - ela continuava, tentando manter normal o pouco batimento cardíaco que ele possuía . - não esta dando certo ! Não está !

- Continue ! - ela misturava o conteúdo de alguns frascos - não desista - ela se aproxima e injeta outra seringa nele, fazendo o coração bater um pouco mais rápido .

- Mas ... isso não vai durar muito ! O coração está batendo devagar novamente !

- Não entre em pânico, Florinda ! Não entre em pânico !

- Mas ele vai morrer, vai morrer, vai morr ...

As palavras dela são detidas quando sente a mão de Pomfrey batendo em sua face. A mesma o vira, surpresa com aquilo.

- Nunca desista, entendeu ? Nossa profissão não admite falhas, Florinda. Não podemos falhar, você me compreende ? - ela olhava paro garota enquanto amarrava uma tala no braço dele - vidas dependem de nós, não podemos nos dar ao luxo de nos desesperar. - ela segurava na nuca de Yoh, aproximando uma erva próxima ao nariz dele - Nunca ! Pois nós deixamos de ser seres humanos para ser algo além disso. Somos frios, somos precisos ... somos médicos ! Somos aqueles que não desistem nem mesmo quando o coração para, somos aqueles que mesmo depois da morte continuamos lutando para arrancar a vitória, entendeu ? Nunca desista !

- Mas não adianta de nada ! - ela encarava sua supervisora - o corpo dele está entrando em processo terminal, do jeito que está, nada do que fizermos fará diferença, ele está piorando, não fará a menor diferença !

- Fará diferença para ele - ela gritava , enquanto continuava com a massagem cardíaca. Florinda se aproxima e mede o pulso, assim como checa o batimento cardíaco dele : inexistente . O coração do jovem havia parado .

- Madame Pomfrey ...- ela colocava a mão na boca, assustada . No entanto, sua supervisora continuava ignorando-a.

Ela não queria acreditar, recusava-se a aceitar realidade. Florinda torna a medir o pulso do mesmo, a pressão, o batimento cardíaco, a temperatura do corpo ...

Nada.

Nenhuma diferença.

Ele estava da mesma forma que da última vez, segundos atrás.

Seu pulso era nulo.

Sua pressão, incompatível com o esperado.

Sua temperatura corporal, extremamente baixa.

Seu batimento cardíaco ... inexistente.

Demora alguns instantes, mas ela finalmente se dá conta da real gravidade da situação, a qual Madame Pomfrey parecia ignorar, ou melhor, não queria aceitar, se recusava a aceitar.

Yoh M. Kneen, aluno do quinto ano da escola de magia e bruxaria Hogwarts, um garoto sorridente, estudioso, esforçado, companheiro, compreensivo e carismático, apesar de nunca se importar em fazer sucesso entre as pessoas.

Um aluno com planos bem simples para seu futuro, nenhum deles envolvendo planos muito ambiciosos que o levassem a um status mundial. Em sua maioria, seu plano principal, sua maior ambição até o presente momento, era se graduar, estudar CURA para se tornar um medi-bruxo, formar uma família, em suma, uma vida normal, sem grandes peripécias ou riscos, como ser jogador de Quadribol ou auror. Nada demais, nada mesmo. Apenas uma pessoa normal, que sempre evitou ao máximo ficar a parte da eterna competição entre as casas, as quais jogavam aluno contra aluno, em uma competição de pontos que gerava um ódio ilógico através de um jogo que perdera seu sentido há séculos.

Um desejo bem simples, aparentemente simples de ser resolvido. Um futuro alcançável, sem grandes complicações.

Um futuro que lhe fora negado para sempre, um direito que lhe fora roubado.

Um sorriso que não seria mais visto. Sorriso o qual, em sua simplicidade, encantou a tantos por tanto tempo.

Yoh M. Kneen. Muitos sonhos, poucas ambições. Um futuro que lhe fora negado.

Uma vida que ele poderia ter tido, mas agora não teria mais.

Simplesmente por que, agora, o mesmo já não se encontrava entre nós.

Yoh M. Kneen, aluno do quinto da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts.

Um sorriso que não seria mais visto, uma vez que o dono já não estava entre nós.

Florinda tocava novamente no corpo inerte, encarando a dura realidade.

Yoh M. Kneen.

Aluno.

Namorado.

Corvinal.

Apanhador.

Amigo.

Corredor.

Morto.

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