Capítulo IV – Aquelas Tristes e Alegres Palavras que eu disse e deixei de dizer

Já havia amanhecido há algum tempo, mas ele não se importava . Nem um pouco .

De certo modo, sentia-se em paz .

Ou ao menos, era nisso que queria acreditar .

Ele fugiu . Deixou todas as suas preocupações de lado para se sentir livre .

E era assim que se sentia, pela primeira vez em muito tempo . Sem ninguém dizendo o que tinha que fazer, tampouco dando-lhe ordens .

Agora, pela primeira vez desde que chegara na nova escola, sentia-se levemente diferente .

Mas não era bem uma sensação de liberdade, longe disso. Era algo que ele não queria acreditar, mas sentia .

Saudade .

Sentia muita saudade de Hogwarts . Fez o que decidiu fazer mas, ainda assim, sentia saudades . De todos os seus amigos . Goyle, Pansy, os alunos de sua casa ... era verdade que havia o Draco sempre querendo mandar e desmandar, mas acabou se acostumado com eles, e sempre estavam por perto . A própria convivência fez com que um confiasse no outro, mesmo que por motivo de interesse .

Mas podia conviver com isso . O que lhe incomodava mesmo eram duas pessoas : Amanda e Yoh .

No fim, deixou ela para trás . Sentia saudades dela, dos raros e curtos momentos em que passaram juntos, das vezes em que ele não tinha que ficar dando satisfação para ninguém do que fazia , das vezes em que ele começava a falar e ela ficava prestando atenção atentamente em cada palavra dele, mesmo quando ele falava alguma idiotice ...

Bem, ele escolheu assim . Recebeu vários conselhos sobre o que iria acabar acontecendo, e mesmo assim não fez nada para mudar . Acabou colhendo o que plantou . O Yoh tinha razão .

Yoh . Tinha que admitir, sentia saudades dele . Nunca imaginou que outra pessoa fora de seu grupo o defenderia, mesmo não sabendo muito a respeito dele . Ocasionalmente se via perguntando se Yoh o defenderia se ele soubesse quem ele era , mas tal pergunta morria na mesma hora .

Mas as únicas palavras que ele disse para seu amigo - poderia se considerar amigo dele depois de tudo aquilo que lhe disse, de como fora rude com a única pessoa que mostrou um real interesse nele além de Amanda, sem ter segundas intenções ? - magoariam qualquer pessoa .

Bom, foi o que escolheu . Estava em outra escola, longe de tudo e de todos, sem ter problemas com Draco e qualquer outra pessoa . Com sorte seu pai esquecia que ele existia e não o obrigava a participar dos planos malucos do Lorde das Trevas .

E quem sabe, um dia, quando tudo isso finalmente acabasse e aquele maluco vingativo desaparecesse da face da Terra, ele finalmente pudesse voltar para Hogwarts, para pedir desculpas a todas as pessoas que magoou .

Como de costume, estava no salão principal da escola tomando o café da manhã . Era o começo do ano letivo, e não conhecia muito bem as coisas por ali .

Claro que se ele parasse com seu jeito fechado e carrancudo ajudaria, mas ela algo que ele teria que trabalhar com o tempo . Paciência .

Ao olhar para o alto, ele vê as corujas entrando, trazendo a correspondência dos alunos e outras coisas . E, como sempre, nada para ele . Pensando bem, acabou de entrar na escola, seu pai não lhe escreveria tão cedo. Estava um pouco irritado por ele ter se transferido, aparentemente Lúcio Malfoy estava contando com ele na escola para ajudar o filho .

Mas tudo bem, poderia se acostumar a isso . Pelo menos, até reunir coragem suficiente para escrever uma carta para Hogwarts .

- CRÁÁÁÁÁ !!!!

Ele vira lentamente seu pescoço . Corujas não faziam "Crá" em hipótese alguma . Só conhecia uma ave que faria tal som, e levando-se em conta sua sorte ...

- Karasu ? - Crabbe torcia o pescoço, surpreso com a surpresa do corvo - o que você está fazendo aqui ? - o corvo larga uma carta bem diante de Crabbe, e não lhe passa despercebido o fato de que outros alunos estavam surpresos e curiosos pelo motivo de todo mundo receber corujas e ele um corvo - uma carta ? De quem é ? Ah, que burrice, é claro que é do Yoh - ele a pegava - espera, não vai esperar ele responder ? - o corvo aponta o bico para a perna, aonde Crabbe percebe que havia uma outra carta amarrada - bom, obrigado, de qualquer forma - ele pega um pedaço de pão e o joga, de modo que o corvo começa a comê-lo e em seguida alça vôo, deixando Crabbe com a carta na mão .

"Oi, Crabbe . Como vão as coisas na nova escola ? Tem se enturmado ? Fiquei sabendo que você pediu transferência , como tem ido as coisas por ai ?

As coisas aqui vão indo como sempre, sabe . O Rony pegando um pouco menos no meu pé, o Snape me olhando de cara feia ... nas férias eu fui até a casa da Gina e acabei ensinando um esporte de trouxas para a família dela, o Futebol . Parece com Quadribol, só que se joga no chão, só tem um gol para cada time e uma única bola, a qual só pode ser tocada com os pés, com exceção dos goleiros que podem usar as mãos também . Você precisa ver a confusão que está aqui, minha mãe é a nova professora de História da Magia, e está tirando pontos direto de quem não sabe responder algo a respeito da história de sua própria família . Fiquei sabendo que o Draco chegou a perder oitenta pontos em uma só aula . E agora vem a parte mais engraçada : ela passou um trabalho valendo nota para a avaliação, em que cada aluno terá que estudar uma família que não seja a sua e que a professora escolheu . A Gina terá que estudar a família Black, e eu, a família Potter . Sim, aquele Potter que a gente conhece . A graça nisso tudo é que o Rony, irmão da Gina, vai ter que estudar os Malfoy e o Draco, os Weasley ! Nem quero ver onde isso aqui vai dar .

Ps.: o pessoal aqui anda sentindo sua falta . Carlos e James estranharam não terem visto você por perto, e Miranda, Julieta, Rika e Ariel perguntara que fim deu naquele "rapaz alto e forte" da Sonserina . Rika reclamou quando eu contei, dizendo que perdeu um ótimo par para dançar ...

Tudo de bom para você em sua nova escola, Crabbe . E procure se enturmar, arrume algumas pessoas para conversar de vez em quando, que vai te ajudar a não se sentir sozinho .

Um Abraço .

Yoh"

 

- Seu amigo mandou a carrtaa, Crrrabbe ? - Perguntou uma menina bem mais baixa que ele.

- Sim , foi ele.

- Encontrramos amigos aonde menos esperrramos encontrrarrr.

- Verdade , Isabelle eu te considero uma amiga.

- Eu considerrarr você um amigo Crrrabbe . - Ela sorri , e se levanta. - Vamos , temos aulas de trrransfigurrrações agorra.

- Vamos - ele caminhava enquanto anotava algo em seu caderno .

- O que você estarrrr fazendo, Crrrabbe ?

- Bem ... não sei direito, nem tenho certeza, mas ... bom, acho que seria muito grosseiro da minha parte não responder a essa carta - ainda mais a única carta que recebeu, na verdade .

***

 

Pela manhã Gina evitou falar com Yoh , na verdade não falou com o Yoh , ele achou estranho a atitude dela. Mais ela estava se sentindo culpada , e nada a faria mudar.

O mesmo estranhou, mas achou que devia haver alguma ligação com o ocorrido da noite anterior .

Um pouco apressado, ele correu para a aula de defesa contra as artes das trevas , a qual felizmente tinha junto com a Grifinória .

No entanto, como ele já teve a chance de comprovar, nem sempre as coisas acontecem como planejado .Gina literalmente o ignorou a aula inteira, além de ter se sentado longe dele .

Mas o que estava acontecendo ? Será que realmente era por causa da noite anterior ? Não fazia sentido, mesmo que tenha sido rude - e ele se esforçou para não ser, não haveria motivo para tanto . - Ficar se exibindo ? quer dizer que tinha que bancar o burro e não ajudar os outros, só para não desagradar alguém ?

Algo estava errado , algo que estava deixando sua moranguinho daquele jeito .Era bom que o Potter não tivesse resolvido descontar sua raiva nela, ele que ousasse ...

Ele pensa em segui-la, mas se detém ao encarar o professor Remo . Talvez ...

- Hã, com licença professor, eu tenho uma dúvida

- Você tem uma dúvida ? Estou surpreso .

- Ué, não posso ter uma duvida em DCAT ?

- Claro que pode ... apenas fiquei curioso levando-se em conta quem era ...

- Não entendi, professor .- ele continuava olhando-o normalmente, diante daquela indireta .

- Deixa pra lá ... o que você não entendeu ?

- Bom ... na verdade não é uma duvida sobre DCAT, é sobre história da magia .

- Bem, nesse caso, sua mãe será a melhor pessoa para quem você possa se informar .

- É justamente esse o problema, eu terei que fazer uma pesquisa sobre os Potter, e ela não me dirá absolutamente nada . Dai eu lembrei de ter ouvido pelos corredores que o senhor estudou com uma pessoa chamada Tiago Potter, dai somei um mais um e achei trezentos !

- Como ?

- Deixa pra lá, é apenas uma piada, mesmo .

- Certo ... e no que eu posso lhe ser útil ? Quer saber o aniversário dele ? Gostos pessoais ? Hobbys ? Manias ?

- Na verdade, gostaria de saber se o senhor sabe de onde ele veio, sabe. De que parte da Inglaterra, se é que era da Inglaterra, as terras da família dele ... saber me dizer algo a respeito da família dele. Sei que os Potter são uma família pequena, ao contrário dos Weasleys que são numerosos através dos séculos, por isso preciso de alguma pista, um ponto de partida para começar .

- Ok - Remo puxava uma cadeira ao passo que Yoh puxava outra - vou lhe contar o que eu sei e que provavelmente possa te ajudar, mas te adianto que tudo o que sei sobre os Potter eu ouvi de Tiago, portanto pode não ser tudo o que você imaginava .

- Mas será um começo - ele pegava a pena, pronto para anotar o que o professor dizia .

***

- Moranguinho, o que houve ? - ele se sentava na mesa da Grifinória, bem em frente a Gina, a qual ficou vermelha na mesma hora - Estou tentando falar com você desde cedo, mas você está tão avoada que nem me deu atenção . Foi algo que eu fiz ? Desculpe, não quis ser rude ontem, mas não acha que a reação dele foi um tanto quanto exagerada ? - ele falava, enquanto apenas um pouco afastado deles, Harry parecia estar prestando atenção na conversa de ambos, e Rony ainda se perguntava de onde surgira a marca rocha na face dele .

- Não ! Isso ... isso não é culpa sua, eu ... eu ...

- O que foi, então ? eu estou preocupado, você está se sentindo bem ? Está com algum problema ?

- Eu ... eu estou bem, não foi nada .Eu só ... só ...

- Sim ? - ele fazia uma cara que a deixava sem saída . Ela olhava para Amanda, procurando refugio, mas a mesma apenas dava com os ombros . Como iria explicar para o mesmo que o traiu ?

No entanto, o milagre veio do céu .

Descendo pesadamente na mesa da Grifinória, Karasu pousava, arfando . E não era pra menos, não fora a viagem que fizera, e sim o peso que carregava .

Yoh arregala os olhos com aquilo . Seu pai foi rápido, enviou seu pedido na mesma hora . No entanto , havia um pequena detalhe : aquilo estava menor do que de costume .

- Não vai abrir ? - ela perguntava, tentando mudar de assunto .

- Isso não é o que eu pedi - ele fitava a caixa, percebendo que era bem menor do que deveria ser - não é mesmo ... ah, mas que ... eu mereço, eu mereço .

- O que foi ? - ela ficava surpresa com o súbito aborrecimento dele - o que houve ?

- Meu pai, enviei uma carta para ele ontem a noite pedindo para ele mandar a minha Stronker, mas ele resolveu fazer uma brincadeira comigo .

- Stronker ? - Amanda ao lado olhava-o, curiosa .

- A marca da minha guitarra .

- Você toca ?

- Sim ... eu, aham ... iria fazer uma ... aham, serenata para você e ...

- Iria fazer uma serenata para mim ? - ela enrubrece levemente, e seu coração bate bem mais forte do que o de costume . No entanto, se sentiu uma enorme traidora naquela hora, diante de tanta devoção por parte dele .

- Sim, mas ... acho que terei que mudar meus planos - ele abria a caixa lentamente - por que o meu pai me enviou ... bem, vejam por si só - ambas esticam o pescoço, observando aquele pequeno instrumento de cordas que usava um arco para produzir o som .

- Um ... violino ?

- Você toca violino, Yoh ?

- Eu tocava, mas ... bom, minha mãe sempre quis me ver tocando violino, mas eu preferia guitarra . Tive aulas desde cedo, mas acabei deixando um pouco de lado há algum tempo quando juntei uma grana e comprei uma guitarra ... e acho que meu pai está me dando uma indireta .

- Que tal tocar algo pra gente, Yoh ? - Amanda o incentivava .

- Talvez depois, estou um pouco enferrujado ... mas ele deve estar planejando algo .

Gina estava tão vermelha, e Amanda vendo que a amiga não ficaria na cor normal resolveu ajudar...

- Yoh, agora teremos que ir, teremos um trabalho de adivinhação para fazer, vem Gina, depois mais tarde vocês namoram..

- Tchau Yoh. - Gina se levantou correndo e saiu sem dar um beijo no moreno que estranhou - na verdade, estava estranhando aquilo desde o começo .

Harry sorriu de canto enquanto tomava um pouco de suco de abóbora , Hermione e Rony olharam para ele , que apenas deu de ombros . Mas, como um legitimo Weasley , Rony não agüentou e teve que perguntar.

- Mas da onde apareceu do nada essa mancha roxa no seu rosto ?

- Treino de Quadribol . - Harry se levantou. - Se me permitem , irei estudar.

- Treino ? Mas ela só apareceu ontem quando ele voltou ...

Na mesa da Sonserina, Goyle arregalou os olhos quando viu uma coruja marrom atravessando a janela .

- Olha lá, Draco - ele chamava a atenção do mesmo - é a coruja do Crabbe .

- Hunf ! Já não era sem tempo . Vamos ver o que aquele idiota escreveu pra gente .

No entanto, algo estranho aconteceu . A coruja pousou na mesa da Corvinal e, menos de um minuto depois, alçou vôo novamente, indo em direção à mesa da Grifinória .

- Deve estar desnorteada - Goyle dizia, percebendo que a coruja passou bem perto de Rony e seguiu mais adiante .

- Vamos até lá, então . Não quero nenhum daqueles sangue ruins lendo a nossa correspondência - ele se ergue, junto de Goyle e Pansy .

Yoh estava prestes a se levantar, quando viu aquela coruja parando bem em frente a ele .

- Hmmm ? Pra mim ? - ela piava - certo ... - ele olhava de lado . Karasu estava bastante cansado - pode voltar para o corujal, amigo - e o corvo alça vôo - obrigado - ele estranha quando o pássaro não se move, até que entende - hmmm ... está esperando a resposta, é ? Bem ...- nesse exato momento, Harry passa diante de seus olhos, e ele o segura pelo ombro - Ei, Potter ... me desculpe por ontem a noite, não queria te ofender .

Harry apenas moveu os ombros, derrubando a mão de Yoh, o que o deixou bastante surpreso . Desde quando aquele cara era tão ignorante ?

- Ei, sangue ruim ! Essa carta me pertence !

Grande, ele pensava. Draco, Goyle e a "substituta" de Crabbe.

- Como é ? O que disse ?

- Disse que essa carta me pertence, sangue ruim.

De onde estavam, Hermione se erguia .

- Aonde vai ?

- Acho que vai dar confusão , veja .

- Deixa pra lá, ele se entende com o Malfoy .

- Se fosse o Harry, você iria, não ?

- Bem ...

- Faça isso pela sua irmã, pelo menos.

- Tá certo, tá certo - ele se ergue e vão para perto dos outros .

- Pensei que você tivesse palavra, Draco . Não disse que me chamaria pelo nome se eu te vencesse no jogo ?

- Aham - Draco sentiu uma pontada na cabeça naquele momento - ora, mas eu ... eu ...

- Sim ? O que foi ? Vai me dizer que os Malfoy não tem palavra ?

- Claro que temos - Draco o olhava duramente - Yoh Kneen .

- Só Yoh, é o suficiente .

- Não abuse ! essa carta que está na sua mão me pertence.

- Não estou vendo seu nome, Draco.

- Essa coruja é do Crabbe, por que diabos ele enviaria uma carta para você ?

- Bem, a coruja entregou a carta a mim, e não a você, entende ?

- O que está acontecendo ? Algum problema, Yoh ? - Rony se aproximava, junto de Hermione .

- Não, tudo bem. Só estamos conversando, Rony . - ele mandava um olhar para os dois .

- Agora deu pra ficar andando ao lado do trio alegria também, Kneen ? O que houve, quer aparecer ?

- Draco, que tal voltarmos ao assunto em questão ? - Yoh fitava o loiro, e naquela hora, Hermione percebeu alo que não tinha percebido antes : a postura de Yoh, o jeito de olhar ... os olhos, a cor dos olhos ... eram iguais aos do Draco !

- Certo . Quero a carta . Não tem motivos para ela estar com você .

- Correspondência é sarada, não se abre a dos outros . Mas já que você está sendo tão educado - ele abre a carta, tampando o texto e mostrando o cabeçalho para Draco, aonde estava escrito "Caro Yoh".

Draco arregalou os olhos novamente . Hermione, Rony e Harry , junto de Goyle e Pansy esticaram o pescoço, não acreditando . quer dizer, Rony na hora se lembrou do motivo de ter desconfiado tanto de Yoh no ano passado, já que ele vivia andando com Crabbe, mas aparentemente os outros não .

- E então ? Satisfeito, Draco ?

- Por que ele te enviaria uma carta ?

- Para falar comigo, oras .

- Por que ? - perguntava Goyle .

- Por que sim . Precisa de outro motivo ? - Mas você é um grifinório ! Um bando de sangue ruins !

- Sou da Corvinal, Goyle . Se esqueceu ?

- Ah, é . É que só te vejo ao lado da Weasley que achei que ...

- O nome dela é Gina, Goyle . Virgínia , Gina para os amigos .

- Certo .

- Desde quando você e o Crabbe se conhecem ? - Pansy perguntava, curiosa .

- Desde o ano passado, depois do jogo contra a Lufa-Lufa, por que ?

- ano passado ? Então era por causa disso que ele andava tão estranho ! Você plantou idéias na cabeça dele, Yoh ! - Draco bufava .

- Sem exagero, por favor. A ente só conversou algumas vezes, só isso . E não grite, que os professores estão nos observando !

- Hunf ! - por mais que odiasse admitir, ele tinha razão - já que vocês estão tão íntimos, por que você recebeu uma carta e nós não ?

- Como é que eu vou saber ? Eu mandei uma carta para ele e ele enviou a resposta . Algum de vocês escreveu para eles ? - ele olhava para os três sonserinos ali, os quais estavam com cara de tacho .

- Hmmm ... não - Goyle procurava um luar para esconder a cara - mas vou fazer isso mesmo !

- Bom, se me dá licença .- ele se aproximava, apertando a mão de Goyle, dando um beijo na mão de Pansy e tentando apertar a mão de Draco, apesar do mesmo evitar isso .

- Não abuse, Kneen . Não pense que somos iguais .

- Tudo bem, Draco . Escuta, não sei o que você tem contra mim, mas isso não faz sentido, entendeu ? Importasse de parar de implicar com a minha namorada ? Falo sério, isso me incomoda .

- Ui, o Kneen fica incomodado quando eu mexo com a namorada de ...

- É sério, Draco - ele o olhava daquela mesma forma - Se quiser alo, não precisa ficar me cutucando .

- E por que eu precisaria de você, posso saber ? Um tipozinho como você, Yoh ...

- Se é assim, por que se preocupa em nos perturbar ?

- Eu - ele fica mudo na hora . Aparentemente não possui um bom argumento para isso - esquece . Tchau, Yoh .

- Tchau, Draco . Golye, Pansy - eles se afastam, enquanto Rony tem espasmos quando vê Pansy acenando para ele .

- Cara, como é que você conseguiu beijar a mão daquilo ? - Rony não estava acreditando - aquele buldogue deve estar cheio de ...

- Ah, sim . Obrigado por se preocupar, Rony .

- Hã ... de nada . É que achamos que você poderia precisar de ajuda, sabe .

- Tudo bem, nada que um pouco de conversa não resolva .

- Olha, não me leve a mal, mas deve tomar mais cuidado com o Malfoy . Ele não é flor que se cheire .

- Já percebi, mas eu não vou conseguir nada brigando com ele . Apenas um calo enorme e provavelmente um olho roxo .

- Está procurando a amizade dele ?

- Eu não quero a ANTIPATIA dele - ele se vira para Hermione - Mione, escuta ... aconteceu alo depois que eu fui embora ?

- Nada demais, por que ?

- É que a Gina está tão estranha hoje . Parece muito triste com alguma coisa . Achei que ela e você - ela apontava o dedo para Rony - tinham discutido por causa dele - ele aponta para Harry - depois que eu sai .

- Eu e minha irmã ? Por que ?

- só uma idéia idiota . Mas sei lá, parece que tem alo errado . - Agora que você falou - Rony se lembrava - ela ficou calada a manhã inteira . Mione, sabe de alo ?

- Não, não sei . E você, Harry ? você foi atrás dela, lembra ?

- Sim, mas só pedi desculpas - e ele se afastava .

- Belo olho roxo, Potter - Yoh comentava - o que houve ?

- Eu cai da escada ! - ele respondia duramente e se afastava apressadamente .

- Não ligue pra ele, anda estranho ultimamente - Rony falava, em defesa do seu amigo .

- Olha, Rony ... eu desejo tudo de bom para você e para a Mione, e quero que fique claro que não tenho nada contra ninguém, nem mesmo o Draco , mas ...

- Ora, quem foi que te acusou disso ? - dizia Hermione .

- Bem ... acho que o Harry anda sendo um pouco grosseiro demais comigo, sabe . Sei que ele é seu amigo, Rony, mas você também percebeu . Há um ditado que diz que você colhe o que planta . Se você planta amor, colherá amor, se planta antipatia, colherá antipatia . Se planta amizade, irá colher amizade . E eu quero a sua amizade, Rony . A de vocês dois . Não só por causa da sua irmã, mas por que percebi que você não é má pessoa .

- Hã ... obrigado .

- É sério . Tudo o que você faz, isso é o seu jeito, o que o torna único, assim como você, Hermione . Mas eu vou ser sincero com vocês, não estou gostando do jeito que o Potter tem me tratado . Tem agido de forma grosseira comigo, me tratado mal, me mandando indiretas ... sei que todo mundo tem problemas, mas isso não dá a ninguém o direito de descarregar encima dos outros .

- O que quer dizer com isso ? - Rony erguia uma sobrancelha .

- Que, por algum motivo, o Harry está descarregando todo o seu veneno em mim . Perceberam como ele ficava olhando para a Gina na sua casa ?

- Não .

- Eu sim - respondia Mione .

- Jura ? O Harry olhando para a Gina ? Mas ele nunca gostou dela e ... hmmm ... isso é sério ?

- Pode ser, por isso estou falando com você, que é irmão dela e amigo dele . Bom, desculpe ficar enchendo o ouvido de vocês, até mais tarde .

- Não tudo bem, até mais tarde, Yoh .

- Até mais, Yoh !

Ele ia se afastando, seguindo para a aula .

- O que foi, Rony ? por que essa cara ?

- Até que ele não é tão ruim quanto eu pensava ...

- O Draco ?

- Não ! O Yoh ! Quer dizer ... tive a impressão de que era o meu pai conversando comigo abertamente sobre um assunto . Será que ele está certo ? O Harry anda meio estranho, sabe . E o rito dele de ontem ...- Acha que ele está com ciúmes do Yoh ?

- Ciúmes ? O Harry não é disso ! nunca foi .

- Não ? Lembra que durante o torneio tribruxo, vocês brigaram por causa disso, por que tudo era o Harry, tudo acontecia com o Harry e somente o Harry ? Talvez ele esteja se sentindo irritado, sabe . O Yoh ganhou o torneio de Quadribol do ano passado, venceu o Draco com uma vassoura inferior e uma habilidade superior ... conquistou o coração da Gina, fez "amizade" com várias pessoas da Sonserina - o beijo que Yoh dera na mão de Pansy não lhe saia da cabeça - fez amizade rapidamente com os seus pais, salvou a Gina de uma harpia ... ele virou o centro das atenções de uma hora pra outra . Venceu o Harry em seu próprio território, o Quadribol, lembra ? e agora o Harry tem que recrutar quase um time inteiro de Quadribol ...

- Acha mesmo ? Quer dizer ... sei lá, não acha que está exagerando, o Harry acabar tendo se acostumado em ser o centro das atenções ?

- Faz sentido, não faz ?

- É, faz mesmo - ele olha para o lado, vendo a coruja de Crabbe se erguendo e voando pelos corredores, atrás - vamos, temos aula . Depois a ente conversa com o Harry a respeito disso .

 

 

 

- Gina ... Vai minha amiga levanta esse astral. - Gina ergueu a cabeça e olhou para a morena que a fitava.

- Amanda ... como ? como eu vou dizer para o Yoh o que aconteceu...

- Dizendo oras . - Amanda sorri. - Dai ... ele te perdoa ... e fica tudo em paz...

- Não é tão fácil assim. - Gina respirou fundo. - Mais o Harry não deveria ter feito o que fez...

- E o que o Potter fez pimenta Weasley ? - Disse uma voz arrastada atrás delas.

- MALFOY ! - Gritaram as duas assustadas , o loiro apenas sorriu.

 

- MALFOY ! - Gritaram as duas assustadas , o loiro apenas sorriu.

- Isso, adoro ouvir o som do meu próprio nome .

- Ah, vá catar coquinho, Malfoy ! - Amanda esbravejava - não temos tempo para você !

- Ora, e tem tempo para o Potter, não é ? O que foi que ele aprontou desta vez para chamar a atenção, heim ? Engraçado que de uma hora pra outra ele ficou bastante hostil com o sangue ru ... seu namoradinho, Weasley . Acho que metade do refeitório viu a cena .

A principio Amanda estranhou Draco ter se corrigido quando se dirigia a Yoh, mas aquilo não era o mais importante, apesar de ser curioso . Imaginava o que ele queria dizer com hostil .

- O que você quer, Draco ? Não estou com paciência para as suas gracinhas !

- Assim você me magoa, Weasley . Antes eu até estava com vontade de ficar lembrando a todos vocês do lugar de onde vieram ... mas não sei por que, seu namoradinho disse que fica incomodado quando eu faço isso, e admitiu isso tão rapidamente, que até perdeu a graça . Se fosse seu irmão, ele iria ficar bufando dizendo que isso não o afeta . Bem, boa sorte pra você, Weasley . Vai precisar nos próximos jogos, já que estão em maus lençóis - ele se afastava, rindo da situação do time de Quadribol da Grifinória .

- É, ele realmente não perde uma oportunidade de pegar no pé da sua família, Gina . Nem mesmo quando não está implicando com você . Mas ele tem razão, sabe . Depois da aula você tem treino , e o nosso time anda meio desfalcado, sabe .

- Sim, eu sei ... e a gente precisa recrutar novos alunos, e rápido - aquilo entalou na goela, quando ela disse "a gente" - por que não faz o teste ?

- Quem, eu ?

- É. Você sempre jogou Quadribol com seu irmão, por que não faz o teste ?

- Sei não ... não pretendo ser uma jogadora profissional .

- E quem disse que eu quero ser ? É apenas por diversão, Amanda!

- Eu não sei, acontece que ...

- Oi Amanda .

- O-o-oi, Chaz - ela ficava subitamente rubra - t-tudo bem ?

- Claro. Escuta, você tem um tempo livre ?

- Eu ? - ela quase gritou - eu ... eu tenho que ir, tenho aula de adivinhação agora! - e saiu apertando o passo, deixando Gina para trás .

- Até mais tarde, Chaz .

- Até - ele se despedia . Não era o tipo de fora que esperava receber, mas ...

- Amanda, o que foi ?

- Eu ? Nada .

- Puxa, olha só como você tratou ele ! Deixou ele com cara taxo!

- Mas nós temos aula, Gina !

- E precisa por causa disso deixar ele assim pra trás ? Foi bastante grosseiro da sua parte, e além do mais, o Drácula não te mordeu, não ?

- Drácula ? Morder ? Do que está falando ?

- Ora, das férias que você foi passar na Trânsilvania - Gina batia o pé - não foi a desculpa que você deu no trem ?

- Olha, Gina - ela abaixava a cabeça - eu não me sinto muito bem com isso, está bem ?

- Amanda, minha amiga ... não pode ficar se remoendo por isso a vida toda . O Crabbe já se foi, lembra ? Não está nem por perto, mudou de escola . E até agora sequer te mandou uma correspondência pedindo desculpas, na verdade, não fez isso durante todas as férias . Você pode chorar, mas quer mesmo fazer isso por toda a sua vida por alguém que nem se preocupou em te retornar ?

- Você parece o Yoh falando.

- Pareço, mas não sou . O grande mal das pessoas e colocar umas nas sombras das outras, como o meu irmão em relação ao Potter - ela rangia levemente os dentes ao pronunciar o nome dele - mas ele está melhorando agora, sabe . Eu não quero ser "apenas a namoradinha do Yoh", entende. Quero ser conhecida como Virgínia Weasley, e não o nome anterior . Tenho minha vida, a qual ocorre independente das outras pessoas ao nosso redor, independente do Draco, do Harry, da Hermione, do Snape, Dumbledore e você-sabe-quem. E minha vida não gira conforme as decisões deles. Na verdade, nem mesmo conforme as decisões do Yoh .

- Não ?

- Não . Estamos namorando ... aprendendo o significado da frase "compartilhar uma vida" - ela fechava os punhos, se remoendo - e ainda temos muito o que aprender ... mas sei que eu posso aprender isso . Mas não pretendo fazer minha vida com base em uma única pessoa . Você quer ser conhecida eternamente como a "ex" do Crabbe, ou quer tentar seguir em frente ?

- Não quero me machucar - ela balançava a cabeça .

- Isso é inevitável . Minha falta de coragem está me machucando ... e acho que vai machucar outras pessoas também, mas certas coisas são inevitáveis . Temos que errar muitas vezes até fazermos direito, e nada impede isso . Até o Crabbe fez algo, foi embora daqui pra não ter que ser capacho do Draco .

- Está defendendo ele ? - ela arregalava os olhos .

- Não, ainda estou furiosa com o que ele fez ... mas ele fez alguma coisa, não fez ? essa eterna briga de grifinórios e sonserinos, puro sangue e sangue ruim, Weasley e Malfoy ... bem, ele fez algo, conseguiu se colocar a parte disso .

- E o que você quer que eu faça ? que eu passe a sair com o Chaz só pra não ter que passar por isso ? Pra não ter que ficar nessa birra entre as duas casas, arrumando um namorado de uma casa que não tenha a antipatia de ninguém ?

- Não, Amanda ... estou dizendo para você fazer isso para se divertir, passar o tempo ... e tirar o Crabbe da cabeça . Não vai conseguir fazer isso desse jeito . Tampouco ficando trancada no seu quarto quando todo mundo vai passear, e além do mais - ela dava uma piscadela para a amiga - tem muitos bailes no decorrer do ano, não vai querer ficar sem par, vai ?

- Sabia que as vezes eu sinto uma pontinha de inveja de você ?

- Mesmo ?

- Sim . você tem três gatos na sua cola, e não me venha fazer de desentendida, não senhora! O Yoh, o Harry e o Draco ...

- O Draco ?

- Ah, Não se faça de desentendia, por favor! Ele tem uma quedinha por você, vai me dizer que nunca percebeu ?

- Hã ... não ! Que idéia !

- Acha que ele ficaria tanto no seu pé por outro motivo ? Você tá bem cotada, amiga ! Meus parabéns !

- Para com isso !- ela ficava levemente vermelha - vai todo mundo ouvir !

- Ah, deixa pra lá . Mas até que o Draco não é de se jogar fora .

- Prefiro alguém mais maduro . Não quero uma pessoa impulsiva e que se deixe levar facilmente pelas suas emoções, como o Harry, ou alguém que sempre esteja tentando levar a melhor e querendo erguer uma imagem de onipresença, como o Draco .

- Só você mesma para pensar isso Gina. - Amanda parou de andar. - E se ... Hum ... Será que o Chaz me convidaria ?

- Claro, na verdade eu acho. - Gina sussurrou no ouvido da amiga. - Comece a tratar ele com mais atenção, se faça presente ... e veremos o que vai acontecer.

- Eu ainda não sei ... não sei mesmo . Até acho ele simpático, mas não vejo nada além disso.

- Alôo !!! Hogwarts para Amanda ! Ninguém aqui falou em casamento, estamos falando em se divertir ! Esquece o Crabbe, anda !

- Será que ele enviou alguma carta para mim ?

- Amanda ... ESQUECE ELE !!! Depois de tudo o que ele te fez, como consegue pensar nele ?

- Bom, eu ... eu ... ah, deixa pra lá . Vou dançar conforme a música, e ver no que vai dar . E você, o que vai fazer ?

- Ir para a aula .

- Estou falando sério . O que fará em relação ao Harry ?

- Como assim ?

- O seu problema com o Harry, como fica a relação de vocês dois ?

- Não temos nada, Amanda . Ele tem um problema sério de querer o que não é seu .

- Mas agora ele é o capitão do time de Quadribol ...

- E dai ? Isso não dá o direito de achar que é meu dono .

- Só que você vai ter que encarar ele o tempo todo .

- É o que eu sempre faço. Estou para lá para jogar e me divertir . Se ele não souber separar uma coisa da outra, isso é problema dele, e não meu .

- Que tal contar isso para o Yoh e colocarmos um ponto final nisso de uma vez por todas ?

- Se eu conto, ele discute com o Harry, e você sabe que o Rony vai apoia-lo . Não quero que fique um clima ruim logo agora que o Rony está se dando bem com o Yoh .

- Sabia que essa é a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi ?

- Pode ser ... mas eu não posso depender dele para resolver todos os meus problemas, não é mesmo ?

***

- Professora Sibilia, eu ...

- Pois não, Cassandra ?

- Eu, minhas folhas, bem ...

- O que foi ?

- Eu não entendo, eu estou pressentindo uma grande turbulência e ... e ... - A professora se aproxima, vislumbrando a leitura de folhas da aluno.

- Nem sempre o futuro nos é agradável, Cassandra.

- Mas, eu ... eu errei, não errei ? Ninguém vai morrer, certo?

- Diga-me você, querido . Diga-me você .

***

A aula já estava no fim, de modo que Rony ainda estava com aquilo na cabeça .

Treino de Quadribol ? Harry realmente disse que estava assim por causa do treino de Quadribol ? Mas ainda estavam na primeira semana de aula, e o time de Quadribol da Grifinória estava totalmente desfalcado . Perderam dois batedores e três artilheiras, visto que os cinco se formaram no ano anterior . Como assim, ele se machucou jogando Quadribol ?

Pensando bem ... até que fazia sentido . ele estava com muita coisa na cabeça esse ano . Só tinham ele e a Gina com experiência em campeonatos, e olhe lá . Devia ser isso mesmo. Provavelmente ele arrumou briga com algum engraçadinho pelos corredores e acabou ficando assim, e não queria admitir que brigou.

- Meu amor, está tão distante. - Diz Hermione acariciando o rosto do namorado.

- O Harry não confia mais em nós. - Ele abaixou a cabeça.

- É uma fase , verá como passará.

- Não sei , Mione... reparou como ele tem agido muito estranho ultimamente ? Quase não quer falar com a gente, quer ficar mais na dele. O que você me disse faz sentido , ele sente que estão roubando o espaço dele ... mas o que nós temos a ver com isso ? Quer dizer ... não somos amigos? Não era em nós que ele deveria esperar um mínimo de apoio ?

- Não sei, não sei mesmo, ninguém entende a natureza humana, todos cometem deslizes, e alguns deslizes são tão pesados que quando se nota o que ocorreu já é tarde demais para reverter a situação.

- Mione. - Rony sorriu. - Que tal se você entrasse no time de Quadribol ?

- Claro norm.... - Hermione arregalou os olhos , Rony sorriu mais ainda. - O QUE VOCÊ DISSE ???

- Perguntei se não quer fazer o teste para o time de Quadribol. Vai ser depois desta aula, sabe. Estamos sem três artilheiros e dois batedores, depois que eles se formaram no ano passado. Só tem a Gina e o Harry com experiência, e precisamos de reforços .

- Bem .... eu não sei, sabe . Quer dizer ...

- Por que não vem comigo fazer os testes ? Se te interessar, você fica. Se não, deixa pra lá.

- Hmmm ... tudo bem . - ela olhava para o lado, observando o semblante do amigo, o qual estava distante .

- O que foi ?

- Sabe ... agora que você tocou no assunto, eu me lembro que naquele dia em que o Sirius foi preso, depois nós voltamos no tempo e o libertamos, sabe ... eu e o Harry estávamos na enfermaria quando ouvimos o Snape e o ministro Frudge vindo pelo corredor . Consegui ouvir um pouco da conversa deles, sabe . Na verdade, as palavras do Snape ficaram na minha cabeça, e voltaram durante o torneio tri-bruxo .

- É ? E o que foi que ele disse ?

- Algo sofre todos serem muito tolerantes com o Harry . Que as pessoas toleravam muito os excessos dele, que ele era um agitador e que ninguém fazia nada por isso.

- Bem ... você sabe como é o Snape, ele odeia o Harry.

- Sim, mas o ministro admitiu que todos nós somos bastante tolerantes com o Harry, e o Snape perguntou se isso não faria mal um dia . Talvez ele esteja certo. O Harry deve ter se acostumado com a fama que conseguiu, com todas as liberdades que teve, com o professor Dumbledore sempre acobertando ele, que de uma hora pra outra ...

- Ah Mione, espera um pouco . Você não está querendo dizer que ele está com ciúmes do Yoh, está ?

- Isso não deixa de ser uma hipótese interessante. É um terreno no qual ele não está acostumado, sabe. Não que eu o culpe, longe disso . Ele nunca teve na casa dos tios muito do que nós temos aqui, é como se ele sentisse que tudo o que conquistou estivesse sendo tomado dele de uma hora pra outra por um ... intruso.

- Escuta, não sou eu quem tem que ficar pegando no pé do Yoh e você o defendendo ? - ele fazia uma cara de confusão, enquanto apontava para a pulseira que ela ganhara dele em seu aniversário.

- Refiro-me ao Harry. Quer dizer, o Yoh sempre esteve aqui, mas de um tempo pra cá, ele literalmente entrou nas nossas vidas, sabe . Estuda com a gente, passeia, vai te visitar nas férias ... nosso velho amigo tem agido como um irmão mais velho que não quer dividir nada com os irmãozinhos que nasceram, que não quer perder seu quarto, seus brinquedos e tudo mais .

- Pode até ser, mas acho difícil de acreditar que o Harry realmente esteja gostando da Gina.

- Por que acha isso ?

- O Harry sempre ficou no pé da Cho. No ano passado ele tentou várias vezes visitá-la na enfermaria, lembra ?

- E ficou meio irritado por que o Yoh conseguia entrar lá e ele não.

- Tá, mas não vamos fugir do assunto principal. Ele adora a Cho, acho MUITO difícil ele ter olhos para outra pessoa . Ele ficou muito furioso com o Cedrico por que ele convidou a Cho para ser o par dela no baile, lembra ?

- Claro que lembro - ela olhava feio para ele, e na mesma hora Rony se lembrou de como ele e Harry trataram ela e Gina naquela época .

- Aham ... como eu dizia, ele sempre foi gamado nela, desde a primeira vez que a viu, naquele jogo quando estava no terceiro ano. No ano passado, ele chegou a carregar ela no colo para dançarem ...

- E como não conseguiu, o pessoal da Corvinal teve a idéia de amarrar vassouras nela para que a mesma dançasse, mas como o Harry não a tomou para dançar, ficou naquele "chove não molha"...

- Chove não molha ?

- Apenas uma expressão . Indeciso, sabe . Bem, ela ficou trocando de par a noite toda, e ele nad . E ainda dançou agarradinha no Yoh.

- Ok, ok, isso é sobre o Harry, não sobre o Yoh, certo ? Já sei aonde quer chegar, pode até ser que o Harry tenha ficado com ciúmes do Yoh, mas dai achar que ele iria desistir da Cho de uma hora pra outra por causa da Gina ...

- Desistir ? Rony, ele ficou olhando para a Gina o tempo todo nas férias quando estávamos na sua casa.

- E daí ? Toda hora eu olho para você, toda hora eu olhava para a Amanda, toda hora eu olho, meio que a contragosto, para a Parkinson .

- Você olha para a Parkinson da mesma forma que a maioria dos rapazes deste colégio olham para a professora Kneen ?

- Claro que não, eu ... epa, não foi isso o que eu quis dizer, quer dizer ... eu ... eu não olho para a mãe do Yoh, eu ...

- Já entendi, Rony - Hermione resolve cortar aquela linha de raciocínio antes que perdessem o fio da meada .

- Certo, e que negócio é esse do Harry olhar para a Gina como eu ... aham, como alguns rapazes olham para a professora Kneen ?

- Bem, Rony ... a partir de uma certa idade, as moças tendem a se desenvolver, e os rapazes também. Ganham mais corpo, a voz fica mais grossa, nascem certas protuberâncias pelo corpo - ela manda um rápido olhar para baixo, apontando para seus seios, mas Rony acompanha o olhar e fita os seios de Hermione, ficando alguns segundos observando-os - RONY !!!

- Hã ... desculpe - ela colocava o caderno na sua frente - o que dizia ?

- Dizia que isso acontece com todo mundo, sabe . Eu, você ... a Gina ... ela se tornou uma bela moça, por assim dizer ...

- Ainda acho que você ficou melhor - ele literalmente babava quando um pensamento incomum lhe passa pela cabeça .

- Obrigada - ela respondia um pouco vermelha sem olhar para ela - bem, da mesma forma que você está me comendo com os olhos, o mesmo pode acontecer com a Gina.

- Eu não estou te comendo com os olhos, seja lá o que isso signifique .

- Sigifica que você me acha tão linda, que não consegue tirar os olhos de mim, quer me tornar sua a qualquer custo .

- Hã ... o Harry olhou para a minha irmã ... dessa forma ?

- Um monte de vezes . Gina cresceu bastante no último ano, não percebeu ? Está com um busto quase que do meu tamanho, na verdade, acho que daqui há pouco vai ficar maior do que o meu.

- Como eu não percebi isso ?

- Tem coisas que só mulher percebe ... ou então quando não queremos enxergar o que está diante dos nossos próprios olhos .

- Mas ... mas - ele tentava procurar uma saída daquilo - mas o Harry, ele ... não, não é possível ... quer dizer, ele não faria e ... bem, também, depois que o Yoh deu aquelas roupas extra-curtas para ela ...

- Extra-curtas ?

- É, aquelas camisas de trouxa, as calças de trouxa, as bermudas ...

- Rony ... essas são as roupas que eu geralmente uso no dia a dia onde eu moro, na minha rua, quando passeio .

- Jura ?

- Sim . E as bermudas não eram tão curtas assim, você é quem não está acostumado a ver sua irmã daquele jeito . E as camisetas também. Certo, a calça era um pouco apertadinha, mas acho por que sua irmã tem uma cintura menor do que a minha.

- Experimentou as roupas da Gina ... aquelas roupas ?

- Sim .

- Posso passar as férias na sua casa ? - ele perguntava, com um sorriso de um canto ao outro do rosto .

- Ronald Weasley .... vou pensar no seu caso. - Hermione sorriu internamente. - Vem, temos um teste a fazer....

- Você vai fazer ?

- Mais é claro . - Hermione sorriu. - Afinal não sou apenas uma sabe tudo, tive aulas de educação física na escola de trouxa, sabia ?

- Educação Física ?

- Deixa pra lá .

Ambos vão caminhando até o campo de futebol, parando ao observarem um jogo que ocorria .

- Hmm ? - Hermione observava o uniforme dos jogadores - ué, mas ... aquela ali não é a apanhadora da Lufa-Lufa ?

- Sim . Eles tem treino antes do time da Grifinória .

- Então, o que o time da Corvinal está fazendo aqui ? - ele apontava para Ariel, a qual acabara de ser atingida por um balaço e se chocar contra o chão .

- Ué ? Não tinha percebido ... por que estão jogando um contra o outro ?

O jogo não demora muito, de modo que, ao contrário das outras partidas, a mesma se encerra quando um determinado numero de pontos é atingido. Ao longe, Hermione percebia os apanhadores de ambos os times no chão, conversando, até que ambos os times se afastam dali, passando por onde os dois estavam .

- Ei, não era um treino só da Lufa-Lufa ? - Rony se adiantava, perguntando a apanhadora da Lufa-Lufa, Luna Fletcher , uma terceirista de cabelos brancos como pérola e olhos cor de âmbar.

- Sim ... mas volta e meia a gente joga umas partidas extra-oficiais com a Corvinal .

- Por que ? - Hermione torcia o pescoço .

- Treino ... e diversão, claro.

- Mas - ele mal tem tempo de perguntar, pois os jogadores já estavam se afastando. Olhando de lado, ele vê Harry entrando no campo. Sua expressão estava mais "normal", então ele logo deduziu que o amigo estava mais calmo .

- Ei, vocês dois vieram para os testes ?

- Sim - respondiam em uníssono .

- Ótimo ! Estou mesmo precisando de reforços ! que tal ser nosso batedor, Rony ?

- Era essa mesma a posição que eu iria tentar ...

- Beleza ! Estão vindo outros alunos ai, só preciso esperar chegar os outros integrantes do time e ...

- Outros ? Harry, só tem você e a Gina no time !

- Ah, é ! As vezes eu me esqueço do quanto estamos desfalcados ...

Rony e Hermione trocaram um olhar cúmplice que Harry percebeu, mais não o comentou, logo chegou a goleira reserva Anne Timberky, Harry estranhou ela estar ali, a menina se dirigiu a ele.

- Harry , posso fazer o teste para artilheira ?

- Pode sim Anne. - O moreno sorriu, e sorriu mais ainda quando viu uma certa ruiva se aproximando junto com Amanda. - Gina , Amanda ... artilheira ou batedora, Amanda ? - A morena olhou para Gina que apenas deu de ombros.

Em seguida alguns outros alunos chegaram, e Harry resolveu começar.

- Muito bem, gente . para quem não me conhece - que frase idiota , ele pensava . Quem não o conhecia ? - eu sou Harry Potter, capitão do time de Quadribol da Grifinória e apanhador . Esse ano nosso time sofreu um desfalque grave com a perda de cinco jogadores, mas com treino e dedicação, podemos superar isso facilmente . Sei que muitos aqui já jogavam Quadribol antes mesmo de entrar na escola - ela olha para Amanda - então, sei que podemos realizar um bom jogo . Essa é Gina Weasley - ele coloca a mão no ombro dela, mas antes que complete a ação, recebe um tapa na mão sinalizando para se afastar, e Gina nem se preocupou em ser sutil com isso, coisa que for percebia pelos demais ali presentes - a nossa goleira titular . Anne, você já tem uma certa experiência, então por falta de pessoal mesmo, sua nova posição será a de artilheira. Bem, vamos começar. Venham comigo, os que fizerem testes para artilheiros .

- Richard Dion . - Harry olha na ficha.

- Sou eu .

- Hermione, Amanda, Anne ... Simas ...alguém mais ? Não ? Bem, vamos aos treinos.

- Os que farão os testes para batedor venham comigo - Gina os chamava, sendo seguida por outros alunos .

Parada de onde estava, Luna observava os testes . aparentemente o time da Grifinória sofrera um grande desfalque e, com exceção dos irmãos Weasley e de Amanda Wood, os outros não pareciam ter muita experiência - e prática - com Quadribol .

Em seu intimo, ela sorria . Até que era bom não ser famosa, podia assistir ao treino dos outros times sem descobrirem qual era sua casa e dizerem que estavam espionando os outros. Claro que um ou outro a reconheceria, mas na empolgação do treino, quem iria ligar para ela?

- Bem pessoal, obrigado a todos. Vou dizer qual será a escalação desta formação : como batedores, temos Ronald Weasley e Neville Longbotton, como artilheiras, Anne, Amanda e Hermione . A goleira Gina e eu, como apanhador e capitão do time.

Todos se cumprimentaram , Gina estava emburrada , Harry ficou para trás e caminhou ao lado da ruiva que não saia gritando e esperneando por pura educação. Amanda ficava meio próxima a eles para defender a amiga.

- Gina ... Me desculpa. - Disse Harry segurando no braço dela.

- É tarde, Harry. - Gina olhou com nojo para a mão que segurava o braço dela. - Dá para soltar ?

- Me escute ! - O olhar dele demonstra raiva, ódio, ciúmes, paixão. Gina se perdeu por alguns instantes naquele olhar, a quanto tempo ela esperou por aquele olhar ?

- Me solta. - Pediu em um sussurro. - Por favor.

- Não enquanto não me ouvir . - Ela para, virando-se para ele.

- Ok . O que você quer falar ?

- Gina ... me desculpe pela forma que eu te tratei durante todo esse tempo. Eu não queria, eu ... eu fui um cego, nunca percebi quem você era, como você era, a pessoa especial que voce era, ou melhor, sempre foi. Você é uma pessoa incrível, maravilhosa, e eu fui um tonto em nunca ter prestado atenção nisso antes, Gina ... por que você é única, inigualável ! Mesmo que eu atravessasse meio continente, que atravessasse todo o universo atrás de alguém, ainda assim, se não fosse você, não seria a mesma coisa. Seu sorriso único, sua alegria sem par, sua personalidade energética e cativante, como é possível ficar longe de você, do seu sorriso? Sonhei com você essa noite, em meus sonhos você vinha caminhando por um campo florido, enquanto a luz do céus refletia em seus cabelos, iluminando-os ainda mais. Com sua doce e singela personalidade, você sorria para mim, atirando-se em meus braços, me consolando, mostrando-me os meus erros, minhas falhas, apoiando-me em meus momentos mais difíceis, dizendo que por pior que as coisas pudessem estar, se estivéssemos juntos, tudo estaria bem . Virginia Weasley, eu ... eu ... eu te amo !

- Pois eu não - ela respondia friamente, quebrando todo o caminho que ele havia preparado, arrancando aquele músculo que batia no peito do mesmo, amassando-o e jogando em uma lixeira.

- Gina , por favor...

Remo e Sirius se olharam, observando-o sobrinho de longe. Parecia mais o Tiago , realmente Harry havia puxado muito o Pontas. Muito mesmo , até o fascínio por ruivas compromissadas.

- Chega ... Harry, vamos deixar as coisas bem clara por aqui ...somos apenas colegas de casa, e nada mais. Você ser o capitão do time de Quadribol não tem nenhuma influencia sobre mim, e espero que você nem tenha pensado nisso. Eu não tenho um namorado, tenho algo maior e mais forte do que isso, tenho um compromisso. É esse o tipo de coisa que eu procuro, que eu espero de uma pessoa. E estou muito bem do jeito que estou, não que isso seja da sua conta. Portanto, eu quero que me esqueça. Esqueça essa idéia infantil de cavaleiro que salva a princesa, vá jogar seu charme pra cima de outras garotas, não pracima de mim. E eu espero que você seja maduro o suficiente para entender isso, Harry. Não sei o que deu em você para resolver se interessar por mim de uma hora pra outra ... mas eu não quero saber. Quero que você pare agora de me perseguir, e saiba que o beijo de ontem não apenas não significou NADA para mim, como você também beija muito MAL, Potter ! Vamos, Amanda. - Elas saíram andando, deixando um furioso Harry para trás .

- QUE DROGA !!!!!! - Remo e Sirius se olham , definitivamente ele havia puxado ao pai. - NÃO VAI FICAR ASSIM VIRGINIA, NÃO VAI ! MALDITO KNEEN ! POR QUE ESSE SUJEITO NÃO MORRE, TUDO ESTARIA MUITO BEM SE ELE MORRESSE !

***

Na sala de jantar, Rony e Hermione não deixam de perceber o quanto Harry parecia levemente furioso e de poucas palavras .

Na verdade, até Gina resolveu não jantar naquele dia, acabou beliscando algumas guloseimas em seu quarto. Tentou reunir coragem para falar com Yoh, mas não conseguiu .

No salão principal, Amanda tinha que agüentar algumas olhadas fatais de Harry, como se ela fosse a grande culpada e cúmplice ao mesmo templo pelo "chute" que levou.

Que coisa ! Nunca imaginou que o Potter fosse tão ... ciumento ! Chegava a ser pior que sua dor de cotovelo !

- Amanda, cadê a Gina ? - Rony lhe perguntava .

- Ela disse que não estava com apetite, e resolveu não jantar .

- Ela está lá na Corvinal ? - ele perguntava, notando que Yoh não estava no seu lugar de sempre.

- Não ... na verdade , não o vimos a tarde toda . Ele evaporou depois do treino de hoje a tarde.

- Seria melhor que ele sumisse para sempre - sussurrava Harry bem baixo, apesar de Rony ter ouvido e fingido que não ouviu. Mas que diabos estava acontecendo com o amigo ?

***

Enquanto isso ...

- YOH, PARA COM ESSA P**** !!!!!

- ....

- Ele tá certo, isso já encheu !

- ....

- Agora já chega ! - a moça de cabelos loiros arremessa uma almofada no rapaz, o qual se desvia. Quando ele se dá conta, um número enorme de varinhas estavam apontadas para ele, vindo de todos os pontos.

- Ok, ok, vocês venceram, parei com o aquecimento - ele colocava o violino no sofá, estalando os dedos .

- Aquecimento ? Mas que bela merda, isso sim ! - Cassie tentava acalmar o amigo. Não que ele fosse dessa forma, ele até que era bem calminho, mas quando ficava furioso, ninguém segurava sua língua ... - ninguém consegue fazer nada com essa grande M**** de som que você tá produzindo ! - bufava chaz .

- Também não precisa exagerar ... eu só estou relembrando o que eu aprendi, faz tempo que eu não toco isso !

- É, só que eu não estou a fim de ferrar com os meus tímpanos, Yoh !

- Me dá dois, não, um mês, e você vai ver como eu vou estar tocando. Só preciso desenferrujar, e pronto.

- Só que o pessoal da nossa casa não tá a fim de ficar um mês ouvindo esse barulho todo!

- Yoh - Cassie se aproximava, pegando o violino - eu acho super legal esse papo de instrumentista ... mas a gente não consegue estudar com você tocando isso !

- Puxa - ele fazia uma cara de choro - magoei !

- Olha, que tal se - ela coloca a mão na testa, ficando repentinamente zonza. Onde estava ? Não estava mais na torre da Corvinal, longe disso .... estava em um local com bastante espaço, na verdade, com poucas pessoas e ... sim, lá estava ele, seu amigo, Yoh. Estava sentado em uma cama, praticando incessantemente com seu violino. Não estava lá uma maravilha, mas qualquer um perceberia que estava bem melhor do que o que eles estavam ouvindo na torre e, para completar, ele corrigia instantaneamente cada erro cometido. Realmente não estava aprendendo a tocar violino, estava se desenferrujando, isso sim, e pareciam haver duas pessoas ali prestando atenção nele, de forma que vez ou outra, quando ele parava de tocar, alguém dava opinião sobre o que achou, elogiando ou criticando ele. Estava ficando mais nitido, estava conseguindo ver melhor o rosto da pessoa, agora poderia saber quem ela, quando uma mão surgiu na sua frente. Que mão era essa?

- Eí, Cassie ? Tudo bem com você ? - Ele chamava a amiga, a qual estivera quieta durante os últimos segundos.

- Eu ... eu ... GRRRRRR !!!!! CHAZ IRÍDIO JORDAM, EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO !!!!

- Eu, mas ...

- Eu estava vendo ... você não entende ?

- Vendo ? - Yoh se aproxima, curioso - quer dizer ... estava tendo outra daquelas visões ?

- É, isso mesmo, mas ele - ele encostava o dedo no nariz de Chaz, empurrando-o para trás - me interrompeu numa hora muito, mas muito importante, Yoh !

- Vamos , eu estou com fome. - Diz Miranda puxando Carlos, visivelmente desinteressada naquela conversa. - Vocês não iram jantar ?

- Eu vou . - Diz Chaz se levantando , e estendendo a mão a Cassie. - Me acompanha, senhorita ?

- Não vem não, ainda estou braba com você !

- Sabia que você podia dar aula no lugar da professora Sibilia ? Quer dizer, é justamente na matéria que você se dá tão bem, e ainda tem esse seu dom raro ...

- Bom, eu ...

- Cassie, nunca houve ninguém na sua família que tivesse esse dom de prever o futuro ? - perguntava Yoh - geralmente o dom da premonição é muito, mas muito raro, mas se ele se manifesta em uma familia, ele se apresenta de três em três gerações.

- Olha, eu não sei, quer dizer ... meus pais são trouxas, entende ?

- Isso não tem nada a ver com descendência, sabe. Veja o Chaz, por exemplo. Tanto o pai quanto a mãe dele são filhos de bruxos, no entanto os pais de Chaz não são capazes de executar nenhuma magia, pois são abortos. Mas veja só, daí veio o Chaz, um filho de abortos capaz de executar magias. O dom da premonição não escolhe a sua origem, Cassie. Tanto que, apesar de haverem muitas videntes por ai no mundo trouxa dizendo serem capazes de prever o futuro, existe um número extremamente baixo delas que realmente o fazem, em maior ou menor grau.

- Sabe, Yoh, eu ... eu tive uma visão na aula da professora Sibilia, sabe. Eu ... eu vi uma pessoa morrer, mas foi bem rápido, sem muitos detalhes.

- Não foi imaginação sua ?

- Não ! Foi bem rápido, mas eu vi um corpo despencar para a inatividade total !

- Não sabe quem era ?

- Pior que não. Tentei ver depois para tentar identificar, sabe. Mas não vi ninguém, não sei se é homem, ou mulher.

- Bem, isso com o tempo você descobre, certo ?

- Certo. - Cassie a mão de Chaz. - Yoh, pare um pouco e vamos jantar, como diz um ditado trouxa : Saco vazio não para em pé.

- Não estou com fome - ele tornava a tocar o instrumento, quando um grupo de alunos cheios de ouvir aquele som infernal o seguram e literalmente o jogam para fora da Corvinal . - mas posso mudar de idéia ...

Ele bota a mão no bolso, pegando a carta de Crabbe. Ainda não tinha lido a mesma, iria fazer isso mais tarde, antes de dormir .

Mas tinha uma boa idéia do que havia dentro dela. E o pior era que, em um certo assunto em particular, não podia ajudá-lo .

- Vamos, Yoh ?

- Eu ... não sei - respondia ele para Chaz .

- O que foi ? Se machucou ?

- Não, é que ... não me sinto bem, não tenho vontade de descer hoje, acho que ficarei aqui estudando um pouco.

- Mas você tem uma boa média, com o que se preocupa ?

- Sei lá, só não estou com muita disposição para descer. Faz um favor, se a Gina perguntar por mim, avisa que eu não estava me sentindo muito legal e fui dormir cedo .

***

Harry estava mirando o nada , parecia que não havia ninguém a sua volta. Rony e Hermione se olhavam com duvida.

- Harry, come alguma coisa - Rony se aproximava, vendo o prato intocado dele .

- Nãa estou com muita fome - ele continuava olhando para o vazio, ocasionalmente para a mesa, aonde só via Amanda e ninguém mais. Pelo visto, a ruiva realmente estava irritada com ele. Mais do que ele imaginava .

- Está preocupado com a formação do time ? - Hermione, do lado direito dele, perguntava - temos bons jogadores, não se preocupe .

- Nao é isso, só não estou com vontade de comer ...

- Harry, quer nos contar algo ? - Pergunta Rony - Pode contar conosco.

- Não é nada ... apenas algo que aconteceu ... Desculpem-me , mais vou tomar um ar, aqui esta me sufocando.

O moreno sai do salão com uma expressão de "não falem comigo", o tempo estava muito frio, e um certo cão preto o acompanhou.

- Au - o cão latiu e seguiu para o campo de Quadribol, e na mesma hora, Harry resolveu segui-lo .

- O que foi, Sirius ? - Harry perguntava ao chegarem lá .

- O que foi, Harry ? - ele estava parado em meio a algumas arvores, em meio as sombras, já de volta ao seu estado normal. - Você tem estado estranho o dia todo. Sei que tudo tem estado uma correria, mas eu me preocupo com o que acontece com você. Será que a minha experiência pode lhe ser útil de alguma forma ?

- Eu queria que o Kneen sumisse da face da terra. - Sirius olhou assustado para Harry, ele saiu das sombras, estava escuro mesmo, ninguém iria perceber que era ele.

- Por que isso Harry ?

- Por que eu o odeio !- Harry fechava os olhos, e na hora Sirius se sentou, encostando-se na árvore, ato esse imitado pelo afilhado .

- Harry ... eu não sou seu pai. Na verdade, estou longe de ser metade do que Tiago foi, mas me esforço para garantir que você não seja afetado pelos nossos problemas no passado. Eu sempre fui muito briguento, sabe. Vivia arrumando confusão na escola, só não fui expulso por que Dumbledore sempre foi de dar chances para as pessoas - ele olhava para a lua, a mesma brilhava magistralmente naquela noite, iluminando tudo e, apesar de não ser noite de lua cheia, ainda assim ela estava muito, mas muito bonita . - de modo que nunca entendi quando Tiago resolveu fazer amizade comigo. Eu era um brigão, sempre arrumava confusão com os outros, até mesmo com os da minha casa . Meu saco de pancadas favorito era o Arthur Weasley .

- Arthur ? O senhor Arthur, pai do Rony ?

- Esse mesmo. Era alguns anos na minha frente, mas eu não ligava, e como eu era corpulento, só Lilian e Molly para me tirar de cima dele .

- E ... aonde quer chegar ?

- Que eu não chegaria a lugar algum daquele jeito, sem amigos . E Tiago foi um dos melhores amigos que eu já tive. Provavelmente eu teria me aliado de verdade a Voldemort se não fosse por ele. O ódio não nos trás nada de bom, Harry, mas pode nos tirar, isso sim .

- O que você quer que eu faça ? - Harry o encarava, bem mais calmo - que eu seja amigo dele, faça amizade com aquele sujeito ?

- Kneen ... refere-se ao filho da professora Kneen, correto ?

- O próprio .

Sirius observa bem o afilhado . Tinha uma coisa que ele tinha que confirmar .

- Ciúme também não é uma coisa boa, Harry. As vezes as mulheres colocam isso na gente só pra provocar, mas nunca é uma coisa boa. Está chateado por que ele te venceu no Quadribol, não é isso ?

- EU odeio aquele sujeito ! O jeito arrogante dele, achando que sabe de tudo, querendo aparecer para todos ! Primeiro ele tentou comprar a amizade da Mione com um presente, fez amizade com alguns alunos da Grifinória, vive andando com o pessoal da Lufa - Lufa, ele até tem discutido calmamente com o Draco, só pra impressionar o pessoal da Sonserina ! Ficou se exibindo todo na casa da Gina, bancando o professor de Futebol, e ainda bancou o expert em trouxas respondendo as perguntas do senhor Arthur ! E ainda por cima ficou se gabando, dizendo que é minha culpa a minha família ser desconhecida. E teve uma hora na casa do senhor Weasley, quase na hora de irmos embora, em que chamou você de criminoso !

- Mas eu sou um criminoso, Harry - Sirius respondia , tentando não parecer surpreso . Não acreditava que o filho de Tiago fosse tão ... como explicar, por falta de palavras ? Ciumento ... - São anos e anos de história, assim como todo mundo sabe quem você é e o que você fez, todo mundo sabe o que eu "fiz", e que Pedro é um Herói, não importa o quanto digam, essa é a verdade que todos conhecem e acreditam . Não pode culpá-lo por isso, pois pelo que me consta, você mesmo tinha sentimentos obscuros em relação a mim antes de ouvir, junto com Remo, a minha versão da história lembra ? Os seus amigos, eles crescerem aprendendo a temer o nome de Você-sabe-quem, é a mesma coisa, sabe. Pergunte a qualquer um que encontrar o que acha a respeito de Sirius Black e dirão que ele é o servo mais fiel de Você-Sabe-Quem. É duro, mas você não pode culpá-lo quanto a isso. - Harry fica em total silêncio, como se não quisesse dar o braço a torcer . -- Bem, sobre o resto ... por que você não fez isso ?

- Como é ?

- Isso que você ouviu . Andei pela escola ao lado do Remo, percebi que você não conversa com muitas pessoas fora da Grifinória. Na verdade tirando Rony e Hermione, você não conversa muito com outras pessoas . E garotas gostam de ganhar presentes, sabia ? E quem é você para julgá-lo ? Falando nisso ... você tem namorada ?

- Não - ele respondia rispidamente, virando o rosto .

- Desculpe, pensei que fosse a Hermione. Alguma garota em vista ?

- Sim, mas prefiro não comentar sobre isso . O que isso tem a ver com esse assunto ?

- Só queria saber . Já tive sua idade, Harry . E você está com ciúmes. Você acha mesmo que ele é o único aluno que tem vários amigos em todas as casas ?

- E não é ?

- É o único que você conhece . Hogwarts tem mais de mil alunos, não tem como conhecer a todos. A diferença é que ele ficou famoso depois de jogar contra a Sonserina no ano passado. Foi um belo jogo, por sinal .

- Afinal, de que lado você está ?

- Do seu. Mas admito e reconheço as habilidades de uma pessoa. E Arthur sempre foi muito curioso, ele teve foi sorte de encontrar alguém que tivesse paciência para saciar sua curiosidade. Não sei o que ele falou da sua família ... mas até onde eu sei, os Potter sempre foram uma família pequena e recente, Harry. E pelo pouco conhecimento que eu tenho, você é o único representante dela existente. Se foi isso que seu amigo disse, lamento, mas é a mais pura verdade, por mais dura que seja.

- Ele não é meu amigo ! Eu quero que ele suma !

- Tem algo que você não quer me contar ? Eu posso te ajudar no que quiser ou, na medida do possível, me esforçar para te ajudar. Tem algo que você não me contou ? a propósito, agora fiquei curioso . Se ele não é seu amigo, por que ele estava comentando com você que os Potter são uma linhagem pequena ? E por que você fica prestando atenção nele conversando com outros alunos ? E o que ele estava fazendo na casa dos Weasleys ? Ele é amigo de Rony ? De algum outro filho do Arthur ?

- A Gina convidou ele .

- GIna ? Quem é Gina ?

- A caçula Weasley .

- Ah ! É sua amiga ?

- Sim ...

- Então é por isso, ele é amigo dela . Mas por que o ódio ?

- Por que eu ... eu ... EU A AMO, SIRIUS !!!

Sirius apenas não caiu sentado por que estava encostado, seu rosto mudou de cor, e logo começou a rir, rir muito , Harry achou muito estranho, e estava ficando nervoso com o padrinho.

- Ah , Harry , não me mata do coração. Pelo amor de Merlim não, fale besteira...- Disse Sirius se acalmando.

- Por que iria te matar do coração ? - EU A AMO , POR QUE DUVIDA DISSO ?

- Você nunca me falou da existência da caçula Weasley em seu coração.

- Eu percebi tarde demais... Por isso eu quero que o KNEEN SUMA DAS NOSSAS VIDAS !

- Pois - Sirius fez pose. - eu , Remo e alguns outros colegas achávamos que seu pai nunca iria olhar para uma certa ruiva, ela cansou, e começou a namorar um outro garoto que convêm não falar o nome, dai ele ficou com muito ciúme, e percebeu que a amava ... houve uma grande reviravolta Harry, o namorado de sua mãe, escondia um segredo dela ... ela e todos descobriram ... com isso , ela se aproximou novamente de Tiago .... e nasceu você. - Harry abriu a boca mais nada saiu , Sirius sorriu ao ver o jeito do afilhado. - Mais não quer dizer que seja assim com você , afinal você nunca reparou como é a vida dos dois, do garoto Kneen com a menina Weasley, talvez eles saibam todos os segredos um do outro , ou não saibam nem a metade da vida de cada um.

- Como é ? Eu ... eu não acredito nisso ! Você só pode estar brincando !

- Sabe Harry, seu pai percebeu que amava sua mãe , quando viu que a "perdeu" - Sirius frisou o perdeu. - Ele amou a ruiva sim, percebeu que a amava, mas ela já estava namorando outro, mais a vida é cheia de surpresas , ela da reviravoltas assustadoras, e o namorado que Lilian tanto confiava pois achava que ele confiava nela, escondeu desde o começo um segredo que foi capaz de acabar com o namoro deles , Tiago e Lilian se aproximaram e acabaram juntos ... E o resto você deve imaginar. Já que eu estou me repetindo. - Harry olhou para o padinho , Sirius acrescentou. - Mais casos são casos , não quer dizer que o que aconteceu com seu pai, vai acontecer com você ! Pois ele podem ser cúmplices de todos os segredos que os dois possuem , ou podem não saber absolutamente nada da vida de cada um...Tudo eqüivale a confiança que as pessoas tem uma nas outras.

- O Kneen não é um anjo ! - Esbravejou Harry e saiu de perto do padrinho indo em direção ao castelo, mas antes parou e se virou - - Sirius ... quem era o namorado da minha mãe, e o que ele fez para ela ?

- Não sei se devo te contar ... foi ... o ... não vou te contar, prometi a Remo ... vai Harry volte para o castelo.

Harry olhou para o padrinho e saiu dali , mais ele iria descobri quem foi o namorado de sua mãe, mas antes teria que achar um jeito de tirar Gina dos braços do asqueroso do Kneen. Remo se aproximou de Sirius, estivera ali escondido ouvindo boa parte da conversa.

- Acho que estou ficando velho, Remo. Acabei de contar duas vezes a mesma coisa pra ele de forma diferente, devo estar caducando !

- Ou talvez ele precisasse que você explicasse de forma mais simples e menos subjetiva para entender. Meu amigo, fico feliz de não ter contado a ele.

- Como eu poderia fazer isso ? - Sirius fez cara de ofendido.

- Do mesmo jeito que naquela vez no último ano, você falou ao Lúcio que havia dado muito beijos na irmã que ele tanto protegia...

- Foi muito diferente mas, sabe... se eu tivesse fugido com ela ... talvez agora ela não estivesse morta.

- Você ainda a ama, Sirius ?

- Não mais , mas sinto um grande carinho pela pessoa amiga que ela foi para mim , eu sempre soube que ela não merecia um sujeito como eu. - Remo riu junto com o amigo. - Seria bom ver novamente aqueles olhos acinzentados brilhando de felicidade ao falar do futuro...um futuro que o próprio irmão tirou...

- Vamos, almofadinhas ... Falar do passado as vezes é muito ruim ... viver do passado é muito ruim.

- Ruim, Bom, péssimo, alegre ... é o que dirão acerca de nossa época daqui há vinte anos. O presente é onde estamos, aprender com a história, boa ou ruim, nunca é algo a ser descartado.

- As palavras dela. Eu também gostava muito dela, Sirius.

- Eu sei ... mas ... eu remôo muito, sabe .

- Por que ? Por não ter matado Lúcio ?

- Não. Lembra-se quando você foi me visitar em Azkaban, me trazendo a noticia da morte dela pelas mãos do próprio irmão ? Eu simplesmente não acreditei, sabe . Não acreditei, mesmo . Eu passei anos e anos me remoendo em busca de uma única chance para sair dali e arrancar o coração de Lúcio, mas aquele rancor me fazia mal. Ele alimentava os dementadores e me deixava mais fraco. Foram as palavras dela que me garantiram a vida . A vingança era um prato que se comia frio, e estava me fazendo mal antes de ser saboreada . Não que eu ainda não tenha vontade de esganar aquele aristocrata, mas ... deixe estar. Ele vai ter o que merece, pode apostar. Como ela costumava dizer , "a morte não tem pressa. Cedo ou tarde, ela cobra seu tributo, e quando ela bater na sua porta, não tem como escapar". Bom, quanto ao Harry ...

- Deixe o ir, Almofadinhas. - Diz Remo - Deixe ele pensar , você agiu como um pai agora.

- Aluado ... meu afilhado sofreu e ainda sofre pelos erros dos outros...

- Se lembra o que Arabella nos disse ano passado ?

- Lembro. - Sirius soltou um muxoxo. - Para deixarmos ele lidar com tudo sozinho por maior que seja o perigo, para ele não depender dos outros e proteger aqueles que ele ama... e o que isso tem haver ?

- Uma vez alguém me falou que amava uma garota proibida. - Sirius fechou o cenho. - E até chegou a querer fugir com a tal garota, apenas para PROTEGE-LA!

- Sim, eu protegi ela ... E ela agora está o que ? MORTA , MINHA AMIGA ESTÁ MORTA ! A AMIGA QUE EU TANTO AMAVA ESTÁ MORTA...ADIANTOU PROTEGE-LA ? ADIANTOU ? MALFOY MATOU A PROPRIA IRMÃ ! E EU ESTAVA PERDIDO QUANDO ISSO ACONTECEU, EU FUI PROTEGER QUEM EU AMAVA E DEIXEI DE PROTEGER A OUTRA PESSOA QUE AMAVA!

 

Era uma bela noite, a lua prateada refletia e iluminava seus cabelos brancos, os quais pareciam prateados naquela noite . E, mesmo não sendo cheia, a lua ainda era bela, sob todos os pontos de vista.

A mesma apenas observava . Achou curioso ter visto o Potter no campo, ainda mais com um cachorro. Havia adquirido o hábito de ficar deitada nas arquibancadas, admirando-a . Adorava a lua, ser banhada pela sua luz . Não que fosse uma lobisomem, mas ...

aquilo era estranho. Luna observava quando o homem virou gente . Um animago, obviamente. Mas em seguida o professor Remo surgiu. O que teria sido aquilo ?

Bem, isso não era da sua conta.Tinha coisas melhores para fazer, como admirar aquilo, ficar "Sob a Luz da Lua" .

Remo olhou para a lua , era bom quando tomava a poção que Snape fazia. Em verdade ainda não era a noite da transformação, mas olhar para a mesma o deixava sempre um pouco nervoso. Pelo menos podia se sentir normal , Sirius olhou para o amigo de relance e viu uma lágrima descer pelo rosto dele...

- Que foi ?

- Nada ... - Remo limpou as lagrimas. - Pensei em algo idiota...

- Em algo, ou alguém ??? - Um sorriso maroto estava no rosto de Sirius , e Remo acabou sorrindo também.

- Nada demais, velho amigo . Apenas ... memórias .

- Está muito saudoso, meu caro . Não costuma ser assim .

- Também tenho direito aos meus momentos. Todos nós estivemos muito ocupados esse tempo todo - ele olha para a arquibancada, percebendo que eram ... - acho que temos companhia.

- Xiii !!!! - Luna se abaixava, correndo como nunca pelo local. Sirius , em forma de cachorro, queimava o chão de tão rápido que chega se aproxima rapidamente das arquibancadas, mas quando chega lá ...

- Não tem ninguém aqui, amigo .

- Mas ... eu vi uma pessoa aqui ... parecia ser uma garota, uma das minhas alunas, até .

- Bom ... tem um cheiro recente aqui, isso eu posso garantir . - ele falava após voltar a forma humana - Quem acha que poderia ser ?

- Nem imagino ... só espero que não nos cause problemas . . - Sirius olhou para o amigo. - Mais eu acho que não irá causar...

- Vamos embora daqui...

Luna não agüentava mais correr , chegou perto das estufas, e se apoiou na parede esperando a respiração voltar ao normal .

Que corrida ! Deve ter quebrado o recorde de 100 metros com barreira ! Por pouco não fora percebida !

Mas ... aquele era o professor Remo ... e aquele animago ... hmm ... era o cachorro que o acompanhava, apesar da distância, ela viu perfeitamente .

- Eu sempre estou no lugar errado na hora errada. - Ela se sentou no chão. - Mais como o professor soube que eu estava lá ? Estranho ... nossa eu me arrisquei muito ... Até agora minha mãe não me falou como eu consigo fazer isso ... - ela parava para pensar. Poucas pessoas eram capazes de correr daquela forma . - ela se erguia, respirando novamente -bom, deixa pra lá . Amanhã é um longo dia e justo agora deu uma fome ...

- Aonde foi, Luna ? - Um dos alunos perguntava, no salão principal

- Dar uma corrida ... a noite está tão bela ...

- Vai jantar ?

- Claro ! Que fome !!!

Remo entrou no salão , e foi direto para a mesa dos professores, Luna acompanhou ele com o olhar, estava com medo de ter se metido com algo ruim...

Ao seu lado, Sirius transformado latiu bem baixo. O cheiro estava ali, de modo que ele caminha até a mesa da lufa-lufa, fungando Luna .

- Ai ... - ela fingia que não era com ela - totó, vai embora ! Eu tô comendo ! Xô ! Xô ! Senta ! Deita ! Rola ! Finge de morto !

- Tadinho , está com fome ? - Perguntou Gabrielle amiga de Luna. - Tome...

Sirius pegou o que lhe foi oferecido , mais continuou ali, Luna comia mais sentia que a comida não queria descer.

- Err.... vou a biblioteca. - Luna se levantou , e Sirius foi atrás.

Ela nao ligou, continuou caminhando . Pelo caminho, alguns alunos viam a estranha cena da menina sendo perseguida pelo cachorro ... até que, quando ela deu de cara com um corredor totalmente vazio, ela correu . Correu muito .

Sirius só não foi atrás por que estava boquiaberto. Ela ... ela era rápida, muito rápida, mesmo . Tão rápida quanto ele, com a diferença que ele usava suas quatro patas . Quando se dá conta, ela já estava no fim do corredor, parando e virando ele.

Mas que diabos ... quem era aquela garota ? Será que não existiam mais alunos normais na escola, não ?

Luna entrou correndo na torre da Lufa-Lufa, se sentou na primeira poltrona em que topou, seu coração estava quase saindo pela boca.

- Ai meu pai do céu ! Eu não agüento mais correr...

Na verdade, até agüentava. Desde que entrou em uma certa idade, seu corpo começou a apresentar tais mudanças. Claro que ela sempre teve algumas características incomuns, mas certas coisas eram normais.

Como o fato de se erguer no instante seguinte, como se tivesse recuperado seu vigor instantaneamente.

Bom, hora de dormir. Já arrumou problemas demais por uma só noite.

***

Estranho .

Algo estava estranho. Não sabia o motivo, mas sentia isso .

As pessoas estavam se comportando de maneira estranha nos últimos tempos, na verdade. Estavam agindo de maneira diferença de sua personalidade habitual, desde Draco até Hermione. De sua mãe a James.

Mas ele não sabia dizer o que, tampouco como . Talvez pela guerra eminente contra o exército de Voldemort, a qual sua mãe ocasionalmente lhe avisava, talvez pelas mudanças de ultima hora ...

Não sabia, os motivos eram variados e, na maioria das vezes, confusos.

Tão confusos quanto a vassoura e o corvo que um dia surgiram em sua cama . Sua mãe verificou-a por completo, lançou feitiços e contra feitiços na vassoura e em Karasu, mas ... nada.

Totalmente ... limpos. Sem nenhum feitiço além dos que já possuíam.

Dos outros ele não sabia, mas Moranguinho estava muito estranha.

Problemas. Sabia que ela tinha problemas, só não entendia o motivo dela não querer lhe contar.

Ele se ergue. Passou os últimos minutos na cama, olhando a lua pela janela . Ele pega a carta que estava na escrivaninha, e a abre .

"Caro Yoh

Obrigado por escrever . As coisas tem sido difíceis por aqui, conhecer novos alunos, me adaptar e tudo mais.

Infelizmente todos sabem sobre meu pai, a respeito do julgamento de anos atrás, de modo que muitos alunos estão com medo de se relacionar comigo. Mas tudo bem, isso passa. Estou acostumado a solidão, posso suportar isso .

Obrigado por me escrever, de qualquer forma. Não esperava que alguém ai se lembrasse de mim, achei que iria passar como uma mosca varejeira .

E, Yoh ... quero pedir perdão por ter sido tão rude, tão grosseiro contigo da última vez em que nos vimos. Eu estava furioso e queria descarregar minha raiva em alguém, e acabou sendo você, justo a pessoa que me julgou por quem eu era, e não pelas pessoas com as quais eu andava.

Não sei se um dia poderá me perdoar - e sinceramente, nem espero por isso - mas quero dizer que estou profundamente arrependido - se o pessoal da Sonserina chegar a ler isso, vão achar que estou amolecendo - de ter sido tão rude com você . Eu nunca disse isso, mas você foi um dos únicos amigos verdadeiros que eu tive.

Na verdade, acho que o primeiro que eu tive. Espero poder ter outros por aqui. Sei que muitos estão com medo de mim, mas tenho a chance de mostrar aqui que sou diferente do meu pai.

Diga a Amanda que eu sinto muito por tudo o que fiz, por todo o sofrimento que eu lhe causei. Não foi minha intenção ... pensando bem, foi sim . Eu sabia no que a estava metendo, e segui adiante. Você deve estar se perguntando como eu a conheci. Ela sempre esteve diante de mim, mas um dia eu a vi com olhos diferentes. Estava mais bonita, mais amadurecida ... me senti cativado pela simpatia dela, pelo seu jeito simples de ser. Não resisti, tinha que tentar . Nos encontramos algumas vezes antes de começarmos a namorar firmemente - quem eu enganando ? Aquilo nunca foi namoro. Namoro foi, digo, é o de você e o da Weasley, perdão, Gina - mas eu a magoei. Por que eu tive medo. Medo do Draco. Mas o meu maior medo nem eu sei definir . Não sei te dizer se era medo do meu pai ser mais duro comigo, ou do pai do Draco ordenar que ele e, por conseqüência eu, fizéssemos algo com ela. Sei que não tenho como me desculpar com a mesma, que o que eu fiz foi imperdoável, mas não há nada que eu possa fazer agora, a não ser lamentar e conviver com isso. Só peço desculpas a ela, por ter dado a mesma falsas esperanças de uma coisa que eu não pude manter.

 

Um abraço do seu amigo - não sei se você ainda me considera um amigo ou algum dia chegou a considerar, mas eu o considero - Crabbe"

Yoh termina de ler a carta, balançando levemente a cabeça. No fim Crabbe finalmente o ouviu, mas demorou tanto que o estrago foi enorme.

Era hora de escrever uma carta de volta para ele. Felizmente Karasu voava bem mais rápido à noite, de modo que Crabbe estaria recebendo esta carta na parte da manhã .

Mas, antes ...havia uma coisinha que ele tinha que fazer, ou melhor ... PRECISAVA fazer.

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