Tamoyo´s Journey 


Hadrian Marius
babell@ieg.com.br

        Capítulo VI :  " A PRIMEIRA BATALHA" 


   
  
     .Judith levantou os olhos como se pudesse visualizar o que ocorria no espaço. Pensava em André. 

      Preocupava-se com ele. 
 

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     "Impacto em 5 minutos" 

     "Todas as baterias de defesa, disparar". 

     Ao comando do capitão as baterias de defesa antiaérea do encouraçado entraram em ação criando uma barreira de disparos tornando praticamente impossível à passagem dos torpedos. A detonação dos mesmos iluminou brevemente a ponte de comando fazendo a tripulação prender a respiração por segundos. 

     "Naves inimigas avançando: 1 minuto para alcance efetivo de disparo", Lisa quase grita relembrando-os de que o perigo não tinha passado. De fato as três naves tinham aproveitado a distração causada pelos torpedos e avançado rapidamente, tentando alcançar uma posição que lhes permitisse efetuar disparos precisos contra a belonave terrestre. 

     "Preparar para disparar. Alvo: espaçonaves inimigas", as palavras de André foram sufocadas pela coluna de energia, que passou por sobre o corpo principal da nave, reluzindo sobre o metal azulado. 

     "Primeiro destróier disparou, senhor", o aviso da oficial de radar veio apenas confirmar o óbvio. O disparo tinha passado perto e aquele era apenas para calibrar. 

     André voltou-se para Rodrigues. 

     "Alças de miras abertas: distancia, 10.000 km. 10 graus negativos, dois graus positivos: pronto para disparar senhor". 

     "Fogo!!". 

     Os seis canhões do encouraçado terrestre troaram e colunas de luz riscaram o espaço tendo como alvo o destróier Polar que foi atingido por quatro delas, mais do que suficiente para romper sua fraca blindagem, no meio de uma manobra fazendo-o se tornar uma imensa bola de fogo e aço retorcido iluminando a noite estelar. 
  

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     "Tenente?", o sargento passou seu binóculo para Depardieu que o pegou enquanto lhe era apontada uma região no céu. O sol começava a se esconder no horizonte e isso lhes permitia ver, mesmo que muito fraco, o que acontecia na órbita logo acima. Depardieu ajustou o foco a tempo de ver a destruição do destróier. 

     "Parece-me que as coisas não estão nada boas lá em cima tenente". 

     "O que faremos se eles...". 

     "Faremos o que se espera de nós sargento" 

     "Os fuzileiros sempre estão prontos tenente" 

     "Eu sei sargento. Eu sei". 
  

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     Quase que imediatamente a destruição da primeira nave o segundo destróier abriu fogo, mas seus disparos apenas resvalaram na nave terrestre sem trazer perigo real. André sabia que aqueles disparos não tinham oferecido perigo naquela hora, mas os próximos disparos seriam certeiros, com esta perspectiva os canhões do Tamoyo voltaram a cuspir sua carga mortal que, ao contrario de seus inimigos, acertou o destróier entre a popa e a superestrutura transformando-o em uma estrela de fogo, que logo se extingue. O sistema de mira da nave terrestre provava mais uma vez ser superior ao sistema dos inimigos, dando-lhe uma obvia vantagem na batalha. Uma vantagem que aparentemente também tinha sido notada pelo capitão do cruzador restante. 

     "Perdemos a terceira nave senhor", Lisa avisa. 

     "Não se preocupe tenente ele ainda esta aqui", André falava sem tirar os olhos dos restos da nave inimiga que fumegava. 

     "Vamos avançar Camalani". 

     Camalani movimentou o timão e a belonave começou a se mover na direção dos destroços. A medida em que se aproximavam a tensão ia tomando conta da tripulação porque todos anteviam as conseqüências daquele tipo de ordem. 

  
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     Nanako não sabia o que se passava na ponte, mas sua intuição lhe dizia que as coisas não iam nada bem. Estava de pé próximo a um dos leitos da enfermaria e podia sentir a tensão que se figurava nos rostos de cada um de seus companheiros. Seus olhares assustados. Olhares que se interrogavam com o porque de estarem ali, numa nave de combate a anos-luz de casa onde poderiam perecer. Ela os entendia, afinal não eram militares, estavam ali apenas porque queriam uma carta de referencias da Força de Defesa: algo que valia muito no mercado profissional. Também sentia estas duvidas dentro de si, mas tudo era nublado pela imagem de Marco, que lhe vinha à mente fazendo com que seu corpo fosse percorrido por um arrepio. Temia por ele. Tocou de leve na fuselagem e sentiu um tremor correr o casco. Um tremor diferente daquele que sentira antes quando os canhões dispararam. A nave estava se deslocando, concluiu, uma conclusão que a deixou apreensiva. Dentro de si algo lhe dizia que aquilo não havia acabado. 
  

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     "Nave inimiga avistada a 12.000 km e avançando senhor", Lisa quase grita quando o sinal luminoso começa a piscar na tela do radar. 
  
     "Mantenha-se no curso Camalani", foi a única ordem de André que permanecia com os olhos fixos num ponto do espaço como se pudesse ver a astronave inimiga avançando. 

     As duas belonaves avançavam uma em direção a outra em duas rotas paralelas que num momento se cruzariam e... Neste momento tudo se resolveria e a batalha teria seu vencedor. Todos estavam cientes desta verdade fazendo a tensão aumentar em todos, não apenas a bordo da nave terrestre, mas também na nave Polar onde o capitão, com aquela manobra, tentava sua ultima cartada. 

  
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     Era incrível como a estática do radio aumentava em momentos como aquele, pensava Julia, sentada em seu posto ela procurava manter sua atenção voltada para o equipamento. Tentava disfarçar seu medo. Não que ela fosse covarde porque desde o primeiro dia na Academia sabia que ser militar era estar sempre preparado para a morte. Lembrou-se de Marco que corria mais perigo do que ela porque a qualquer hora o capitão poderia voltar-se para ela e lhe ordenar que o enviasse para a morte. Aquela era sua primeira batalha e poderia ser a ultima. Levou a mão ao coração quando pensou que poderia perde-lo naquele dia. 
  

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     As duas belonaves avançavam. 

     "Nave inimiga há 8.000 km, 45 graus bombordo". 

     Ambas já estavam no alcance de suas armas, mas não disparavam. Seus capitães ficavam impassíveis enquanto as tripulações já divisavam as silhuetas de uma e outra. 

     Continuavam avançando. 

     "5.500 km, 10 graus bombordo!". 

     Dentro de segundos as duas belonaves se emparelhariam e a sorte estaria lançada. André divisou a superestrutura do cruzador Polar sabendo que o capitão inimigo também tinha a mesma visão. 

     O momento havia chegado. 

     "5.000 km, zero graus bombordo", o anuncio de Lisa foi engolido pelo comando de André. Um comando que fez os canhões do Tamoyo rugirem. Um rugido que se misturou ao do cruzador criando uma verdadeira ponte de luz destruidora entre as duas belonaves. Seus cascos eram atingidos pela fúria do plasma. 

     O encouraçado tremia como se fosse partir com os impactos e André temeu por um instante que isto fosse realmente acontecer. 
  

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     Marco tinha entrado naquela batalha confiante na superioridade da belonave terrestre, mas quando os impactos começaram a fazer o casco gemer, como se fosse um cão sendo chutado, percebeu que sua vida estava por um fio. Sua apreensão aumentou quando um dos caças se desprendeu da prateleira de onde estava e despencou em direção ao piso atingindo vários tripulantes no impacto e instaurando o caos no hangar. As ordens vinham de todos os lados, assim como os pedidos de ajuda, e ele se viu envolvido naquele caos onde nada importava apenas o compromisso de ajudar o companheiro. 
  

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     Aquela troca de disparos durou apenas alguns segundos e ambas as naves continuaram avançando. André ordenou que a belonave manobrasse em 50 graus e aguardasse. Os calibres do armamento do cruzador Polar não tinham sido suficiente para causar sérios danos ao encouraçado terrestre como ele tinha deduzido anteriormente. Agora enquanto comunicados chegavam de todas as seções relatando os danos, dentre os quais o mais sério era o evento ocorrido no hangar, permanecia imóvel observando a tela que focalizava o cruzador se distanciando. 

     "Será que ele iria dar a volta? Será que o Tamoyo aquentaria mais uma passada?" Estas duvidas ainda estavam sendo formadas quando a belonave inimiga parou, havia avançado apenas alguns quilômetros, e seu casco romper-se, de dentro para fora, criando uma bola de chamas e destroços envolvidos na fumaça. 

      O tamanho reduzido do cruzador o expôs durante mais tempo aos disparos das baterias principais do encouraçado, e estes fatos somados ao grosso calibre das mesmas, tinham sido fatais. Era esta a vantagem que André tinha considerado antes de aceitar aquele jogo. Uma jogada perigosa, admite-se, mas vencida pela nave da Terra. 
  

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     "Como estão as coisas?", Judith se aproximou de Depardieu que, ao lado do sargento, continuava observando o céu. 

     "Acabou" 

     Depardieu devolveu o binóculo para o sargento e voltou-se para a Doutora. Judith estava visivelmente aflita, seus olhos revelavam isso. 

     "Nós vencemos", a tenente sorriu. Um sorriso que tinha a intenção de trazer alivio ao coração da Doutora, que sorriu de volta. Um sorriso apenas aparente porque seu coração apenas seria aliviado quando ouvisse a voz de André e pudesse tocar seu corpo. Seus olhos ansiosos mais uma vez procuraram o céu.