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Hadrian Marius
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" Corpo planetário a frente capitão", Camalani anuncia ao avistar a esfera azul -esverdeada. "Ótimo. Inicie procedimento de aproximação e estabeleça uma orbita geo-estacionaria com o equador tenente" "Sim senhor", O navegador apressou-se em cumprir as ordens de seu capitão. "Será que teremos mais sorte com este Doutora ?", André dirige-se a doutora a seu lado enquanto observa o planeta crescendo na tela principal do encouraçado. "Quatro costuma ser um numero de sorte Capitão", foi a resposta otimista da doutora. André apenas sorriu e voltou sua atenção para as manobras que o navegador iniciava conforme tinha ordenado. Queria ser otimista como a Doutora mas como aconteceu com os outros três planetas anteriores que tinham visitado, desde que tinham deixado o sistema solar, este também lhe passava uma sensação de desesperança. ************** Julia observava o planeta, um gigante azul-esverdeado, a partir do observatório quando foi surpreendida pela chegada de Nanako. "Bonito, você não acha?" "A Terra ainda ganha" "Você não deveria estar na ponte, Julia?" "Talvez... mas troquei meu turno com minha assistente", e após uma pausa, "Onde esta Marco? Vocês sempre estão juntos." "Também não é assim", Nanako tentou desconversar e Julia notando o embaraço dela procurou levar a conversa para coisas mais genéricas. Julia conhecia Nanako desde o embarque ou seja antes de conhecer Marco e ao vê-los juntos nos dias seguintes achou que eram namorados suposição esta desfeita por Lisa. Eram amigos de infância, tinha dito. A constatação do fato deixou-a visivelmente aliviada. Agora olhando a face de Nanako, que comentava sobre como um fuzileiro poderia ter tanto medo de injeção, sentia que algo havia ocorrido entre ambos e a prova eram seus olhos que brilhavam sempre que ouvia o nome dele. Uma alegria que logo era substituída por uma melancolia que incomodava Julia. **************** "Até quando vai dormir Marco?", Lamertz pergunta, vestindo o uniforme, e recebe como resposta apenas o movimento do amigo sobre a cama que vira-se para o lado. Lamertz sabia que o amigo estava cansado, tinha ficado de plantão durante praticamente 24 horas e por isso resolveu sair, "Veja se não dorme o dia todo bela adormecida". Marco abriu os olhos vagarosamente, fazia algum tempo que estava acordado mas seu corpo ainda o mantinha na cama. Não entendia o porque daqueles plantões. Devemos manter a disciplina, teria dito o capitão. Após a calmaria sempre vem a tempestade, emendaria a Tenente Depardieu. "Mesmo assim acho isso inútil", resmungou sentando-se na cama. Tudo o que tinham feito nas ultimas semanas era uma reversão atras da outra e pequenas paradas e pedaços de rocha flutuando no nada. Não conseguia entender o que se passava pela cabeça dos cientistas que sempre ao avistarem um planeta ficavam alvoroçados mas logo se cansavam e o mais rapidamente possível partiam para o próximo. "Qualquer dia destes perguntarei para Julia", lembrou-se que ela também parecia ansiosa sempre que orbitavam um planeta, "Estes oficiais são todos estranhos" De qualquer forma não pretendia passar todo aquele dia dormindo preferia comer algo e depois caminhar um pouco, com sorte encontraria alguém com quem conversar por isso levantou-se e conferiu o relógio: 10: 21, teria ainda cinco horas de tempo livre. **************** André entrou na ala cientifica do Tamoyo, parecia ansioso, perguntou pela doutora e foi informado de que ela estava no laboratório de bioquímica pra onde se dirigiu, acompanhado por um técnico. Faziam oito horas que estavam orbitando o planeta enquanto uma sonda fazia uma varredura planetária. Agora esta sonda tinha retornado e André estava ali para saber os primeiros resultados. "Foi bom ter vindo Capitão", a doutora o cumprimentou assim que entrou na sala. "Quais são os resultados", perguntou quase não conseguindo esconder a ansiedade. Judith achou graça naquela ansiedade quase infantil do capitão mas achou conveniente não comentar nada. Não naquela hora, naquele lugar, talvez mais tarde. "Os melhores que já tivemos", respondeu se aproximando de um visor, "A distribuição de gases na atmosfera se aproxima da encontrada na Terra... só uma taxa maior de oxigênio..." "Isto será um impecilho?" "De modo algum", respondeu aparentemente contrariada por ter sido interrompida, "... e, como estava dizendo, a gravidade também aparenta ser levemente maior mas nada que não possamos nos acostumar". "Isto é bom" "Mas não comemore ainda. Estes são apenas os dados preliminares coletados pela sonda não sabemos nada sobre a composição do solo e de suas águas apesar de que a presença de vegetação ser um bom sinal mas o que mais me intriga são...", e após um comando as fotografias anteriores foram substituídas por outras que apresentavam uma monstruosa teia de aranha desenhada na superfície planetária, " ... estas fotos". "Você crê que há alguém vivendo lá embaixo?". "Nossos dados preliminares não detectaram nenhum traço de civilização tecnológica é tudo que posso dizer até agora pois levaremos mais cinco horas para analisarmos todos os dados coletados pela sonda e mesmo assim só teremos certeza após uma descida no planeta" "Faça o que for necessário Judith", sorriu, surpreendendo-a, " Se for seguro autorizarei um pouso no planeta". Após a saída do capitão, Judith começou a ponderar: André tinha sorrido, algo raro desde a academia; chamou-a pelo primeiro nome, poucas vezes tinha feito isso e nunca na presença da tripulação. Um sorriso assou-lhe a face ao pensar nas possibilidades daquele aparente degelo do capitão em relação a ela. **************** Marco dirigia-se ao hangar quando avistou Julia, no mesmo corredor, e após observa-la, da cabeça aos pés por alguns segundos, procurou alcança-la: "Boa Tarde Tenente Wan-li", cumprimentou ao se aproximar "Marco?!", Julia respondeu parecendo assustada. "Encerrando o expediente?" "Pelo contrário, vou inicia-lo e você? Ele respondeu com um expressivo idem continuando ao lado dela e iniciando uma conversa que logo se transformou num monologo. Gostava de estar com Julia, tanto quanto com Nanako. Seu entusiasmo era tanto que nem percebia que apenas ele falava enquanto sua interlocutora apenas sorria. "Que chato que eu sou, não deixo você falar, desculpe", finalmente percebeu. "Não tenho nada para dizer mesmo, além do que gosto de ouvi-lo falar" Marco surpreendeu-se com a frase de Julia que sorriu despedindo-se. Durante alguns minutos ficou ponderando sobre a cena antes de retomar seu caminho. "A tenente me esfola se me atrasar para os exercícios" **************** Depardieu estava observando as checagens finais num grupo de astro-caças quando veio-lhe a noticia de que o capitão Khalil queria vê-la. "Estou aqui senhor", anunciou ao entrar. "Tenho uma missão para você tenente: O Capitão ordenou que preparemos um grupo de desembarque", Khalil disse, sentado, sem olha-la diretamente. "Se é apenas isso irei me retirar senhor", se despediu, constrangida, após alguns minutos. Tinha permanecido em sua frente até aquele momento esperando mais instruções mais estava sendo ignorada por Khalil. "Espere" A voz de comando fe-la parar e virar-se e qual não foi seu espanto ao notar que Khalil tinha saído de traz da escrivaninha e agora estava a sua frente. "A quanto tempo estamos juntos tenente?" "A quase dois anos senhor", surpreendeu-se com a pergunta. "Não falo do tempo em que estamos servindo Brenda", ele havia se aproximado dela e essa proximidade a deixou tensa senão insegura. "F...faremos um ano amanhã", sentia o arfar do peito do capitão e quase podia tocar a tensão que se formava em torno dele. "Tanto tempo e nunca consegui demonstrar meus sentimentos. Desculpe se a magoei" Ela queria abraça-lo mas tinha medo. "Não quero consertar com isto mas...", abriu a mão revelando uma caixinha preta que Depardieu pegou, relutantemente, e após abri-la seu interior revelou um anel. Depardieu estremeceu. Aquilo era o que ela pensava? Vendo como sua subordinada relutava o próprio capitão pegou o anel e segurando-lhe a mão direita colocou-o no anular. "Quando tudo isto acabar nos casaremos e ai, espero, faze-la verdadeiramente feliz" Sem conter-se Depardieu jogou-se nos braços do capitão. Não lhe importava se estavam em serviço. Que estavam na sala dele e que alguém pudesse vê-los. Não ligava, estava feliz e isso era tudo que importava. Seus lábios procuraram ansiosamente os de Khalil. **************** Fazia algum tempo que Nanako tinha voltado ao centro medico e agora estava concentrada na tela de um computador observando uma simulação de infecção. Sua mente, apesar da aparente seriedade com que executava a tarefa, insistia em rememorar a cena que testemunhara: Vinha por um dos corredores, após rápida passagem pela ala cientifica, quando avistou Marco e Julia, que caminhavam lado a lado. Notando a presença dos dois resolveu apressar o passo mas algo, em seu interior, a impediu. Durante algum tempo ficou observando-os, já que aparentemente não tinham notado sua presença. Agora, de volta a enfermaria, não conseguia entender o que a levou evitar seus amigos. Será que o aparente entrosamento do casal a incomodara? Tinha percebido que Julia carregava certo sentimento por seu amigo desde que os viu juntos pela primeira vez, o brilho nos olhos da garota indicavam isso. Será que ele também tinha percebido? Marco parecia feliz quando estava com Julia e isto fazia doer-lhe o coração porque sabia que o tipo de felicidade que ele sentia ao estar com a operadora de comunicações era diferente daquela que sentia quando estava com ela. "Até quando vai continuar com isso,
menina", repreendeu-se ao levantar os olhos para a escotilha e vislumbrar
o globo azul-esverdeado.
***************** "Aqui é Cosmo Hound 01 pronto para partir", Depardieu anuncia pelo comunicador após a checagem dos instrumentos. "Ciente", ouve em seguida. Movimentando levemente o manche para frente, Depardieu faz o shuttle deslizar suavemente, em direção a saída do hangar, ganhando rapidamente a escuridão espacial. Acima de sua cabeça o casco azulado do Tamoyo ainda lhe faz sombra mas abaixo só ha a atmosfera planetária, mais uma vez ela movimenta o manche e o veiculo inicia sua pequena jornada em direção ao planeta verde azulado. "Aqui é Condor 04, estamos com você comandante", a noticia chega via radio no mesmo momento em que 4 Cosmo Tigers se emparelham ao Shuttle, iniciando uma escolta que durará até o momento do pouso. " Dois minutos para alcançarmos a atmosfera comandante", o co-piloto informa. "Apertem seus cintos senhoras e senhores e
aproveitem a viagem"
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