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Hadrian Marius
babell@ieg.com.br Capítulo III: " OS ULTIMOS INSTANTES NO SISTEMA SOLAR"
André abriu os olhos, para fecha-los logo em seguida, quando foram feridos pela luz. Abriu-os novamente e pode observar que estava no centro medico do Tamoyo. "Que bom que acordou André", disse a doutora Lancaster, ao lado da cama. "Como vim parar aqui?", perguntou tentando-se levantar. "Você não deve se levantar", a doutora protestou. "Tenho uma nave para comandar, Judith". "Eu tenho que zelar pela saúde do comandante desta mesma nave", disse, neste momento o Doutor Vasquez, que entrava pela porta, "Agora deite-se novamente e deixe que o Yamada cuide de tudo. É uma ordem soldado". "Mas ainda não responderam minha pergunta...",perguntou novamente enquanto se deitava outra vez. Afinal o medico da nave tinha lhe dado uma ordem. "Você desmaiou na ponte e foi trazido para cá...", começou a doutora. "... mas não é nada grave. Foi só uma perda momentânea dos sentidos por causa do choque que sentiu quando bateu com as costas na parede do corredor", completou o doutor. "Então se não foi nada porque me segura aqui, sabendo que eu deveria estar cuidando dos reparos da nave". "Vai com calma, você deve permanecer de repouso por enquanto. Alem disso o Yamada esta cuidando de tudo", complementou a doutora, tentando tranquiliza-lo, "Agora tente dormir mais um pouco". "Mas como os reparos est...?". "Chega de perguntas", disse a doutora, saindo
do quarto e deixando André sozinho. André confiava
nas capacidades de seu imediato mas não gostava de ficar deitado
num leito de hospital justo no momento em que era necessário. E
com esse pensamento adormeceu ajudado pelos sedativos ministrados pelo
doutor Vasquez.
**************** Marco estava observando os anéis de Saturno a partir do observatório, sempre tinha sonhado em conhecer Saturno. O local onde havia acontecida a maior batalha entre as forças da Terra e a frota principal dos cometinos, local onde seu pai havia perecido, mas agora ao observar os anéis a única sensação que lhe acometia era a de nostalgia e o único pensamento que lhe veio a mente foi relacionado a primeiro-tenente Brenda Depardieu, líder de seu esquadrão. "Porque fui atrair a implicância de uma oficial como a tenente", pensou, sem entender o porque da aparente antipatia que a tenente tinha por ele. Antipatia esta que vinha desde que foi designado para o esquadrão, "Parece que a mulher me odiou desde a primeira vez que me viu". " É uma bela vista não?", ecoou atras de si uma voz, interrompendo seus pensamentos, e fazendo-o virar. "Porque você não esta lá fora com seu caça? Não era esse seu maior sonho?", perguntou novamente a sorridente jovem de cabelos curtos, a sua frente. "Na...Nanako Fujikawa?", murmurou incrédulo. "Espero que não tenha se esquecido de mim", disse se aproximando e olhando-o fixamente, seus olhos traziam um certo ar maroto ,quase infantil. Marco não tinha esquecido, como poderia, pois a conhecia desde o jardim da infância e tinham se separado apenas ha três anos quando ele foi para a Academia. "Como eu poderia esquecer de minha loirinha magrela preferida", disse alisando-lhe, carinhosamente, o cabelo loiro, "Mas o que diabos você faz abordo de uma nave de guerra menina?". "Quando terminei o curso de enfermagem me ofereceram a oportunidade de servir a bordo de uma nave da EDF e, estas coisas sempre são boas para o curriculun, então aqui estou. Foi uma grata surpresa ver seu nome na lista de tripulantes. Estava com saudades". "Eu também", respondeu alisando novamente o cabelo dela, "Eu tentei entrar em contato mas soube que sua família tinha se mudado para São Paulo e eu nem soube por onde começar...". "É uma longa história, qualquer dia eu conto para você. Tá bom?", disse ela, interrompendo-o, seus olhos ao invés do costumeiro ar maroto refletiam tristeza e uma expressão de suplica que Marco interpretou que não deveria tocar mais naquele assunto. "Bom! O importante é que voc...", começou a dizer tentando quebrar o silencio que começava a se instaurar entre os dois, mais foi interrompido pelo som de um bip. "Parece que meu fã esta me chamando", comentou ela, desligando o pequeno aparelho que trazia a cintura, seus olhos refletiam novamente expressão despreocupada de sempre. "O capitão? Como esta ele?". "Ótimo! Aquilo não foi nada e
agora ele esta apenas descansando", respondeu olhando novamente para o
bip," Devo ir agora. Tchau! A gente se vê novamente outra hora",
com essa frase Nanako se afastou dele, indo na direção da
enfermaria. Marco ficou observando e começou a refletir sobre o
quanto aquela mulher era diferente de sua amiga de infância. Marco
percebeu que ela não tinha apenas se tornado uma bela mulher, e
todos naquele corredor pareciam concordar com isso, mas sua
alma também havia mudado.
***************** "Ai! Isso dói!", Julia resmungou após ter caído da cama, mas ao invés de se levantar apenas virou-se e começou a contemplar o teto e um sorriso maroto tomou conta de seus lábios quando sua mente foi tomada pela lembrança do sonho que tivera, o motivo pelo qual tinha caído da cama, e nele estava o jovem piloto que conhecera no refeitório, um rapaz nada feio, tinha admitido, mas nada que justificasse o sonho que acabava de ter- "Você esta realmente necessitada menina"- pensou, enquanto uma leve friagem tomava-lhe o baixo-ventre causando-lhe novo rubor. "Atenção! Todo o pessoal deve se apresentar aos seus postos para iniciar ultima checagem", anunciou o alto falante da nave tirando um resmungo incompreensível dos lábios de Julia que sentou-se e apoiando-se na cama começou a procurar com os olhos seu uniforme, que foi encontrado sobre a pequena mesa, que lhe servia de escrivaninha. Por fim levantou-se e trocou-se rapidamente. "E ai dorminhoca. dormiu bem?!", perguntou Lisa, que estava passando, assim que ela abriu a porta. "Como sempre", mentiu.
***************** As doze horas necessárias para se efetuar os reparos tinham passado rapidamente e o tenente-capitão Július Yamada encontrava-se na ponte atento as ultimas checagens, principalmente em relação ao sistema de armas, sentia que havia falhado com seu capitão, no episódio dos mísseis, e não pretendia repetir o erro novamente. "Iniciando mais uma seqüência comandante", Rodrigues anunciou, para um atento Yamada que acompanhava, por sobre os ombros de oficial de armas, as leituras no painel, " Todas as baterias principais coordenadas; bombordo, doze graus negativos, dois graus positivo, remuniciar e aguardar". Neste momento, quem olhasse para a belonave da defesa da Terra veria suas quatro torres, de canhões de shock, se movendo com precisão assimétrica. "Excelente. Meus parabéns tenente", disse, Yamada, após checar no painel o tempo de reação das baterias. "Obrigado senhor", agradeceu, realmente lisonjeado, Rodrigues. "Realmente muito bom", ecoou atras deles a conhecida voz do capitão, que sem ser notado por ambos tinha entrado na ponte, acompanhado da doutora Lancaster, se alojando em seu lugar. Ambos se levantaram e rapidamente saudaram o capitão com uma continência. "A vontade. Como estão as checagens Yamada?", perguntou. "Encerradas senhor. Podemos partir a qualquer momento". "Comunicação chegando da Terra senhor", Julia anunciou. "Leia", foi a resposta do capitão, fazendo com que Julia levantasse de seu lugar e começasse a ler a mensagem. "Do Alto Comando das Forças de Defesa da Terra para o EDF Tamoyo. As quinze horas de hoje, horário Greenwich, os EDF Arizona e EDF Prince of Wales partiram com destino ao centro da galáxia. Isto é tudo", concluiu. "Comunique-lhes de que também estamos partindo". "Sim senhor" respondeu sentando-se novamente. "Poderemos fazer uma reversão quando atingirmos a Seção 9 do espaço de Saturno senhor", Yamada informou após observar os instrumentos de navegação com o piloto. "Excelente. Leve-nos para lá Camalani".
***************** "A doutora parece se preocupar muito com o capitão", Nanako comentou assim que o capitão deixou a ala medica acompanhado da doutora Lancaster. "Eu ouvi dizer que eles já foram am...", a outra enfermeira começou a dizer mas parou quando o doutor Vasquez, oficial-médico, entrou. Nanako retornou a seus afazeres, sabia que mais tarde assim que tivessem um momento livre sua companheira a colocaria por dentro de todo o assunto envolvendo o capitão e a doutora. Tentava se concentrar nos exames que estava fazendo mas era tudo em vão pois sua mente sempre fazia-lhe relembrar o encontro que tivera com Marco. Ela o tinha procurado, era verdade, assim que viu seu nome na lista de tripulantes mas agora não sabia se tinha agido certo. O impulso a fez procura-lo mas agora tinha medo de que velhas feridas, que achava estarem fechadas, voltassem a se abrir. Balançou a cabeça como que tentando afastar os pensamentos doloridos que lhe vinham. "Este sangue esta apresentando excesso de glicose",
murmurou tentando se concentrar.
***************** A tenente-aviadora Brenda Depardieu observava, através de uma escotilha do hangar, o planeta Saturno se distanciando quando um leve tremor sacudiu o casco da espaçonave quando os retrofoguetes foram acionados fazendo-a parar. "Atenção. Toda a tripulação preparar para reversão", o sistema de som anunciou. Depardieu olhou para os lados notando a agitação dos tripulantes. Uma reversão não era uma das melhores experiências que uma pessoa poderia passar. "Preparar para reversão em: cinco, quatro, três, dois, um. Reversão". Depardieu apoiou-se na asa de um Cosmo Tiger, no momento em que tudo a sua volta começou a se distorcer e ela se sentiu flutuando num vazio multicolorido. "Droga. Sempre fico enjoada".
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