TAMOYO`S JOURNEY


Hadrian Marius
admarius@ig.com.br

 CAPITULO XXIV:  LÁGRIMAS DE DOR E ALEGRIA




"Nanako!!?", Julia se assustou ao ver Nanako ser engolfada por uma crise de tosse. Nunca tinha visto tal coisa; a moça escorava-se na parede do banho enquanto seu corpo parecia entrar em convulsão a cada tosse. O acesso durou poucos segundos que pareceram durar horas para a operadora de rádio.

 Poucos segundos atrás Julia estava feliz por ter se acertado com a enfermeira, em relação a Marco. Até aproveitara para fazer uma brincadeira maliciosa que fez a face da outra ruborizar. Mas, agora, à alegria tinha sido substituída pela preocupação. 

 "Ta tudo bem", Nanako procurou tranqüiliza-la, com um sorriso amarelo, "Já passou".

 "Não ta nada bem Nanako!", se aproximou da moça e segurou sua mão direita, levantando-a até a altura dos olhos, "Como você me explica isso??!".

 Num ato instintivo, Nanako levara sua mão dominante a boca e agora ela se revelava manchada de sangue, que escorria entre os dedos. Seus olhos passearam pelo local e reencontraram os olhos inquisidores de Julia.

 "Digamos que foi um presente dos gamilons para mim", 

 Julia permaneceu calada, sabia o que aquilo queria dizer: doença de radiação. Radiação proveniente dos bombardeios causados pelos malditos gamilons.

 "Sempre tive estes acessos mas, ultimamente eles têm se intensificado...", começou a lavar a mão, "Sabia que quando me contaminei, os médicos não me deram uma semana de vida?", pôs as mãos na cintura em atitude de arrogância, "Mas aqui estou eu!!".

 Julia permanecia calada e Nanako desfez a atitude arrogante. Seus olhos procuraram o chão úmido.

 "Mas parece que desafiei por tempo demais os médicos e...meu tempo se encurta", se aproximou da operadora e segurou suas mãos, "Não sei quanto tempo me resta...por isso quero que me prometa uma coisa. Você promete??".

 "Prometo", foi tudo que Julia conseguiu falar antes de ser abraçada pela loirinha.

 "Promete que vai fazer Marco feliz? Que nunca vai abandona-lo? Que sempre estará a seu lado?", suspirou, "Promete que vai consola-lo de uma forma que eu nunca poderei..."

 
 Julia ouvia aquelas palavras, em sua mente, como se elas estivessem sendo sussurradas em seus ouvidos, naquele momento. Parada, sob a sombra de um dos canhões de Shock do Tamoyo ela se lembrava daquela cena ocorrida há algum tempo atras e sentia que o tempo de cumprir a promessa havia chegado: a sua frente à silhueta solitária de Marco contrastava com a fuselagem.

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  André e alguns oficiais estavam, sobre o convés de pouso localizado na popa do Tamoyo, acompanhados por Lorde Werdern e pelo capitão Ormultz. Os olhos de todos estavam fixos nas belonaves esmeraldas que se destacavam no negro estelar. Os terráqueos sentiam um misto de admiração e receio ao vislumbrar aquela parcela do poder naval de um grande ex-inimigo. Por suas cabeças passava a mesma pergunta: por quanto tempo estariam fora da mira daqueles canhões?

Subitamente três brilhos se destacaram, no horizonte cósmico,  avançando para eles. Segundos se passaram até que os contornos de um shuttle galman, e sua escolta, se tornassem nítidos e mais alguns segundos levou para eles estarem sobre suas cabeças. 

 O shuttle iniciou o pouso, enquanto sua escolta permanecia pairando sobre todos e, após completá-lo uma rampa se abriu: liberando a passagem para um oficial e três outros militares, que se aproximaram do grupo.

 "É uma honra conhece-lo, capitão Romanov", o oficial estendeu a mão para André, "Nossa nação tem uma, enorme dívida, para com o senhor e seus homens".

 "Para nós foi uma honra tê-los a bordo".

 "Infelizmente minhas ordens são para que os leve abordo de minha nave, imediatamente. O generalíssimo esta ansioso para falar com lorde Werdern".

 "Também estou ansioso para falar com Deslock", Werdern voltou-se para André, "Então nos despedimos aqui, capitão..."

 "Mas... me disseram que devia pegar três passageiros mas só há dois", o oficial galman interrompeu-os, olhando em volta preocupado, "Espero que nada...".

 "Não precisa se preocupar", Werdern veio acalma-lo, "A pessoa que esta faltando é minha filha; como temos alguns dias, ainda, ela decidiu ficar e ajudar no que fosse possível..."

 "Espero que o senhor não se oponha", Ormultz complementou.

 Ele iria se opor afinal suas ordens eram expressas; devia coloca-los, em segurança, numa nave galman, mais urgente possível. Mas, ao se deparar com os olhos do capitão Ormultz, seu superior hierárquico, mudou de idéia.

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 O hangar do Tamoyo fervilhava. A última batalha tinha sido desastrosa para os Condores, que atacados no próprio ninho tiveram suas asas cortadas logo no inicio. Havia muito que fazer, o hangar parecia estar em ruínas, com peças e destroços de metal retorcido espalhado por todos os cantos. Infelizmente o reparo do lar dos Condores não era uma das prioridades. O reparo do motor de ondas e das peças de artilharia tinham esta primazia, então Depardieu e seu grupo se viravam como podiam. 

 A lembrança dos mísseis entrando pela rampa de decolagem ainda era fresca na mente de Depardieu. Tinha perdido dois ótimos pilotos instantaneamente e, quase, perdera todo o esquadrão. Lembrava-se, também da única imagem que viera a sua mente naquela hora; o rosto sorridente de Löwin. De como lamentara o fato de, se morresse, não poder ver novamente aquele rosto. 

 Alguém chamou-lhe, de cima de um dos elevadores.  

 Felizmente o povo de Löwin chegara, em cima da hora, e livrou-os da aniquilação. Nunca ela imaginara que deveria sua vida aos homens de Deslock. Claro que não era tão ingênua a ponto de achar que o salvamento da belonave terrestre devia somente a, recém, amizade entre Deslock e a Terra. Mas, que esta salvação se devia única e exclusivamente por causa da carga que o Tamoyo transportava. E agora esta carga seria transferida para a segurança de uma nave Galman-Gamilon.

 Suspirou. Pela sua contagem a transferência já havia ocorrido, a partir de um dos helipontos externos. Löwin estava, agora, longe de seus olhos, para sempre, e ela não tivera coragem nem de dizer adeus. Que bela líder que sou: quase mato meus homens e nem consigo me despedir de...

  Não pode terminar o pensamento pois foi interrompida pelo mesmo rapaz, que a chamara há poucos instantes; ele apontava para a entrada do hangar. Ela voltou-se na direção em que ele apontava e, após esperar pacientemente a passagem de um reboque de mísseis, seu coração acelerou descontroladamente. 
 
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 A luz de milhares de sóis banhava o corpo de Marco. Julia o observava sob a sombra de um dos canhões, indecisa entre se aproximar ou deixa-lo só com sua dor. Por fim, decidiu-se e se aproximou. Sua mão se levantou para toca-lo, nas costas, mas se deteve.

 Ela desejava tanto consola-lo. Cumprir a promessa que fizera a Nanako naquele dia. Mas, temia ser uma intrusa. Seu coração parecia que se rasgaria vendo-o sofrer pela perda daquela que considerava como uma irmã.

 Levantou-os olhos por cima dos ombros do rapaz e contemplou os sóis. Sua dor também era imensa; conhecera Nanako há menos tempo que ele mas se sentia como se algo importante tivesse sido arrancado de si. 

 Nanako parecia exercer este efeito sobre aqueles que a rodeavam.

 Julia estremeceu ao voltar a cabeça e deparar-se com os olhos de Marco contemplando-a. Ele parecia ler sua dor. Suas mãos tocaram-se e logo se envolveram num abraço.

 O visor do capacete da oficial de comunicações embaçou quando as lágrimas derramaram-se fartas sobre ele.

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 Löwin viera ao hangar da belonave terráquea com o intuito de terminar algo que decidira fazer antes daquela, maldita, batalha começar. E, como naquela vez, ela decidira que estaria preparada, e aceitaria, qualquer resposta que recebesse. Porque não poderia partir sem revelar seus sentimentos para Depardieu. Não achava que seria justo para com a outra nem consigo mesmo.

 Mas, agora, ao receber o olhar da líder dos Condores, sentia  toda a firmeza de sua decisão fraquejar.

 "O que você esta fazendo aqui?", Depardieu perguntou após alguns segundos de silencio, "Você já não deveria estar a bordo de uma nave galman?".

 "Você não foi se despedir...", Löwin sussurrou, timidamente. Seus olhos procuravam o solo enquanto tentava controlar sua ansiedade, "Então eu...".

 Depardieu segurou suas mãos e seu corpo estremeceu.

 "Ah...Löwin...desculpe-me. Acho que por ter visto tantos entes queridos partirem eu acabei não gostando de despedidas...desculpe-me minha amiga...".

 "É isso que sou...para você?", a moça galman fitou-a com seus olhos trêmulos, parecia que fazia um enorme esforço para dizer aquelas palavras.

 "Isso o quê?", Depardieu se assustou e suas mãos tremeram, sob os dedos de Löwin.

 "Amiga! Sou apenas uma amiga pra você?", as mãos da piloto tremeram intensamente. Löwin olhava-a com os olhos brilhantes e inquisidores. Esperava uma resposta mas tudo o que ouviu foi o som de seu próprio coração misturado com a respiração de Depardieu.

 "Antes de partir quero que saiba de uma coisa", a galman soltou as mãos de Depardieu e voltou seus olhos para o solo, "Muito provavelmente você vai me odiar depois disto mas, não me importo. Só não quero continuar com isto aqui dentro de meu peito. Só não quero continuar traindo sua amizade...".

 A jovem galman procurava forças no fundo de sua alma para dizer aquelas palavras. Seu corpo tremia e o acelerar de seu coração parecia que iria arrebentar seu peito. 

 "Quero que saiba que...", fechou as mãos e mordeu o lábio numa, ultima, tentativa de manter o controle de suas emoções, "...eu te amo. Não com o amor que é destinado aos amigos ou aos irmãos mas, aquele que é destinado aos amantes...sinto muito...".

 Pronto! Havia falado e desta forma tirado um peso de seu coração. Voltou-se na direção da saída, queria abandonar aquele lugar enquanto sua resistência não desaparecesse entre as lágrimas que ameaçavam aflorar. 

 Deu dois passos mas sentiu uma mão segurar-lhe o pulso direito. A mesma mão que a impediu de sair obrigou-a, a se virar e contemplar os olhos reluzentes de Depardieu. Estavam tão próximas que uma podia ouvir o coração da outra.

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 André estava de volta à ponte e seus olhos percorreram toda a extensão da mesma, onde os oficiais e alguns técnicos reparavam e ajustavam os monitores danificados. Apesar da dura batalha o Tamoyo tinha resistido bem e a própria robusteza da nave ajudava nos reparos que prosseguiam, em ritmo acelerado. E, com a ajuda das equipes de manutenção galmans dentro de poucos dias eles estariam em condição de prosseguir. 

 Seus olhos pousaram sobre a oficial cientifica. Judith estava instruindo dois técnicos nos ajustes finais em seu monitor. Dentro de poucos dias eles estariam de volta a Terra e, então, ele e ela poderiam se entregar um para o outro sem preocupações.

 Como que sentindo os olhos do capitão sobre si, Judith volta-se e sorri. 

 Uma vez André dissera que não havia nada que fosse mais belo que o céu estrelado mas, obviamente, ele se enganara porque, agora sabia que, nada em todo o cosmo superava a beleza daquele sorriso.
 
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 "Minha querida Löwin...", Depardieu toca, levemente, o rosto de sua amiga, "Sabia que não passo um dia sem pensar em ti? Que sempre temi que você descobrisse o que eu sentia por você e me abandonasse?".

 "Isto nunca iria acontecer!", Löwin balbuciou sem conseguir conter suas lágrimas, "Porque o que mais quero é estar com você...ficar com você...".

 Não teve forças para continuar e resolveu deixar seus atos falarem o resto. Seus lábios procuraram avidamente os de Depardieu e roçou-os ternamente.

 Neste momento a realidade pediu passagem, na força de uma clamorosa salva de palmas, rompendo o casulo mágico que havia entre as duas. Imediatamente o rubor tomou as faces das duas garotas: haviam se esquecido que se encontravam no hangar e que em volta de ambas havia dezenas de pessoas.

 "Mandou ver, hein capitã!!", alguém gritou em meio aos aplausos e assobios. Depardieu olhou em volta e encontrou o originador daquelas palavras. Frazier estacou e o resto da audiência seguiu seu exemplo.

 "Senhor Frazier?", chamou-o com sua melhor voz de comando.

 "Sim, senhora?", o aviador respondeu, já esperando pela punição.
 
 "Assuma!!", ordenou. 

 E sorrindo pegou na mão de Löwin e seguiu na direção da saída onde, antes de desaparecer por ela, acenou para seus comandados. Um aceno que serviu apenas para iniciar uma nova série de vivas entre os membros da ala aérea do Tamoyo. 
 
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 Depois de duas semanas patrulhando o perímetro do Sistema Solar o EDF Idaho finalmente se aproximava da órbita lunar onde o disco terrestre se fazia visível contra a vastidão cósmica. A bordo do encouraçado sua tripulação olhava para seu planeta natal, ansiosos para terem o merecido descanso. A capitão Mary Mendonça compartilhava da ansiedade de seus homens. 

 Desde que ocorrera a, agora chamada, batalha do Sol, as Esquadras das Forças de Defesa da Terra estavam em estado de alerta constante. O Alto-Comando entendia que a derrota da armada Polar pelas Forças de Galman-Gamilon, lideradas por Deslock, e o cessar-fogo declarado entre as duas potencias galácticas não livravam a Terra de ser atacada. E, Mary entendia que eles seriam ingênuos se achassem o contrário.

 Ela se ajeitou em seu acento e contemplou a Terra. Mas nada ocorrera e o Almirantado começou a suspender o alerta, cautelosamente, unidade por unidade e, finalmente chegou a vez de sua belonave. Como era bom poder voltar para casa...

 "Capitã!?", o chamado de seu oficial de radar tirou-a de seus pensamentos. O rapaz olhava assustado para sua tela, "Indícios de reversão nas coordenadas Delta 14 Foxtrot Goa, distancia: 2.000 km..."

 Imediatamente ela voltou-se na direção em que as coordenadas apontavam. O leve tremeluzir, que prenunciava uma reversão, se fazia notar. Pela quantidade de táquions que aquele fenômeno liberava, Mary não acreditava que podia ser o inicio de uma invasão mas, por vias das dúvidas:

 "Todos a seus postos de combate!!!", gritou e quase no mesmo instante as sereias ecoaram pela Idaho. 

 Apesar de todo o frenesi que tomou conta da belonave, Mary continuou com os olhos fixos no fantasma tremeluzente que forçava seu ingresso na realidade. E já se podia distinguir os reparos dos canhões e a superestrutura, onde ficava a ponte de comando. 

 Mas, o que, realmente, lhe chamou a atenção foram duas aberturas, como se fossem as bocas de dois enormes canhões, na proa. A capitã do Idaho conhecia uma classe de naves que possuíam duas Armas de Ondas Gêmeas e uma destas belonaves ainda não havia retornado a Terra após o fim da Crise do Sol.

 Será?, ela pensou, esperançosa, e voltou-se na direção de seu oficial de radar.

 "Identificação chegando: Classe Andrômeda, SBB- 404", o rapaz voltou-se na direção de sua comandante, "É o Tamoyo, capitã!!! Ele voltou!!!".

 "Sim, ele voltou", Mary concordou com seu oficial. Na sua frente, sob a mira dos canhões da Idaho, o encouraçado espacial Tamoyo retornava ao lar.

 "Comunicação chegando", o oficial de comunicações anunciou no mesmo instante em que a ponte do Tamoyo apareceu na tela principal da Idaho. André estava em seu assento, sorrindo, e de seu lado estava a Doutora Lancaster. Havia algo entre os dois, Mary percebeu.
 
 "Seja bem vindo!!", a capitã Mary Mendonça foi a primeira a falar.
 
 

    ENDE...



 E ai? Gostaram? Odiaram? Mandem seus e-mails. Eles são muito importantes, principalmente depois que a gente termina um fic deste tamanho. Então, não esqueçam de manda-los, oquei... ^_________^

 Quero agradecer ao Souryu-san, ao Roberto, ao Alexander Lancaster, a Lady Kaisaca, a Milla_chan, ao Renan, a Denise, ao Supremus Absolutus, ao James Santos e ao Ryoga K2R pelos e-mails recebidos. Agradeço, também, a todos que leram mas, que pelos motivos mais diversos deixaram de mandar suas opiniões. Domo Arigato Minna-san ^_______^

É isso...até a próxima...do cvidanija!!!
  
Hadrian Marius