TAMOYO`S JOURNEY


Hadrian Marius
babell@ieg.com.br

 CAPITULO XIX:  ENCURRALADOS 




 Depardieu tinha acabado de destruir seu segundo oponente quando  recebeu a mensagem de Marco:

 "O porta-aviões inimigo e sua escolta estão indo na direção dos asteróides. Pretendem escapar".

 Era de se esperar que as naves inimigas utilizassem a distração, proporcionada pelos caças, para escapar. Mas, por que não efetuavam uma reversão? Esta indagação fez com que recordasse uma outra que ela havia se feito há poucos minutos e assustou-se com a resposta.

 "Cassius!? Você esta ai?", gritou para dentro do comunicador.

 "Claro que estou tenente", a voz do capitão soou azeda, ele não havia gostado de ouvi-la chamá-lo pelo nome; Khalil sempre prezou a hierarquia militar e nunca admitiu que ela o tratasse com intimidade na frente de seus subordinados.

 "Pegue seu esquadrão e retorne para o Tamoyo", ela ordenou, invertendo os papéis, "Nós o seguiremos assim que aliviarmos aqui".

 "Quem você pensa que é? Pra me dar ordens, tenente?", ele estava, obviamente, bravo e demonstrava isso pelo tom de voz que foi ouvido em todos os astro-caças.

 "Meu Deus?!! Não temos tempo para isso: porque você acha que a nave inimiga esta procurando refugio nos asteróides ao invés de efetuar uma reversão?"

 Depardieu não obteve resposta. Do outro lado ela apenas ouvia a respiração abafado de Khalil.

 O que ela havia percebido antes dele era tão evidente que a mesma morderia os lábios por não ter percebido antes. A reversão, que levava ao subespaço, era desaconselhável próximo a corpos celestes. A gravidade do mesmo poderia arrastar a nave para um destino completamente incerto, para dentro de uma estrela por exemplo, ou, o mais provável, destruir o objeto que estivesse revertendo. Por isso as naves da Terra só executavam reversões além da órbita lunar.
 
 E a distancia entre o planeta e sua lua despedaçada era à metade da distancia Terra-lua. 

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 Encurralado. Era assim que André se sentiu ao ver a frota inimiga atravessando os planetesimais e posicionando-se.
 
 "Eles não estão brincando", resmungou baixinho, "Assumir posição de batalha!!!".

 O encouraçado iniciou seu movimento que lhe permitiria assumir uma posição em que pudesse utilizar, eficientemente, os quatro reparos de canhões principais.

 "Frota inimiga disparou..." o anuncio foi supérfluo pois todos puderam ver os rastros de luz, dos disparos das naves polares, e o tremor que tomou conta da ponte quando, dois destes disparos, atingiram a belonave. Fazendo-a interromper sua ação.
 
 Aparentemente os polares não permitiriam que a belonave terrestre tomasse posição. Queriam que tudo acabasse bem rápido. Neste momento o capitão do Tamoyo sentiu a falta dos caças; dar cobertura, enquanto a nave executava suas manobras era uma de suas tarefas.

 André deu de ombros. Não adiantava reclamar.

 "Continue a manobra Camalani. Preparar para disparar"

 Rodrigues sentiu o peso da ordem de seu capitão. Disparar com precisão de uma nave em movimento era uma das manobras mais difíceis que existiam. Se tudo não corresse bem podia-se, no mínimo, danificar as armas.

 "Alvo: frota de Polar. Distancia: 8.000 km", anunciou, nervoso.

 Os canhões de shock da proa começaram a se mover e apontaram, ameaçadoramente para seus alvos.

 "Disparar!!".

  Os disparos do Tamoyo cruzaram, a meio caminho, com a segunda salva inimiga que teve o mesmo destino do ataque perpetrado pela nave terrestre: perderam-se no cosmo.

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 De onde estavam, na sombra do planeta, os astro-caças terráqueos, não viam à belonave e as comunicações de longa distância estavam prejudicadas pela radiação residual. Foi este fato, acima de qualquer palavra de Depardieu, que fez com que Khalil chamasse seu esquadrão e se precipitasse na direção do Tamoyo.

 "O Tamoyo esta sendo atacado", foi o que ouviu assim que o primeiro caça passou pela curva do planeta e fez contado visual com a belonave. Uma observação que Khalil pode presenciar, ao passar pela curva planetária e ver os disparos energéticos cruzarem o vazio estelar.

 "Mendonça?", gritou recebendo um gemido como confirmação de que estava sendo ouvido, "Volte e informe Depardieu do que esta havendo. Ela deve retornar imediatamente".

 Um dos caças da retaguarda abandonou a formação, que vinham mantendo, e iniciou o caminho inverso do que havia feito até então.

 "Condores!!?", Khalil conclamou, "Vamos a eles".

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 Löwin segurou-se, na borda do sofá onde estava sentada, quando o casco da astronave estremeceu ante o impacto dos disparos inimigos. Ela estava sozinha em seu alojamento, seu pai e o capitão Ormultz deviam estar na ponte naquele momento. Eles a chamaram mas se recusara a ir, Depardieu tinha dito para que ficasse em seu quarto e era isto que faria.

 Sozinha, sentindo, através das vibrações nas paredes, a batalha que prosseguia, ela se pegou rezando e pedindo por sua amiga. Era estranho, ela admitia, estar tão preocupada com uma terráquea. 

 Tonta! Era isto que ela era. Depardieu era mais do que capaz de ir numa missão e retornar, não havia motivo para preocupação. Mas, no entanto, ela se preocupava.

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 "Caças terrestres retornaram e estão investindo contra nós".

 Perves deu pouca importância ao fato. De que adiantava a interferência daqueles caças; seus pilotos estavam cansados, seus pods de mísseis estavam secos assim como seus tanques.

 Mais uma vez as unidades sob seu comando disparou. E mais uma vez a belonave terrestre foi atingida.

 A resposta não tardou e desta vez foi certeira. Um dos cruzadores sentiu o peso dos disparos dos canhões do Tamoyo recebendo grave dano.

 A tripulação alienígena era boa e seu capitão tinha muito sangue frio, Perves teve que admitir. Em questão de minutos eles tinham assumido uma posição que lhe permitia usar todo seu poder de fogo. Isto, apesar de estar sob fogo das belonaves de sua frotilha. 

 "Chame a Krishiebv e a Vraslikevtk. Que eles nos sigam".

 Aquele disparo mostrou ao general que ele deveria agir. A nau-capitania Krushkaretv começou a se mover, no que foi seguido pelas outras duas astronaves. 

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 "Alas seis e nove foram danificadas", o aviso de Yamada chegou junto com o estremecimento que sacudiu a ponte de comando.

 "O 1º esquadrão dos condores retornaram e estão seguindo na direção das belonaves inimigas", Julia anunciou assim que recebeu o comunicado do líder dos astro-caças.

 Aquela era, a primeira, boa noticia que André recebia desde que a batalha começara. O capitão do Tamoyo sabia que a presença dos caças aliviaria a pressão sobre o encouraçado que poderia, se preciso, manobrar com certa segurança.

  "Três naves inimigas deixaram a formação e se movimentam para estibordo; nossos dados as classificaram como sendo um encouraçado e dois cruzadores", desta vez foi Lisa que informou.

 Sempre após uma boa noticia, vem uma péssima, André pensou. A estratégia polar era óbvia; eles pretendiam deixar a belonave terrestre entre o fogo cruzado de suas astronaves.

 "Para a frente! A todo vapor, Camalani. Vamos romper aquele bloqueio"
 
 Todos se voltaram para seu capitão e André apenas sorriu-lhes confiante. Ele sabia, todos eles sabiam, que aquela era a única maneira de sobreviverem àquela batalha.

 "Sim, senhor". 

 Imediatamente a nave começou a se mover, deixando a posição que mantinha, até então, e iniciou seu deslocamento que levava direto a formação inimiga. 

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 Marco foi um dos primeiros, do 2º esquadrão, que viram a batalha que acontecia. Ele viu também quando a poderosa nave terráquea começou sua caminhada em direção a frota inimiga. No que parecia ser uma ação desesperada.

 Neste momento lembrou-se de Julia, que devia estar na ponte. Gostaria de ouvir sua voz, nem que fosse distorcida pelo radio mas, não poderia por que toda e qualquer comunicação com a nave-mãe só poderia ser feita pelo líder do esquadrão.

 Olhou em volta e viu o caça de Depardieu passar por ele.

 "Todos os astro-caças. Vamos nos juntar ao 1º esquadrão", a voz da tenente ecoou em seus ouvidos.

 Sem pestanejar ele a seguiu enquanto observava o Tamoyo ser chacoalhado pelos disparos inimigos. Disparos que eram respondidos a altura pelos canhões do encouraçado.

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 "O segundo esquadrão, dos condores, retornou", havia um brilho de esperança nos olhos de Lisa quando ela deu a noticia.

 André notou o olhar e entendeu-o. Ele também entendia que se o Tamoyo continuasse naquele curso tudo estaria perdido. Assim como ela o jovem capitão percebeu que a chegada dos astro-caças poderia significar a salvação de todos eles.

 "Ligue-me com Khalil", era a segunda vez, naquele dia, que deveria exigir mais do que podia dos pilotos, "Nos de cobertura, Cassius: Iremos usar a Arma de Ondas"

 André não precisou passar a ordem para seus subordinados pois assim que terminou de falar com Khalil o encouraçado parou de avançar. Parecia que, não apenas ele, mas todos na ponte sabiam que se algo não fosse feito eles estariam condenados. Então, deveriam dar a última cartada.

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 Perves percebeu, antes de ser informado, que o encouraçado tinha parado de avançar na direção a sua frota. Aquilo desconcertou-o. 
 
 Será que tinham desistido? Que ofereceriam rendição? Olhou para o oficial de rádio mas este nada informou. Ou, estavam dispostos a se sacrificar? Entregar-se ao inevitável? 

 Se fosse uma nave Galman-Gamilon  que se encontrasse na mesma situação esta, invariavelmente, teria se jogado contra alguma das naves polares mas, a nave terrestre permanecia parada. Deu de ombros. Talvez entre os terráqueos a espera passiva pelo inevitável fosse sua visão de uma morte honrada. Ele iria respeitar isto.

 A Krushkaretv se distanciou dos outros cruzadores e começou uma manobra que tinha objetivo dar um fim a belonave terráquea.

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  O líder dos Condores tinha acabado de efetuar um mergulho na direção dos cruzadores e, agora, retornava para uma posição segura, onde os lasers de defesa não o alcançariam, e quase que imediatamente retornaria ao ataque. 

 Ele e seus homens estavam concentrados em ataques contra os cruzadores enquanto o esquadrão comandado por Depardieu se concentrava nas naves da frota. Conseguindo, assim, aliviar a pressão sobre o Tamoyo, que permanecia imóvel, no espaço.

 Foi no momento em que se preparava para desfechar mais um ataque contra o avariado cruzador polar que ele notou a manobra do encouraçado Polar. 

 A belonave inimiga se posicionara e suas armas já se movimentavam na direção do indefeso encouraçado terrestre.

 Chamou dois pilotos mas estes já haviam iniciado o mergulho. Então ele avançou sozinho contra a astronave. Olhou para o painel de armas; seus mísseis haviam se esgotado no ultimo ataque, só lhe sobravam os canhões e rezava para que fossem suficientes.

 Mergulhou sobre a Krushkaretv e seus dedos pressionaram o gatilho. Seus disparos ribombaram no casco blindado e foram respondidos pelas baterias de defesa automática. Desviou para fora do alcance delas.

 Percebeu frustrado que seus disparos não foram nem sentidos pela nave polar que continuava no seu intento. Os segundos passavam, mesmo que seus homens conseguissem auxilia-lo seria tarde demais quando chegassem.

 Khalil movimentou o manche.

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 "Dez segundos para o disparo", Rodrigues anunciou olhando para os instrumentos que mediam o nível de energia.

 "Condores!!Vocês estão em nossa linha de tiro: saiam dai agora", André gritou.

 Por toda a ponte se ouvia o som característico das Armas de Ondas Gêmeas do Tamoyo carregando.

 "...5...4...3...2...1...FOGO!!!!"

 Uma torrente de energia incandescente deixou os canhões gêmeos na proa da belonave e se dirigiram, inexoravelmente, em direção ao cinturão de asteróides. A distancia que separava seu inicio de seu destino foi percorrido em questão de segundos.

 A torrente abriu caminho entre as naves polares, volatizando-as instantaneamente, e entre as rochas, que tiveram o mesmo fim, lançando-se no espaço cósmico como uma serpente enfurecida.

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 O brilho ofuscante penetrou pelas telas da nau-capitânea deixando Perves e seus oficiais momentaneamente cegos. Segundos, cruciais se passaram até que ele conseguisse se recompor.

 "Preparar para dis...", gritou enfurecido ante a visão da destruição de suas naves, mas não pode terminar a frase. Seus olhos tinham contemplado algo mais aterrador que a arma terrestre: um dos caças terráqueos mergulhava na direção da ponte de comando. Seu objetivo era claro para, Perves

 "Preparar para impacto", gritou no mesmo instante em que o astro-caça se espatifou contra a superestrutura. Todos os painéis , da ponte, estilhaçaram-se, arremessando seus operadores um contra os outros. O general se segurou o máximo que pode enquanto o inferno parecia tomar conta de sua nave.

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 "...pela Terra!!!", o grito de guerra de Khalil ecoou por todos os astro-caças e seus ocupantes sentiram o peso da perda. 

 Depardieu sentiu como se lhe arrancassem um pedaço do corpo e por segundos manteve-se parada. Suas mãos abandonaram o manche e o manete e caíram sobre o colo. Seus olhos se fixaram no espaço. Tudo parecia ter perdido a importância naquele momento.

 "Tenente?!! Tenente??", a voz de Marco chegava pelo intercomunicador como se viesse de muito longe. Ela não respondeu e ele se calou.

  Segundos se passaram até que seu caça foi chacoalhado violentamente pela passagem de outro que fez uma curva, se posicionando a seu lado.

 "Vamos tenente: devemos acompanhar o Tamoyo", era a voz de Marco novamente, "Todos estão te esperando, vamos!"

 Ela olhou em volta e viu todos os membros de seu esquadrão. Aqueles que ela liderava. Aqueles que confiavam nela. Eles estavam, ali, aguardando suas ordens.

 Levou a mão ao manche. 

 "Oquei!!! Vamos sair deste inferno, rapazes"

 O 2º esquadrão dos Condores se precipitou na direção de sua nave-mãe e logo se uniu ao resto dos astro-caças, que acompanhavam a belonave, na travessia pela barreira de asteróides; que parecia ter se aberto para a passagem da astronave da Terra. 

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 "Inicie o recolhimento dos Condores", André suspirou, se levantando, "E assim que terminar, faça pequena reversão".

 "Para onde, senhor?", Yamada interveio antes que ele alcançasse a porta.

 "Para onde quiser Yamada. Nossos negócios aqui estão terminados".

 
 

     Continua...