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Hadrian Marius
babell@ieg.com.br CAPITULO XVIII: UM DIA GLORIOSO
Perves olhava atentamente para a tela da Krushkaretv. Apesar de toda a disciplina, que se impunha, não conseguiu impedir que um sorriso de satisfação se esboçasse em seus lábios. "Belonave inimiga esta fora do alcance dos sensores dos misseis", um oficial lhe informou. Uma informação que poderia aborrecer qualquer outro, afinal sua presa acabava de escapar, mas não o general. Ele apenas olhou para seu imediato, que acenou com a cabeça: "Iniciar fase dois", disse laconicamente. ***************
"Alguma novidade, Wan-li?", André voltou-se para Julia. "Não senhor: se houver uma civilização lá embaixo esta não conhece comunicação via radio", fez uma pausa, " Ou qualquer outra que não seja pombo correio e sinais de fumaça". As palavras da oficial de comunicações do Tamoyo foram enfáticas e descartava a unica explicação que André tinha formulado para o ataque: um sistema de defesa automatico construido pelos habitantes do planeta abaixo. "Vários astro-caças acabam de surgir próximos ao arco planetário e avançam diretos para nós", Lisa Macdowell retirou-o de seus pensamentos. ***************
"Como estão as coisas Almeida?", foram as primeiras palavras de Depardieu quando chegou ao hangar. "O esquadrão do capitão acaba de partir. Eles interceptarão os inimigos. Nós devemos manter a linha de defesa", foi tudo que ouviu. Ao se aproximar de seu caça pode observar toda a movimentação do hangar; para os olhos de um leigo, aquela correria, aqueles gritos, se pareceriam apenas com um grande caos. Mas cada um sabia o que fazer e aquele caos aparente apenas atestava a competência da tripulação do Tamoyo. "Tudo pronto tenente", o armeiro comunicou-lhe assim que terminou de acoplar na asa do astro-caça o ultimo missel ar-ar. Ela sorriu agradecida e num salto adentrou a carlinga se acomodando. Neste momento o caça de Almeida abandonou o hangar, se precipitando no vácuo. Seria apenas uma questão de tempo para ela ter o mesmo destino que ele. *****************
Uma goticula de suor escorreu pela face de André quando os primeiros astro-caças passaram sobre a ponte do encouraçado e precipitaram-se sobre os adversários. Graças aos arquivos atualizados dias antes, ele pode saber a identidade dos atacantes. Ao que tudo indicava a Federação Polar tinha decidido que o Tamoyo teria o mesmo destino de outras naves da Terra. Infelizmente André não compartilhava da mesma opinião e faria de tudo para evitar que sua tripulação tivesse este destino. "Dois minutos para interceptação, senhor", a voz de Yamada saiu dura, tensa. *****************
Os caças, liderados por Khalil, cairam sobre suas contrapartes como abutres sobre a carniça. O que se seguiu foi umas das mais cruentas batalhas perpetradas pelos condores. Marco, que junto com seu grupo, estava estacionado em torno da belonave olhava o brilho das explosões e dos disparos a distancia. Ele estava louco para participar mas sua ordem era de permanecer de prontidão e dar cobertura caso alguma aeronave inimiga passasse pelo bloqueio que os caças do 1º esquadrão ofereciam. Claro que isto não mudava o fato de que achava aquela espera intediante. Olhou para os lados. Primeiro observou o caça de Lamertz, que lhe acenou, e depois seus olhos pousaram no caça de Depardieu, que estava do lado oposto. Ela parecia tensa. "Também devia não estar gostando daquela espera", pensou, "Provavelmente sua comandante pensava que a razão de ter ficado fora da batalha era o fato de ser amante de Khalil, e este agia de forma a poupar seu par. E pelo jeito ela estava odiando esta proteção". Marco fungou. Devia-se ter paciência. ****************
"Os caças inimigos entraram em confronto com nossas unidades". O informe chegou ao ouvido do General e este pareceu não ouvir. Estava envolto em seus pensamentos; tudo até aquele momento estava correndo conforme havia planejado e isto deveria deixa-lo contente. Mas, seu espirito endurecido pela guerra incitava-o a desconfiar de tudo o que se encaminhava facil demais. Perves olhou para além da tela, que lhe dava a vista do mundo que orbitava abaixo de sua frota. Talvez fosse apenas impressão sua, um resquício de um temor a muito enterrado, pensou. De qualquer maneira ele pagaria para ver. "Atenção todas as naves: Avançar!". Após a ordem de seu comandante a força tarefa, que tinha como unico objetivo eliminar a belonave terrestre, abandonou a proteção do lado escuro de uma das luas de Celeby-III e iniciou seu caminho em direção a sua presa. ****************
Julia, de vez em quando, lançava um olhar para a tela principal, onde se exibia as cenas, ampliadas, da batalha que se seguia entre os caças do Tamoyo e suas contrapartes. Apesar saber que deveria estar tensa com a situação de um ataque iminente contra a astronave ela não se sentia assim. Mantinha-se em seu posto, cumprindo a obrigação de monitorar a comunicação, mas sua mente estava em Marco que permanecia orbitando a belonave. Sabia que por enquanto ele não se envolveria na batalha e se o esquadrão de Khalil conseguisse derrotar os inimigos seu amado não precisaria se envolver. "Abra uma linha com a tenente Depardieu, Wan-li", a ordem de André trouxe-lhe um mal presságio. "Linha aberta", algo dentro dela dizia que seu amado seria esposto ao perigo e se pudesse não teria obedecido. "Tenente Depardieu; pegue seu esquadrão e ataque o ponto de origem dos caças inimigos. Khalil lhe dará cobertura". Nunca as ordens que o capitão passava lhe causaram tanto interesse. "Envie as coordenadas aproximadas Macdowell". Julia sentiu como se transpassassem seu peito. Aquela angustia que sentia toda a vez que os alarmes de bordo soavam anunciando um ataque iria começar outra vez. Outra vez Marco estaria a bordo de seu astro-caça e ela estaria em seu posto orando por ele. ****************
O intusiasmo era visivel em todos os pilotos do 2º esquadrão quando as novas ordens foram recebidas. Depardieu não era diferente, aquela inatividade estava deixando-a ansiosa. Os motores foram acionados. Em questão de segundos eles alcançaram a área onde se desenvolvia a batalha e passaram por sobre ela, como se não lhe interessasse. Um ou outro inimigo ameaçou investir contra a formação mas foram rechaçados por unidades do 1º esquadrão. Mais alguns segundos se passaram até começarem a fazer a curva no planeta e neste mesmo momento avistaram seu alvo; um porta-aviões e dois destróieres mantinham-se inertes sobrevoando o corpo celeste. "Alvo avistado. Iniciar ataque", a voz de Depardieu saiu autoritária. Imediatamente os cosmo-tigers, imitando aves de rápina, mergulharam em direção as suas presas. *****************
A força tarefa polar, aproveitando-se do fato da radiação residual da destruição da lua, perpetrada por esta mesma força tarefa, cegar os sensores de longo alcance da belonave terrestre, continuou seu avanço até penetrar no cinturão de asteróides. "Os caças inimigos localizaram o Frashuetviskh, senhor. E o capitão Vazilyevtch ordenou que seus caças suspendessem o ataque e retornassem para que protejam o porta-aviões". "E...". "Os caças inimigos da primeira frente estão perseguindo os nossos". Perves apenas sorriu. O fim da barreira de asteróides estava próximo e ele já podia visualizar a belonave da Terra a sua frente. Sua missão estava chegando ao fim e, logo-logo, poderia descansar... ****************
No primeiro mergulho dos condores um dos destróieres foi sériamente danificado. Infelizmente o ataque ousado, que ignorava as baterias AA inimigas, custou dois caças. Marco praguejou quando viu o caça de Minamino ser atravessado pelos disparos certeiros dos inimigos e se transformar numa bola de fogo instantes depois. Infelizmente não haveria tempo para lamentar a perda do amigo pois se não fossem seus reflexos, que fez com que puxasse o manche em tempo de desviar de um disparo certeiro, ele também teria tido o mesmo destino. "Reagrupar", gritou pelo comunicador ao mesmo tempo em que levantava o nariz do asro-caça e se distanciava das astronaves. Foi imediatamente seguido por mais cinco condores. "Cuide do porta-aviões Almeida. Nós cuidaremos da escolta", a voz de Depardieu chegou abafada em seus ouvidos. "Vocês ouviram, a moça, rapazes", fez nova manobra, apontando o nariz do caça na direção da nave inimiga, "Vamos nessa!!". Os caças terrestres mergulharam. ****************
"Os caças inimigos começaram a recuar", Julia informava, sem tirar os olhos do painel, "O capitão Khalil informa que iniciará a perseguição". Era uma decisão sensata de Khalil, André pensou, ele deveria cobrir a retaguarda dos caças que investiam contra o porta-aviões inimigo. Claro que ele não era tão ingênuo a ponto de pensar que este era o unico motivo de Khalil partir na perseguição do inimigo. Havia outro. E este se chamava Depardieu. Só que havia um problema naquela ação: o encouraçado foi deixado para traz sem a valiosa proteção de seus caças. O capitão do Tamoyo sabia disso e quase ordenou que o lider dos condores retornasse. Mas, ele também estava ciente que se o esquadrão de Depardieu não recebesse apoio, ele seria dizimado pelas unidades inimigas que atacariam de surpresa. Diante desta fato deteve-se. Acreditava que a belonave terrestre estava segura; os inimigos estavam mais preocupados em se proteger dos condores do que iniciar qualquer ataque naquele momento. "Varias unidades de origem polar acabam de passar pela barreira de asteróides". André nunca amaldiçoou tanto sua ingenuidade, quando ouviu estas palavras proferidas por sua oficial de radar. ******************
O radar do cosmo tiger de Depardieu anunciou a chegada dos caças inimigos. Ela sorriu. Se a intenção do capitão fosse a de afastar os atacantes do Tamoyo, atacando seu próprio ninho, ele tinha conseguido. O problema daquela ação era que, agora, o grupo de astro-caças estaria preso entre a artilharia das belonaves e os caças que retornavam. Era um problema a se resolver mais tarde, ela pensou enquanto procurou desviar seu caça da primeira investida das unidades atacantes. Mas o brilho da explosão de um dos destróieres ofuscou-lhe a visão e consegüentemente seu tempo de reação foi afetado. Por este motivo ela nem veria seu fim chegar atravéz do disparo de um caça polar se os disparos, certeiros, de um cosmo-tiger não tivessem atravessado o caça inimigo, condenando-o ao mesma sina do destróier. "Obrigada Wendell", ela agradeceu o piloto do astro-caça que passou próximo a ela, após dar cabo do seu perseguidor. Mal ele passou por ela e iniciou uma subida que o levaria a outro grupo de adversarios. Depardieu suspirou aliviada pois se não fosse a intervenção do piloto do 2º esquadrão ela seria poeira cósmica... A verdade atravessou-lhe a mente: se o 1º esquadrão estava ali? Então, quem estava guarnecendo o Tamoyo? ****************
Aquele estava sendo um dia glorioso para Perves. Suas naves tinham atravessado o cinturão de asteróides e encontrado o encouraçado terrestre sozinho. Abandonado por seus caças. Segurando a ansiedade, deu as ordens: as dez belonaves de sua frotilha posicionaram-se lado a lado, numa variante da manobra de linha, e todas suas armas abandonaram seus casulos, voltando-se para a astronave-alvo. Tudo perfeito. O veterano general tinha certeza que aquela força, composta por um encouraçado, trez cruzadores pesados, quatro fragatas e dois destróieres lança-misseis, seria mais que sufuciente para destruir uma unica astronave de uma nação subdesenvolvida. Alias; ele achava que toda aquela força militar era um exagero. Tinha plena certeza que apenas o, encouraçado, Krushkaretv seria suficiente. Observou a belonave inimiga, solitária, na orbita do planeta e sorriu. Realmente aquele seria um dia glorioso.
Continua...
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