TAMOYO`S JOURNEY


Hadrian Marius
babell@ieg.com.br

 CAPITULO XIV: AMEAÇA FANTASMA 





 Os dias se passaram rapidamente e Marco se viu preocupado com Nanako, que não via fazia uma semana. Julia tinha lhe tranqüilizado com a desculpa de que os dias após as batalhas todos andavam sempre muito atarefados e dispunham de pouco tempo para outras coisas além do dever.

 Isto era verdade, ele sabia, pois durante aquele tempo ele tinha deixado o hangar apenas para dormir e para algum encontro furtivo com ela.  Diante deste fato ele não procurou a amiga de infância de imediato; preferiu esperar o cancelamento do estado de alerta, coisa que tinha ocorrido duas horas atrás.

 Agora caminhava pelos corredores da nave em direção a ala médica. Se estivesse certo Nanako ainda estaria lá apesar de seu turno já ter vencido; a garota sempre cumpria plantão. 

 Ao entrar no setor em que ficava a enfermaria do encouraçado ele avistou-a; ela estava na porta e parecia conversar com alguém que permanecia dentro da enfermaria. Marco parou a alguns passos de distancia e esperou.

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 "Oi!", Löwin cumprimentou Depardieu assim que a viu sair do hangar.

 "Oi!? Espero que não esteja perdida novamente".

 A piloto foi irônica ao se referir as circunstancias em que as duas se conheceram; desde aquele dia ambas já haviam se visto e se encontrado varias vezes mas, aquela era a primeira vez que a garota galman a esperava. Depardieu sentia que o laço da amizade começava a se formar entre ambas.

 "Quer dar um pulo na cantina?", a galman convidou sorridente.

 "Estava pensando em ir ao meu alojamento e tirar uma soneca. Foi um plantão exaustivo mas,...", era este o plano que ela tinha feito e que não pretendia modificar, pelo menos até ver os olhos suplicantes da outra garota, "...por que não!?"

 Löwin sorriu e ambas começaram a caminhar enquanto entabulavam uma conversa sobre trivialidades.

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 "Até que enfim te encontrei! Até parece que estava se escondendo", a voz de Marco fez Nanako assustar-se. Ela havia acabado de se despedir de suas companheiras de enfermagem e ao se virar para o corredor topou com o amigo parado, exibindo um sorriso no rosto.

 "Porque eu me esconderia?", perguntou assim que se recuperou.

 "Não consigo encontra-la há dias".

 "Estamos dentro de uma nave de guerra e você sabe que nestes dias, pós-batalha, nossas obrigações são dobradas", ela tentou parecer fria; começava a notar que o motivo de seu coração permanecer acelerado não era a peça pregada pelo piloto ainda há pouco.

 "Fiquei preocupado", Marco se aproximou, "Você sabe que te considero como uma irmã".

 Irmã?! Será que não percebia que ela queria ser mais que uma irmã para ele? Teve vontade de esbofeteá-lo e teria feito se não tivesse usado todo seu autocontrole. 

 "Desculpa irmãozão. Da próxima vez eu prometo que carrego o bip", Ela juntou as mãos e inclinou o corpo numa forma de pedido de desculpas. A ironia servia para ocultar sua insegurança.

 "Sua boba", Marco sorriu por alguns instantes mas, rapidamente sua face se tornou séria, "Tenho tanta coisa para te dizer".

 "Pois então diga, sou toda ouvidos".

 Nanako sabia que se arrependeria de tais palavras afinal, fora para não ouvir o que ele tinha a dizer que evitara encontrar o rapaz durante todos aqueles dias. Ele contaria tudo a ela, que ouviria com um sorriso, enquanto seu interior era transpassado pela dor. A enfermeira deu de ombros; quem se importava afinal?

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 A tela do radar lançava sua luz esverdeada sobre o rosto de Lisa mas esta parecia não se incomodar. Seus olhos estavam fixos e atentos ao menor movimento.

 "Ali", quase gritou de entusiasmo.

 André, que estava do seu lado, olhou para o ponto da tela que a operadora de radar apontava e pode ver o que intrigava tanto a oficial; um ponto luminoso, tão fraco que se manteve na tela por uma fração de tempo.

 "Tem certeza de que não é nenhuma interferência no equipamento, tenente?", a pergunta tinha soado como uma ofensa aos ouvidos da moça que teve de se controlar para não ser grosseira com seu capitão.

 "Tenho certeza absoluta, senhor. Chequei o equipamento três vezes desde que este sinal começou a aparecer. Verifiquei todas as hipóteses; possíveis e não possíveis".

 André endireitou-se e seus olhos contemplaram o espaço infinito. Se as suposições da tenente Mcdowell estivessem certas, e ele acreditava que estavam pois confiava na competência de sua oficial de radar, eles estavam sendo seguidos. 

 "Ordene a decolagem de uma nave de reconhecimento", disse voltando-se para Yamada, "Ele deverá averiguar a área indicada pela tenente Mcdowell".

 "Sim senhor", o primeiro imediato iria iniciar o cumprimento das ordens de seu capitão quando este o interrompeu.

 "Quero que a escolta seja reforçada. Não gosto de surpresas"

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 Julia observou quando uma esquadrilha de astro-caças deixava o Tamoyo e se embrenhava na escuridão estelar. Chegou a imaginar se estavam precisando dela na ponte mas, como as sirenes de alerta não foram ativadas, tomou aquilo por simples vôo de rotina. A garota havia se recolhido a seu alojamento, alegando indisposição, e agora estava com a face recostada contra o vidro frio da pequena janela que dava-lhe visão do exterior.

 Imaginou se Marco estava entre aqueles caças, um pensamento que sempre enchia-lhe de preocupação. Marco era a pessoa mais importante de sua vida; claro que ela não era nenhuma colegial que curtia o primeiro amor mas, sua experiência no campo emocional se resumia a umas paqueras e dois namorados, na melhor das hipóteses, insensíveis e interesseiros. Ele fazia-a sentir-se querida e isto era bom.

  Retirou a face do vidro e deitou-se, seus olhos fixos no teto. Estas lembranças faziam-na se sentir mais suja; cada sorriso, cada caricia, cada palavra que recordava era substituída pelos olhos de Nanako. Olhos lacrimejantes. Olhos que acusavam-na.

 As duas podiam se considerar boas amigas e por este motivo à enfermeira tinha apresentado seu amigo de infância para ela; como amigas a jovem talvez quisesse que ela fosse ao elemento que a aproximasse de seu amor. Nanako era uma pessoa tímida e esta seria a melhor opção.

 A enfermeira confiou na sua amiga e ela pagou esta confiança com...traição.

 Lágrimas rolaram de seus olhos. Fazia vários dias que estava daquele jeito e se não fizesse nada Marco, logo, desconfiaria. Ela não conseguiria encara-lo. 

 Limpou as lágrimas com as costas da mão. Mas...o que fazer?

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 As duas garotas estavam chegando a cantina, mais uma curva nos corredores e estariam lá, quando a vice-líder dos Condores estacou e começou a olhar vivamente para Löwin; 

 "O que aconteceu?", a galman perguntou sentindo-se encabulada pelo olhar que a terráquea dispensava a seu corpo.

 "Posso lhe fazer uma pergunta?, Depardieu interrogou, após alguns segundos".

 Löwin balançou, afirmativamente, a cabeça.

 Você só tem esta roupa?"".

 Pega de surpresa com a pergunta ela olhou para seu próprio corpo; ela ainda vestia o mesmo vestido de quando tinha vindo a bordo do encouraçado.

 "Bom! Eu tinha um guarda-roupa grande, até. Mas, agora ele virou poeira cósmica", pela primeira vez Löwin sentiu-se envergonhada pelas vestes que trajava, "A doutora Lancaster me ofereceu um de seus vestidos, apesar de serem apenas três, só que infelizmente ele se mostrou muito largo para mim e estou apertando-o".

 Depardieu olhou fixamente para o corpo da garota. Logo se percebia o porque do vestido da Doutora ter ficado grande; a galman tinha o corpo mais esguio que o da terráquea, alem de parecer ter a idade de uma adolescente em comparação aos mais de trinta da oficial cientifico da nave. A face de Löwin começava a avermelhar-se ante os olhos que passeavam por seu corpo.

 "Deve haver no almoxarifado algum uniforme do seu tamanho. Venha comigo".

 "Você vai me arrumar uma roupa como a sua?".

 "Porque não? Uma mulher não pode andar por ai com a mesma roupa o tempo todo. Só não entendo porque a doutora não pensou nisso... A não ser que? Você pode usar calça não é? Isto não é contra o costume de seu povo?".

 Löwin pensou por um instante. Tá certo que em Galman as mulheres usassem longas saias que cobriam os pés mas ela não estava em Galman e, realmente, não podia usar a mesma roupa pra sempre. 

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 Havia tensão na ponte da belonave terrestre; Lisa Mcdowell estava com seus olhos atentos na tela do radar e, quase não conseguia conter sua ansiedade ante a demora em estabelecer comunicação com a esquadrilha que havia partido

 "Sentinela Um nos informa que resíduos de partículas táquions foram detectadas no local", Lisa informou seu capitão.

 "Pode ser natural".

 "Não creio senhor; pelo espectro e padrão elas são de procedência artificial e sugerem uma reversão".

 "Confira estes dados com os coletados nos encontros anteriores com naves aliens Mcdowell".

 André se afastou. Sua mente trabalhava; se a hipótese da tenente Mcdowell estivesse certa havia uma grande possibilidade de que o Tamoyo estar sendo seguido e, definitivamente, isto não era bom.

 "Yamada! Assim que recolhermos o Cosmo Hound e sua escolta, quero que inicie uma reversão".

 "Sim senhor".

 O capitão do Tamoyo retirou-se da ponte, precisava pensar.

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 A porta do alojamento se abriu e Nanako entrou, sua face estampava um sorriso de satisfação; sempre se sentia assim quando se encontrava com Marco. 

 Balançou a cabeça, desconsolada: era uma tonta mesmo. 

 Alguém bateu na porta e ela, que até aquele instante estivera encostada na mesma, deu dois passos para frente e virou-se. A porta se abriu e ela viu-se frente a frente com Julia; a oficial de comunicações trazia a face vermelha e seus olhos ainda estavam úmidos por causa das lágrimas que verteram até pouco instantes.

 "Me perdoe", foi tudo o que sua amiga pode pronunciar antes de cair de joelhos e desfazer-se em lágrimas.

 Nanako ficou estática, sem reação, vendo a moça em prantos sob seus pés enquanto a porta se fechava isolando-as do mundo.