TAMOYO`S JOURNEY


Hadrian Marius
babell@ieg.com.br

 CAPITULO XII: SÃO OS HOMENS TOLOS ?




 "Mas que...!".

 A única coisa que Marco pensava, desde que voltara da missão de interceptação, era poder reencontrar Julia. Havia tantas coisas que ainda queria dizer a ela. Foi por isso que praguejou quando notou, pelo retrovisor do astro-caça, o brilho esbranquiçado.

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 Khorlz observou apreensivo a luz esbranquiçada tomar forma e revelar cinco naves de designer polar.

 "Um encouraçado, um cruzador, três destróieres e cerca de trinta caças, senhor", o oficial de radar informou o óbvio.

 Na configuração de armamento que possuía a Hohenzollern não seria páreo para a frotilha e nem uma manobra de fuga seria possível. A distancia entre eles era curta demais; se fosse possível uma reversão, o que não era pois Lorde Wendern não estava a bordo, as naves polares iriam perceber e avançariam para posição de tiro em tempo de transpassar a nau diplomática com seus canhões energéticos. Ainda, e ele tinha quase se esquecido deste detalhe, havia a questão de qual posição tomaria o capitão do encouraçado terrestre.

 Esta questão foi resolvida quando, mais uma vez, os astro-caças terrestres sobrevoaram a Hohenzollern e se precipitaram sobre caças inimigos.

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 André havia tomado sua posição e após enviar os caças ordenou que a belonave terrestre avançasse, encurtando assim a distancia entre ela e a nave galman de novecentos para cinco quilômetros, praticamente se posicionando entre a frotilha e a nave galman.

 O encouraçado polar começou a se mover, seguido pelo cruzador enquanto que os destróieres mantinham suas posições. O objetivo de cada belonave estava bem definido: o encouraçado tinha por missão enfrentar sua contraparte terrestre, o cruzador seria seu apoio, apesar de que, muito provavelmente, não fosse páreo para a nau terrestre; o mesmo que poderia ser dito dos destróieres que se mantinham longe do alcance dos canhões da belonave.

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 Marco viu quando os canhões de shock dianteiros do Tamoyo responderam ao avanço do encouraçado polar; o disparo seguiu sua trajetória resvalando no casco da belonave inimiga que respondeu imediatamente.

 Logo que o disparo inimigo se mostrou ineficaz mais seis colunas de energia foram novamente disparadas em resposta. O jovem piloto estava assombrado. Era a primeira vez que via uma batalha entre duas naves tão poderosas e daquele ponto de observação, então, a coisa parecia mais espetacular ainda.

 "Almeida?! O que esta fazendo? Inimigo às seis horas", a voz de  Depardieu saiu do comunicador e pareceu ecoar pela cabeça de Marco que, só então, deu-se conta do perigo que corria; um caça polar descia com tudo para cima dele despejando seus mísseis.

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 Neste momento a nave Galman parecia esquecida, pois todas as atenções se voltavam para o embate entre as duas potentes belonaves. A Hohenzollern parecia ter sido relegado à posição de butim do vencedor, uma posição que não agradaria nenhum gamilon orgulhoso de sua estirpe militar e Khorlz era um gamilon orgulhoso de sua estirpe militar. Porem, no momento ele teria que se contentar com o papel de coadjuvante e torcer para que tudo o que ele ouviu sobre as naves da classe Andrômeda fossem verdadeiras. 

 Sua atenção estava voltada para a batalha que acontecia e, somente graças a seu treinamento, notou algo que teria passado desapercebido em outra ocasião; o cruzador não participava do confronto e também não estava apoiando o encouraçado. Rapidamente pediu a localização do mesmo para o operador de radar e teve uma surpresa.

 Khorlz rapidamente percebeu o que se sucedia; enquanto o encouraçado atraia a atenção da nave terrestre o cruzador se movimentava numa manobra que seria uma verdadeira apunhalada pelas costas do Tamoyo

 Havia pouco tempo para agir, o cruzador estava, aparentemente, terminando a manobra. Avisar o capitão terráqueo não adiantaria e a Hohenzollern não tinha armas de alcance suficiente. 

 Só havia uma coisa a fazer.

 "Armar Torpedos!".

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 A líder dos Condores Beta observou os movimentos, aparentemente alucinados, que seu companheiro executava na tentativa de se livrar dos mísseis. Movimentos estes que se fossem executados em alguma atmosfera já teriam destruído o caça. 

 Marco mostrava toda a sua habilidade numa carlinga e ela realmente se impressionou com o piloto reconsiderando a opinião que tinha formado sobre ele desde primeira a vez que se viram; um entusiasta com confiança excessiva, um suicida em potencial.

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 "Blocos dianteiros C e D atingidos: unidades de resgate, manutenção e médica se dirijam imediatamente para lá".

 A situação não estava boa e André olhou para seu oficial de armas que, suando, posicionava as armas para mais um disparo.

 "Não vá errar este Rodrigues".

 "Não errarei senhor... Fogo!!!".

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  O capitão polar estava disposto a terminar aquela batalha e, aproveitando o sucesso do ultimo disparo que aparentemente tinha desestabilizado a nave inimiga, ordenou que fosse iniciada uma manobra de linha, que disporia  sua nave de lado em relação à nau terrestre mas teria todo o poderio de suas seis torres de canhões a disposição.

 A manobra foi iniciada e foi neste momento que os disparos do Tamoyo o alcançaram; duas cargas de plasma penetraram no casco do lado esquerdo da proa e avançaram por seis compartimentos até saírem do outro lado, quase ao centro, e se desfazerem no vácuo. A belonave começou a perder pressão e se desestabilizar

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 A bordo do Tamoyo todos viram quando o encouraçado inimigo começou a lançar ao espaço tufos de fumaça proveniente da queima do oxigênio que vazava pela abertura, causada pelo tiro certeiro perpetrado  por Rodrigues, e uma exclamação de alegria foi proferida.

 "Eu disse ao senhor que não erraria".

 "Muito bom tenente. Muito bom mesmo", o elogio de André pareceu fazer bem ao ego de Rodrigues, que sorria, "Prepare-se para terminar esta batalha, tenente".

 Neste momento sua atenção foi direcionada para a operadora de radar.

 "Alta concentração de táquions em torno da Hohenzollern, senhor. Possivelmente o inicio de uma reversão".

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 O cruzador polar tinha se posicionado e começava a calibrar suas armas para o disparo. A euforia de seu comandante era alta; tinha visto a nave de seu superior ser atingida e vislumbrava a possibilidade de colher os louros de ser o responsável pela destruição da belonave terráquea. 

 Seu oficial de radar tinha lhe informado sobre a concentração de táquions na nave galman mas ele ignorou afinal, quem se importaria com uma misera nave diplomática quando tinha a oportunidade de destruir uma poderosa nave terrestre da classe Andrômeda.

 "Tudo pronto para o disparo senhor", o oficial de armas comunicou-lhe.

 Um sorriso se fez na face do Polar; seria um único tiro na seção próxima ao motor de ondas onde causaria uma reação em cadeia que destruiria toda a nave terrestre mas, e quando este pensamento veio-lhe o sorriso deixou de existir, será que a potencia de suas armas seria suficiente para perfurar a blindagem do encouraçado?

 Sim! Seria. Ele tinha certeza.

 "Fogo!!!"

 As colunas de energia saltaram das bocas dos canhões e se dirigiram ao encouraçado. A expectativa tomava conta de todos a bordo. Será que eles conseguiriam destruir a poderosa nave?...

 Eles nunca souberam...

 Suas faces se tornaram incrédulas quando uma massa metálica esverdeada surgiu a menos de 500 km da proa do cruzador e despejou suas cargas mortais de torpedos e mísseis.

 Enquanto as explosões iam tomando conta da belonave a uma espantosa velocidade seu capitão teve tempo, antes de ser engolfado pelas chamas que consumiam a ponte, apenas de lamentar o fato de ter ignorado a nave galman.

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 André viu, abismado, a manobra empreendida pelo major gamilon. O impacto dos disparos, do cruzador, causaram danos na torre quatro e dois de seus canhões que foram inutilizados mas o motor, propriamente, não tinha sido afetado. Obviamente o Tamoyo não teria a mesma sorte se o cruzador voltasse a disparar, algo que não aconteceria graças à intervenção da Hohenzollern. Congratularia o gamilon depois porque, agora, o encouraçado inimigo tomava-lhe novamente a atenção.

 "Torres Um e Dois prontas para disparar", Rodrigues tinha levado apenas alguns segundos para recalibrar as armas desestabilizadas pelo impacto dos disparos do cruzador .

 Aquele seria o ultimo disparo e André não titubeou ao dar o comando.

 A primeira torre despejou seus disparos que foram seguidos cinco segundos depois pelos, proferidos, pela segunda torre e ambos, como seis pontes de energia, avançaram até quatro delas atingirem o debilitado encouraçado.

 Este ainda tentava se estabilizar do dano causado anteriormente e quando foi atingido novamente se desestabilizou completamente. Se estivem num oceano da Terra, André podia dizer que tinha visto a enorme nave tombar de lado revelando seu casco inferior que começou a ser aberto pelas explosões que irrompiam a bordo.

 Dois minutos se passaram desde os disparos até o momento em que  a belonave polar se tornou uma bola de aço retorcido em chamas

 Novamente Lisa chama-lhe a atenção.

 "Destróieres a 5.000 km da Hohenzollern". 

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 A nave diplomática galman-gamilon Hohenzollern tinha executado uma manobra ousada graças ao comando do major Khorlz mas, agora, tanto ela quanto seu comandante iriam pagar pela ousadia.

 Os primeiros disparos dos destróieres atingiram o flanco direito da nave que estremeceu e Khorlz teve que se segurar por causa da perda momentânea de equilíbrio.

 "Seções 3 e 4 avaria...", o oficial de radio não pode terminar a frase; um segundo impacto se fez ressoar pelo casco e o arrancou de seu assento atirando-o contra painéis do lado oposto.

 Atordoado, Khorlz olhou para sua ponte de comando, que começava a ser tomada pela fumaça emanada dos painéis em curto. Seus homens, os sobreviventes, tentavam, controlar o incontrolável.

 "Casco se rompendo nas seções próximas ao motor que...".

 Khorlz não precisava ouvir o resto, sabia que tudo estava perdido.

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 As torres dois e três do Tamoyo dispararam mas, a distancia entre ele e os destróieres era grande demais e as colunas energéticas passaram ao largo das naves. Os capitães dos mesmos iniciaram um processo de reversão; estavam contentes pelo resultado alcançado, afinal tinham ferido de morte a nave galman, seu objetivo principal desde o começo, e não eram insanos a ponto de se arriscarem num confronto contra um encouraçado. Um embate que perderiam.

 "Tente travar comunicação com a Hohenzollern, Wan-li". 

  A ordem saiu quase como um acesso de revolta. Uma revolta compreensível pois ele tinha outorgado a si mesmo a proteção daquela nave e agora à via se esfacelar.

 "Comunicação travada, senhor".

 O rosto de Khorlz apareceu e, entremeio a estática, podia se ver claramente o caos que reinava atrás dele .

 "A situação aqui está crítica capitão. Estou ordenando a evacuação da nave", e tirando o rosto da tela gritou, "Você ouviu Hirn! Ordene a evacuação imediatamente".

 Todos na ponte da nau terrestre se mantiveram calados enquanto Khorlz mantinha um dialogo, aparentemente furioso, com o tal de Hirn.

 "Estes homens são uns tolos... Talvez eu também seja", Khorlz resmungava quando, novamente, voltou sua atenção para o visor.

 "As coisas não precisam ser assim major, estou certo de que o império esteja precisando de homens como o senhor", Wendern disse disfarçando uma quase suplica.

 "O senhor não conhece a mentalidade gamilon lorde Wendern...", neste momento o sinal começou a falhar, "...Sinto passar a minha responsabilidade para o senh... capitão... Vida long... a ...man- Gamil...........".

 "Perdemos o sinal", Julia informou mas, se foi ouvida não se sabe porque todos estavam voltados para a tela principal onde segundos antes uma nave galman agonizava. Uma agonia que chegou ao fim numa bola de fogo que encobriu o brilho das estrelas.

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 O astro-caça se posicionou logo atras do caça adversário e seu visor anunciou o travamento do alvo. Marco estreitou os olhos, num reflexo e seu polegar esquerdo começou a pressionar o botão dos mísseis quando um enorme clarão desviou-lhe o olhar. Foi um desvio de segundos mas o suficiente para o outro se desvencilhar de seu encaudamento.

 "Era só o que me faltava", o piloto terráqueo olhava impaciente para seu radar, e girava a cabeça em todas as direções possíveis, tentando visualizar novamente o inimigo. Alguém disse alguma coisa em seu comunicador e ele não prestou atenção; tudo o que queria era pegar aquele maldito que tinha tentado derruba-lo a momentos atrás. 

 "Achei!", gritou triunfante quando seu radar captou novamente o alvo e movimentou o manche do Cosmo Tiger, fazendo-o se voltar na direção do adversário, que se afastava.

 "Você não me escapa!".

 "Aonde você pensa que vai Almeida? Recebemos ordens de não persegui-los".

 A voz de Depardieu soou fria em seu comunicador e só então ele percebeu que não apenas seu oponente se afastava mas todos os caças polares restantes seguiam o mesmo curso. Resmungou algo incompreensível e fez o astro-çaca fazer uma curva e seguir na direção do Tamoyo. 

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 O clima abordo da nave terrestre estava péssimo e os ânimos esfriados. Apesar disso, como capitão, André, sabia que deveria agir; ordenou o retorno dos caças, que aquela altura se viam livre de seus oponentes que recuaram ao perceber a destruição da Hohenzollern. Ordenou uma varredura em busca de sobreviventes e estipulou uma reversão assim que todos os caças estivessem de volta.

 Todos olharam para ele, sentindo a frieza com que tinha dado aquelas ordens e ele sabia qual era a pergunta que corroia a mente de todos. Assim como todos André desejava ter tempo de chorar os mortos, mas tempo eles não tinham; ainda havia um porta-aviões, três destróieres e , Deus sabe, quantas mais belonaves nas redondezas. Seria burrice permanecer naquele local. Eles teriam que chorar seus mortos em outro lugar.

 "Varredura completada. Resultado negativo", Yamada informou, o previsível.

 "Sala do motor informa: tudo pronto para reverter, senhor".

 "Tire-nos deste cemitério Camalani".

 A belonave assumiu um aspecto fantasmagórico e após tremeluzir, como uma folha de papel ao vento, mergulhou no desconhecido.

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 Perves olhava, absorto, os destroços que flutuavam a sua frente e pareceu ignorar quando uma esquadrilha de caças sobrevoou a Nau capitânia Krushkaretv. Ele tinha vindo aquele local para incorporar a frotilha do coronel Vavlel, seu amigo de longa data, a sua esquadra e tudo o que encontrou foi um porta-aviões e três destróieres.

 "Você não perde por esperar", sussurrou ao ver a  carcaça do que um dia fora o encouraçado comandado por Vavlel. 

 A belonave terrestre estava começando a se tornar um incomodo.