TAMOYO`S JOURNEY


Hadrian Marius
babell@ieg.com.br

 CAPITULO XI: CONVIDADOS E PENETRAS
 


 O Cosmo Hound iniciou sua aproximação para o pouso, que foi executado com presteza. A porta se abriu e revelou os tripulantes, com olhares agitados e tensos, que desceram e se perfilaram tendo Yamada à frente.

 "Grupo de Auxilio se apresentando, senhor", Yamada fez continência para André, que os aguardava.

 "Bem vindos a bordo senhores. Fizeram um excelente trabalho. Pedi para o pessoal da cantina preparar-lhes algo especial, sem contar a recomendação de uma folga extra"

 André percebeu no rosto de cada um o efeito, desejado, de suas palavras e iria dispensa-los quando todos se voltaram para a entrada do shuttle, onde vulto se formara e começava a descer a escada.

 "É uma honra recebe-lo Embaixador Wendern", André estendeu  a mão que foi efusivamente apertada.

 "A honra é minha capitão", e fazendo um movimento na direção do shuttle, "Deixe-me apresenta-lo à minha filha Löwin e ao capitão Ormultz".

 "Estou encantado senhorita".

 Löwin sorriu amigavelmente.

 "Eu disse ao capitão que não havia necessidade de nos acompanhar", Lorde Wendern disse assim que André apertou a mão de  Ormultz, que aparentava ser, apenas, um pouco mais velho que o capitão do Tamoyo. 

 "Mas eu disse ao embaixador que era responsável pessoal pela sua segurança. O senhor entende Capitão?".

 "Perfeitamente. Em nosso mundo temos este mesmo tipo de procedimento". 

 Após as apresentações André finalmente dispensou seus homens e indicou o caminho para o embaixador e sua comitiva.

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 Depardieu tinha dedicado muito pouco tempo de sua atenção ao pouso do Cosmo Hound mas, agora, como todos os presentes no hangar, sua atenção estava voltada para aquelas pessoas, de pele azul, que tinham descido e conversavam com o Capitão. Olhava, especialmente, para a mulher. 

 Eles caminharam em direção a saída e passaram próximos a ela, que cumprimentou o capitão com uma continência, respondida por outra. Depardieu sabia que seria indelicado, rude até, continuar fitando-os mas, se seus olhos se desviavam com facilidade dos homens o mesmo não acontecia com a mulher. Estava realmente fascinada pela mulher gamilon. 

 Apesar de tecnicamente Löwin não ser uma gamilon todos a tomavam como tal e sua tez levemente azulada somada ao sorriso jovial conferiam-lhe uma beleza exótica que desconcertava a muitos que a contemplavam. Inclusive a sub-comandante dos Condores.

 Löwin sorriu para ela, que se assustou, não pelo sorriso mas, pelo leve acelerar de seu coração e o leve rubor em sua face quando sentiu os olhos da moça perscrutarem-na.

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 Nanako acordou de um sono atribulado, seus olhos inchados indicavam que tinha chorado até adormecer. Sentiu seu corpo doer, o que era óbvio tendo em vista que tinha adormecido em tão incomoda posição; seu corpo ainda estava sobre o piso frio enquanto a cabeça repousava sobre a cama. Tentou se levantar mas, sentiu que algo pegajoso estava grudado em seu rosto... sangue. Sangue que tinha escorrido como um filete de sua boca e empapado o lençol. 

 Levantou-se calmamente e foi ao lavabo onde se limpou e permaneceu algum tempo observando-se no espelho.  Lembrou-se de Marco e Julia sozinhos no observatório e isto cortou-lhe, novamente, o peito. Como as lagrimas ameaçassem aflorar novamente ela se voltou para seu assunto imediato; seu lençol exibia uma horrorosa mancha vermelha ferro, apanhou-o e o enrolou em seguida lançou-o no lixo. 

 Sentiu novamente o gosto do sangue em sua garganta. Devia procurar e tomar o remédio, isso ela sabia mas, pela primeira vez, questionou se realmente valia a pena.

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 André e seus convidados caminhavam pelos corredores do Tamoyo tendo como destino à área dos oficiais onde estava preparada uma recepção. Desde o começo ele se envolveu num diálogo com Lorde Wendern; que lhe pareceu ser uma pessoa extremamente ponderada e com uma preocupação sincera para com o seu povo. 

 Ormultz não perdia oportunidades de observar cada passagem, cada painel, por que passavam, como se fosse encontrar um segredo tecnológico em cada porta aberta. André , ao invés de se sentir ofendido, achava graça na atitude do gamilon que procurava uma vantagem tática em tudo, uma vantagem que ajudasse seu Império. 

 Ao contrario do capitão a filha de Lorde Wendern, Löwin, parecia estar mais interessada nos tripulantes que encontravam e olhava com interesse cada um que passava. 

 "O que me admira é a quantidade de mulheres a bordo de sua nave, capitão; há falta de homens em seu mundo ou é elas que mandam por lá?".

  Ormultz disse assim que uma tripulante, da área de engenharia, passou por eles. O gamilon fazia uma careta de desaprovação. Suas palavras tinham o objetivo de provocar e lorde Wendern, percebendo, maneou a cabeça, era isto que menos gostava nos gamilons.

 Um típico gamilon, André pensou. Conservador, orgulhoso e às vezes um tanto fanático.

 "Não. Na Terra todos são iguais, homens e mulheres, se não fosse por elas não teríamos sobrevivido a tantas adversidades. O senhor deve se lembrar capitão Ormultz que foi uma mulher, Starsha de Skandar, que nos proporcionou os meios para derrota-los".

 Löwin observou o efeito causado pelas palavras do capitão terráqueo e sorriu interiormente ao ver que elas irritaram o gamilon.

 Foi neste momento que uma sirene cortou de fora a fora o corredor. 

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 "Dois objetos não identificados estão se aproximando rapidamente, coordenadas: delta, um, dois, bravo, a distancia de 520 quilômetros", Yamada, que se postara ao lado de Lisa e mantinha os olhos fixos na tela do radar, começou a dizer imediatamente à entrada de André. A noticia não o surpreendeu pois, já esperava por algo daquele tipo.

 "Informe todas as seções que fiquem de prontidão. Já tentou contato, Wan-li?".

 "Estou enviando pedidos de identificação de minuto a minuto senhor, sem resposta". 

 André pareceu refletir por um instante.

 "Ativar sistemas de defesa. Dispare quando estiver pronto tenente", disse se dirigindo ao oficial de armas, que o encarava.

 Rodrigues voltou-se para seu console e fez alguns movimentos que obrigou varias escotilhas, no casco da belonave, a se abrirem e liberarem seus mísseis que partiram ameaçadoramente na direção das naves inimigas.

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 Os pilotos Polares se mostraram surpresos, num primeiro momento, mas fizeram valer seus treinamentos e despistaram os mísseis terrestres. Mas, ao executarem uma manobra em arco para retornar a seu destino entraram perigosamente no alcance dos canhões antiaéreos das naves.

 As baterias do Tamoyo e da Hohenzollern entraram em ação; lançando para o espaço uma chuva luminosa de raios mortais. Apesar de demonstrarem toda a habilidade, que tinham revelado, um dos pilotos não conseguiu evitar que sua asa direita fosse atingida, fazendo-o perder a estabilidade, e arremessando-o na direção das baterias da nave galman; onde encontrou seu fim numa bola de fogo.

 "Parece que seus amigos nos encontraram, Embaixador".

 Somente após as palavras de seu capitão foi que os ocupantes da ponte se deram conta da presença dos galmans. Eles haviam acompanhado André e estavam logo atrás dele; Ormultz lançava seus olhos, havidos por segredos, de um lado ao outro da ponte enquanto que Wendern se concentrava nas ações de André e Löwin se ocupava observando o comportamento do pessoal. 

 Se os terráqueos se sentiram incomodados ou não com a presença daqueles alienígenas no centro nervoso de sua nave ou, se discordavam da decisão do capitão de traze-los ali, isto não tiveram tempo de pensar porque rapidamente aqueles seres foram devolvidos a ignorância. 

 "Espaçonaves de ataque inimigas localizadas a 20.000 quilômetros, coordenadas: delta, um, dois, tango".

 Mais uma vez o capitão do Tamoyo pareceu refletir por alguns segundos.

 "Lançar astro-caças".

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 "Todos os astro-caças; preparar para lançamento".

 O aviso se fazia ouvir por todo o hangar quando Marco chegou. Olhou para os lados vendo toda a agitação; oficiais de pista fazendo sinalização, pilotos checando seus equipamentos. O visual não era muito diferente de um dia de treino mas, havia uma diferença; agora era para valer e cada um procurava lidar com este fato a sua maneira. 

 Marco, por sua vez, não tinha parado para pensar na situação, apenas lamentava o fato de haver sido naquele momento; havia tanto o que dizer para Julia e tanto o que ouvir dela. 

 Não demorou muito e ele já estava na carlinga de seu caça terminando o check-list. O caça, que tinha permanecia no elevador até aquele momento, começou a deslizar para o lado e se posicionou no centro do hangar e após mais um movimento a espaçonave terrestre assumiu sua posição de decolagem.

 "Condor beta zero dois, liberado para partir".

 Marco começou a acelerar os motores um leve tremor percorreu o caça quando este se arremessou no azul infinito.

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 A bordo da Hohenzollern, Khorlz observou quando o esquadrão de caças terrestres sobrevoou sua ponte de comando. O sistema de detecção da nave galman estava parcialmente avariado e por este motivo ele não havia detectado o avanço das naves polares mas o major não precisava de radares para perceber o óbvio. 

 Rapidamente averiguou seu sistema de defesa; cinco baterias antiaéreas, um lançador de mísseis semi-avariado e dois tubos de torpedo. Armamento útil apenas para combate aproximado, algo arriscado para sua nave e sua tripulação.

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 As duas astronaves já tinham se tornado invisíveis na escuridão cósmica quando os radares dos astro-caças detectaram o agrupamento inimigo.

 "Atenção condores; assumir posição de interceptação, inimigo estará ao alcance em trinta segundos".

 Os Cosmo-Tigers se posicionaram numa formação que lembrava um leque e desprenderam seus mísseis de interceptação que se lançaram ferozmente sobre a formação inimiga. 

 O impacto dos mesmos, contra seus alvos, causou clarões que foram divisados pelos pilotos terráqueos, que sabiam ser aquele o prelúdio da batalha que estava por vir 

 Vários pensamentos passavam pela cabeça dos jovens pilotos e apenas o intenso treinamento fazia-os manter a frieza necessária para entrar naquele que para muitos seria seu primeiro combate real.

 As duas formações continuaram avançando até se chocarem como dois exércitos medievais.

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 "Os Condores contataram o inimigo, senhor".

 André pareceu não ouvir a voz da operadora de radar tão concentrado estava em seus pensamentos. 

 "Comunicação chegando da Hohenzollern", o comunicado de Julia foi mais eficaz em  chamar a atenção de André que olhou ansioso para ela.

 "Na tela"

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 Após o embate inicial os caças terrestres se virão envolvidos numa serie de dogfightings com as unidades polares e foi neste momento que o treinamento superior dos Condores prevaleceu.

 Depardieu havia destruído dois caças polares com seus mísseis quando um sinal em seu display chamou-lhe a atenção; um dos caças de seu esquadrão estava enfrentando dificuldades. O caça terrestre tentava a todo custo se livrar do encaudamento inimigo mas este persistia acionando seus canhões mais de uma vez.

 A líder dos Condores beta girou sobre seu próprio eixo e mergulhou na direção do companheiro. Mal o alvo se centralizou seu polegar acionou um botão no manche e os seis canhões do astro-caça  despacharam seus raios mortais sobre o inimigo.

 O piloto polar estava tão concentrado na captura de seu alvo que somente percebeu a descida do caça de Depardieu quando seus disparos atingiram sua fuselagem danificando as asas e o propulsor. Infelizmente, sua percepção chegou tarde demais e ele só teve tempo de executar uma prece para seu deus antes de se transformar numa bola de fogo.

 O caça de Depardieu fez uma curva entorno da bola de fogo e se emparelhou com o caça que havia livrado da destruição.

 "Obrigado tenente", a voz do piloto estava visivelmente aliviada.

 "Mais cuidado da próxima vez Minamino", e levantando polegar, em sinal de positivo, para que o outro piloto pudesse vê-la, novamente girou sobre o próprio eixo e mergulhou na direção de dois caças inimigos. 

 Depardieu estava orgulhosa de seus companheiros pois, não importava a direção que olhasse via que os Condores estavam levando vantagem sobre os caças espaciais inimigos e no andar da carruagem a batalha não duraria muito.

 Seu display assinalou o travamento dos dois caças, a sua frente, na mira dos mísseis. Dois deles se soltaram de suas asas e como duas flechas dispararam sobre seus alvos, aparentemente indefesos.

 Um dos caças foi atingido de imediato, se tornando mais uma bola de chamas entre muitas, mas, o outro mostrou ser pilotado por um piloto muito mais habilidoso que conseguiu se desvencilhar do míssil e partiu para cima dela, a procura de revanche.

 Surpreendida, pela manobra, ela teve apenas tempo de guinar seu astro-caça de lado enquanto os disparos dos canhões inimigos reluziam sob sua fuselagem. Felizmente o piloto polar, em sua ânsia de derruba-la, passou por seu caça deixando um de costas para o outro. Depardieu, recobrada da surpresa, ao invés de executar uma curva, cortou  seus foguetes de manobras direitos; o que ocasionou um violento giro de cento e oitenta graus, deixando-a em posição de encaudamento.

 O piloto polar viu, horrorizado, pelo retrovisor o giro do caça terrestre e algo desprender do mesmo, deixando atrás de si um rastro de fumaça. Sua distancia em relação ao cosmo-tigers era de menos de três quilômetros e o míssil percorreu aquela distancia em segundos. 

 Tendo a bola de fogo causada pela destruição do inimigo a sua frente Depardieu suspirou aliviada. Desta vez tinha sido por pouco. 

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 A confirmação do fim do combate entre os astro-caças terrestres e seus congêneres polares tinha chegado a  ponte de comando  fazia cinco minutos e os primeiros Condores já podiam ser divisados contra o fundo azulado do espaço sideral. André estava em seu acento e observava com certo ar orgulhoso o retorno de suas aves. Apenas duas baixas contra a destruição de quase cinqüenta porcento da força inimiga era algo de que realmente deveria se orgulhar.

 Ele não era ingênuo a ponto de pensar que as hostilidades se resumiriam apenas àquela batalha; que com certeza era apenas a preliminar. Tendo em vista este acontecimento futuro foi que ele apreciou ter travado conversações com o Major Khorlz. Um shuttle estava sendo preparado naquele momento para levar o embaixador e sua comitiva de volta a Hohenzollern. Com o embaixador em segurança e os condores de volta ao ninho ambas as naves executariam uma reversão e cada uma seguiria seu destino.

 Era um plano relativamente simples, ele concordava, mas foi sugerido pelo próprio Khorlz; este achava que o terráqueo tinha feito muito por eles e não seria justo envolve-lo numa batalha que não era sua. André deu de ombros, os gamilons eram seres orgulhosos.

 "O comandante Yamada informa que o embaixador e sua comitiva estão embarcando neste momento, senhor".

 Os astro-caças já haviam retornado e estavam orbitando em volta do encouraçado, esperando permissão para pousar. André levantou os olhos do visor de comunicação e teve a impressão  de que logo após os caças uma estrela começou a brilhar de repente. Olhou para Lisa que confirmou suas suspeitas.

 "Alta concentração de táquions detectada; Naves não identificadas estão revertendo a distancia de vinte mil quilômetros, senhor".

 A batalha principal estava prestes a começar.