capítulo VI – A decisão de Fighter .

Caminhando contra o vento, sem medo, sem ressentimento .

Seguindo pela estraga que levava até o castelo, com o mundo sob suas costas .

O que sabia sob mundo ? Estava prestes a abandoná-lo, não tinha o direito de dizer que o carregava .

Tal direito era dado a eles, a todos os cidadãos de sua terra natal, os quais estavam se esforçando continuamente .

As ruas ... as casas ... as contruções ...

Museus, passeios publicos, monumentos ...

Fighter olha para o lado, observando algumas pessoas terminando de erguer a parede de uma casa .

Apenas uma casa .

Eram quatro pessoas fazendo isso . Cada uma se dedicando, se esforçando pelo planeta .

- Cuidado ! Vai cair !

Devido a uma má sustentaçào, a parede começa a ruir encima dos trabalhadores . Rápida como um cometa, Fighter se locomove e os tira dali, salvando-os .

- O-o-obrigado, senhor ... Sailor Fighter ! Eí, a Sailor Fighter nos salvou !!!

- Obrigado, dona Fighter !

- Não há de que . Vocês deviam tomar mais cuidado com isso, podem acabar se machucando .

- Bem ... é que não somos muito hábeis nisso, sabe ...

- Como é ? Estão fazendo algo que não sabem ?

- Bem, parecia ser bastante simples, sabe . Alguns amigos até vieram me ajudar e ...

- Imagino com deve estar o resto da casa ... irei solicitar que venham algumas pessoas até aqui .

- NÃO ! Podemos resolver isso !

- Não seja tolo, vão acabar se acidentando – ela dá um leve tapa na casa, e a mesma começa a se mexer – viram ? Pedirei que o mestre-de-obras do palácio encaminhe alguém aqui para ajudá-los .

- Já disse, podemos fazer isso . O mestre de obras tem suas obrigações com o palácio, não pode parar seu trabalho para vir nos ajudar , tampouco enviar um de seus ajudantes .

- Vão acabar se machucando, isso sim .

- Sim, claro ... mas é na crise que as pessoas crescem, não é mesmo ? Médicos viram pedreiros, professores viram soldados , cozinheiros se tornam professores ... o planeta não será reconstruido por apenas uma pessoa, Senhorita Fighter, mas por todos nós, um ajudando o outro, um substituindo o outro se algo acontecer . Quem me dera ter a honra de proteger nossa soberana , mas eu faço o que posso . Talvez a casa não fique muito boa ... provavelmente não ficará ... mas não temos alternativa, não é mesmo ? Afinal, é o que queremos . quando você quer algo, deve tentar até conseguir, independente do que seja . Quando terminarmos qui, iremos continuar construindo a casa dos demais . Vai demorar ... está demorando , mas ... o que mais podemos fazer, senão tentar ?

- Como preferir – ela se afasta , observando as casas ao seu redor . Realmente muitas estavam bonitas, mas outras, um tanto mal construidas . Pelo que soube, profissionais deram cursos especiais para a população, para que eles pudessem ajudar na reconstrução do planeta, mas ainda estava longe de ser como antes .

Mas ele estava certo . Não era ela, apenas ela . Todo o planeta, todo mundo estava nisso, se empenhando . Seria uma tola se achasse que toda a responsabilidade estava em suas costas .

Ela para novamente, observando um canteiro que estava à sua direita . Na mesma hora, lembrou-se de que costumava passar por ali frequentemente .

Mais do que isso . Sempre que se dirigia ao palácio, passava por ali, e ficava alguns minutos admirando-o .

Flores . Flores dos mais diversos tipos .

Lembrava-se bem . Havia um senhor que cuidava das flores, mas nunca chegou a perguntar seu nome .

Que coisa estranha . Lembra-se bem de as vezes ficar alguns minutos observando-as, admirando o quanto elas eram belas em sua simplicidade .

Até mesmo chegou a ganhar uma de presente em certa ocasião . E o mesmo canteiro ganhou o nome – injusto – de “As flores de Fighter” .

Ela odiou aquilo . Era apenas uma observadora, o crédito era única e exclusivamente daquele que cuidava delas, as podava, dava-lhes amor e carinho, arrancava as ervas daninhas ...

Mas ele não se preocupava . Para o mesmo, o fato das flores continuarem a crescerem já era um prêmio , e ele havia explicado que não era a primeira vez que alguém dava a àquele canteiro o nome de alguém . Frequentemente enamorados faziam isso por ali .

Ela sorriu,  saudosa com o passado . Mesmo com o ataque de Galáxia, o canteiro ainda existia . Como, era algo que ela não compreendia .

Não demora muito para ter suas respostas . Ela olha para sua frente, aonde vê, do outro lado do canteiro, um garoto arrancando algumas ervas daninhas . Curiosa, ela caminha até ele, imaginando quem seria .

- Com licença ... onde está o senhor que cuidava das flores ? – ela respondia inocentemente .

- Ele morreu, senhorita Fighter – o garoto respondia casualmente, sem nem ao menos olhar nos olhos dela .

- Morto ? – ela se amaldiçoava por ser tão ingênua . Claro que estava morto, a destruição causada fora enorme, e ele devia ter sido uma vitima .

Na verdade, a capital fora reduzida a escombros, lembrava-se .

- Sim . Papai vinha aqui todos os dias .As vezes sinto ele ao meu lado, me acolhendo, ajudando-me com isso . Ele dizia que as flores são seres vivos, e que também gostam de conversar com ele . Acho que elas nunca ficarão sozinhas, pois ele sempre estará ao lado delas .

- É muito bonito o seu jardim, sabia ?

- Não tanto quanto o de papai ...mas eu me esforço . Tome – ele retira uma bela flor lilás e a entrega para Fighter – fica bem na senhorita .

- O – obrigada . Tem tido muito trabalho ?

- Um pouco . O mais dificil foi preparar o terreno . Ele estava bastante pobre, tive que prepará-lo para tanto . Disseram que eu devia plantar frutas e legumes, mas eu preferi plantar flores . Queria deixar esse lugar bonito, como era antes . Papai era um jardineiro de mão cheia .

- Você também é . Só precisa ter mais confiança no que faz .

Ela se despede, seguindo seu caminho . Ocasionalmente uma ou outra pessoa lhe acenava, as vezes era parava para ajudar alguém .

Seu planeta . Sua amada terra .

Era uma decisão dificil . Como ficar com a consciencia limpa diante da situação ?

No fim das contas, mestra Spyker estava certa : ela era uma egoista .

E quem não era ?

Embora soubesse que tal desculpa não justificasse sua atitude . Nem um pouco .

Era um beco sem saida . Um rato em um labirinto .

O que quer que decidisse, a decisão que tomasse, teria que ir até o fim .

Era justa ? Nem um pouco .

Sensata ? Longe disso .

Quem diria que ela iria chegar a tal ponto ... a poderosa guerreira da estrela da luta,  reduzida a uma tola apaixonada .

Como isso poderia ser certo ? Como alguém poderia se sentir bem indo atrás de um amor e deixando seu reino para trás ?

Como poderia ser errado ?

Era pedir demais ? Depois de dedicar toda a sua vida pela coroa, de arriscar sua vida nos caminhos mais frios do espaço, não teria o direito de ser tola ? De ser idiota a ponto de jogar tudo para trás ?

A quem estava querendo enganar ? Era uma desertora, e fim de papo . Não iria conseguir nada com aquilo .

Ouviu palavras doces de sua sobenara, duras de Healer, imparciais de Maker, e incógnitas de sua mestra .

Mas no fim, ela era quem estava colocando obstáculos diante de seus objetivos . Se ela quisesse ir, que fosse de uma vez, e não ficasse se lamentando pelo que iria deixar para trás .

Nada iria mudar o fato de que ela estava abandonando seu planeta em um momento tão dificil . Mesmo sabendo que outros a substituiriam com igual prazer, nada mudava isso .

Ela, uma traidora .

Uma ... desertora .

Aceitar isso era a única coisa que podia fazer . Se fosse capaz de tal coisa, talvez não fosse totalmente feliz, mas ao menos, estaria em paz consigo mesma .

Talvez fosse melhor assim . Ao menos, tinha a certeza de que, mesmo que o planeta inteiro viesse a condena-la, não seria para sempre .

Afinal, quem ela era ? Não era uma deles ? Não veio do meio deles ?

Não era uma princesa, tampouco de alguma outra familia nobre . Veio do povo . Nasceu entre eles .

Ela realmente acreditava nisso ? Achava que sua decisão não faria os poucos sobreviventes do planeta Kinmoku gostarem ainda menos daquela geração de Starlights ?

Como saber ? Afinal, a ela não pertencia o futuro . Na verdade, nem mesmo o presente era seu . A mesma não passava de alguém que vivia o presente a cada momento, apenas podendo aguardar o desenrolar de seus atos nele .

E quanto ao futuro ...

Ele seria o que iria ser, independente do que estivesse vindo em sua direçào . Era uma maneira bem primária de se pensar, deixar o futuro nas mãos do acaso ... mas quem poderia imaginar que três guerreiras novatas teriam conseguido resgatar a soberana e ainda por cima enfrentar a mais poderosa das senshis, Sailor Galáxia ?

Fighter adentra no castelo, abraçando-se .

Tinha dúvidas . Muitas dúvidas .

Tinha desconfiança .

Medos .

Suspiros eram lançados ao ar .

Mas acima de tudo, se sentia tomada por uma vontade enorme de fazer algo . Um desejo ferrenho que a tomava, dando-lhe forças para agir até na pior das situações, o mesmo que lhe ajudou durante aquela grande batalha .

Nem que fosse a última coisa que fizesse .

***

Já havia se tornado um hábito da população local . Começava chamando a atenção dos guardas . Depois, dos habitantes mais próximos . Em pouco tempo, praticamente toda a capital parava para ouvi-la .

Mais uma vez, eles se enebriavam com a melodia, a doce e bela melodia de todas as noites .

No entanto, a melodia que ela tocava soava diferente . Tinha um tom incrivelmente diferente . Não parecia triste, tampouco parecia alegre .

Mas nem isso deixava o publico menos espantado . Era como sentir a melodia tocando em seu peito, em plena sintonia com seu interior  Como se ela fosse um instrumento para canalizar o brilho da semente estelar de Fighter para todos os habitantes ali próximos .

De sua Casa, Spyker chegava da sacada e, puxando uma cadeira, observava aquilo . Poucas vez teve a chance de presenciar tal espetáculo, o qual era capaz de chamar a atenção de toda a população .

Fighter .

Sua discipula .

Até ela admitia que a mesma tocava maravilhosamente bem .

De certo modo, colocava para fora todos os seus sentimentos com a música, revelando seu coração puro para todos . Longe de ser um soldado frio que mantém um semblante sério para não demonstrar fraqueza, ela inspirava todos os presentes apenas por ser o que era .

Não uma Sailor .

Não uma guarda real .

Uma Kinmokusei .

- Meus parabéns, Fighter – ela se permitia deixar tais palavras escaparem por entre seus lábios – é lindo o que você está fazendo . Maravilhosamente lindo . Um venusiano choraria se tivesse a chance de sentir o quanto de sua própria alma corre através da letra dessa música .

Era como se o universo fosse formada de cordas, e seus dedos as tocassem . Naquele momento, ela sentia como se todo o universo pudesse ouvir o que ela cantava, e tivesse a capacidade de responder em igual sintonia .

E ninguém, ninguém mesmo se atrevia a interrompe-la . Aquela momento era dela e de mais ninguém . O povo ficava totalmente em silencio, alimentando-se da beleza da melodia, sentindo até o fim de suas almas o que Fighter sentia .

Quanto tempo ela durou ? Uma hora ? Duas ? Seis ? Não importava . Como em todas as outras vezes, era um momento único . Cada música era cantada com tanta dedicação, que não podia ser comparada .

Jamais .

Ela cessa, sendo recebida por um som de palmas capazes de fazer até o surdo ouvir , e sorri para seus expectadores . Até mesmo os que estavam no palácio .

- Isso é um adeus, Fighter ?

- Majestade ...

- Estive aqui ouvindo tudo ... foi a mais bela melodia que eu já ouvi em toda a minha vida . Mais bela do que a que vocês usaram para me encontrar . Mais bonita do que as outras que você compôs nos ultimos dias .

- Obrigada, magestade .

- É isso o que você quer, não é mesmo ?

- Sim, magestade . É o que eu desejo . É o que eu mais almejo .

- Então, vá . Como eu disse, está dispensada de seus deveres como senshi . Sua felicidade é o que mais importa para mim, minha amiga . Mas lembre-se de que sempre haverá um espaço aqui para você, aconteça o que acontecer .

- Obrigada, magestade – ela se curva uma ultima vez e, contemplando o céu estrelado,  a mesma se vira .

- Então você vai mesmo, Fighter ? – Ela se vira, contemplando ali suas companheiras  . Maker estava encostada na parede, com seu semblante eternamente frio, ao passo que Healer tinha uma expressão bastante rigida na face .

- É o que eu mais quero, amiga .

- Mas ... por que ? Por tudo o que é mais sagrado, Fighter ... ponha um pouco de juízo na sua cabeça ! Ela já é comprometida ! O que pensa que vai fazer lá ?

- Eu preciso ir, Healer .

- Maker, me ajude aqui ! O que foi ? Vai ficar calada ?

- ....

- Eu mereço ! Fighter, ela tem familia, amigos e, mais do que tudo,alguém que a ame ! Céus, o que você vai fazer ? Quer estragar tudo isso ? Você irá a toa, sabe que ela não vai dar a minima para você ! É um desperdicio de tempo, só irá se machucar mais ainda !

- Prefiro me machucar tentando do que nunca ter tentado para descobrir como seria, Healer . Sei que está preocupada comigo, amiga  ... irmã ... colega ... mas eu preciso ir .

- mas ... mas ... – Healer tinha em sua face uma expressão de pura confusão . Não entendia o que acontecia . Maker e a princesa não iriam fazer nada ? – mas ... mas ...

- Deixe ela ir, Healer – Maker se manifestava – se é o que ela quer ... então deixe ela ir .

- Mas ... mas ... droga, Fighter ! DROGA !!!

- Não se preocupe – ela se aproximava, colocando as mãos no ombro da amiga, a qual estava praticamente ajoelhada no chão – eu voltarei . Prometo .

- Mas ... droga ...  eu ... eu vou te cobrar isso, Fighter ! Pode apostar que sim !

- Eu sei que vai – ela deixava um fraco sorriso escapar em meio as lágrimas – não direi adeus, pois não vejo isso como uma despedida de verdade . Digo apenas “até logo” . Até logo, Fighter , Healer e ... princesa – ela da as costas para ambas e se aproxima do parapeito, observando as estrelas .

Era algo maravilhoso o que podia fazer . Sentia o cosmos dentro de si, explondindo e gerando um novo universo, infinito em desenvolvimento e formas de vida . Ela respirava suavemente, unindo-se por completo as forças cósmicas, as quais passavam pelo seu corpo, tornando-a uma-a com as luzes que brilhavam no céu para cada pessoa .

Seu corpo se ilumina, sendo tomado por um clarão realmente impressionante, até que, num piscar de olhos, seu corpo se move para os céus, cruzando-o e deixando para trás um leve rastro de luz, o qual se afastava . Como uma estrela, seu corpo brilhava enquanto ela se afastava de seu planeta natal, mais uma vez .

- Adeus, Kinmoku – ela recitava entre lágrimas enquanto entrava no espaço sideral .

- Adeus ... Sailor Star Fighter – de sua casa, Spyker observada mais uma vez aquela que fora sua aluna, partir . Talvez por algum tempo . Talvez para sempre . Não sabia . Só sabia de uma coisa : ela tomou sua decisão . Ferindo-se ou não, ela o tomou . Não sabia o que viria em seguida, se chegaria em segurança até seu destino, tampouco se seria bem sucedida, mas ao menos, sabai que Fighter fez o que queria, tomou uma decisão, não pelos seus amigos ou seu povo, mas sim pelos anseios de sue coração – espero tornar a encontrá-la .. nem que isso demore toda a eternidade .

Uma lágrimas furtiva escorria pelos olhos de Spyker .

Jovens .

Hunf .

Sempre os mesmos de sempre . Eternamente assim .

Ainda bem, ele pensava . Ainda bem .