Capítulo 8: Novos Reencontros
Fui levado para uma espécie de prisão. Havia grades e correntes mas eu era o único prisioneiro. Caminhamos bastante para chegar ao local, mas sentia ainda estar no complexo de túneis subterrâneos. Me interrogaram mas nada respondi. Chagaram à conclusão que eu não sabia falar. Estranhei não terem me machucado.
Permaneci quieto. O sujeito que me interrogou retirou-se deixando um outro sentado de frente pra mim, me vigiando. Nos encaramos por algum tempo. Era uma figura curiosa. Tinha cabelos negros e escorridos, orelhas pontudas, a asas tão negras quanto os cabelos... Me lembrava alguém, só não lembrava quem.
“Você sabe falar?”, finalmente perguntou.
Virei a cabeça sem pensar.
Você fala sim... entendeu tudo que dissemos, não foi?”
Uma pausa. Permaneci mudo.
“Você veio ver o mestre?”
‘Mestre?!”
“Há! Sabia que você falava!”.
Abaixei a cabeça meio embaraçado. A cena que acabara de presenciar ainda não me tinha saído da cabeça.
“Me responda estranho. Quem é você e que veio fazer aqui?”
“Não sei onde estou...” Estava consciente de que não estava mentindo completamente.
“Como veio parar aqui, então?”
“Kurama me trouxe.”
O youkai arregalou os olhos.
“O que?”
“Isso que você ouviu. Não sei de mais nada. Pergunte a ele se quiser.”
Ele saiu quase imediatamente me deixando só. Voltou algumas horas depois.
“Vou levá-lo ao Mestre agora.”
Me desacorrentou. Enquanto andávamos não agüentei e perguntei.
“Quem é o Mestre?”
“Você vai ver.”
Fui levado a uma sala bem espaçosa se comparado com os outros compartimentos por onde já havia passado. Sentado em uma enorme poltrona estava aquele youkai enorme que acabara de ver surrando Kurama.
Com certeza iria me matar. O sujeito que me trouxe se inclinou em reverência, me empurrando em direção ao chão. Caí de joelhos.
“Mestre, este aí disse ter sido trazido por Kurama.”
“Yomi é seu nome, estou enganado caçador?”, perguntou o Mestre em um tom que nem de longe lembrava aqueles berros histéricos.
“Não, me chamo Yomi mas não sou um caçador. E quem é você?”, perguntei juntando a coragem que me restava.
“Sou Najah, mestre do subterrâneo. Se não é caçador, o que fazia vestido como um, perdido no meio da floresta.”
Perdi o medo, nem sei como.
“Eu só fingi ser caçador para encontrar Kurama.”
Falando nele...
“Yomi! Você está aqui. Que alívio. Te procurei por toda parte.”, disse o sorridente youko enquanto se encaminhava na direção de Najah.
Mais uma vez fiquei perplexo. Não havia nada em sua aparência que denunciasse a violência que acabara de sofrer. Nem uma marca... sequer um arranhão.
“Você está bem? Se sente melhor?”, perguntou Kurama, fitando minha expressão estarrecida.
Custei para responder e limitei-me a um “sim” um tanto apático.
“Então você já deu um jeito de conhecer meu pai?”
Pai!!!! Que diabos estava acontecendo.
Olhei para os lados. Somente então percebi que vários youkais jovens me rodeavam. Haviam muitos mestiços e de raças diversas. Estavam sentados e pareciam relaxados. Reparei que os sujeitos que me encontraram estavam entre eles. Voltei meus olhos em direção de Kurama de modo a constatar se era aquilo mesmo que eu tinha acabado de ver. Lá estava ele, lindo e jovial como sempre. Tinha se sentado no chão, ao lado de Najah, de modo que este lhe pudesse acariciar os cabelos. Não mostrava qualquer sinal de desconforto ou dor.
Najah levantou-se subitamente.
“O amigo é seu Kurama, então vou deixá-lo por sua conta. Ele pode ficar se quiser.”
O youko me olhou com expressão de contentamento. O monstro continuou.
“Converse com ele. Explique nossos costumes e deixe que decida. Ele tem um semana para isso.”
Retirou-se, não sem antes se inclinar e beijar Kurama.
Eu estava profundamente chocado. Não com o beijo em si, é claro, mas sim com o contexto em que se enquadrava. Toda aquela estória tinha dado um nó nos meus pensamentos.
“Vem comigo.”, disse Kurama bem perto de mim. Será que nunca iria notar quando se aproximava?
Continuei parado. Kurama pegou minha mão.
“Vem!”
Eu fui.
Ele me levou até a superfície. Estávamos de volta na floresta, só que numa região até então desconhecida para mim. Era dia e meus olhos demoraram a se acostumar com a claridade.
“Nossa como eu detesto aqueles túneis.”, comentou ele resignado. “Você está com fome?”
“Não, acabei de comer.”
“Ah! Já tinha me esquecido... Você gostou das frutas?
“Estava muito bom.”
“Não parece, você está com uma cara...”
“Me desculpe. Acho que comi demais.”
“Se importa se eu comer?”
Acenei que não. Kurama se aproximou de uma árvore. Olhei para cima e vi que não havia nada que se aproveitasse.
“Se fosse você não perderia tempo subindo aí. Estão verdes.”, alertei.
Kurama riu.
“Não vou subir... e não ficarão verdes por muito tempo.”
Kurama fechou os olhos e imediatamente a árvore inclinou o galho em sua direção. Um fruto imprestável que estava pendurado rapidamente mudou de cor, tomando o aspecto de fruta madura e apetitosa. O youko arrancou o petisco cuidadosamente, fazendo com que o galho voltasse à posição original.
“Tem certeza que não quer?”
Titubeei mas decidi não mudar de idéia.
Kurama sentou-se após ter vasculhado com os olhos as redondezas. Começou a comer.
“Que espécie de comunidade é essa? Najah é seu pai? O que vocês fazem? Quem é você afinal?, disparei nervoso.
Kurama me olhou tentando não rir. Não era o tipo que falava com a boca cheia e se eu não parecesse tão ansioso, acho que teria acabado de comer antes de começar a me responder. Jogou a fruta interminada fora, atirando-a longe. Lambeu a ponta dos dedos e só então começou a falar.
“Não é uma comunidade. Somos apenas quinze. Najah não é meu pai de sangue mas me criou desde que eu tinha dez anos, me ajudou de todas as maneiras e eu amo ele muito por isso. Somos ladrões como você já deve saber. Todos nós, exceto o meu pai. Sou um youko, me chamo Kurama, tenho 17 anos e detesto jiló. Ufa! Será que eu respondi tudo?”
“Está debochando de mim?”
“EEEEu?!?!... Que idéia!”
Comecei a processar o que tinha me dito. O tal mestre não era seu pai de verdade. Fazia sentido. Devia ser um grupo de ladrões, com um líder fanático. Kurama o amava? Como podia ser? O sujeito era um louco, uma besta descontrolada. E aquela estória de serem como pai e filho... Pais não beijam seus filhos daquele jeito. Não! Ele só tinha 17. Sabia que devia ser jovem mas não tanto. Essa idade é insignificante para um filho do Makai. Eu tinha 95 e ainda ninguém me levava a sério. Um youkai só é considerado adulto a partir dos 150, 200 anos, dependendo da espécie. Diabos, Kurama era praticamente um bebê! Comecei a me sentir um pervertido.
Um barulho foi ouvido. Kurama levanto-se num pulo.
“Caçadores.”, falou num tom baixo. Percebi que parecia nervoso.
“Vamos voltar.”
“Não. Estamos muito perto de casa. Não posso levar perigo para lá... Vem!”, e começou a correr na direção oposta do esconderijo, justamente na direção do som.
“Kurama... ficou louco?”, segurei-o pelo braço.
“Estão perto demais. Não posso deixar que se aproximem. Meu pai ficaria louco.”
Percebendo que não estava disposto a soltá-lo, transformou-se na raposa de várias caldas que agilmente desvencilhou-se mim e correu sumindo por trás das árvores.
Tentei segui-lo mas tinha perdido totalmente a sua pista. Continuei caminhando na direção que julgava certa. Ouvi mais vozes e tive certeza que estavam bem próximos. Senti algo e empurrar pelas costas, me atirando ao chão. Era Kurama de volta à forma original.
“Não fique aí em pé.”, cochichou no me ouvido, “Eles estão bem ali, olha.”, apontou para um grupo de caçadores bem a nossa direita.
Eu devia ser ainda mais cego nesta época. Estavam bem ali do lado e eu não tinha dado conta. Eram três guerreiros altos, vestidos com armaduras. Como não tinham chifres achei que não deviam ser tão poderosos mas ainda assim eram uma visão ameaçadora. Reparei que Kurama os analisava cuidadosamente, parecendo estar planejando alguma coisa.
“Vamos partir para cima de surpresa.”, sugeri, tentando não me exaltar.
“Espere um pouco... estou pensando.”, respondeu o youko.
Pensando o que? Que diabos era aquilo? Três inimigos parados bem na nossa frente e o outro me diz que estava pensando!? Comecei a ficar impaciente.
“O que você faz?”, perguntou Kurama.
“Faz o que?”
“Seu youki, o que ele faz?”
Engasguei. Como seria capaz de admitir que até então só lutava com a espada e com as mãos, no mano a mano. E logo para quem. Iria me achar inútil na certa.
”Sou espadachim e... tenho um youki que... bom, só que ele não sai muito bem... enrolei.”
“E cadê a sua espada?”
Diabos!! Tinha esquecido. Que porcaria de guerreiro era eu.
“Não tem importância se não estiver com ela... eu te arranjo uma.”
Olhei para ele antes de responder. Onde teria escondido uma espada?
“Como? Tem uma aí?”, desembuchei.
Kurama tirou um pequena semente de um bolso e a colocou na palma da mão. Vi quando seus olhos brilharam e aquela bolinha insignificante começou a mudar de forma. A medida em que crescia pequenos galhos se agarraram ao braço do youko, enquanto outro se expandiam para frente tomando um formato pontiagudo. Em poucos instantes havia um espada perfeitamente afiada atada ao braço de Kurama. Estava impressionadíssimo com a transformação. O youki de Kurama era sensacional e lindo, como o dono. E ele era tão jovem para ter as habilidades desenvolvidas. Imaginei como não seria quando chegasse a adulto. Ele arrancou a espada do braço com todo o cuidado, torcendo os galhos para que houvesse um lugar onde se pudesse segurá-la. Entregou-a a mim.
“Vamos fazer isso rápido. Essa espada não vai durar muito na sua mão. Vê aquele de capacete arriado? É o espadachim deles, todo o grupo tem um. É uma espécie de vigia e segurança. Você cuida dele que eu fico com os outros dois que são caçadores profissionais, tá bom assim?”
Que humilhante, receber ordens daquela criança, logo eu. Mas como não tive competência nem para arranjar minha própria arma achei melhor ficar quieto. Mataria meu oponente rapidamente e ainda ajudaria Kurama a cuidar dos outros, pensei.
“Tá certo.”, respondi.
“Então vai por ali que eu dou a volta para pegar os meus por trás.”
Resolvi atacar do meu jeito, ou seja, dei um berro e parti para cima. O sujeito revidou habilmente e contra-atacou cheio de fúria. Me ocorreu que não iria ser tão fácil e não foi de fato. Tínhamos habilidades muito parecidas. Conhecia seus truques e ele os meus. Meu opoente vestia uma espécie de armadura protetora que parecia bastante pesada mas isso não lhe diminuía a agilidade. Seu rosto tinha um cicatriz bastante profunda, difícil de se ver devido ao elmo que usava. A igualdade daquela luta já estava me irritando, assim como o silêncio do adversário que não respondia minhas provocações. Numa guinada repentina o guerreiro arrancou a espada de minhas mãos, deixando-me indefeso. Apontou a espada para o meu pescoço. Fechei os olhos.
“Deixe ele em paz. Sou eu que você quer, não é?”
Kurama se aproximava de nós bastante sujo de sangue e carregando um estranho chicote em sua mão. O guerreiro de armadura virou-se em sua direção, sem abaixar a espada apontada para mim.
“Jogue fora o chicote!”, ordenou.
Kurama obedeceu.
“Ponha as mãos para frente, onde possa vê-las. Onde estão os outros?”
“Mortos.”, disse o youko enquanto juntava as mãos na frente do corpo com lhe havia sido dito.
“De joelhos!”
Kurama hesitou desta vez.
“Faça o que mando ou vou matá-lo.”
O youko ajoelhou-se.
O guerreiro se dirigiu para ele, encostando sua espada como se fosse degolá-lo.
“Não pense em usar seus poderes ou matarei os dois!”
Pensei em fazer alguma coisa (ainda que não me ocorresse o que). O sujeito percebeu.
“Fique onde está Yomi, ou decepo seu precioso amiguinho.”
Levei um susto.
“Como sabe o meu nome?”, gritei.
Kurama permanecia de joelhos com a espada bem encostada em sua nuca mas parecia estranhamente calmo.
“Não se lembra de mim...”, falou, retirando o elmo.
Era Joh. Desta vez o susto foi ainda maior.
“Joh...”, engasguei, “Você aqui? O que houve com o seu rosto?”, perguntei vendo a cicatriz que ia do queixo até a testa, deformando-lhe todo o lado esquerdo do rosto.
“Um acidente... que importância isso tem. Você nunca me achou bonito mesmo.”
“Joh, você era meu amigo. Não te fizemos nada. Deixe ele ir.” Joh riu.
“Só podia ser. Tá preocupado com ele... só com ele. Pois saiba que vou matá-lo. Não pela recompensa. Eu quero ver você ficar só e abandonado como eu.”
Meu ex-amigo parecia louco. Sempre tinha sido tão moderado em tudo. Não podia ser o mesmo.
“Diabos, Joh! O que aconteceu com você?”
“... Você quer mesmo saber o que aconteceu nessa minha desgraça de vida?”, disse, olhando fixamente para Kurama. Fez um pausa. “Não, você não quer...”, continuou, “Você nunca se importou comigo. Quer saber? Vou fazer uma cicatriz nesse lindinho para ele ficar igualzinho a mim.”
Num movimento rápido, Joh encostou a ponta da espada na testa de Kurama, pressionando-a, até que sangue brotasse do pequeno corte.
“Pare com isso Joh!”, gritei.
Ele continuou cortando a pele até o canto de um olho.
“Eu faço o que você quiser, juro, qualquer coisa. Viro seu escravo, mas pare com isso.”
Joh parecia não me ouvir enquanto deslizava a lâmina pela bochecha. Kurama permanecia imóvel enquanto o sangue já lhe escorria abundantemente pelo rosto. Joh parou e me olhou.
“Você ainda tem aquilo que te dei?”
Não tinha. Havia vendido aquele amuleto praticamente no dia seguinte.
“Sim Joh, mas não está aqui.”
“Mentiroso!”, disse enraivecido enquanto continuava cortando Kurama.
“Você vai ver...”
Não chegou a terminar a frase. Foi tudo tão rápido que os olhos não puderam acompanhar. Num raio, galhos finos haviam brotado do chão, perfurando o corpo de Joh em vários lugares, passando pelas frestas da armadura. Ele deixou a espada cair e tombou para o lado. Kurama levou a mão ao rosto ensangüentado e caiu para o outro lado.
Corri para o youko. Estava nervosíssimo. Ele se mexeu e abriu os olhos.
“Eu vou ficar bem.”, murmurou, fechando os olhos.
“Me desculpe.”, continuei aflito, “Foi tudo minha culpa. Se não fosse tão estúpido, tão inútil.”
Rasguei minha roupa e encostei o tecido em seu rosto, tentando conter o sangue.
“Não se preocupe, nada nesse mundo pode fazer você ficar feio... e eu te adoro mesmo virado do lado do avesso.”
Kurama riu, soltando um gemido em seguida.
“Não me faça rir, tonto, que dói.”
“Me desculpe de novo. Ai que imprestável que eu sou!”
Ouvi Joh gemer. Ele se mexeu. Temendo que se levantasse, larguei Kurama e agarrei a espada caída ao meu lado. Me levantei e apontei a arma para o peito de Joh que continuava caído.
“Maldito, você merece morrer!”, falei.
“Então me mate.”, sussurrou Joh.
Bolos de sangue saíam de sua boca. Hesitei.
“Faça algo por mim uma vez na vida.”
Matei-o Não iria sobreviver aos ferimentos mesmo. Voltei para Kurama.
“Vou te levar para casa.”
“Não.”, disse quase sem mover os lábios, “Não posso voltar desse jeito.”
“Mas alguém tem que te ajudar. Tá sangrando muito.”
“Vai parar logo. Me deixe como estou.”
Pensei em contrariá-lo mas desisti. Se o levasse para o esconderijo não poderia estar a sós com ele daquele jeito.
O pano já estava encharcado de sangue, então eu usei o resto da camisa. Seu rosto estava todo retalhado do lado esquerdo. Cheguei a sentir um aperto no peito quando olhei. Não haviam outros ferimentos. O sangue espalhado em sua roupa devia ser dos youkai que matou. Me levantei novamente. Kurama estava de olhos fechados e não me respondia mais. Tentei ter alguma idéia. Dei uma volta em torno do local da luta para ver se percebia algum perigo. Encontrei os corpos dos outros caçadores. Peguei um cobertor e um cantil de água e outras coisas menos importantes. Coloquei Kurama em cima de um lado do cobertor e o cobri com o outro. Já estava anoitecendo. Aproveitei o resto da claridade para usar a água lavando o ferimento de Kurama. Ele estava irreconhecível. Mal podia olhar. Os cortes eram mais profundos do que havia pensado. Acreditei que ficaria marcado para sempre. Maldito Joh! Estava muito frio. Kurama dormia profundamente e eu me mantinha longe dele, com medo de acordá-lo como da outra vez. Queria ficar alerta a noite toda vigiando mas acabei dormindo também, não sei por quanto tempo.
Sonhei com o suposto pai de Kurama e aquela estória maluca que ele havia me contado sobre o Amaruk. Sonhei também com Luia, Najah e Joh. Acho que estava mais pra pesadelo. Não fazia muito sentido mas sonhos são assim mesmo e não liguei mais quando acordei.
Olhei para o cobertor e... não vi Kurama. Me levantei atordoado. Olhei de novo. O cobertor estava jogado, com dois panos ensangüentados do lado. Nada de Kurama. Pensei em chamá-lo mas achei que gritar não era uma boa idéia naquele local infestado de perigos.
Caminhei um pouco. Tinha decidido que enterraria Joh pela manhã mas o súbito sumiço de Kurama me fez esquecer disso totalmente.
Fui até mais adiante, já bastante preocupado, e ouvi um som que parecia água. Me dirigi para lá porque estava bastante sedento. Chegando, encontrei quem procurava, nadando despreocupadamente no bonito lago a minha frente.
“Você não vem? A água está ótima!”
“Kurama... seu rosto...”
“Eu não te disse que ia ficar bem?”
“Mas assim, tão rápido?”
“Você achou? Ia ser bem mais rápido se não tivesse gastado tanta energia para matar seu namorado.”
“Meu o que? Que idéia! Ele foi meu colega no passado e só.”
“Sei!”, disse rindo enquanto mergulhava.
Estava tão perplexo que esqueci a sede. Fiquei parado observando-o se divertir.
“E aí? Você vem ou não?”
“Vou.”
Estava mesmo precisando de um banho. Entrei na água.
“Você toma banho de roupa?”, perguntou Kurama com o sorriso encantador de sempre.
“Er... é... bom... você está nu?
“Claro! Olha a minha roupa ali.”
Estava estendida em uma pedra secando.
“Pode tirar a sua. Eu prometo que não olho.”
Virou-se de costas.
Tirei toda roupa e mergulhei. Achei a água fria demais, não entendi como ele poderia estar gostando daquilo. Senti Kurama se aproximar de mim.
“Uma delícia, não?”
“É o melhor banho que já tomei.”