Notas:

Acho que eu não preciso lembrar que alguns destes personagens não são de minha propriedade, pertencem à Nobuhiro Watsuki e blablabla, que esta história é de MINHA autoria, (não ouse copiar sem pedir, e obter autorização) e que não foi publicada num mangá de RK, etc, etc, etc.

Também é bom lembrar que todos os nomes aqui encontram-se na ordem japonesa: primeiro o sobrenome, depois o nome.

Bem, acho que não preciso contar a história de que Kenshin volta para que Hiko o ensine a ougi, a técnica de sucessão, para que ele possa derrotar Shishio, e blablabla... Caso você bole bonitinho porque não sabe o que aconteceu antes... Escreva.

Fanfic por Dona Morte, finalizado em 4 de Janeiro de 2001.

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Um Sucessor Para a Hiten Mitsurugi Ryuu - Capítulo VII

 

Akemi nunca experimentou tanta tristeza em sua vida. Estava no belo jardim da mansão, sendo arrumada por cinco moças. Reparou que havia também cinco capangas de Nobunaga, cada um com uma espada, tomando conta dela. Imaginava consigo mesma uma boa oportunidade para confundir aqueles idiotas, e a encontrou quando uma das moças acidentalmente a cortou com uma tesoura. Akemi gritou com ela:

- Estúpida!! Desastrada!! Olhe o que fez comigo!!

Dois dos guardas se aproximaram para descobrir o motivo daquilo, um deles desembainhou a espada exatamente como Akemi esperava. Akemi pulou de surpresa no sujeito com a espada desembainhada, guiou sua própria espada contra seu estômago, abrindo um extenso corte, e girou a espada de modo a bloquear o outro homem. Bloqueio feito, posicionou a espada na vertical e praticamente decepou o braço dele. Apesar da demonstração de sangue, Akemi saiu correndo com os outros três na cola, para usar a famosa técnica dos rounin solitários: lutar com um por vez, com o que fosse mais rápido. Estava se livrando do segundo quando reparou que Nobunaga vinha correndo em sua direção com uma espada na cintura. Esqueceu o terceiro e continuou correndo, tentando ir o mais rápido possível e agradecendo às moças por ainda não terem apertado mesmo o obi do kimono, até que ouviu:

- Pare agora mesmo!!! - Nobunaga gritou - Ou então ela morre.

Ela se virou e viu Nobunaga com uma wakizashi no pescoço da moça que a havia cortado com a tesoura. Ela chorava, desesperada. Akemi enterrou a katana no chão. Nobunaga largou a moça e foi em sua direção, ainda com a espada curta na mão. Quando ele estava a uma distância razoável de Akemi, ela rapidamente pegou a espada e voou na direção dele. Nobunaga largou a wakizashi, segurou a katana de Akemi entre as pontas dos dedos da mão direita e segurou seu braço com a esquerda. Ela estava completamente surpresa quando ele disse:

- Aprenda, Akemi. - ele largou a espada e deu uma bofetada nela que a levou ao chão - Simplesmente aprenda.

 

Kaoru estava sentada ao umbral da porta principal da Aoiya, e estava tão desolada quanto os transeuntes imaginavam que ela estava. Aoshi estava tendo algum tipo de crise bizarra que somente Misao parecia entender o que realmente era, o que acabou levando os dois mais Okina e Omasu rumo ao hospital. Como Kuro e Shiro haviam saído para resolver alguns problemas de praxe, Sano e Yahiko foram juntos, para ajudar a levar o Okashira, apesar dele aparentemente ter recobrado os movimentos.

Mas o que realmente a preocupava era o fato de Kenshin ter saído disparado atrás de seu mestre Hiko, que mantinha alguma relação desconhecida com Akemi, que tinha alguma coisa a ver com o sujeito que matou Okon e seqüestrou Misao. Kenshin estar metido nessa confusão toda era o que a deixava com os nervos à flor da pele. Não que isso não fosse comum, afinal, apesar de nunca querer que ninguém se meta nos problemas dele, o antigo Hitokiri Battousai sempre acabava se metendo no problema dos outros. E quem sempre sofria era Kaoru.

- Ah, Kenshin... - Kaoru suspirava sozinha enquanto dois homens olhavam estranho para a solitária e maluca garota sentada ao umbral de uma porta.

 

Kenshin se sentia perdido. Hiko parecia furioso com os comentários de Kaoru e o havia deixado para trás, fazendo com que ele agora se esforçasse para encontrá-lo no caminho repleto de bifurcações e atalhos confusos que eram as montanhas de Kyoto. De vez em quando, conseguia visualizar o que parecia ser a capa de seu mestre e tentava se aproximar dela, sem obter sucesso. Himura estava frustrado e temeroso pelo que poderia acontecer com Akemi, e mais ainda pelo que Hiko poderia fazer.

Ficou esperançoso quando suas habilidades identificaram passos que se aproximavam. Com sorte, era algum morador que conhecia aquilo ali como a palma da mão e poderia localizá-lo facilmente. Decidiu se dirigir para o som, e gritou:

- Eeeei!! Eeeii! Por favor, poderia me ajudar a...

A voz escapou de seus lábios quando visualizou o "morador". As vestes azuis, as sandálias amarradas como quem está prestes a fazer uma longa viagem a pé, e o sorriso:

- Soujirou. Seta Soujirou, é você.

Ele se curvou formalmente:

- Himura Kenshin. Não esperava encontrá-lo tão brevemente. - seu sorriso se alargou - Mas de qualquer modo, fico feliz que tenha acontecido. Você me parece tão sem reação!

Kenshin subitamente se tocou de que ainda estava com a boca aberta e ficou muito sem graça:

- Aaah... É, bem, eu...

- Não tem importância. - Soujirou sorriu - Desculpe perguntar, mas o que faz aqui nas montanhas?

- Eu... Preciso chegar à zona das mansões, mas acho que me perdi.

- Ah, este caminho é muito complicado, não é? Mas eu encontrei há pouco um morador local e ele me disse que estava na trilha certa, e bem perto. É só seguir em frente e depois dobrar à direita numa pequena fonte.

- Também está indo para lá, Soujirou?

- Sim. Estou fazendo um favor à uma amiga entregando estes doces numa festa de casamento numa das mansões.

- Entendo. Então acho que...

Eles subitamente foram envoltos numa névoa densa e espessa. Ambos posicionaram suas espadas, mas o que os aguardava não era combatido assim.

O chão alguns metros à frente deles pareceu rachar, e irrompeu fogo num jato que parecia vir do próprio Inferno. E uma mão envolta em ataduras apoiou-se no chão recém-rachado e ergueu-se, revelando Shishio Makoto em pessoa. Ele sorria maquiavélico, com ares de quem está prestes a realizar uma deliciosa vingança. Então, ele balançou a cabeça negativamente, como a reprovar uma criança por uma atitude muito errada. As chamas o cercaram, e ele desapareceu, com ele todo e qualquer sinal de sua presença ali. Kenshin estava atônito, e sobressaltou-se quando ouviu um baque surdo: Soujirou estava de joelhos, e com a roupa manchada de sangue.

- Soujirou!!

 

Para Hiko não havia grandes novidades ao caminhar pela zona das mansões. Já havia estado lá várias vezes e podia ver essa área muito bem de sua casa. E era justamente essa experiência que o levava a uma das casas em especial, uma que estava sempre disponível para o aluguel de temporadas.

Como se já se revelasse o esperado, a casa estava em pleno movimento. Aparentemente, haveria uma festa ali. Uma festa de casamento. Hiko atravessou o portão aberto e caminhou entre os inúmeros empregados que, agitados, moviam-se de um lado para o outro, procurando consertar os detalhes que ainda não estivessem prontos. Abriu a porta principal, revelou-se um salão ricamente decorado, cômodos à direita e à esquerda, e uma grande escada logo à frente. Em todos os cômodos que se permitiam ver, estavam empregados novamente. Ajeitavam roupas, doces, lembrancinhas. Hiko decidiu subir as escadas. 

O salão superior estava escuro. Hiko seguiu adiante, até uma janela fechada. Sentiu-se cercado, e tinha plena consciência de que estava rumando para uma armadilha. Mas sabia que era isso que esperavam dele, e foi adiante. Repentinamente, o salão se iluminou, com vários homens acendendo autênticas tochas presas à parede.

- O que diabos é isso?

- Você realmente não é um tolo, Hiko Seijurou! - Nobunaga saía de um dos cômodos, uma espada longa nas costas. 

- Tenho plena consciência do que sou. Quanto a você, talvez devesse examinar-se melhor. Chama-se Nobunaga mesmo, ou o nome também é falso?

Nobunaga sorriu:

- Nobunaga, este é meu nome. Imagino que um cadáver não precise saber o nome de alguém, mas como escória humana como você provavelmente tenha o espírito vagando por aí após a morte, acredito que você deve precisar do meu nome para poder amaldiçoá-lo.

Foi a vez de Hiko sorrir:

- Agradeço, porém dispenso sua preocupação, já que não me lembro de tê-la pedido a você.

- Esnobe. Mas reconheço que não é um tolo qualquer. Soube ensinar à Akemi alguns truques. Posso até mesmo poupar sua ínfima existência por isso. Reconheça que foi um idiota ao vir aqui e tentar - sem sucesso, óbvio - impedir este casamento e eu permitirei que saia vivo dessa casa.

- Não estou à venda, Nobunaga. Pensei que já soubesse.

- Retiro o que disse. É um verdadeiro tolo, recusa a incrível generosidade que possuo! Não sou um homem generoso, minha querida? Diga a ele! - e então disse para os capangas - Ela não sai do salão, ouviram?

Dois capangas arrastaram Akemi para o salão. Ela tinha uma das faces extremamente vermelha. Seu olhar se encontrou com o de Hiko e ela abaixou o rosto, como procurando esconder o tapa e toda a culpa e vergonha que sentia por dentro. Mas a verdade era que Hiko não entendia o porquê, já que a culpa não foi dela. Ele mais uma vez havia deixado a desconfiança o dominar, como tantas outras vezes em sua vida. Certo que incontáveis vezes isto o havia salvado, mas agora ele havia se superado. O que Akemi poderia ter tirado dele? Os potes, a casa? Não, Hiten Mitsurugi Ryuu era sempre a resposta. Hiko agora pensou em como foi idiota ao pensar nisto. Akemi era talentosa, o que alguns chamariam de diamante bruto, mas o processo de lapidação era totalmente diferente... Talvez fosse medo de trazer ao mundo mais um Hitokiri sanguinário. Mas Kenshin foi forjado com sangue, Akemi não. Por pior que fosse o passado dela, os pais de Akemi não morreram de cólera quando ela era pequena e ela também não foi levada por um mercador de escravos em sua caravana, e nem viu algum tempo depois a mesma caravana e três adoráveis moças de ar protetor serem mortas friamente, sem poder fazer nada. Mas o erro de avaliação foi dele, completamente dele. Reprimiu uma paixão violenta dentro de si para mandá-la embora, protegendo a maldita Ryuu! E agora, sentia-se como se houvesse condenado Akemi à fogueira. Ou à forca por estrangulamento, quando a vítima tem o azar de não quebrar o pescoço na queda e morre asfixiada lentamente. Só que a morte dela seria mais lenta. E só havia uma coisa a se fazer.

- Será sua generosidade maior que sua habilidade? - Hiko desembainhou a espada, Nobunaga também puxou a sua, e sorriu.

- Ah, não. Certamente, não.

 

- Soujirou! Soujirou, você está bem? Que houve, responda!

Soujirou encostou a cabeça no ombro de Kenshin, que agora estava ajoelhado a seu lado, e começou a chorar. Kenshin ergueu as mãos e, após um momento de hesitação, abraçou Soujirou. 

- Soujirou, me responda... Que sangue é esse...

Soujirou ergueu o rosto manchado pelas lágrimas e mostrou a mão. Tinha um talho fundo bem no meio, mas era possível ver as cicatrizes de vários outros cortes, todos na mão esquerda. O sangue da roupa, era respingo daquilo. Kenshin o olhou surpreso, e Soujirou explicou:

- Eu finalmente entendi o que é ser o ex - Hitokiri Battousai. A sensação de que você traiu tudo que realmente acreditava, de que você é um porco sem escrúpulos e de que sua existência é medíocre. Eu traí Shishio. Assim como você traiu seus ensinamentos de "proteger sempre o mais fraco" e se entregou à mundanidade de disputas políticas, eu traí Shishio e considerei você, o pior inimigo dele, um exemplo a ser seguido. Há duas semanas eu tenho sonhos horríveis com ele. Tentei passar noites sem dormir para que ele não me perturbasse, mas eu acabei dormindo e o sonho acabou sendo ainda pior, como se ele me punisse mais por ter fugido da minha punição.

- Isso é bobagem, você sabe que...

- ME OUVE!! Me ouve, porque você sabe que não é bobagem!! Tenho certeza de que aconteceu o mesmo com você! E se duvidar... Ainda está acontecendo, não importa quantos anos tenham se passado...

Kenshin abaixou os olhos e se lembrou de Tomoe, seu sangue quente molhando suas roupas naquela nevasca enregelante. Ele a amava, e ainda assim, a havia matado. Um autêntico Hitokiri, assassino frio e sem coração. Sim, ele ainda sonhava com isso, apesar de ter se tornado algo raro desde que estava morando no Dojo Kamiya. Mas aquele veneno do passado ainda corroia seu coração. 

- Soujirou. - Kenshin ergueu os olhos para o céu azul e depois olhou para Soujirou - Você não traiu Shishio. Você foi fiel à ele até o fim. Acredite, ele não o odeia.

- Todos esses cortes foram... Uma proteção. Uma proteção para o mundo. Os sonhos despertam meu ódio, minha sede de sangue, e fazem com que a podridão dentro de mim pareça eterna. Eterna, eterna. Sem fim! E agora, veja só, ele vem a mim, direto das profundezas do Inferno, por eu ser um traidor! Talvez eu deveria parar de cortar minha mão e passar a cortar meu pescoço toda vez que sentisse vontade de pegar uma criança inocente e decepar seus membros! 

- Está bem, Soujirou. - Kenshin se ergueu - Você traiu Shishio. E isso faz de você um perfeito calhorda. - Soujirou estava surpreso - E só há uma saída para este problema!

Kenshin desembainhou sua sakabatou e a inverteu, apontando a lâmina afiada para o oponente, como uma espada normal. Soujirou estava agora completamente estupefato.

- É a única forma de você se livrar do peso em sua consciência. Mate-me, Soujirou, ou morra tentando. 

Soujirou continuou olhando sem reação para Kenshin, até que sorriu e disse:

- Desculpe. 

Kenshin abaixou a espada e a guardou de volta na bainha:

- Entende agora o que quero dizer? Este peso em sua consciência será eterno, a não ser que você ceda exatamente ao que não quer ceder, ou seja, ao ódio e à violência. Sei que não é fácil, Soujirou, mas procure entender, procure... conviver com isto. Sei que não é a solução que você esperava, mas foi a única que encontrei.

Soujirou agora também estava de pé, e enrolava um lenço na mão:

- Mais uma vez, você está me ensinando outra lição. Acho que devo agradecê-lo, Himura Kenshin.

- Não precisa. Se eu não te dissesse isso agora, a vida lhe diria mais tarde. Mas... hã... Procure não cortar tanto sua mão...

Ele riu:

- Tudo bem, vou tentar me controlar. - ficou um tempo em silêncio até que subitamente se lembrou - Os doces! A festa! Vou acabar me atrasando. E você também precisa ir para lá, não é?

- Sim, estou atrás de meu mestre.

- Ah, Hiko Seijurou, sim... - ele pegou as caixas de doces - Espero que ninguém se assuste se os doces chegarem um pouco ensangüentados! 

Kenshiu sorriu, e ambos caminharam juntos para a zona das mansões.

 

Na sua vida, você sempre acredita que é imortal. Eterno, imbatível. Você está no auge, e nada poderá tirá-lo dele. Chega um momento em que seu auge dura tanto que você se torna crédulo. Crédulo no que faz, e na perfeição disto. E então é chegado o momento em que você precisa lutar para não cair em desgraça.

Mais uma vez, Hiko estava satisfeito por ter feito uma avaliação correta do oponente. Nobunaga era admirável. Já a espada longa já era uma arma que merecia segundas avaliações. A velocidade fica levemente comprometida, mas há a questão do alcance: a arma pode te alcançar antes que a sua arma atinja o oponente. Então, praticamente, havia uma anulação dos lados negativos e positivos. Mas a anulação não é perfeita, e é preciso focalizar nisso.

Como Hiko esperava, Nobunaga forçou a dianteira. Girou a espada, e canalizando a força do ar devido à extensão da espada longa, e a puxou para trás, agindo como um ímã de ar a empurrar Hiko para sua direção.

- Como pode ver, tenho meu próprio estilo de luta! Estilo este simplesmente genial... e invencível!!

- Vejamos!

Hiko anulou o efeito de sucção se precipitando para frente com velocidade, evitando a corrente de ar. Ele pulou sobre Nobunaga, para aplicar o mais simples dos golpes da Hiten Mitsurugi: O Ryu Tsui Sen.

± Ryu Tsui Sen (O Martelo do Dragão): Qualquer espadachim possui a habilidade de fazer este. Consiste em pular no ar e então aplicar um golpe final no inimigo antes de atingir o solo.

Nobunaga ergueu sua espada e bloqueou com Hiko ainda no ar. Seus pés finalmente tocaram o solo, e Nobunaga conseguiu puxar a espada longa de modo a cortar seu braço enquanto ele o circulava, e usando a extensão da espada para atingir seus pés, golpe este que Hiko conseguiu esquivar, e que obrigou Nobunaga a se abaixar para evitar um contra-ataque.

- Algum problema com o chão, Nobunaga? Hiten Mitsurugi Do Ryu Sen!

± Do Ryu Sen (Dragão do Solo): Nessa técnica, atinge-se o chão como se puxando a terra com a espada. O distúrbio causado pelo golpe no chão é como um dragão em corrida atacando sua presa. Essa técnica é usada quando atacando fora de tempo ou ma-ai, ou quando confinando um inimigo.

Completamente desavisado, ele foi pego em cheio pela força do golpe, o que seria um ponto a favor de Hiko se ele não tivesse tomado tamanho corte no braço. Nobunaga se ergueu:

- Golpe interessante. Nunca tinha visto algo assim.

- O que vai ser inédito é jeito que eu vou deixar o seu cadáver quando acabarmos!

Hiko voou na direção de Nobunaga, e ele respondeu fazendo o mesmo. Ambos se chocaram com força incrível nas espadas, e trocaram golpes de incrível velocidade, numa sucessão quase uniformizada em que, para cada ataque, sucedia-se um bloqueio seguido de contra-ataque. Mas Nobunaga começou a ganhar vantagem, tendo apenas um corte no rosto, enquanto Hiko tinha cortes nas pernas. Ao perceber isso, o Mestre da Hiten Mitsurugi recuou, ganhando espaço para um novo golpe com um impulso maior. 

- Que coisa, não? - Nobunaga riu - Recue, mas nada adiantará, a Morte virá para você tão rápida quanto viria antes! 

- Fale enquanto ainda pode. - Hiko respondeu, para aplicar o Ryu Sou Sen.

± Ryu Sou Sen (O Ninho do Dragão): Um só golpe atinge todos os pontos vitais do inimigo, sucessivamente e numa velocidade muito alta. Com essa técnica, o inimigo não possui nenhuma chance de retaliar. Esta é para inimigos com tolerância extremamente alta com golpes, como por exemplo Sanosuke (na luta Sanosuke x Kenshin).

Novamente alimentando suas expectativas, Nobunaga foi capaz de bloquear uma considerável parte dos golpes, e antes que ele pudesse sequer esboçar um contra-ataque, Hiko novamente recuou e avançou de volta, usando o impulso para golpear:

- Hiten Mitsurugi Ryu Shou Sen!

± Ryu Shou Sen (Dragão Voador): Atacando o inimigo na base da garganta, mantendo a ponta da espada com a mão direita. Consiste em balancear a força do inimigo para baixo ao pular contra ele e usar esta técnica. É bastante destrutiva, e mata o inimigo instantaneamente. Kenshin usou esta técnica com Senkaku.

Nobunaga concentrou toda sua força para tentar esquivar o golpe, e apenas conseguiu parcialmente: ao invés de ter a cabeça separada do corpo, ganhou um corte que conseguiu separar sua omoplata do corpo, estraçalhando assim seu ombro. Ele foi arremessado para longe de Hiko, e acabou caindo perto de Akemi, que chegou para o lado com nojo, e foi se afastando devagar dele. Hiko se aproximava quando Nobunaga se levantou, imerso em dor, e disse:

- Se ela não pode ser minha, então não será de mais ninguém.

Hiko sobressaltou-se e foi correndo na direção deles.

- De mais ninguém, Hiko Seijurou, mais NINGUÉM!!

- NÃÃO!!

Akemi tentou fugir, mas Nobunaga usou seu outro braço para enterrar a espada longa em suas costas, subindo na altura do estômago e se arrastando até o peito. Mas Hiko só chegou a tempo de aparar seu corpo da queda. Ele se ajoelhou a seu lado e apertou o obi para tentar conter o sangue, que já formava uma poça no chão.

- Essa cena já está... ficando repetida, não é?

- Akemi, não fale. Se corrermos, e eu conseguir uma carruagem...

- Não adianta, você sabe que não dá tempo... Você sabe que foi no estômago, no mesmo lugar... do meu corte anterior, e que... eu não iria sobreviver com mais um golpe desses...

- Não diga isso! - ela fechava os olhos e Hiko a sacudia para que ela os abrisse de novo - Você não pode morrer por uma idiotice minha!

- Cala a boca. - Akemi sorriu e o puxou para mais perto de si - Você não fez nada de errado...

Seus narizes se tocaram brevemente e eles se beijaram, até que Hiko sentiu na boca o inevitável gosto de sangue. Os lábios dela se descolaram dos seus. 

Akemi estava morta.

Morta.

Hiko levantou os olhos e viu Nobunaga terminando de arrancar seu braço, com alguns homens o ajudando. Outros haviam ido embora, provavelmente apavorados. Ele sentiu o ódio correndo como fel em suas veias, e tomou uma resolução sobre o que fazer.

A capa de Hiko caiu no chão com um baque forte, que foi ouvido no andar abaixo por Kenshin e Soujirou, que haviam acabado de chegar à propriedade, e subiram correndo para ver o que estava acontecendo.

- Mestre!

Kenshin sobressaltou-se ao ver que Hiko estava sem a capa, e que aquele barulho que ouviram era provavelmente do fato dele tê-la tirado. Mas a questão era que ele só havia tirado a capa quando Kenshin estava para aprender o Amakakeru Ryu no Hirameki, a Ougi (técnica de sucessão) da Hiten Mitsurugi Ryuu. Kenshin subitamente se lembrou do peso brutal tanto físico quanto psicológico daquela capa, e só esqueceu estes pensamentos quando Soujirou o chamou:

- Quem é aquela mulher no canto? Parece estar...

- Akemi!!

 

Nobunaga estava de pé, e sorria, apesar de sangrar brutalmente e saber que mesmo que não levasse mais nenhum ferimento e fosse direto para um hospital, sua vida não seria muito longa. Hiko se aproximava dele, furioso:

- Você a matou. Mas há certas coisas que você precisa saber além disso... Hiten Mitsurugi Kuzu Ryu Sen!!

± Kuzu Ryu Sen (Dragão das Nove Cabeças): Esta técnica é tão rápida que abrange todos os nove tipos de ataques em um só golpe (Aliás, esta é a especialidade de Hiko). Devido à sua incrível velocidade, é simplesmente impossível se esquivar ou contra-atacar esta técnica. Foi criada para testar o poder da Ougi da Hiten Mitsurugi, o Amakakeru Ryu no Hirameki. 

Ambos Soujirou e Kenshin, que estavam agora ao lado do corpo de Akemi, se viraram para ver, enquanto Kenshin percebeu um detalhe mordaz: Hiko usava um terço da força total que ele geralmente imprimia para usar este golpe, o que significava que ele não queria matar Nobunaga, e sim deixá-lo mortalmente ferido e imóvel.

Ele caiu no chão gemendo de dor, a partir das nove feridas que pareciam consumar o que restava de sua vida, e também percebeu que o golpe não fora dado com força total. Percebeu que seu inimigo que se aproximava:

- Ela morreu sendo minha, Nobunaga. Minha. Essa é a verdade.

Hiko sorriu ao ver a reação que esta doce mentira provocava em Nobunaga. Ele não conseguia falar, estava engasgado, mas não era do sangue que escorria de sua boca. Ele morreu em uma sofreguidão lenta e mórbida, mas ainda assim Hiko não considerava Akemi vingada. Nada poderia vingá-la. Nada.

Ele se afastou do corpo dele, seguiu adiante, recolheu sua capa e viu seu pupilo, juntamente com Seta Soujirou (se indagou o que Soujirou estaria fazendo com ele, mas realmente não era de sua alçada), com o corpo de Akemi à frente deles. Kenshin a pegou no colo e disse, quando Hiko passou por eles:

- Mestre... Eu... - e olhou para o corpo frio em suas mãos.

Hiko simplesmente fez que sim com a cabeça e foi embora. Kenshin sabia o que isso significava. E agora, olhando mais de perto, teve a ligeira impressão de que havia um sorriso nos lábios de Akemi.

 

 

"Mestre!"

 

Epílogo

O céu também parecia estar num enterro. Nublado, um frio gélido e um vento cortante coroavam o enterro de Akemi. Todos que estavam na Aoiya apareceram, menos Aoshi (que estava se recuperando no hospital) e Misao (que se recusava a sair de perto dele), mas para a surpresa geral, Hiko não apareceu. Não que Kenshin estivesse surpreso com isso. A cerimônia correu tranqüila e triste, já que todos pareciam chocados com a horrível morte de Akemi.

- Kaoru...

- Que é, Yahiko?

- Olha a lápide. Ela... está em branco.

- Puxa, é mesmo. Não havia reparado nisso... Talvez não tenham tido tempo de esculpi-la, eu acho.

- É... Deve ser isso mesmo, devem esculpir depois. Vou falar isso com Kenshin, já que foi ele que organizou tudo mesmo.

- Sim, faça isso.

 

Com o tempo, todos foram lentamente deixando o cemitério, inclusive Kaoru, Yahiko e Sano, que deixaram Kenshin lá sozinho, com a promessa de consertar a história da lápide. Mas o que eles não sabiam é que fora proposital. Algum tempo depois, veio o encarregado, com a pedra pronta para ser colocada, e os seguintes dizeres:

" Niitsu Akemi

٭1858 - 1879† "

Kenshin sorriu consigo mesmo. Tinha certeza de que Akemi sabia que o nome verdadeiro de Hiko era Niitsu Kakunoshin, e que Hiko Seijurou na verdade era o nome do fundador da Hiten Mitsurugi, que era passado de geração em geração. Mas não queria comentar essa história toda, por isso manteve a lápide em branco durante o funeral em si. 

Ele estava saindo do cemitério quando percebeu alguém atrás dele. Era Soujirou.

- Vim me despedir, mas resolvi esperar eles irem embora. Imaginei que fossem achar estranho minha presença.

- É verdade.

- Seu mestre não veio ao enterro, não é?

- Não. Sabia disso desde que deixamos aquela mansão. Ele não viria. Logo, eu tinha de cuidar de tudo, mas não tem importância. Foi o mínimo que pude fazer por Akemi.

- Você se tornou um grande amigo dela, não é? - Kenshin meneou a cabeça afirmativamente, e houve um breve silêncio - De qualquer modo, sobre... Sobre o que conversamos enquanto voltávamos para a cidade. Sei que você me disse que... Que o Shishio que eu vi era uma ilusão, mas...

- Nobunaga já havia feito isso antes. É um truque, apesar de parecer real. Foi feito para mim, acredito que não me queriam na mansão enquanto a luta estivesse acontecendo, e, como é bem conhecido o fato de que lutei contra Shishio, ele deve ter imaginado que esta seria a ilusão perfeita. Mas atingiu mais a você do que a mim.

- É, sim. - Soujirou voltou a sorrir - Adeus. Foi bom reencontrá-lo.

- Digo o mesmo, Soujirou. Até mais ver.

Himura Kenshin e Seta Soujirou seguiram rumos opostos, ambos os afastando do cemitério.

 

O cemitério estava vazio agora. 

Uma rosa vermelha foi colocada cuidadosamente em cima de um túmulo.

Hiko sorriu ao ver que seu pupilo não era tão idiota assim: o encarregado havia acado de pôr a lápide em seu lugar, "e com os dizeres certos", pensou. Ficou satisfeito ao ver que Kenshin havia cuidado de tudo minuciosamente.

Apesar disso, Hiko se sentia mais perdido do que nunca, como se todo o sentido de sua vida tivesse se esvaído com aquele sangue quente que escorreu de suas mãos. Subitamente, se viu pensando numa questão: e o sucessor para a Hiten Mitsurugi Ryuu? Akemi deveria ter sido a décima quarta. Ele afinal havia encontrado a resposta: jamais encontraria um sucessor tão brilhante quanto Akemi teria sido. E jamais encontraria alguém que viesse a amar tanto quanto a amou.

 

FIM  

 

 

Comentários

± Essa necessidade de fazer uma seção de comentários está sendo... hmm.. inédita pra mim porque com "O Sorriso Secreto" eu simplesmente não tinha o que falar. O fanfic inteiro já estava perfeitamente concebido na minha cabeça, e foi só sentar e escrever. Mas com "Um Sucessor Para a Hiten Mitsurugi Ryuu" foi incrivelmente diferente. Basicamente, essa idéia de misturar Hiko com uma garota que pudesse botá-lo no chinelo ^_^ já tinha sido de um fanfic muito podre que eu tinha escrito anteriormente, que foi o primeiro fanfic que eu fiz - nem chegou a terminar - e era realmente asqueroso. Não sei porque ainda não deletei o que escrevi dele. ~_~;;

Além disso, as coisas acabaram mudando muito com o tempo. Acho que dá prá notar que a partir do meio do fanfic a história, apesar de ser do Hiko, começou a ficar muito cheia de gente, e que eliminei uma boa parte no capítulo anterior ^_^, que foi justamente o que redefiniu o final.

± Felizmente, uma alma bondosa se meteu no curso dessa história várias vezes e me ajudou a colocá-la de volta aos eixos algumas milhares de vezes. Meus sinceros agradecimentos ao Aragão, que acho que nunca chegou a ler este fanfic - eu é que contava tudo que escrevia, de preferência no meio das aulas chatas e tempos vagos ^_^ - mas foi de uma ajuda incrível. Aliás, o "Se ela não pode ser minha, não será de mais ninguém" foi dele, assim como o fato dela morrer. Muito obrigada mesmo. Agradecimentos também ao Nappa pela sugestão. Ah! E as descrições que aparecem aqui de alguns dos golpes da Hiten Mitsurugi Ryuu foram traduzidos da Hiko Seijuro's Place (para ver o endereço, só ir na seção de Links).

± Outras coisas que "teriam sido": Sano iria ter todos os seus dedos quebrados (um a um, huhauhauha! ^_~) numa espécie de tortura chinesa, Tokio, a mulher do Saitou ia ser assassinada, e eu estava imaginando como poderia matar Kaoru e Yahiko prá fazer Kenshin pirar. Enfim, uma carnificina completa. Outra coisa que também esteve de pé até o capítulo passado, quando eu também defini o final, foi uma segunda invasão à Aoiya. Aí eu pensei, que Aoiya o c*****, a história tá se perdendo por causa disso. Enfim, espero que ela não tenha terminado asquerosa e que vocês não estejam muito bravos comigo por eu ter matado Akemi (hey, eu conheço alguém que morria de ciúmes do Hiko que vai adorar esse final... ^_~ prá vc)!

± Bem, muita gente tem o costume de terminar fanfics com "songfics". O fato é que eu estava ouvindo justamente essa triste música antes de sentar aqui e começar a escrever, e me toquei de que ela tem tudo a ver com esse final... Com vocês, o começo de "How Many Times?" do Erasure. ^_^

"Love, leave me alone/I've got troubles of my own/I don't believe that I've paid the price/for all the things I've said and done/Every little thing that seemed to go wrong//How many times/will I regret/the chances taken?/Why do I have done/always the one/who was mistaken?"

Traduzindo...

"Amor, me deixa em paz/Já tenho muitos problemas a resolver/Não acredito que eu paguei por todas as coisas que eu disse e fiz/Cada coisinha que parecia sair errada//Quantas vezes vou me arrepender das chances perdidas? Por que eu sempre escolhi a alternativa que estava errada?"