Notas:

Acho que eu não preciso lembrar que alguns destes personagens não são de minha propriedade, pertencem à Nobuhiro Watsuki e blablabla, que esta história é de MINHA autoria, (não ouse copiar sem pedir, e obter autorização) e que não foi publicada num mangá de RK, etc, etc, etc.

Também é bom lembrar que todos os nomes aqui encontram-se na ordem japonesa: primeiro o sobrenome, depois o nome.

Bem, acho que não preciso contar a história de que Kenshin volta para que Hiko o ensine a ougi, a técnica de sucessão, para que ele possa derrotar Shishio, e blablabla... Caso você bole bonitinho porque não sabe o que aconteceu antes... Escreva.

Fanfic por Dona Morte, finalizado em 16 de Setembro de 2000.

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Um Sucessor Para a Hiten Mitsurugi Ryuu - Capítulo IV

Palavras não vinham à mente de Hiko para descrever a situação. Ele não sabia o que esperar do encontro entre Akemi e Kenshin, mas definitivamente este superou as expectativas. Depois de pouco tempo de conversa, os dois pareciam amigos de infância, bebendo sakê e falando algumas coisas idiotas; nestas horas noturnas de descontração partilhadas apenas por seu ex-pupilo e sua atual pupila, Hiko aprendeu mais coisas sobre Akemi do que numa semana inteira. Bêbada ou não, ela falava tranqüilamente com Kenshin, e vice-versa. Ele havia até mesmo insinuado que era apaixonado por Kaoru! Observar a conversa para Hiko era como observar animaizinhos de uma outra espécie, e aprender sobre seu comportamento. E o pequeno animalzinho chamado Akemi lhe era incrível e particularmente fascinante.

Dos momentos em que parecia implorar por proteção aos que estava disposta a enfrentar um exército inteiro de mãos nuas, Akemi era única e interessante. Munida de beleza convidativa e inteligência astuta, não havia nada que aquela garota não pudesse conseguir - Hiko já havia se conscientizado de que, para conseguir qualquer coisa que ela lhe pedisse, ele moveria montanhas mesmo que não admitisse para Akemi; "Vá e consiga por si mesma" ele diria, mas tudo faria para ajudá-la. 

O sol ainda elevava-se ao nascente quando Hiko, sentado habitualmente em frente à fornalha, sentiu que pessoas se aproximavam. Provavelmente amigos de seu pupilo idiota, já que ele acabou passando a noite lá. Hiko sorriu pelo acerto quando ouviu a voz da namoradinha de Kenshin:

- Sr. Hiko Seijurou!! Sr. Hiko!!

- Sim! - ele respondeu ao ver Kaoru se aproximar em passos rápidos, seguida por um menino e um homem, ambos de cabelos espetados.

- Sr. Hiko, Kenshin... Ele...

- Ele dormiu aqui, não se preocupe.

Kaoru suspirou de alívio, mas Hiko sentiu que algo ainda a preocupava, e muito.

- Algum problema?

- Há! Problema é pouco! Então você é o mestre do Kenshin, hã?? - o homem se intrometeu na conversa.

- NÃO, não sou mais. E você, quem deveria ser?

- Sagara Sanosuke. Vim porque a Jou-chan aí tava preocupada com o Kenshin, e com as coisas que aconteceram, não achei seguro ela vir sozinha com o garotinho aí.

- COMO?!? - Yahiko berrou.

- É, o garoto eu já conheço. - disse Hiko com um ar de desprezo - Mas o que houve?

- Bem, você conhece a Aoiya, né? - Sano continuou - Bem, nós fomos para lá assim que chegamos de Tokyo, e Kenshin saiu depois da Misao ter fofocado alguma coisa com ele...

"Imagino o quê!", Hiko pensou.

- Aí a Jou-chan pediu pro Shinomori Aoshi prá ele ver se encontrava o Kenshin, e depois dela encher o saco, ele acabou indo, porque a Misao começou a falar também, e prá agüentar as duas tagarelando no teu ouvido ao mesmo tempo, realmente era melhor ir atrás do Kenshin!

Kaoru lançou um daqueles olhares "não-me-provoque-seu-babaca" e Hiko mandou ele pular os detalhes e contar logo.

- Acontece que um tempinho depois, Misao e Okon saíram juntas, e... - o olhar de Sano estava sombrio - E agora de manhã, nós recebemos um embrulho... Com a cabeça de Okon dentro.

Hiko ficou surpreso. "Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas? A Aoiya não cultiva inimigos, pelo contrário!" Como se estivesse sentindo a atmosfera, Kenshin saiu da casa de Hiko e estava se aproximando do grupo, até que Kaoru correu em sua direção, o abraçou e começou a chorar copiosamente, como se a única coisa que a estivesse impedindo de cair em lágrimas até então fosse a ausência do abraço quente de Kenshin para confortá-la de verdade. Kenshin se abaixou na relva e manteve Kaoru firme em seus braços.

- Srta. Kaoru...

Akemi também havia saído da casa, mas mantinha o cuidado de não se aproximar muito deles. Hiko a chamou, e sob o olhar confuso de Kenshin, Sano contou novamente a história.

- Mataram Srta. Okon? Mas como... Ela era tão gentil! - Kenshin ainda estava chocado pela notícia aterradora.

- Pretende ficar parado? Pretende esperar que matem o resto da Aoiya também? - Hiko não podia perder a oportunidade de repreender Kenshin.

- Não. - Kenshin se apoiou na sakabatou, que ruidosamente se chocou contra a bainha, erguendo a si mesmo e à Kaoru - Eu vou até a Aoiya. Tenho certeza de que neste momento difícil, Okina, Omasu, Kuro, Shiro e Misao precisam de ajuda.

- Você não pretende descobrir quem fez isto? - pela primeira vez, Akemi falava.

- Não, Srta. Akemi. Eu tenho o meu voto de não mais matar. E acredito que Shinomori Aoshi já tenha ido investigar isso.

- Sim, Aoshi já foi atrás de pistas. - Yahiko explicou - E Misao também não voltou. Estão todos com medo de... recebê-la da mesma maneira que Okon... E também há um encarregado da polícia para investigar isso. Qual o nome dele mesmo? Sr. Noda... Noba...

- Nobunaga. Sr. Nobunaga, Yahiko. - Sano emendou - Esteve hoje lá cedo também, e saiu um pouco depois do Okashira. Parece que ia resolver algumas complicações lá na polícia.

Akemi parecia ter levado uma tijolada na cabeça, e obviamente Hiko percebeu. Ele começou a tecer as prováveis ligações entre Akemi e este seu suposto "parente", enquanto ela instantaneamente se arrependia amargamente de não ter usado um nome falso. Hiko decidiu se livrar de dois problemas ao mesmo tempo:

- Vamos todos para a Aoiya então. Certo, Akemi?

Ela disfarçou da melhor maneira que pôde e suspirou:

- Vamos.

 

Um turbilhão de pensamentos cruzava rápido a mente de Shinomori Aoshi, o oficial Okashira da Oniwabanshuu, que possuía sua atual sede na Aoiya. O embrulho recebido era obviamente uma afronta, e seja lá quem houvesse ousado decapitar Okon, pagaria caro. Misao também havia desaparecido, e estrategicamente, não deveria estar morta; era a isca perfeita para atraí-lo. Mas uma dúvida pairava em sua mente: quem teria feito isto? Não conseguia se lembrar de ninguém que pudesse odiá-lo a tal ponto, e que fosse ardiloso e capaz o suficiente para fazer isto. E uma outra possibilidade deveria ser considerada: Misao sempre mergulhava de cabeça em qualquer problema que qualquer morador de Kyoto apresentasse. Pode ser que desta vez, ela tenha dado o azar de se meter com alguém perigoso... Sim, foram feitas algumas denúncias de atividades suspeitas na área próxima à "Zona Alegre"...

O Okashira andava atento pelas ruas da Zona Alegre, levando algumas cantadas de prostitutas já a serviço, todas estas ignoradas por ele. Numa rua mais deserta, sentiu o indisfarçável cheiro de sangue: há mais de dez anos Aoshi lidava friamente com sangue, e sabia que seu cheiro nunca pode ser eliminado por completo. Concentração redobrada, seus sentidos dispararam quando se viu misteriosamente envolto numa névoa espessa...

"Impossível!" A névoa havia surgido do nada absoluto e forçosamente diminuiu seu campo de visão. Mais adiante, uma visão que cegou Aoshi totalmente...

Uma forca. Um corpo frágil, pequeno, de uma menina. Uma menina que Aoshi já conhecia. A longa trança balançava, juntamente com o corpo sem vida de Misao. Aoshi se aproximava, estupefato, incrédulo, num misto de dor e ódio profundos. Já não pensava nele mesmo, já se via fora de si, apenas queria tocar o corpo e ter certeza de que...

- Aah!! ... Eu não...

Duas pequenas flechas envenenadas estavam cravadas no pescoço dele, e uma dor agonizante percorreu velozmente todas as veias de seu corpo. Começou a sentir que perdia o controle de seu corpo, que ele caía sem reagir ao chão. Fez um esforço fenomenal para erguer o pescoço, e viu a névoa desfeita, a forca não mais exista: havia apenas a rua deserta. Deixou-se cair, um pouco pelo alívio, um pouco porque não adiantava reagir. Seus membros não reagiam às suas ordens: do pescoço para baixo, não havia movimento sequer.

"Uma... ilusão? É isso? Uma armadilha para me pegar... Ela deve estar bem... segura... Enquanto eu estou paralisado como se... Como se estivesse tetraplégico! ... Ela TEM que estar bem... Misao..." Foram os últimos pensamentos de Aoshi antes de cair em inconsciência.

 

- A Aoiya?!?

Alguns dias depois, Saitou Hajime, cujo nome oficial é Fujita Goro, oficial da Polícia japonesa, fazia os rápidos exames de praxe nos boletins de ocorrência da polícia, quando encontrou uma ocorrência muito peculiar. Ele falava baixo para si mesmo:

- ... Assassinato de... Okon?! ... Causa, causa... decapitada... - ele riu - Imagino o que essa menina não deve ter feito para morrer assim. Ela não me parecia ter nenhum tipo de maus contatos. Observações anexas? Olhe só, é difícil achar um caso com anexos... Hmmm, Shinomori foi envenenado... Morreu também? Ah, não, está... Tetraplégico? - franziu o cenho - Quem foi o incompetente que fez esse laudo? Venenos não podem danificar a medula... - passava as folhas rapidamente - Nobunaga? Nobunaga? Nunca ouvi falar. Hmmm...

Chamou um outro policial, que passou a seu lado com uma cara de "muito atarefado":

- Ei, você! Largue o que está fazendo e verifique se existe algum policial chamado "Nobunaga". Agora, sim?

O policial voltou algum tempo depois com a resposta:

- Não, senhor. Não há registros de nenhum policial, de todas as patentes, que se chame Nobunaga. Mais alguma coisa, senhor?

- Sim, sim. Comunique que eu vou averiguar este caso aqui. - Saitou balançou as folhas do boletim de ocorrência.

- Mas senhor, se está no boletim é porque já está sendo investigado!

- Justamente.

- Então que motivo eu coloco no comunicado?

- Irregularidades...