Notas:
Acho que eu não preciso lembrar que alguns destes personagens não são de minha propriedade, pertencem à Nobuhiro Watsuki e blablabla, que esta história é de MINHA autoria, (não ouse copiar sem pedir, e obter autorização) e que não foi publicada num mangá de RK, etc, etc, etc.
Também é bom lembrar que todos os nomes aqui encontram-se na ordem japonesa: primeiro o sobrenome, depois o nome.
Bem, acho que não preciso contar a história de que Kenshin volta para que Hiko o ensine a ougi, a técnica de sucessão, para que ele possa derrotar Shishio, e blablabla... Caso você bole bonitinho porque não sabe o que aconteceu antes...
Escreva.Fanfic por Dona Morte, finalizado em de 2000.
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Um Sucessor Para a Hiten Mitsurugi Ryuu - Capítulo III
O céu estava um misto fabuloso de cores. Um dia frio e nublado, em que o sol lutava para exibir-se, triunfante, fazendo o cinza contrastar brilhantemente contra o dourado-rei. A paisagem perfeita para um poeta, um sonhador, ou ainda para Akemi.
Deitada na relva congelante (como se ela realmente se importasse com isso), ela fazia uma retrospectiva mental dos últimos dias, agitados e inesperados. Hiko Seijurou, o Décimo Terceiro Mestre da Hiten Mitsurugi Ryuu, uma escola que usava uma técnica de kenjutsu considerada antiga, a havia tomado como discípula, fazendo com que, num futuro próximo, ela pudesse se tornar a Décima Quarta Mestre. Na altura dos acontecimentos, ela não podia ainda descrever que tipo de laços a unia com seu atual Mestre, e começou a divagar sobre qual seria... Qual seria o verdadeiro motivo que a havia levado a ficar ali, quando ela poderia ter ido embora como sempre havia partido...
Certo que se sentia num casulo impenetrável, onde ninguém poderia alcançá-la... Nenhuma das malditas ameaças de seu pai poderiam envolvê-la ou amedrontá-la; e Hiko tinha um papel fundamental neste teatrinho: o herói salvador. Sentia-se pesarosa por ter mentido para Hiko sobre o pai: ele nunca esteve tão vivo, e se estivesse morto, Akemi choraria, não de perda, mas da mais profunda alegria. Talvez se contasse a verdade a ele... Talvez ele viesse a protegê-la ainda mais, talvez viesse a reconfortá-la pelas tristes situações que lhe fizeram ter uma leve noção de esgrima, noção esta que seu Mestre aprofundava com esmero...
Seu devaneio foi interrompido por passos que se aproximavam; os treinos recentes lhe fizeram aguçar a percepção. Akemi virou-se, deitando de bruços na relva, como um leopardo que espera, oculto, a caça que se aproxima. Apertou os olhos até identificar um rapaz que se aproximava: longos cabelos, uma espada à cintura. Como a noite caía rápido, não pode ver maiores detalhes.
- Levanto ou não?? Será uma ameaça, ou apenas uma visita? Na dúvida... - ela pegou a espada que repousava a seu lado, resultado de um dia inteiro de treinos, e apesar do cansaço, se mantinha eufórica e mais que preparada para uma luta.
"Será que eu fiz mal em ter vindo até aqui?" Kenshin se martelava com esta pergunta desde que havia deixado a Aoiya. Certo que os comentários de Misao só atiçaram sua curiosidade: Hiko? Com uma garota?? Era óbvio que ele nunca ficou realmente sozinho por muito tempo, mas nunca havia levado suas aventuras tão a sério a ponto de ir almoçar no Shirobeko com suas companhias... Mas afinal, o que perderia indo até ali? Ser humilhado por Hiko, a isto ele já estava acostumado. "Agora já não adianta mais hesitar. Já estou aqui mesmo..."
- Identifique-se, estranho! - Akemi havia se levantado, e agora preparava-se para atacá-lo.
- Oro?!? - Kenshin pasmou com a jovem que o ameaçava com uma espada familiar... A querida e amada espada de Hiko, que ele NUNCA sequer deixou Kenshin empunhar.
- Você ouviu, ô "ruivinha"! Quem é você? Visitas não aparecem a esta hora, e por mais que meu Mestre seja diferente, acho que ele não faz exceções a esta regra geral da boa educação!
- Seu mestre? Ororo!!
- Qual seu problema, afinal?
- Ooh, são muitos, não é mesmo, caro baka deishi? - Hiko se aproximava pela campina.
Akemi ficou surpresa. "Pupilo idiota? Então será que este é... !?!"
- Saudações, Mestre. - Kenshin recuperou a seriedade, enquanto Akemi observava, pasma: "... Himura Kenshin!"
Nas ruas desertas da noite em Kyoto, apenas casas de prostituição e raras hospedagens, algumas de procedência duvidosa, se mantinham abertas. E quem andava por estas ruas, podia jurar ter visto vagando duas jovens vestidas de maneira peculiar: se eram meretrizes, se vestiam de maneira horrível e se não eram, que roupas e que maquiagem eram aquelas?
- Droga, Misao! A gente não devia estar fazendo isto. Aliás, nós deveríamos ter chamado um dos rapazes prá vir com a gente!
- Bobagem, Okon. Você sabe muito bem que este é nosso dever como membros da Aoiya, a Oniwabanshuu de Kyoto! Nós recebemos a denúncia de que um homem de fora estaria ameaçando alguns cidadãos, ou ainda desrespeitando outros. Temos de averiguar.
- Misao, você fala como se fosse a Okashira! Lorde Aoshi ou Okina que deveriam...
- Você sabe muito bem que Okina está com Kaoru e os outros, e que Lorde Aoshi está correndo a cidade atrás de Himura, que sumiu desde que eu contei aquela história do mestre dele.
- Claro! Você perturbou ele tanto que era melhor sair e procurar do que ficar te aturando!
- Humph. E além do mais, eu não sou a Okashira? Sabe, às vezes parece que você vive num mundo à parte, onde só acontece o que você quer!
Okon olhou bem para Misao, e preferiu não responder. Continuaram andando até que Misao parou numa hospedaria, confirmou o local e fez um sinal afirmativo com a cabeça. Usando suas habilidades ninjas, se aproximaram de um dos quartos, ainda com as luzes acesas, e observaram o jogo de sombras pelo fino biombo.
- Como diabos não acharam? Será que a incompetência de vocês já atingiu este nível?!
- Se-senhor... Nós tentamos...
- Aaah, vocês tentaram? Realmente, capturar uma jovem de volta é muito difícil!
- Então o senhor concorda com a gente!
A sombra que parecia ser o chefe silenciou por alguns instantes e logo depois soltou uma leve gargalhada.
- É incrível como estou cercado por idiotas...
Uma veloz espada se projetou, partindo uma das sombras ao meio, e fazendo com que o sangue voasse. A sombra-chefe guardou a espada, e fez sinal para uma terceira sombra, que antes não podia ser vista. A porta se abriu, um homem carregava como podia as duas partes do cadáver. Okon e Misao nem sequer respiravam, misto de terror, choque e medo: com a Nova Era, não se viam mais mortes violentas como esta. Subitamente, a dona da pensão subiu apavorada, pretendendo discutir com o "sombra-chefe" a respeito daquele fato. E a polícia? Ele, um homem alto, robusto, de meia-idade, puxou a mulher de encontro a si de maneira não muito decente e sussurrou em seu ouvido:
- Ouh, minha cara, foda-se a polícia... Você realmente acha que eles se importam com isso? Eles sabem quem eu sou, e não vão ousar se meter comigo. Mas você também vai colaborar, certo? Afinal, para que ter trabalho chamando a polícia... Meus homens vão limpar tudo, aposto que amanhã nem vamos mais sentir o cheiro de sangue, e... Ouviu alguma coisa?
- N-n-não...
Okon e Misao corriam na maior velocidade que podiam para a proteção da Aoiya. Okon se arrependeu amargamente de ter ido ali com Misao, e Misao acreditava ardorosamente que se fosse até a Aoiya buscar Lorde Aoshi ele iria ali e resolveria tudo. "Sim, Lorde Aoshi... Ele pode me proteger daquele homem e..." Ela estava surpresa consigo mesma. Certo que não era agradável ver alguém morrer, mas ele parecia o demônio em pessoa. Os olhos cintilavam de maneira inumana ao ver o sangue, o cadáver, o pavor no rosto da mulher. Sim, Lorde Aoshi a protegeria, e protegeria a todos da Aoiya também.
Enquanto Misao corria num transe fantasioso em que o amor de sua vida viria salvá-la, sua amiga ninja Okon estava mais alerta à realidade. Afinal, os capangas do sujeito assombroso poderiam estar atrás delas, testemunhas. Gelou quando sentiu que sombras a cercavam, e mal pôde gritar:
- MISAAAAOO!!!
Quando Misao se voltou, respingos de sangue atingiram seu rosto e sua roupa, e numa velocidade incrível se viu subjugada à "entidade demoníaca": ele enfiara a mão em sua boca de modo a fazê-la ficar quieta, e ao mesmo tempo ameaçando quebrar seu maxilar ou ainda cortar sua língua. Lágrimas escorriam do rosto de Misao, mas não da dor da imobilização, mas de ver a cabeça de Okon a metros de distância de seu corpo.
- Não costumo matar crianças, menina. Só por isso te poupei. Claro que isto não quer dizer que você vai sair fácil dessa. Veja só, você é até muito bonitinha! E parece ter boas habilidades físicas, usa dardos... Subjuguei a habilidade da sua amiguinha ao prever que ela nem ia notar minha aproximação. Que coisa, né?
- Senhor! - um dos capangas dele se aproximava correndo - Mandou me chamar, senhor Nobunaga?
Ele soltou Misao, deixando-a cair de joelhos a seu lado, chorando copiosamente. Manteve a mão em seu pescoço por segurança, pois ela já havia sido dominada.
- Sim, mandei. Seu colega falhou, então a tarefa passa agora para você. Uma jovem, de seus vinte anos. Longos cabelos castanhos, olhos da mesma cor. Alta, bonita, e não se deixe enganar por sua aparente fragilidade, ela é muito forte. Chama-se Nobunaga Akemi. Traga-a para mim, mas sem brutalidades, gentilmente, com jeito. Entendeu?
- Sim, senhor.
- Ela provavelmente está aqui, nos arredores de Kyoto. Foi vista numa confusão com a polícia, e por isso ficou um tempo num hospital. Peça informações lá, mas parece que está acompanhado de um sujeito alto e grande, que usa uma capa e tem pinta de "o maioral". Certo?
- Sim, senhor.
- Ótimo que tenha entendido. Você presenciou o fim do seu colega, e sabe que se falhar o seu será o mesmo. Agora vá embora.
O homem se retirou correndo, e Nobunaga Kojiro se ajoelhou, mantendo a mão no pescoço de Misao e procurando envolvê-la. As lágrimas de Misao eram ininterruptas, e ela parecia ignorá-lo. Ele se sentou a seu lado, no meio da rua, e a soltou. Ela se jogou para frente, e depois voltou à posição inicial.
- Esperta. Não seja inconseqüente o suficiente para fazer alguma besteira, menina. Vale a sua vida, você sabe.