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Notas: Acho que eu não preciso lembrar que alguns destes personagens não são de minha propriedade, pertencem à Nobuhiro Watsuki e blablabla, que esta história é de MINHA autoria, (não ouse copiar sem pedir, e obter autorização) e que não foi publicada num mangá de RK, etc, etc, etc. Também é bom lembrar que todos os nomes aqui encontram-se na ordem japonesa: primeiro o sobrenome, depois o nome. Bem, acho que não preciso contar a história de que Kenshin volta para que Hiko o ensine a ougi, a técnica de sucessão, para que ele possa derrotar Shishio, e blablabla... Caso você bole bonitinho porque não sabe o que aconteceu antes... Escreva. Fanfic por Dona Morte, finalizado em 18 de Junho de 2000. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- Um Sucessor Para a Hiten Mitsurugi Ryuu - Capítulo I
- SEGUREM AQUELA MULHER!!! Ela corria como podia em meio à mata fechada e escura. Estava cansada, um pouco embriagada, e o kimono atrapalhava: era fácil prever que eles acabariam vencendo. Mas Akemi não estava disposta a desistir; não iria se render assim, tão facilmente. Ainda mais quando o motivo era injusto. Ela simplesmente estava no lugar errado, na hora errada. Certo que a zona de meretrício (conhecida popularmente como "zona alegre") não é o lugar ideal para uma moça de vinte e um anos, certo que não deveria ter dado tanta bola para o tal coronel (ela ainda suspeita que ele talvez nem tenha patente), certo que não deveria ter bebido tanto saquê. Mas ainda assim, não era motivo para o coronel tê-la agarrado. E além do mais, foi em legítima defesa: a wakizashi (espada curta) dele estava tão perto, que obviamente o primeiro impulso era puxá-la e encravá-la no maldito. E daí se foram cinco punhaladas no ombro e no braço? Ele bem que mereceu... - Volta aqui, sua piranha! Ninguém fere o coronel daquele jeito sem pagar por isso!! - E o único jeito de pagar é a morte! Não havia saída... Seus passos eram cada vez mais lentos, pesados e cansativos, e parecia que os capangas do sujeitinho corriam cada vez mais rápido. Mas estranhamente surgiu uma luz na escuridão. Fogo. Mais precisamente, uma fornalha, daquelas grandes, geralmente usadas para cozer o barro. Era sua única chance, e ela tinha de aproveitar. Correu com todas as suas forças, chegou a uma velocidade bastante anormal para uma mulher, comum apenas dentre aqueles que possuem um bom condicionamento físico e uma certa habilidade em lutas, em especial com espadas, o que assustou aqueles homens que sabiam (não muito bem, é verdade) empunhar uma espada. Fogo.
- E agora? O que faço, afinal? Talvez esta fosse uma das poucas vezes em que Hiko Seijurou, Décimo Terceiro Mestre da Hiten Mitsurugi Ryuu, chegasse a ficar em dúvida sobre alguma coisa. Desde que seu baka deishi (pupilo idiota) recusou-se a levar adiante o nome da escola, Hiko questionou-se em treinar ou não um novo discípulo. Na verdade, ele esteve em dúvida por um considerável período de tempo, aproximadamente cinco meses desde que seu ex-pupilo Himura Kenshin, também conhecido por Hitokiri Battousai ("graças ao fato de que eu fui um excelente professor!"), partiu voltando para Tokyo e deixando Kyoto, Hiko e seu passado para trás. Mais uma vez, e como sempre, Hiko estava ponderando sentado diante daquela fornalha. Era algo maquinado e quase doentio, a ponto dele mesmo se perguntar às vezes: "Por que diabos estou quase o tempo inteiro diante desta fornalha?". Mas desta vez, algo de errado estava acontecendo: suas habilidades de mestre reconheciam logo que alguma coisa estranha estava ocorrendo ali perto. Hiko se levantou, e qual não foi sua surpresa ao ver uma bela moça correndo como louca em sua direção. - Socorro, ME AJUDA!! - Ajudar? Ela mais que depressa correu para trás dele, como a certificar-se de que estaria protegida. Os capangas olharam para Hiko, hesitaram um pouco, mas logo um deles se adiantou: - Escuta aqui, ou você sai da frente dessa vagabunda ou nós vamos... - Você vai O QUÊ? Você não está me ameaçando, está? - Hiko exibia meio sorriso, confiante e arrogante como sempre. - Bem... Acho que... Não precisamos discutir por causa de uma garota, não é mesmo? - outro dos perseguidores olhava assustado para as dimensões de Hiko - Vamos esquecer tudo isto... Nós já estamos indo, certo? - Hum, certo... Serei piedoso com vocês, mas não voltem aqui novamente para me importunar. - disse Hiko, já se virando, enquanto os capangas saíam correndo - E você? Quem é você, e o que está fazendo aqui? - Nobunaga Akemi. Estava fugindo deles. - Sim, isso eu vi. Quero que me diga o porquê. - Porque... Eu machuquei um pouquinho o chefe deles, e... Eles vieram me perseguir... - O que uma menina como você estaria fazendo a esta hora da noite, com gente desse tipo? - ... - Deixe-me adivinhar... Zona alegre, não é mesmo? Saia logo daqui e volte para o seu antro. - Não! Eu não trabalho lá... - Não? Seus pais, onde estariam? - Estão longe daqui, e vivem felizes... Num lugar melhor que este... - o tom de tristeza em sua voz era facilmente notado. - Hum... Entendi... O que você faz da vida então? - Nada... Tenho andado por aí, à procura do que fazer... Do que ser... Agora que meu pai se foi. - O que seu pai fazia? - Servia à casa que já pertenceu a um valoroso samurai, onde agora são dadas aulas de kenjutsu. Ele sempre sonhou em lutar bem um dia, e... veja só! Queria até mesmo criar seu próprio estilo de luta! - Explicada a velocidade... Aposto que seu pai ensinou algumas coisinhas para você... - Sim, ensinou. E vejo que você também sabe algumas "coisinhas". Não tem cara de ser um simples artesão. - Por que não? - Uma espada? Essa altura? Esses músculos? E além do mais... essa capa? Hiko obviamente fez pose e não perdeu a oportunidade: - Ora, você tem razão, esta não é uma simples capa e nem eu sou um simples artesão... Eu sou o Mestre da Hiten Mitsurugi Ryuu, Hiko Seijurou. E essa capa é um símbolo de que eu sou o décimo terceiro sucessor da Escola. - Hum, legal. Pena que a capa seja feia... - O QUÊ? Você disse que a minha capa é FEIA? - Disse. É feia mesmo, não vou mentir prá você só por causa do seu tamanho. - Mas que ousadia e malcriação a sua! - Oh, tem razão, me perdoe! - Acho bom, você está... - Não o agradeci por ter me ajudado! Muito obrigada, Hiko-sama! Tchau! - disse Akemi já se virando para ir embora. (ps: para quem já leu muito isso e nunca entendeu, aí vai a explicação dos famosos sufixos japoneses: Morte-chan seria algo como "Mortinha", usado especialmente no trato com crianças; Morte-sama seria algo mais respeitoso e formal, FORMAL MESMO; Morte-yan seria algo como "Mortinha" novamente, mas usado num diminutivo mais informal e carinhoso, entre grandes amigos; e Morte-san é uma maneira íntima de se chamar alguém que já é conhecido seu, um amigo por exemplo) - Para onde você vai? - Não sei. Ainda não decidi. Hiko sorriu e estava voltando-se para entrar em sua casa quando, de súbito, lembrou-se: - Espere aí! - Akemi estancou e virou-se - Você vai embora sem se desculpar pelo que disse da MINHA CAPA? - Não! - retrucou altiva e seguiu em frente, sem se importar com a reação de Hiko, que ao invés de reclamar, abriu um sorriso evidente. - Personalidade forte...
O fraco de Hiko Seijurou era justamente personalidades fortes. Foi por causa de uma delas que tomou Himura Kenshin, antes chamado Shinta, como seu pupilo. Afinal, é preciso uma índole muito bem moldada para enterrar, com os devidos cuidados, amigos que tomaram conta dele e inimigos que quase o mataram, lado a lado. E agora, se defrontava com uma menina que não tinha a mesma compaixão e respeito, mas uma ousadia e coragem únicas. E se perguntava onde estaria a bela moça que cruzara seu caminho naquela noite. " Gostaria de encontrá-la mais uma vez..." Akemi vagava sem rumo pela noite afora, sem procurar por hospedarias ou casas que pudessem temporariamente abrigá-la em troca de pequenos serviços, como normalmente fazia. Além de ter perdido completamente o sono pela perseguição, o encontro com o "sujeito arrogante" fora marcante. Às vezes, um ou outro sujeitinho a confundia com uma prostituta e lascava algum assobio, seguido de frases indecentes, enquanto ela ou ignorava ou fitava o indivíduo com certa ira. Era até compreensível este tipo de abordagem; uma garota em trajes mal-arrumados, bonita, jovem, na rua a esta hora da noite... Não havia outra justificativa, a de que uma menina sem rumo procurava algo a que segurar, agarrar e implorar por proteção, desde que seu pai, Nobunaga Akira, a havia deixado sozinha... E estranhamente, não se sentia mais sozinha e desamparada na presença do tal Mestre da... Da Hiten o quê mesmo? Bah, não importa. O dia já clareava, e a cidade acordava lentamente, para viver mais um dia na grande cidade de Kyoto. Hiko levantou cedo, como sempre, e se assustou ao encontrar a despensa completamente vazia. - Estou ficando desleixado... E se sentiu forçado a descer as montanhas vizinhas a Kyoto, onde morava, para a cidade, arranjar mais provisões e aproveitar para ver como andavam as coisas por lá. No meio do caminho, se depara com uma inusitada perseguição: um bando de policiais correndo atrás de duas crianças, acusadas de profanar um templo budista local, roubando pequenos objetos, de não muito valor. O menino e a menina corriam como podiam, e logo entraram na cidade, se esgueirando dentre as pessoas que andavam de um lado para o outro. Hiko passou a acompanhar o episódio de perto, querendo saber como iria terminar. Certo que deveriam ser punidas, mas achava um absurdo policiais de espada em riste correrem atrás de duas crianças como se fossem bandidos perigosos. Akemi andava cambaleando, tonta de sono, de cansaço. Virou-se repentinamente, sem nem mesmo saber o porquê, e deu de cara com um menino e uma menina, que estavam esbaforidos e assustados. - Moça, ajuda a gente! Ela logo percebeu, pelos gritos dos policiais que chamavam por eles, que a situação dos meninos não era muito boa. Levou os dois até um beco, e pediu maiores explicações. A menina corria a dar explicações, agitada, mas não terminou de falar: os policiais haviam encontrado os três. - Ei, senhorita, pode mandar esses pivetes prá cá! - Pivetes? Você chama dois garotinhos assustados de pivetes?? E o que pretende fazer com eles, com a espada desembainhada? Vai arrancar-lhes a cabeça e jogar no rio? - Mas que audácia!! Como você ousa falar assim comigo, garota? - Gente da sua laia não merece respeito. Se merecesse, eu falaria respeitosamente. - QUÊ?!? Hiko mais que depressa identificou a voz. "Ah, não, essa menina vai se meter em encrenca." Se aproximou para ver melhor o que poderia acontecer a ela e aos tais garotinhos, e levou um choque quando viu que os policiais formavam um semi-círculo a seu redor, enquanto as crianças estavam atrás dela. Akemi se viu cercada e sem ter o que fazer para fugir. Até que notou que ao lado dela havia uma loja que vendia sombreiros. - Escutem aqui, a tia vai dissipar esses caras maus. Quando eu disser já, fujam e não se deixem pegar, corram para longe e nem olhem para trás. As crianças balançaram a cabeça, concordando. - JÁ!!!! Os garotinhos correram como loucos e os policiais fizeram menção de agarrá-los, mas Akemi rapidamente pegou um sobreiro e atingiu um dos guardas no estômago, fazendo-o cuspir sangue. Tão pasmo e sem reação quanto os policiais, estava Hiko Seijurou. "Mas como diabos...?!?" Os policiais a cercaram e ela se esquivava como podia das lâminas, esperando por uma brecha para sair correndo, já que não podia enfrentar espadas com um sombreiro. Hiko acompanhava, já desesperado, seus movimentos, reparando que não fora morta por um triz. "Um talento natural, mas que definitivamente não possui preparo" Reparou que subitamente, Akemi calculara mal um movimento e fora atingida no braço. Akemi se apavorou e tentou fugir de qualquer jeito, e mal teve tempo de ouvir Hiko gritar: - NÃO, AKEMI, A ESPADA!!! A ESPADA!!! Ela caiu no chão. Um profundo corte varou-lhe a barriga e o sangue começava a escorrer pelo chão. Os policiais observavam, atônitos com o que tinham feito um pouco que sem pensar. A multidão que se aglomerara ao redor estava tão chocada quanto. Hiko abriu espaço dentre as pessoas e prostrou-se bem em frente a Akemi, que disse: - Ei, Hiko-sama... Não chegue muito perto, ou vai manchar sua capinha de sangue... - ela deu um pequeno sorriso e fechou os olhos. - Akemi... O que você fez, criança? |