Capítulo 7 – A Caçada Final

O céu estava limpo, com poucas nuvens. O sol radiante quase no topo do céu. A sombra do antigo templo cobria um grande pedaço de área de um imenso campo, um grande matagal, com capim que cobria até a cintura.

De costas para uma longa passarela, no topo das escadarias de pedra e barro que levavam ao antigo prédio, um a um dos jovens foram surgindo.

Yusuke e ao seu lado esquerdo, Kurama. Do lado direito, Kuwabara. Hiei um pouco atrás e Natsuki logo atrás deles.

Ventava bastante, fazendo com que os campos chacoalhassem violentamente, assim como seus cabelos e roupas. O vento era também a única coisa que fazia barulho naquele lugar tão deserto e silencioso.

O grupo parou diante do templo.

 

No andar mais alto do templo, numa área aberta com quatro colunas de pedra, em forma de tigres, sustentando o teto pontiagudo, encontravam-se Kotori e os cinco guerreiros restantes.

Kotori empunhava o cetro no centro do piso. Encaixou a esfera em seu cálice. Olhava-o com desejo, como se fosse uma jóia. Koenma aparentava uma certa fraqueza, apoiando suas mãos no vidro para não cair e com a cabeça abaixada.

 

CRAAACK!!!!

A porta de madeira da frente se despedaçou com o chute de Kuwabara. Entraram no pátio do andar térreo. O chão estava sujo de poeira, algumas trepadeiras grudadas nas paredes, nas inúmeras frestas que traziam a luz do sol para aquele lugar. Rachaduras, estátuas quebradas, pó, tudo indicava o estado de abandono daquele lugar.

Caminharam em sua direção, mas foram surpreendidos por um misterioso e poderoso ki que se manifestou vindo de cima.

De cima das escadarias, um dos demônios de Kotori. Tinha a forma de um garotinho de pele lilás, careca com um rabo-de-cavalo negro, numa roupa chinesa branca.

Conforme ele ia descendo os degraus, os demais iam se afastando passo a passo, por causa da intensidade de seu poder.

O garoto juntou as mãos, e levantou-as junto ao peito e abriu as palmas em direção ao grupo fazendo surgir o Kanji que representava o fogo em vermelho, e murmurou:

Foi nesse momento que inúmeros raios de fogo saíram de suas mãos indo a várias direções.

Foi uma corrida para se desviarem das chamas, agachando-se, pulando para os lados, mal dava tempo para uma ação.

Kuwabara numa brecha fez surgir sua espada Rei-ken, e começou a rebater as chamas para os lados. Nesse momento, Hiei saltou em direção ao garoto desembainhando a espada. Mas antes de atingi-lo, o garoto novamente uniu suas mãos estendeu-as novamente murmurando:

Uma barreira de ar parou Hiei e lançou-o violentamente contra o teto, fazendo um buraco, e caindo no chão atordoado.

Uma rocha se levanta do chão na sua frente nocauteando Yusuke e fazendo voltar para trás.

Mas distraído, o garoto não percebeu a presença de Kuwabara atrás dele que o agarrou pelos braços, mantendo-os abertos.

O garoto começou a se espernear e gemer feito uma criança mimada.

De repente a face do garoto muda, para dois olhos enormes negros de inseto, e uma boca escancarada com grandes dentes pontiagudos.

Kuwabara se assusta, e o pequeno escorrega pelas mangas e como um animal enfurecido, pula pra cima dos outros prestes a abocanha-los.

Zuinnnnn...

Hiei saca sua espada rapidamente, esticando o braço na horizontal, na direção do demônio. Depois de atravessa-la, cai no chão cortado ao meio pela cintura, tornando-se pó negro e desaparecendo. Coloca-a novamente na bainha, e com a maior tranqüilidade caminha em direção à escada, chamando os outros.

Sem perceberem, uma criatura que estava camuflada numa das paredes deixa o seu esconderijo e se infiltra por uma fresta no teto.

 

Kotori de braços cruzados, segurando firme o cetro, como se tivesse receio de perde-lo, observa a paisagem do alto da torre. Começa a conversar aparentemente com o nada.

 

Ao chegarem no primeiro andar, avistaram novamente outra escada que levava ao andar seguinte. Iam se dirigindo quando Kurama os interrompeu.

Caminharam com um passo um pouco mais lento, sempre com os olhos atentos para todos os cantos.

Passo a passo foram se aproximando da escadaria. Kurama olhou em volta e disse:

Deu o primeiro passo na escada, quando percebeu pisar em algo negro. Parecia um resíduo de alguma coisa. Kurama levantou o pé com desconfiança, e o grude esticou como se tivesse pisado em um chiclete. Tentou soltar o pé, mas não conseguiu. Quanto mais puxava, mais aumentava o volume do líquido.

Yusuke que estava observando o amigo brincou com cara de riso:

Kurama olhou para o amigo, para responder, quando viu mais daquela substância negra se aproximando de Yusuke.

Yusuke apenas olhou para trás quando foi atacado por uma onda de líquido negro que grudou no seu rosto e costas e foi impregnando nele.

Mexeu-se desesperado, puxando o braço. Kurama ficou assustado e num triz olhou para baixo e arrancou o pé do sapato, quase totalmente infestado. Olhou ao redor e viu seus amigos também serem atingidos por aquela substância.

Hiei teve a perna impregnada e dois tentáculos agarraram seus braços, puxando-o para o chão.

Kuwabara fez surgir sua espada e começou a cortar a substância, o que fez efeito por um tempo, até que um tentáculo engoliu sua mão.

Kurama foi assistindo tudo aquilo assustado. Estavam sendo literalmente engolidos por aquela gosma. Olhou para cima e viu uma ponta se aproximar de si, quando foi empurrado por Natsuki. Caiu no chão enquanto a gosma a levantava do chão pelas costas, absorvendo-a do teto.

Logo a sala estava completamente negra e Kurama se viu sozinho, cercado no centro. Lançou rapidamente uma semente no chão que logo brotou e o levantou, ao passo que a substância cobria o centro.

O broto abriu-se em uma grande flor-luz, brilhante. Isso aparentemente deteve a "coisa", que logo se afastou não mais avançando.

Em meio àquela escuridão Kurama ouviu uma voz masculina sussurando:

Kurama olhou assustado para frente, e viu formar-se um rosto na escuridão. Um homem de pele esbranquiçada, com dois riscos pretos, um em cada face, olhos vermelhos e cabelos negros, longos e volumosos. Vestia uma blusa de mangas compridas, transpassada na cintura e uma calça que terminava um palmo do calcanhar, com os pés em botas de pano enroladas até a barra da calça.

Kurama retirou um pequeno galho no bolso da jaqueta e fez crescer uma espada na direção do demônio, ferindo seu abdômen. Mas ele não reagiu, e o sangue que escorreu por essa espada era igualmente negro, como a substância que infestava a sala. A ponta da espada se esmigalhou, sobrando só a base.

Kurama agachou-se no centro da flor, colocando sua mão sobre ela.

Vendo isso o demônio saltou e golpeou-o nas costas. Kurama caiu sobre onde estava apoiado, mas logo se reergueu. Seu inimigo continuou a golpeá-lo, chuta-lo, soca-lo e pular sobre suas costas. Mas nunca permanecia próximo.

Viu seu inimigo berrar cobrindo o rosto por não suportar a luz. Seu grito ecoou pelo recinto. Parecia perdido até que mergulhou a mão na substância e retirou uma espada. Com esta espada cortou as bases da planta fazendo com que as luzes se apagassem.

Kurama reconheceu chocado, a espada era a de Hiei.

As poucas nuvens no céu começavam a se movimentar com grande rapidez. O vento tornava-se mais forte. As aves que estavam nas árvores próximas levantaram vôo, assustadas.

Koenma observava o céu de dentro de sua prisão em forma de esfera.

Sua expressão era séria.

"Yusuke já está por aqui. Eu espero que ele venha logo, pois ele não faz idéia de o quanto Kotori está errada. Não vai sobrar nada dos três mundos. Não sobrará nenhum resquício de vida".

Kotori riu dissimuladamente, enquanto Koenma olhava para ela com raiva.

Kurama sentiu-se extremamente irritado. O lodo que estava em volta do demônio enrolou-se sobre seu corpo cobrindo-o até a cintura. Fechou os olhos por alguns segundos e no centro de sua testa surgiu um terceiro olho, igual ao de Hiei.

O demônio começou a concentrar poder na sua mão direita, enquanto Kurama se preparava, com os olhos fixos e sua mente concentrada.

 

Continua...

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