Capítulo 6 – As Origens do Problema

A superfície do lago foi afundando, revelando a margem de terra úmida. Logo, uma mão atravessou a água, e em seguida uma cabeça emergia. Os cabelos negros jogados para trás, fios escorrendo na frente do rosto, queixo erguido, olhos arregalados e a boca arfando inspirando o ar com muita força. Em seguida, outra pessoa emergia, carregando um sujeito de baixa estatura num dos ombros. Na mesma seqüência, outros dois surgiram. Uma mulher que apoiava as mãos no barro da margem enquanto erguia seu corpo, rolando para fora do lago. Outro sujeito de cabelos longos, escorridos pela água, também se apoiava com as mãos, e um dos pés escalando a margem.

Saídos da água, os quatro se puseram de pé. Suas roupas encharcadas, cabelos pingando. Seus rostos pálidos e gelados. Um vapor visível saia de suas bocas enquanto respiravam, devido ao frio daquela manhã.

Yusuke, ainda respirando profundamente, murmura para os outros:

- Saímos..., dessa...

 

 

Voltando ao templo de Genkai. A lareira estava acesa, crepitava quebrando o silêncio. Casacos pendurados próximo ao fogo gotejavam. Kuwabara, enrolado a um cobertor, tremia feito bambu em frente a lareira. Yusuke, agora com seu cabelo repartido no meio, cochilava também enrolado a um cobertor, sentado e encostado à uma parede.

A porta ao lado se abriu. Kurama entrou no aposento e fechou a porta cuidadosamente, sem fazer barulho.

Kurama fez um gesto com o rosto de ter entendido e foi para a porta da frente.

Botan surgiu por de trás de uma porta, assim que Kurama saiu. Fazia expressão de que quem havia ouvido a conversa.

PAAAAFF!!!

Botan se irrita acertando o seu remo na cara de Yusuke.

Do lado de fora do templo, Natsuki estava sentada em cima de um pequeno suporte de pedra em forma de uma escultura de dragão, na ponta do corrimão da escada. Um de seus braços estava pendurado, com a mão segurando sua arma. O outro braço estava repousando sobre o colo. Tinha na mão um tubo de um tom vinho envelhecido, com alguns fios dourados pendurados em ambas extremidades, bem decorado.

Natsuki tinha seus olhos nesse tubo de pergaminho, pensativa. Em sua mente formavam-se imagens de algumas lembranças.

 

Parado em um degrau de uma escada de pedra, de costas para uma bela mansão em estilo medieval japonês, um homem alto de longos cabelos loiros esbranquiçados amarrados, sobrancelhas negras finas, contrastantes e olhos azuis, trajando trajes refinados, dignos de um chefe de uma família rica e respeitável da região. O homem fita com seriedade à pessoa que está a sua frente, uma garotinha de aparentes 10 anos de cabelos negros e olhos do mesmo tom de azul do homem, vestindo um traje ninja azul marinho e preto.

A garota curvou-se e respondeu.

Natsuki levantou o rosto, focalizando o horizonte. A luz amarelada do sol da manhã mesclava com uma neblina branca e fina contornando a paisagem. Seu rosto sério e sereno, ainda com imagens vagando por sua mente.

Makai. Natsuki encara um estranho que lhe oferece um porta-pergaminho.

Natsuki o olhou com desconfiança, mas estendeu a mão e agarrou o documento.

Natsuki despertou de seu devaneio com esse chamado. Olhou para o lado, vendo que Kurama a chamara.

Natsuki olhou o documento e respondeu com um sorriso risonho.

A porta da frente se abre. O cilindro é arremessado no centro da sala, interrompendo o bate-boca de Yusuke e Botan.

Natsuki sentou-se no chão, tomou o tubo e abriu uma das pontas, tirando um rolo de papel enrolado, amarrado com uma fita vermelha. Desenrolou-o ali mesmo no chão, diante dos olhos atentos ao que fazia.

Ao desenrolar o pergaminho, que parecia ter séculos embora estivesse incrivelmente conservado, revelou um conjunto variado símbolos. Haviam hieróglifos, algumas escrituras em chinês e outros tipos de escrituras totalmente incompreensíveis.

Kurama pareceu pasmo ao reconhecer entre os grifos símbolos de alguns dialetos provenientes do Makai.

‘ Uma gota pairou na testa de todos.

Até que em certa ocasião, um demônio, auxiliado por um astrônomo, uniu esse enigma a uma previsão de um acontecimento. Previram uma ocasião em que o céu se cobriria de negro, e que neste momento tanto o Reikai quanto o Makai estariam ligados com o Niguenkai. Em seguida criaram um ritual. Este ritual consiste em invocar a morte, sem ser atingido por ela, mas fazendo com que ela atinja um alvo. Em geral, quando, nesse caso, a morte é invocada, ela não ocorre de uma forma especial, e sim por intermédio de um acidente, tragédia ou catástrofe. Claro que, a gravidade do acidente depende do grau em que a pessoa possa se desvencilhar dele. E o alvo deste ritual é Koenma. Precisaria algo realmente grande para que ele fosse morto por um acidente. Além disso, Kotori o levará para um ponto do planeta que é o único lugar onde a morte não será capaz de atingi-los. Vai ser debaixo do escudo das trevas aqui mencionado.

Mesmo assim, a morte virá, com toda a sua força, e não vai parar até que Koenma morra. Em resumo, quando Kotori invocar a morte, ela virá de uma forma tão terrível que, provavelmente, arrastará com sigo toda a vida que existe, e não apenas neste mundo, como também nos dois reinos que neste momento estarão extremamente próximos deste. E só vai parar quando Koenma der seu último suspiro. Daí só sobrarão Kotori e seus soldados. E como os únicos seres vivos, serão os reis e juízes dos três reinos.

Todos ficaram em silêncio por alguns segundos, com os olhos arregalados diante do que estava para acontecer.

‘ Uma gota pairou na testa tos presentes.

Natsuki sorriu.

Continua...

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