Capítulo 5 – Segredos
O vento gelado batia contra seus rostos, que atravessavam a escuridão da floresta com rapidez e silêncio. A escuridão era profunda, e a neblina dificultava a visão, mas mesmo assim sabiam onde estavam indo. Sentiam a presença de Harim, sentiam seu cheiro presente no ar.
Hiei e Natsuki corriam paralelamente.
"O que será que está acontecendo?", pensou Hiei.
A floresta acabou, restando apenas o capim alto. O inimigo parecia estar andando com dificuldade, através da grama. Hiei percebeu que seu movimento era mais lento, e diminuiu sua própria velocidade. Poderia alcançá-lo facilmente, mas queria saber até onde ele iria.
A luz do sol começava a iluminar o horizonte, a neblina diminuía. A visibilidade do caminho melhorou. Hiei deteve-se. Natsuki um segundo depois. Espreitaram, perceberam um movimento mais lento. Parecia uma decida, ouviram um som de pedras sendo movidas. Também ouviram um outro som. Parecia água.
Deram um passo mais adiante, ao fim do capinzal, e avistaram um grande lago.
Natsuki olhou para ele, mas o olhar de Hiei estava em outra direção. Então ela buscou a direção, e viu algo na borda do lago. Flores. Uma linha que se estendia até o centro.
Hiei olhou para um dos lados e viu uma pedra no meio da grama.
- Crash! – Hiei sacou a espada cortou a pedra ao meio e as duas metades rolaram por lados opostos. Revelou uma gravura, uma palavra, em alto relevo. Seu olhar logo voltou-se para o lago, pelo ruído que veio de lá. Uma estrada de pedras emergiu, e terminava num buraco retangular, como um alçapão. Por dentro seguia-se uma escada de pedras úmidas. Hiei olhou por alguns segundos para aquela passagem. Sua expressão não era nada boa. Natsuki também ficou séria.
Kotori, sentada em seu trono, passou os dedos entre os cabelos enquanto piscava os olhos demoradamente, e então ordenou.
Harim afastou-se a uma boa distância, esticou seu pescoço, em posição horizontal, abriu sua bocarra, e o volume da corcunda pareceu ser movido em direção da cabeça. Sua língua puxou o corpo todo enrolado, que foi colocado no chão delicadamente. E logo ela se desenrolou revelando o rosto de Kurama, adormecido, voltando em seguida para dentro de Harim.
Kotori olhou para aquele corpo, e um sorriso meigo se formou lentamente em sua face. Ergueu seu olhar para Harim, sua expressão era de satisfação.
Kotori olhou irritada para Kimitaro.
Enquanto conversavam, os dois estranhos sujeitos prendiam os braços de Kurama em duas algemas grossas com correntes presas à parede, que o deixou suspenso pelos braços. Quando terminaram, reverenciaram sua senhora.
Ambos seguiram a ordem sem dizer uma palavra, virando por um corredor que ficava do lado esquerdo da sala. Kimitaro estava irritado, encarando Kurama pelo canto do olho: "Aproveite seus minutos de vida, pois não deixarei que viva mais do que isso...".
Ao fim da escadaria, Hiei e Natsuki chegaram à entrada de uma imensa caverna. Ocultos sob essa entrada eles observavam o que se passava em seu interior. O teto dessa caverna chamou a atenção de Natsuki. Era feito de cristal e podia-se ver o fundo do lago. Mas à frente, acima daquele trono dourado, Natsuki viu um lustre feito de esferas cristalinas, e viu uma que era maior do que as outras que pendia no centro. Era onde estava Koenma.
Hiei colocou o mão no ombro de Natsuki, ela olhou para ele e ele apontou para uma mesinha de madeira ao lado do trono. Sobre ela estava o cetro.
Kotori estava em pé cara a cara com Kurama. Elevou seu braço direito à altura de seu rosto e estalou os dedos. Kurama despertou com o som do estalo. Ele firmou seus pés no chão e posicionou-se de pé. Seus pulsos estavam doloridos por terem sustentado o peso de seu corpo. Olhou ao seu redor, não se recordava do que tinha acontecido.
Kotori se vira para trás e vê Natsuki diante dela.
Kurama ouviu a conversa, apesar de não entender o que se passava.
CRASH!!!
O som alto de vidro se quebrando chamou a atenção de ambos. Hiei caiu agachado no chão, com sua katana em mãos, após ter cortado a base do lustre, em meio a vários cacos de esferas espalhados pelo chão. As almas aprisionadas subiram aos poucos, indo em direção aos seus corpos. Uma das esferas não havia quebrado, a maior de Koenma. Hiei tomou-a em sua outra mão, e, levantando-se, ergue-a para o alto em posição de arremessá-la ao chão.
Um raio, um tiro espiritual, acerta Hiei, atravessando o estômago, e o arremessa contra a parede. Hiei vai ao chão. Enquanto a esfera é agarrada pelas mãos de outro demônio, com grandes asas negras. Logo atrás dele surge o autor do tiro, um sujeito de cabelos loiros espetados, orelhas pontiagudas e um estranho chapéu. Vestia um colete preto e luvas sem dedos e tinha uma grossa pistola prateada, o cano virado para cima, aproximou-o aos lábios e assoprou.
Harim ignorou-o, mas quando se aproximava, sentiu uma dor terrível. Como se seu corpo estivesse sendo rasgado por dentro. Foi quando milhares de grossos espinhos brotaram de seu corpo, perfurando-o por todos os lados. Harim caiu no chão já morto. Seu corpo frio e paralisado converteu-se em uma areia negra, que desapareceu. Tudo isso bem na frente de Kotori.
Kotori assistiu chocada a cena. Encarou Natsuki por alguns segundos. Depois voltou-se para Kurama. Pareceu ter percebido algo, que talvez já tivesse perdido. Fechou seus olhos de raiva quando pronunciou a frase:
As sobrancelhas de Kotori se uniram, numa expressão de aborrecimento.
Kotori virou-se para trás, dirigindo-se aos guerreiros.
Enquanto os demônios abriam uma passagem por trás do trono, Kotori andou calmamente até Natsuki, ficando de frente com ela.
Kotori virou-se para trás, caminhando elegantemente, sem expressar preocupação nenhuma. Havia gostado muito de tê-la golpeado.
Natsuki se encontrava no chão, acolhida pelos companheiros, depois que Kotori saiu, as passagens, tanto da frente quanto à dos fundos, foram fechadas. As entradas para os outros corredores e alas também se fecharam, deixando-os isolados naquele salão. Até mesmo as tochas que iluminavam se extinguiram. Aquilo não era um bom sinal.
Um susto. O som interrompeu o silêncio. Olharam para a passagem do fundo. Observaram que na moldura haviam duas estátuas de leões. As mandíbulas das estátuas se abriram. Água. Por aquelas aberturas começou a jorrar com toda a força. Não demorou muito, outras passagens se abriram jorrando água também.
A água já cobria suas canelas, fria, deixando-os gelados. No final a passagem da frente se abriu.
Yusuke olhou para o alto, viu o teto de cristal.
CRINNNNSSSHH!!!!!!!!!!!!!
Continua...