Capítulo 2 – O Cetro

Yusuke, Botan e Kuwabara sentaram-se num dos bancos do parque, em frente a uma trilha que seguia bosque a dentro. O clima havia esfriado conforme foi escurecendo. Um vento frio corria por seus cabelos, e rostos gelados, arrastando as folhas amarelas e alaranjadas caídas no chão e na grama. Hiei permaneceu no galho de uma árvore próxima, olhos, aparentemente distantes, e ouvidos atentos a qualquer movimento. Ouviram passos, e viram Kurama caminhando naquela direção

Yusuke ao avistá-lo, levantou-se e foi em sua direção, buscando pela informação que ele trazia.

Kuwabara também se levantou depois de ouvir a conversa. Juntou-se aos companheiros formando uma roda. Botan apressadamente também se levantou e juntou-se à roda para ouvir o que eles falavam. Hiei continuou no mesmo lugar, olhando pelo canto dos olhos, escutando a conversa sem expressar nennhuma reação. Kuwabara, que estava duvidoso e desconfiado daquela história, logo se dirigiu a todos, mas em especial a Botan:

Botan interrompeu-se, ao mesmo tempo que os três voltavam a atenção para passos vindos de dentro do bosque. Uma garota subia pela trilha, seus cabelos negros esvoaçando ao vento, suas mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo preto que também levantava-se na parte de trás com o vento. Seus olhos azuis os encaravam, identificando-os. Aproximou-se aos poucos da roda, vendo que já haviam lhe reconhecido. Com um tom calmo e sensível, expôs sua opinião.

Estavam ambos surpresos e apreensivos quando ela surgiu inesperadamente e os abordou, e ao mesmo tempo curiosos com o que ela tinha a lhes oferecer. Hiei não expressava nenhuma reação, e nem havia ficado surpreso quando ela apareceu. Havia avistado ela de longe, antes que pudesse ser vista pelos demais. A jovem, impaciente na expectativa de alguma abordagem, resolveu se apresentar:

Botan olhou para os lados e viu que nenhum deles parecia que iria responder, foi logo se apresentando na tentativa de quebrar aquele gelo.

Vendo o furo haviam dado naquela situação, Kuwabara e Yusuke sorriram, ensaiando um cumprimento, como se estivessem tentando conquistar um perdão pela estupidez.

Vendo que seus amigos começaram a reagir, Botan continuou:

Hiei saltou da árvore, dignando-se apenas a se apresentar em frente Donna, sem pronunciar qualquer palavra ou expressar alguma reação, mantendo sua frieza.

Kurama a cumprimentou por último, cordial e gentilmente:

Donna olhou nos olhos de Kurama, sorrindo um sorriso risonho que até um certo ponto parecia irônico. Virou seu rosto na direção de todos, focalizando-os, e retornando-o de forma a fixar-se em Kurama.

Kurama sentiu um calafrio percorrendo a coluna, quando Donna olhou para ele. Quase se deixou tremer, como um pavor que houvesse sentido por um instante. Aquela expressão irônica vinda do rosto daquela garota, parecia-lhe familiar, não sabia de onde. Sentiu-se um tanto ameaçado, afinal, o que aquilo significava?

Botan novamente se dirigiu a Donna, ansiosa por descobrir algo sobre Kotori que fosse de utilidade naquele momento.

Donna balançou a cabeça verticalmente, consentindo.

Yusuke meteu-se finalmente na conversa.

Donna revelou então que não era apenas uma garota comum. Corria numa velocidade incrível, era uma perfeita rival para Hiei nesse sentido.

Percorreram por calçadas, atravessando ruas e avenidas, passando através de carros, ou por cima deles, chamando a atenção de quem via. O tempo parecia fechar, ameaçando chuva. O céu sem estrelas, contrastava com os altos edifícios, e conforme iam se aproximando do centro da cidade, avistava-se os inúmeros luminosos, que pareciam hostis naquela noite.

Enquanto corriam, Kurama alcançou Donna a fim de falar-lhe. Um misto de curiosidade e desconfiança permanecia em sua cabeça, mas sabia que era preciso superar aquilo.

Donna novamente sorriu, daquela forma irônica, quando respondeu a pergunta:

Então ele não estava errado. Kotori planeja realmente dominar o Reikai, pensou ele. A que ritual Donna se referia, isso não conseguia imaginar. Como Donna sabia disso? Uma dúvida terrível estava atormentando Kurama. Qual a relação dela com os acontecimentos que haviam ocorrido, e por que ela lhe parecia tão ameaçadora e familiar. Não conseguia achar uma resposta, a única coisa que poderia fazer naquele momento é continuar.

Uma das portas de madeira do Museu foi quebrada violentamente, produzindo um som alto que ecoou pelo interior do museu. O alarme disparou, os seguranças que estavam fazendo a vigilância naquela noite correram até a porta, mas descobriram-na trancada, com algumas rachaduras em torno de um estranho buraco estreito de um metro de comprimento. Um dos seguranças comunicou-se pelo rádio com os controladores de câmera, que verificaram que apenas uma peça havia desaparecido.

Ele corria. Descia o morro, atravessando o capim alto, era bem rápido, seus cabelos esbranquiçados eram jogados para trás pelo vento. Seus olhos arregalados não desviavam da sua direção. Atravessou a rodovia, as luzes de faróis dos carros o focalizavam por apenas alguns milésimos de segundo, e apenas os faróis, pois os próprios motoristas não eram capazes de perceber sua presença. Um cetro estava em sua mão, e não o soltaria não importasse o que acontecesse.

Percorreu pelo campo, a chuva caía, enlameando a terra, mas parecia não molhá-lo, mesmo não tendo nenhuma proteção.

À frente do campo, avistou uma pequena mata. O local em que Kotori o estaria esperando. Havia cumprido sua missão, o que conquistaria definitivamente a confiança de sua senhora e garantiria sua vida. Penetrou a fundo a mata, pulando troncos e pedras que estavam em seu caminho.

Kotori estava, como uma rainha, sentada sobre um banquete de estofado macio, aveludado cor vinho, com dois demônios ao seu lado. Um deles, com a aparência de um garotinho, de pele roxa, orelhas pontiagudas, careca com um rabo de cavalo negro, posicionado à sua direita segurava uma sombrinha sobre ela. Do lado esquerdo, reconheceu Kimitaro de braços cruzados, cimitarra na cintura, uma espécie de guarda-costas de Kotori.

Shihoko curvou-se em sinal de respeito, segurou as extremidades do cetro com as mãos em posição horizontal, erguendo-o para mostrá-lo a Kotori.

Kotori sorriu, balançou o rosto para baixo como sinal de aprovação pelo excelente trabalho de Shihoko.

O cetro era todo em ouro, escurecido pelo tempo, tinha um metro de comprimento, com linhas trançadas em alto relevo por ele todo, a extremidade inferior em formato semelhante a um ovo, e a superior no formato da cabeça de um tigre com a boca aberta, com um rubi cravado, debaixo de dois pares de dentes afiados, um par na arcada dentária superior, e o outro na inferior. Duas asas de morcego saiam uma de cada lado da cabeça de tigre, erguidas para o alto formando uma espécie de cálice. Poderia se observar que era possível encaixar naquele cálice algo do mesmo tamanho que tivesse um formato esférico.

Kotori tomou a sombrinha da mão do garotinho que estava ao lado, levantou-se e andou graciosamente na direção de Shihoko, com o propósito de tomar o cetro. Havia esperado muito tempo por aquele momento.

Zum. Foi bem rápido. Rápido demais para que percebessem, estando distraídos. Shihoko caído no chão com o ventre cortado. E onde estava o cetro?

Foi então que viram, Hiei, no alto de um galho de árvore, em posição defensiva, a espada guardada na bainha, o punho firme em sua mão, pronto para atacar ou defender-se. O cetro em sua outra mão, ele o lançou ao seu lado, e foi apanhado no ato por Kurama.

Logo em seguida, Yusuke e Kuwabara surgiram do outro lado de trás das árvores, e Donna ficou entre os dois grupos, todos juntos cercando Kotori e seus soldados.

Kotori não escondeu sua surpresa e indignação, sua expressão irritada era bem notável. Porém, segurou sua raiva, acalmou-se, trocando um olhar sério com Shihoko, que se levantava naquele, como uma ordem para que arranca-se o cetro das mãos daquelas pessoas. Ele entendeu a ordem perfeitamente.

Shihoko virou-se, encarando a todos, e pausando seu olhar na direção de Hiei, como que se o chama-se para terminar o que ele havia começado. A pele em torno do ferimento, visivelmente profundo, desmancho-se, derretendo e tornando-se líquida, encostando-se uma parte na outra, como se fossem duas ondas que se chocassem no mar, e fechando por si o ferimento.

Resolveu provocar:

Shihoko sentiu-se um pouco irritado com aquela resposta, mas acalmou-se, afinal, ele não era um grande problema, pensou ele.

Embora todos estivessem preparados, sabiam que era Hiei quem lutaria naquele momento.

Sentiu o you-ke de seu adversário queimar, enquanto acendia o seu. Não seria uma luta simples, mas Hiei não estava muito preocupado.

Continua...

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