Bruxaria

1. O Início
Muitos
imaginam as bruxas como feiticeiras velhas e feias voando em cabos de vassouras ou atuando
em ritos obscenos, integrantes de um culto maluco, basicamente preocupadas em amaldiçoar
os seus inimigos através da perfuração de imagens de cera com alfinetes e carentes dos
propósitos de uma verdadeira religião.
Mas a
Feitiçaria é uma religião, talvez a mais antiga religião existente no Ocidente,
nasceu há cerca de mais de 35 mil anos atrás.
A Feitiçaria
retira seus ensinamentos da Natureza e inspira-se nos movimentos do sol, da lua e das
estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das árvores e nos ciclos das
estações.
Acredita-se
que o homem começou a honrar a sua terra-mãe que lhe provia o sustento, isto na época
de um resfriamento na crosta terrestre. Há muitos anos, nos primórdios da humanidade,
grupos de caçadores seguiam as renas lépidas e os imprevisíveis bisões. Eles estavam
armados, somente, com as mais primitivas armas, mas alguns entre os clãs eram
especialmente dotados, "convocavam" as manadas até armadilha, onde alguns
animais deixavam-se capturar. Estes xamãs dotados entravam em harmonia com os espíritos
dos rebanhos e, ao fazê-lo, percebiam o ritmo vibrante que inspira toda a vida, a dança
da espiral dupla, o remoinho para dentro e para fora do ser. Eles não exprimiam essa
intuição intelectualmente, mas por imagens: a Deusa Mãe, aquela que dava à luz, que
trazia para a existência toda a vida, e o Deus Galhudo, caça e caçador. Os xamãs
vestiam-se com as peles e chifres em identificação com o Deus e suas manadas; as
sacerdotisas atuavam nuas, incorporando a fertilidade da Deusa.
A vida e a
morte eram um fluxo contínuo; os mortos eram enterrados como se estivessem adormecidos em
um útero, cercados por suas ferramentas e ornamentos a fim de que pudessem despertar para
uma nova vida. Nas cavernas dos Alpes, crânios de grandes ursos eram fixados em nichos,
onde liam os oráculos para guiar os clãs na caça. No Ocidente, nos templos das
grandes grutas do sul da França e da Espanha, os seus ritos eram realizados dentro dos
úteros secretos da terra, onde as grandes forças antagônicas eram pintadas sob forma de
bisões e cavalos, superpostos, emergindo das paredes da caverna como espíritos em um
sonho. Em lagoas nas planícies, renas - suas barrigas cheias de pedras que encarnavam os
espíritos dos cervos - eram imensas nas águas do útero da Mãe a fim de que as vítimas
da caçada renascessem.
A dança
espiral também era vista do céu: na lua, que mensalmente morre e renasce; no sol, cuja
luz traz o calor do verão e, quando esta se vai, o frio do inverno. Registros da passagem
da lua eram marcados em ossos e a deusa era mostrada a segurar o chifre do bisão, que
também é a lua crescente.
Quando a
terra começou a se aquecer novamente, alguns grupos se deslocaram para outras regiões,
enquanto outros fixaram-se. Aqueles que possuíam poder interior aprenderam que estes
aumentavam quando as pessoas trabalhavam juntas. À medida que os povoados isolados
transformaram-se em vilas, xamãs e sacerdotisas uniram suas forças e compartilharam os
seus conhecimentos. Os primeiros covens foram organizados. Profundamente sintonizados com
a vida animal e vegetal, domesticaram a região onde anteriormente haviam praticado a
caça, criaram carneiros, cabras, gado e porcos, a partir de seus primos selvagens. As
sementes não eram somente coletadas; elas eram plantadas, para crescerem no local do
assentamento. O Caçador tornou-se o Senhor dos Grãos, sacrificados quando da colheita no
Outono, enterrados no útero da Deusa para renascer na primavera. A Senhora das Coisas
Selvagens tornou-se a Mãe da Cevada e os ciclos da lua e do Sol determinavam as épocas
para semear e colher e soltar os animais no pasto.
Descobriu-se
que certas pedras aumentavam o fluxo de energia. Eram colocadas em pontos adequados em
grandes fileiras e círculos que marcavam os ciclos do tempo. O ano tornou-se uma grande
rosa dividida em oito partes: os solstícios e equinócios e, nos quadrantes entre estes,
os dias onde grandes festas aconteciam e fogueiras eram acesas. A cada ritual, a cada raio
de sol e da lua que atingiam as pedras nos períodos de energia, a força aumentava. Elas
se tornaram grandes reservatórios de energia sutil, portais entre os mundos do visível e
invisível. No interior dos círculos, ao lado dos menires e dólmenes e galerias
escavadas, as sacerdotisas penetravam nos segredos do tempo e na estrutura oculta do
cosmo.
Síntese:
STARHAWK,
A Dança Cósmica das Feiticeiras. Tradução de Ann Mary
Figueira Perpétuo, Editora Nova Era.
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2. Tempos Ardentes ou "Burning Times"
Época das perseguições religiosas. Na idade média, o
cristianismo, religião anteriormente quase desconhecida, atinge seu maior número de
adeptos. A força da Igreja tornou-se soberana em quase toda Europa.
No intuíto de tornar a religião cristã um religião universal
e ampliar o poder da Igreja por interesses puramente econômicos, começaram as
perseguições aos adeptos da antiga religião, culminando com tortura e morte de muitos
inocentes. A sociedade começou a se fundamentar em um alicerce cristão, porém deturpado
por interesses diversos, sendo criada a carta "Maleolus Malleficarum" (martelo
das bruxas) estipulando condutas típicas que caracterizariam uma pessoa como
"bruxo", e quem fosse considerado tal, seria condenado. O simples ato de se
despir para se banhar em um lago isolado, um simples olhar de um rapaz
"flertando" com uma moça ou de usar ervas (infusões, chás) para o tratamento
de enfermidades, eram suficientes para acusar uma pessoa de bruxaria...
Esta era foi conhecida como tempos ardentes, onde os acusados
(sempre confessos mediante tortura) eram freqüentemente queimados vivos nas fogueiras.
Isto serviu de exemplo para os que ainda não eram convertidos ao cristianismo.

(Tribunal de Salem)
Os cultos à Deusa e ao Deus eram realizados em locais afastados
das cidades, em subterrâneos ou em locais de encontro que se alternavam no intento de
não despertar a atenção dos caçadores de bruxas.
Muitos anos após, alguns grupos praticantes da Antiga Religião
com prestígio dentro da sociedade despertaram sua conciência com as perseguições e
começaram a tomar certas atitudes, influenciando altos juizes em várias porções da
Europa. São vários os fatos que contribuiram para o fim das perseguições.
Histórico
- Início do Século 9:
Difundiu-se uma crença
popular que feiticeiros e bruxos malígnos exisiam. Eram vistos como pessoas demoníacas,
principalmente as mulheres, que dedicam suas vidas a prejudicar e matar pessoas através
de feitiçaria e pactos demoníacos. A Igreja Católica da época oficialmente afirmava
que tais bruxos não existiam. Era uma heresia dizer que eles eram reais. "Por
exemplo, no século 5o., o Conselho eclesiástico de St. Patrick estabeleceu que
'Um Cristão que acreditasse em vampiros, era o mesmo que declarar-se bruxo, confesso ao
demonio; a lei dizia que pessoas com crenças não poderiam ser aceitas pela Igreja
a menos que revogue com suas palavras o crime que cometeu.' Um capitólio da Saxônia
(775-790) proclamou estes esteriótipos da crença pagã: 'Se alguém, devoto do
Demônio, seguindo as crenças Pagãs, qualquer homem ou mulher considerado um bruxo, que
por sua vez come carne humana, deverá ser queimado na fogueira [bruxo confesso]...
devendo assim receber a pena capital."
- 906: Regino de Prum, O ábade das Trevas, escreve o "Canon
Episcopi". Ele reforçava a crença da Igreja de que os bruxos não
existiam. Ele afirmava que algumas mulheres desonestas e confusas podiam voar pelo ar
com a Deusa pagã Diana. Embora isto não acontecesse na realidade; Isto era visto como
uma forma de alucinação.
- 975:
Penalidades
para bruxaria e uso de curas mágicas tornam-se severas. O contricionário Inglês de
Egbert preconizava (em parte...): "se uma mulher realiza bruxaria ,
encantamentos e [usa] filtros mágicos, ela deverá se abster de comida por vinte
meses.... se matar alguém com seus filtros, ela se absterá por sete anos.". A
Abstenção consistia apenas de pão e água.
- 1140:
Gratian,
um monge italiano, incorporou a Canon Episcopi na lei canônica.
- 1203:
O
movimento Cathar, um grupo de Cristãos Gnósticos, tornou-se popular na região de
Orleans, França e na Itália. Eles foram declarados Hereges pela Igreja. O papa Inocencio
III aprovou uma guerra genocida contra os Cathars. O último Catar que se tem noticia foi
queimado na estaca em 1321.
- 1227: O
Papa
Gregorio IX propôs a Corte de Inquisição para prender, confessar e executar hereges.
- 1252:
O Papa
Inocencio III autorizou o uso da torura durante o processo de inquisição.
- 1258:
O Papa
Alexandre IV restringiu a inquisição a manter suas investigações à casos de heresia.
Não investigaram crença em feitiçaria a menos que hereges estivessem envolvidos.
- 1265:
O Papa
Clemente IV reafirma o uso da tortura.
- 1326:
A Igreja
autoriza a inquisição para investigar casos de bruxaria. Sua maior contribuição foi o
desenvolvimento da "demonologia," a teoria da origem diabólica da bruxaria e
estudo dos demônios.
- 1330:
Aumentou
a crença popular que bruxos e feiticeiros malignos são aliados de Satã, tinham
relações sexuais com o demônio, raptavam e comiam crianças, etc.
- 1347 a 1349:
A
epidemia de peste negra dizimou uma porçao considerável da população Européia.
- 1430:
Teólogos
Cristãos começaram a escrever livros que "provavam" a existência dos
bruxos.
- 1450:
A
primeira Grande caçada aos bruxos iniciou na Europa. A Igreja Criou uma imaginária
religião do Demônio, utilizando esteriótipos que circulavam desde as eras
pré-cristãs. Eles afirmavam que os pagãos que cultuavam Diana e outros Deuses e Deusas
eram bruxos maus que raptavam bebês, matavam e comiam suas vítimas, vendiam suas almas
à satã, faziam pacto com o demônio, voavam pelo ar, realizavam encontros secretos à
noite, causavam impotência e infertilidade às pessoas, etc. Historiadores
afirmavam que estes genocídios reliogicamente incitados foram motivados pelo desejo da
Igreja em obter maior número de adeptos (monopólio exclusivo), ou ainda como "uma
ferramenta de repressão, uma forma de guiar a massa para outras divindades superiores, um
joguete contra mulheres (eram desprezadas), ou um modo para pessoas comuns de surrupiar
colheitas pagãs, gado ou justificar morte de bebês e crianças." Walter
Stephens, um professor da Johns Hopkins University, propõem uma nova teoria:
"Acho que os bruxos eram "bodes espiatórios" de Deus." E
ainda, o modo de explicar o mal no mundo era atribuir a causa a bruxos e demônios.
- 1450:
Johann
Gutenberg inventou a imprensa, facilitando a propagação das leis da Igreja e aumentando
a insatisfação popular à imagem dos bruxos; isto facilitou em muito a caçada às
bruxas.
- 1474:
O Papa
Inocencio VIII publicou um bula papal condenando bruxos.
- 1480:
Thomas
de Brabant escreve o livro "Formicarius", que descreve a prossecução de um
homem por bruxaria. Cópias deste livro foram anexadas ao Malleus Maleficarum anos
mais tarde.
- 1486-1487:
Inqusidores
(Heinrich Kraemer) e Jacob Sprenger publicam o Malleus Maleficarum (O martelo das
bruxas). Este é um fascinante estudo destes autores que odiavam mulheres. Ele descreve as
práticas e condutas típicas para os bruxos, e métodos para obter confissão, sendo
posteriormente abandonado pela Igreja. Entretanto este tornou-se a "biblia"
destas cortes seculares que condenavam bruxos.
- 1500:
Durante
o 14th século, constatou-se 38 acusações contra bruxos e feiticeiros na
Inglaterra, 95 na França e 80 na Alemanha. A caça aos bruxos foi
acelerada. "Pela escolha de conceder suas almas à práticas demoníacas teriam
cometido crimes contra o homem e contra Deus. a gravidade deste duplo crime denominado a
bruxaria como um crime excepcional, permitindo a suspensão de seus direitos de modo a
punir por sua culpa." Testemunhos de crianças foram aceitos. A tortura
largamente foi utilizada com a finalidade obter confissões. A falta de consistência nas
confissões também foi aceita como prova de culpa.
- 1517: Martin Luther fixou suas
95 teorias na porta da Catedral de Wittenburg, Alemanha. Isto instigou a reforma
Protestante. Nos Países Católicos, as cortes continuavam a queimar bruxos. Em
Protestantes, eles eram enforcados. Alguns países protestantes não admitiam a
tortura.
- 1550 a 1650:
Perseguições
alcançaram seu pico nesta década. Estes foram chamados de "TEMPOS ARDENTES."
Foram muito concentrados no leste França, Alemanha e Suiça. As perseguições ocorreram
com maior frequência em locais onde haviam conflitos entre Católicos and Protestantes.
Ao contrário da opinião pública, os bruxos suspeitos foram perseguidos pelas cortes --
especialmente àqueles envolvidos feitiçaria malígna. somente uma minoria
respondia às autoridades da Igreja.
- 1563:
Johann
Weyer (b. 1515) publica um livro que agride as crenças pagãs. Chamado de "De
Praestigiis Daemonum" (Queda das almas), preconizava a não existência dos bruxos,
mas que Satan forçava que eles o seguissem. Ele rejeitava as confissões obtidas sobre
tortura e violência. Ele recomendava tratamento médico ao invés de Tortura e execução
.
- 1580:
Jean
Bodin escreve "De la Demonomanie des Sorciers". Ele afirmava que era
necessário punir os bruxos. Nenhum bruxo acusado deveria ser liberto se tivesse evidencia
que ela seria culpada. Se o inquisidor esperasse por evidências concretas, nenhum bruxo
seria preso, acreditavam eles.
- 1584:
Reginald
Scot publicou um livro que estava à frente de seu tempo. In Discoverie of Witchcraft, ele
afirmava que os poderes sobrenaturais não existiam. E mais: que as bruxas não existiam.
- 1608:
Francesco
Maria Guazzo publica o "Compendium Maleficarum." Este discute pactos
entre bruxos e satã, a magia que os pagão utilizam para prejudicar pessoas, etc.
- 1609:
Pânico
contra bruxos na região Basca, Espanha. La Suprema, o corpo governamental da Inquisição
espanhola, reconheceu o acontecido e publicou o Edital de Silência que proíbia a
discussão sobre bruxaria. O pânico da população desapareceu.
- 1610:
Cessa a
perseguição aos bruxos na Holanda, provavelmente devido ao livro de Weyer, 1563.
- 1616:
Uma
segunda perseguição às bruxas foi em Vizcaya. Novamente um Edital de Silêncio foi
publicado pelo Tribunal de Inquisição. Entretanto o rei aboliu o edital e 300 bruxos
confessos foram queimados vivos.
- 1631:
Friedrich
Spee von Langenfield, um sacerdote jesuíta, escreve "Cautio criminalis".
Ele condena as caçadas à bruxos e perseguições em Wurzburg, Alemanha. Ele diz que o
prisioneiro é confesso somente devido à torturas e não define a realidade.
- 1684:
Foi
executado na Inglaterra o último acusado de bruxaria.
- 1690's:
Cerca
de 25 pessoas morreram durante à louca caçada aos bruxos em Salem, MA: um deles
foi pisoteado devido a ele não entrar em processo de confissão; alguns morreram nas
prisões, o restante foi enforcado. Não houveram novas perseguições na nova
Inglaterra
- 1745:
França
cessa a execução de Bruxos.
- 1775:
Alemanha
cessa a execução de Bruxos.
- 1782:
Suiça
cessa a execução de Bruxos.
- 1792:
A
Polônia cessa a execução de Bruxos; O último país da Europa que a realizava.
- 1830:
A Igreja
finda a perseguição aos bruxos na America do Sul.
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3. WICCA
A Wicca é
uma religião pagã, mas não a única. Existiram e existem várias outras além dela, com
credo e filosofia não necessariamente igual. As Religiões pagãs são todas aquelas que
divinizam a Natureza e o Ser Vivo. As formas de celebração, e consagração do divino,
porém, são diferentes de uma para a outra.
Tenha em
mente que a wicca é uma religião nova e consolidada à partir dos ensinamentos da Antiga
Arte. Muitos dos ensinamentos foram preservados, enquanto outros tiveram de ser adaptados
à nossa época.
Um coven
(fraternidade, grupo destinado a estudar e praticar a wicca) é formado por 13 pessoas.
Este possui um significado muito maior que apenas um bando mde malucos vestidos de preto.
Os laços de um coven são tão ou mais fortes do que os laços familiares. Nenhum coven
sério se prestaria a "abrir vagas" para qualquer um. Para você ser aceito em
um deles, será necessário que se crie um laço de amizade com os participantes.
Não procure
um mestre. Estude sozinho, dedique-se, e procure manter contato com pagãos, não para
vampirizar seu conhecimento, mas para trocar informações. Quando você estiver pronto, o
mestre encontrará você. (isso caso você realmente necessite de um)
Antigamente a
doutrina era passada de mãe para filha e muito era aprendido com a esperiência e erro. A
Tradição de Familia ainda esta presente em nossa sociedade. Aliás, a título de
curiosidade, se não fossem as Tradições da Familia, hoje a Wicca não existiria, visto
que foram estas tradições que conseguiram manter nossa Arte viva através dos tempos e
das adversidades.