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atualizado 25/12/2004 |
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Paixão de um VelhoComo eu chego a praia?- Desce a ribanceira, vire a esquerda e vá sempre em frente. O sr. Arnaud não agradeceu, percebendo que uma policial estava se aproximando. Viu Ana, séria. Ana era lésbica, deveria ter se encontrado com sua companheira, pois fazia isto na hora do almoço, o que, em várias ocasiões, escandalizava os colegas de farda. Alta, de rosto claro, nariz adunco, Ana sempre parecia séria e profissional. Tinha um olhar frio que assustaria o pior dos criminosos. Andava com as mãos afastadas do corpo, como se estivesse preste a sacar o “taser.” Os olhos de cor azuis tinham a forma de falcão, e se olhasse alguém por muito tempo, parecia que iria ataca-lo. - Que bom que o encontrei aqui – celebrou Ana. – Solares disse que o senhor não voltaria e, então, corri na direção que disseram que o senhor tinha ido. - Eu? O dia está bonito e eu não quis entrar em qualquer condução coletiva. Mas não a vi na Palestra. - Estava atendendo um chamado, mas soube que o senhor foi eloqüente. Calculo me assusta e soube que o senhor fez algumas derivadas em tua exposição. Senti-me uma incompetente por não estar lá na hora do atentado. Havia deixado uma recruta a paisana para que cuidasse do senhor, percebeste? - Sim, o senhor não estava desprotegido. - Ela é que é sua amada? - Oh, não, não... – Ana ficou rubra, pareceu brilhante com seus cabelos claros, estendeu a mão para o Sr. Arnaud continuar o caminho em que ia, e fez menção de acompanha-lo. A policial ficava bonita vestindo aquela farda, com os botÕes dourados, com desenhos do brasão da União, cautelosamente fechados. - Não é minha garota, apenas uma menina que se sentiu atraída por mim. É minha protegida na academia. A Solares é mais charmosa. - Acima do peso... Mesmo assim a recruta que deixaste a paisana me enganou, estava sendo bem gentil comigo, quando o banheiro explodiu, ela me conduziu por uma saída lateral. Ela é bonita e estava a paisana com uma roupa ousada. Sou um velho matemático, mas aquela jovem sedutora, tão interessada em minha segurança, me deixou desconfortável. Quando ela se identificou pensei que tu estavas a brincar comigo. - Não, nunca. Nunca. Eu admiro o senhor demais para isso. Li suas obras sobre visão esférica, sempre quis conhecer o senhor. Os artigos falavam de suas experiências, eu tinha profunda admiração por seu caráter, e quando o conheci me apaixonei por sua alma. Eu estaria ali, protegendo o senhor, se o chamado não tivesse vindo de um superior. Eu o respeito e quero estar sempre a sua disposição. - Você me enganou Ana. - Não era essa minha intenção. - A recruta me seduziu com seus encantos. Você a preparou para isso. - Se não tivesse sido chamada, jamais o deixaria. - Quero que me deixe agora, estou com a marca de uma paixão. - Eu não posso, existem ainda muitos estudantes radicais que estão esperando uma oportunidade para pegá-lo. O velho a afastou com a mão, ele já havia sido pego. Desceu a rua sem olhar para trás entrando em uma profunda depressão. Estava cansado dos exageros, das mentiras e legislações fantasiosas. Coitada da Ana, quis tanto se aproximar dele a ponto de fazer aquilo. De enviar uma recruta. Arnaud pensou que a compreendia. Mas deixou de compreendê-la quando pensou que ela não se importava com o que tinha feito a ele e a uma jovem recruta. Estava cansado e apaixonado, isto lhe gastou as energias. Mas não voltou a fonte. Caminhou para o interior do mar das lamúrias e se afundou nas lamas milenares da Atlântida. |
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copyright wilton pacheco 2003 |
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