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FRAGILIDADE Espeto o meu dedo e o vejo tingir-se de vermelho. Uma cor trágica que me lembra a fatalidade da condição humana, a de ser mortal. Felizmente não é a tinta com que escrevo, tenho outros artifícios que não tinha o mestre do Conde de Monte Cristo. O líquido pastoso e denso, que ao secar entinta o polegar de forma grudenta, faz-me lembrar do acidente que aconteceu. O primeiro de uma série de acontecimentos inusitados que conto nesta espécie de confissão. Há muito do que falar antes disso, mas creio que não haverá tempo, e Gaunilo é mais capacitado do que eu para escrever qualquer coisa que preceda a este breve relato. Havíamos conseguir passar pelo Cinturão de Asteróides sem que houvesse problemas, ou quase, um dano na placa de alimentação EN 49 levou-nos , eu e o coronel, a entrarmos em nossos trajes espaciais para substituir a gaveta onde estava a placa. É difícil se acostumar a essas saídas no espaço, com os pés sobre o nada e o medo de nos perder do navio. Estarmos acompanhado de alguém é sempre uma segurança e um conforto, antônimo de uma solidão inigualável do espaço. Ao longo do casco víamos uma série de microcrateras, ocasionadas por milhões de partículas de poeira de algum planeta que nunca se formou, mas nenhuma havia atravessado a couraça protetora que protegia os órgãos vitais da Visitante, essa nau interplanetária que me levava a um encontro marcado com o meu destino. Após um rápido exame do casco Ronald começou a soldar um cabo de cobre que não lembro de ter alguma função de importância, meu objetivo prático era supervisioná-lo. Girou o corpo soltando a solda e reclamando de uma picada. Não chegaram a se passar 3 segundos |
quando vi
filetes de sangue dos dois lados de sua coxa direita. Vaporizavam por
causa da pressão zero e cristalizam logo a seguir pela baixíssima
temperatura do espaço. |
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Atualizado 23/09/2003 |
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copyright wilton pacheco2003 |
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