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   Perspectiva

 

  Idade Média

   Poucos pensadores se destacaram no primeiro milênio após o nascimento de Cristo. O contexto cultural não permitiria o surgimento de pessoas notáveis

   Teodósio, o Grande (347-395) torna o cristianismo a religião oficial do império Romano. Santo Agostinho antecipa o pensamento cartesiano dizendo que se pode ser enganado ele existe, pois se não pudesse, não existiria. Ele foi o filósofo de maior destaque da idade da média, surgiu numa época que não estava preparada para ele e escreveu textos, que se não fossem colocados sob um foque cristão não seriam bem vistas:

   “Não é só isto o que a capacidade imensa da minha memória encerra. Também lá se encontram tudo o que não esqueci, aprendido nas artes liberais.

   Estes conhecimentos estão como que retirados num lugar mais íntimo, que não é lugar. Ora, eu não trago comigo as suas imagens, mas as próprias realidades. As noções de literatura, de dialética, as diferentes espécies de questões e todos os conhecimentos que tenho a este respeito existem também na minha memória, mas de tal modo que , se não retivesse a imagem, deixaria fora o objeto. Nesse caso sucederia como à voz que ressoa e logo passa, deixando nos ouvidos a impressão dum rasto que no-la faz recordar, como se continuasse a ressoar quando na realidade já não ressoa. Sucederia como ao perfume, que, ao passar e desvanecer-se nos ares, afeta o olfato, donde transmite para a memória a sua imagem, que se reproduz com a lembrança; côo ao alimento, que no estômago perde o sabor, mas parece conserva-lo na memória; finalmente, como acontece a qualquer objeto que o corpo sente pelo tato e que a memória imagina, mesmo quando afastado de nós.

   De fato, todas estas realidades não nos penetram na memória. Só as suas imagens é que são recolhidas com espantosa rapidez e dispostas, por assim dizer, em células admiráveis, donde admiravelmente são tiradas pela lembrança”.

   De inteligência singular escreveu sobre a matéria, o tempo e o ser, talvez não sendo superado até os dias de hoje.

   Mesmo que se preservem as bibliotecas elas não possuem a características de apoio para construção do pensamento, mas de fonte de consulta para o conhecimento definitivo. Por isso muitas obras que divergiam da situação política e religiosa eram destruídas como disseminadoras de mentiras ou do culto ao demônio. Assim as obras pré-socráticas que sobreviveram ao incêndio da biblioteca de Alexandria ou a ira de Platão foram queimadas ou escondidas na idade média. Não podemos tirar o mérito da preservação milenar feitas por tradutores e copistas religiosos de muitas dessas obras. Não houve propriamente um recuo na ciência, nem uma completa estagnação, a valorização do artesão mantinha viva a capacidade de criar artefatos, mas com uma evolução mais lenta. A arte (capacidade de criar) tem como motivação mais a intuição do que a ciência. Pinturas e outras representações pictóricas encontradas do século IV ao século XIV demonstram a lenta evolução da perspectiva, por outro lado com um rico conjunto de elementos simbólicos representados através de variados recursos como mosaicos, afrescos, iluminúrias. Noções de profundidade eram expostas por meio de sobreposições de figuras e até, por vezes, por perspectivas instintivas.

   “A pintura, com efeito, antes de ser executada, está na própria arte do pintor e, como tal, ela é “algo” que faz parte da sua inteligência. Por isso, Santo Agostinho diz: “Quando um artífice está para construir uma arca, ele a tem primeiro na sua arte. E, enquanto a arca já realizada, como obra, na é vida, aquela que se encontra já realizada, como obra, não é vida, aquela que se encontra ainda na arte é vida porque vive da vida da alma do artífice, na qual se acham todas as intuições, antes de serem realizadas”.

    A representação do meio começa a ganhar importância no século XIV. O personagem começa a ser inserido em uma ambiente coerente. Giotto (1267-1337) pinta cenas bíblicas inseridas em paisagens com montanhas e capelas, Simoni Martini reproduz cavaleiros com palácios e vilas ao fundo e Ambrógio Lorenzetti (1319-1348) pinta naturezas mortas como Cidade Junto ao Mar.

   Cenários, no fim do século XIV podem ser reconhecidos nas reproduções assim como a estação do ano pelas cores e natureza pintada. Além de representações divinas, pinta-se o cotidiano que começa a figurar com realismo e um ilusionismo espacial. Como uma anunciação do fim de uma arte estagnada a Europa retoma a geometria como um campo virgem onde a muito a ser trabalhado.

Renascimento

 

 

 
atualizado 22/09/2003

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