atualizado 22/09/2003

 

1999

 

 

1º REUNIÃO PARA DECIDIR O TEMA

Milena e Dani movimentam a turma para uma reunião sobre a exposição, na qual o Juliano diz que numa reunião anterior já haviam chegado a um consenso sobre o tema: -...por que você fez esse curso?!

- Nós temos mais poder do que isso...os curitibanos são mais interessantes, estão interessados em botar a cara para fora... A Karen continua dizendo que numa exposição em São Paulo a qualidade do material curitibano era superior a de outros estados. Ainda lembrou de uma amiga que inveja a nossa Escola de Arte.

- Existe todo um discurso do atelier de gravura... – o Juliano lembra que há uma tradição histórica na gravura: - ...é muito fácil dizer que fiz por Hobby, a gravura está surgindo das trevas!

A Milena exalta o nosso potencial: - Inclusive pelo poder que nossa turma tem.

- É necessário uma postura arrogante, feroz. – Falando de uma atitude a ser tomada a Karen diz da necessidade de impor nossa presença.

- Nós temos que pensar no mercado, é o nosso pão. - Com essa frase a Milena inicia uma questão sobre a arte para a venda, a discussão fica em torno do artista que precisa sobreviver, neste momento chega a Jussara que aprova a reunião e começa a participar:

- Bão, a questão é o seguinte, qual é a proposta?! Vocês tem mais energia que nossa geração para não ficar na periferia, energia da juventude.

A Karen explica o que foi discutido e ressalta que devemos gerar polêmica dentro da arte.

- A natividade humana liga o homem, Curitiba não tem isso. Cabe a vocês pensar diferente. – comenta a Jussara e a Karina descreve a sua idéia:

- Tinha pensado num trabalho sobre apocalipse 1999, trabalho em trios, num cubo. Como:

Memória que falaria sobre o passado da arte em Curitiba;

Sentimento que acontece atualmente;

Continuidade que falaria do futuro.

A proposta foi discutida, no início mais criticada que realmente analisada, dito que colocar os trabalhos em cubos limitariam a representação de cada um, também foi dito que apocalipse é um assunto de final de época e talvez seja interessante para o momento.

A Jussara sustentou a idéia da Memória - Sentimento - Continuidade e o Juliano da riqueza do passado na gravura Curitiba. Nisto a Milena fala sobre uma idéia da Dani: - A Dani teve uma idéia legal da província, a fonte de Duchamp, um trabalho conjunto em torno disso.

- É contraditório trabalhar com província e Duchamp. – O André critica.

- Na idéia “Artistas da província é legal com o caráter da turma. – Comenta a Ana.

A Jussara diz que em tudo há uma crítica e exemplifica com o Mesquita.

O Juliano lembra das fontes como o cavalo, da praça Osório, Santos Andrade e comenta que – A fonte é um referencial curitibano.

Jussara comenta sobre sempre andarmos na periferia e sermos rejeitado pelo próprio meio: - Vocês tem a força da juventude para tentar.

- A crítica em si vive o padrão da diferença. - Comenta o Fabrício.

- E se tornarmos uma postura religiosa. Trazer as boas novas (que são velhas) da comunicação pela gravura, seria um discurso não pictórico que teria a função de levar  a mensagem (qualquer mensagem) aos leigos. O mais importante seria a linguagem, onde o discurso escrito seria o mínimo, a arte como uma comunicação mais pura. Seriamos os escolhidos vomitados no mundo e que criticariam o meio pela arte. – Propõe o Wilton.

Foi indagado se era uma proposta ou uma posição de trabalho, ainda foi colocado que é isso que fazemos. Mas nada foi dito ou direcionado ao grupo.

Karen exalta: - Não adianta o discurso se não pegarmos para capar.

Jussara retorna- A questão da Karina é legal, da memória e do apocalíptico.

Milena - A Fonte veio porque jorra da gente.

A Jussara lembra que a nossa fonte veio de fora e a Karen diz: - É preciso ser muito bairrista para vencer o provincianismo, é um confronto consigo mesmo, uma luta consigo mesmo para tirar o melhor de si.

A Dani completa: - O Eu e o Não-Eu!

- Não se pode sabotar a si mesmo. - A Jussara alerta e a Karina explica:

- Nós sabotamos o que é nosso, falamos mal do cavalo mas gostamos dele.

A Karen lembra que essas são representações públicas impostas a nós-... é medieval.

A Jussara diz que se tivermos que ir por esse caminho teria que ser algo maior, um ataque a essa revisão francesa. Teríamos que acabar dando tiro na cara do Greca. Nós somos periféricos, mas vocês estão fazendo a coisa correta - é da própria coerência.- completa.

A Karen sorri: - Ultrapassamos as fronteiras da petropen. – e a Milena graceja:

- Vamos fazer uma exposição da petropen?!

É lembrando do que acontece com a arte em outros estados, particularmente em Minas Gerais, em que o artista tem Status Social, a Jussara descreve o que acontece neste estado e conclui dizendo que "os mineiros tem uma auto estima alimentada pelos próprios mineiros. Os mineiros amam os mineiros.

A Karen e a Milena comentam sobre uma reportagem da arquitetura curitibana onde ela é classificada como arquitetura caixote. A Milena finaliza a reunião contando uma história do Paulo Coelho sobre com o obter a ação dos policiais através da imposição da autoridade. Uma das conclusões, e talvez a que mais condiz com a reunião é:

“Todo mundo é autoridade, quando está absolutamente convencido do que faz."

EMBAP, 30 de março de 1999

 

Teve outras reuniões, na verdade duas mais breves que esta primeira. Na primeira a Dani comenta que continuaram a idéia da fonte, pois com ela cada um busca o seu referencial e encontra a conexão com o projeto em comum.

A Jussara Age, nossa professora e orientadora, insiste em que nós precisamos preparar um anteprojeto. Algo que demonstre um resultado de nossos questionamentos.

- Temos que procurar um referencial, tanto na literatura quanto na música.- Diz a Dani.

A Jussara diz que precisa haver um conteúdo filosófico, e que depois podemos nos preocupar com o com o descritivo: artista, nº de obras, custo.

A Ana lembra que se estamos falando de cidade existe um livro muito legal de se ler, alguém pergunta qual livro: - Cidades em caminho.

- Existem várias idéias, várias oportunidades, precisamos ver o que melhor se adapta a vocês. Inclusive, além de hoje teremos aula quinta em que substituirei a Teca e continuamos a análise, escolham o tema ... a cidade babababa e o porque do tema... objetivo, justificativa, metodologia.

O Juliano comenta: - Se derepente cada um faz sua individualidade derepente resultaria em nada. Hoje não existe mais nenhum projeto coletivo, não devemos seguir esse caminho. Se todo mundo estudasse o Dalton seria sugestivo para a gravura. Cada conto dele é uma gravura.

- Creio que podemos medir o salão para a partir daí termos uma idéia de como trabalhar no espaço.

Vários se  colocam contra a idéia dizendo que é desnecessário, algo que não leva a lugar algum e que o importante agora é encontrar o tema.

Discutido no Atelier de gravura em 3/5/99

Na terceira reunião a Jussara comenta sobre encontrarmos uma justificativa individual: - É necessário coloca o pensamento no papel, que pretexto vocês vão usar para fazer arte.

Juliano lembra das aulas de fotografia II: - O Pitela está nessa... mostrando uns efeitos legais, se a gente se utilizar das aulas, mas a coisa está muito vaga, não está dando certo.

- Vocês precisam escrever.

O João Wosch fala sobre a sua dificuldade que talvez reflete a de muitos: - O que eu faço  parece instintivo, gostaria até de voltar ao monoprint, mas quando começo a pensar, colocar em palavras, nada aparece , para conceitualizar esta sensação parece impossível, não consigo escrever sobre a imagem, é como se ela falasse por si e se eu conceitualizasse não sairia nada. Se começasse a pensar antes de fazer eu não conseguiria fazer. Tenho uma barreira para escrever.

- Por que você não coloca no papel o que disse. - Sugere o Ikran:

A Jussara parece concluir a partir de uma sugestão literária: - Parece-me que o que vocês estão procurando do Dalton é a solidão, é legal a homenagem, mas não podemos esquecer que é só uma referência, quando eu li Baudelaire teve uma frase que eu gostei, produzi vinte quadros por causa daquela frase, ela foi uma desculpa, eu produziria a mesma coisa com outra referência. Eu não quero formatá-los para uma exposição, querem que vocês expressem a vocês. Tem que ter vontade política... do fazer, tenho a impressão que vocês não tem.

O Fabrício chega trazendo um livro e dizendo: - Encontrei um texto interessante que tem coisas fundamentais aqui, é uma tese da Berta Waldeman que serve para o que estamos fazendo... – Após verificarmos o quanto ele vai ler e se isto vai atrapalhar a turma da Juliana que divide o mesmo atelier o Fabrício nos coloca a para da introdução da tese sobre Dalton Trevisan.

É comentado sobre a repetição e seu motivo nos livros de Trevisan, como a imagem pesa forte, e a Karen lembra se dirigindo à Jussara:

- Teve um negócio que você falou sobre a periferia, sobre ser fonte, aquilo achei bem forte, você lembra quais eram as palavras?!

Ela se sente meio perdida, pois não consegue lembrar das palavras. Diz que devíamos escrever o que achamos importante, a Karen insiste dizendo para ela trazer escrito, ela concorda em trazer na próxima aula.

A Karen lembra que a Ana escrevia e anotava nos livros que ela tinha quando era pequena: - Já eu não anotava, ganhei tantos livros de meu pai e ele me fazia encadernar cada livro. Os livros que ele me dava, que era meu, e não podia aparecer orelha de burro e nem sequer eu podia usar marca página, achei incrível quando a soube que a Ana anotava nos livros.

O Fabrício deixa claro que ao usar Dalton não vamos usar o que tem dentro de Dalton. O Juliano completa dizendo que o Poty já ilustrou o livro de Dalton de forma inigualável. A Milena comenta: - É, não vamos colocar VIVA A DALTON como título da exposição.

- Mas tragam as propostas, é com elas que eu vou lançar as notas na secretária... então separem os temas, livros, é bom para discutirmos.

Discutido no Atelier de gravura em 3/5/99

 

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