Memorial de formação educacional
Trabalho avaliativo para a disciplina de Didática dos Meios I, do curso de Pedagogia - Gestão e
Tecnologia Educacional, da faculdade UNIMINAS de Uberlândia –
MG.
UNIÃO EDUCACIONAL MINAS GERAIS S/C LTDA. –
FACIMINAS
CURSO DE PEDAGOGIA – Gestão e Tecnologia Educacional
DISCIPLINA: Didática dos meios I
PROFESSORA: Aldeci Cacique Calixto
ALUNO: Willihersson Victor Hugo Ferreira
Exercitar a memória nem sempre é uma
tarefa fácil e tratando-se da confecção de um Memorial de
formação educacional, logo se exige um exercício extra para
recordar dos fatos importantes ocorridos nesta longa caminhada.
Sem mais delongas quero iniciar minha
reflexão, comentando que há 18 anos atrás, se iniciava a minha
caminhada escolar. Com 4 anos de idade, ainda sem compreender
exatamente o que era o mundo, eu já partia todas as tardes de
segunda-feira à sexta-feira, com minha “mochilinha” nas costas e
minha “lancheirinha” a tiracolo, rumo à escolinha. Já não me
lembro mais do nome dela, somente me recordo que era enfrente a
casa de minha avó e no terreno de uma igreja católica. Sei que
durante este início escolar aprendi muitas coisas importantes,
como as cores, mas o que mais me marcou foram as brincadeiras,
naquela época tudo para mim era brincadeira (isso ainda não
mudou muito). Foi nesta experiência que com certeza pude
aprender a me relacionar, a dividir meu espaço, a minha atenção
e ainda a respeitar tanto os colegas quanto os professores (tias
até o momento). Verdadeiramente aprendi a “conviver”, algo que
se faz necessário à vida humana e que se encontra em extinção
nos dias de hoje.
Após este período de inicialização ao
estudo, 2 anos mais tarde, ingressei-me no famoso “prézinho”,
estudava na Escola Estadual Amador Naves. Morava a uns 6
quarteirões da escola e já com 6 anos ia e voltava da escola
sozinho, até então uma grande conquista, pois quase todos
daquela idade, iam e voltavam com as mães. Nesta época as
brincadeiras continuavam, mas já tive meu primeiro contato com o
alfabeto, e nos primeiros seis meses, já conseguia ler e
escrever.
Houve um fato que ocorreu nesta escola
que me marcou e que hoje vejo como uma grande falta de respeito
à diversidade e à crença. Sou de uma família presbiteriana e por
isso não temos apreço e/ou devoção aos santos da igreja
católica, eu já naquela época entendia o sentido das festas
juninas e por livre e espontânea vontade, não queria participar
da quadrilha da escola. Como era o único da sala, a professora
não deixou que eu ficasse de fora e me obrigou a ensaiar todos
os dias. Eu não contava para minha mãe, de medo que ela me
castigasse, pois sabia que não era da nossa crença, e achava que
eu estava sendo a pessoa mais errada do mundo em não permanecer
de fora. Pois bem os ensaios se passaram e bem no dia da festa
junina, eu não sei como, arrumei uma forma de não ir à escola.
Com isso aprendi que ter uma crença ou uma fé deveria ser muito
mais que uma cultura, mais algo que viesse do coração.
Depois deste ocorrido, vieram as férias
do meio do ano e minha família se mudou para outro bairro da
cidade, passei então a freqüentar uma escola da prefeitura.
Chegando lá, eu era um dos poucos que já sabiam ler e escrever,
foi um período difícil, pois via tudo novamente e até ajudava as
professoras a alfabetizar os outros (me achava já entendido do
assunto).
No ano seguinte passei para a primeira
série na Escola Estadual Rio das Pedras, cursei todo o ano nesta
escola que já era muito carente, tive minhas primeiras más
recordações com as diretoras e coordenadoras, tive meus
primeiros castigos e minhas primeiras brigas, sendo que um dia
cheguei em casa com um corte no rosto abaixo do olho, causado
por uma pedrada que levei após uma briga que já ocorria a vários
dias. Neste ano também começaram as surras que levei pelas
bagunças na escola.
No ano seguinte, uma nova escola surgira
mais próxima da minha casa, era a Escola Municipal Professor
Eurico Silva, fui transferido para cursar a segunda série do
primeiro grau. Tive um ótimo rendimento, durante o período que
estudei nesta escola, tinha notas acima de 90,0 em todas as
matérias, isto aconteceu até a 4ª série. Neste período tive
muitas advertências e suspensões e apesar das brigas, nunca
machuquei ninguém, pois também era medroso. Mas no final da 4ª
série, minha mãe foi chamada na escola para assinar um termo de
responsabilidade (um tipo de aviso), pois no ano seguinte, na 5ª
série, se eu tivesse uma advertência sequer, eu seria convidado
a “sair da escola” (termo bonito para expulsão). Bom, no tal ano
seguinte, comecei a estudar pela manhã, só havia pessoas mais
velhas em minha sala, muitos que estavam repetindo o ano, alguns
pela terceira vez. Tomei um susto, com todos aqueles marmanjos,
tinha até grávida na minha sala, verdadeiramente, não era o meu
mundo. As bagunças não terminaram, mas perto de todos aqueles
adultos, o que eu fazia não tomava tanta gravidade, pois o que
eles faziam era bem pior.
Naquele ano não tive nenhuma advertência
e no ano seguinte a minha mãe, almejando um ensino de melhor
qualidade, conseguiu uma vaga no ESEBA (Escola de Educação
Básica da Universidade Federal de Uberlândia). Nesta nova escola
tive contato com gente na sua maioria de uma cultura diferente
da minha. Eram adolescentes de origem com melhor condição
financeira, logo tinham outros costumes e outras práticas. No
primeiro ano de ESEBA, foi um período de adaptação, tudo era
novo e melhor organizado do que as outras escolas que passei,
sofri muito com essa adaptação e talvez por isso, para ser
aceito entrei em algumas bagunças coletivas e só no primeiro ano
tive duas advertências. Na 7ª série, tive uma decepção terrível,
peguei minha primeira e única recuperação em Língua Portuguesa.
Após isso me aquietei e só tive uma suspensão na 8ª série, onde
toda a minha sala foi suspensa por um dia. Este ano foi o melhor
ano de estudo que tive, minha turma era pequena com 25 alunos e
neste ano teve uma greve de 3 meses, onde minha turma foi
reduzida a somente 15 alunos. Era o máximo, todos eram unidos e
divertidos, aproveitamos muito fizemos muita festa e muita
bagunça juntos.
Entrando no segundo grau, comecei a
estudar à noite no Messias Pedreiro, fiz nele o 1º, 2º e 3º ano.
Nestes três anos, minha vida mudou muito e minhas atitudes eram
diferentes dos anos anteriores. Não entrei em nenhuma confusão e
não fiquei devendo nenhuma matéria, foi neste período que
comecei a me interessar pelo curso de Administração, curso que
após as frustrações do PAIES e vestibular desisti.
Quando terminei o 3º ano, estava meio
cansado de estudo, afinal havia passado 13 anos de minha vida
dentro das salas de aula, então decidi dar uma parada. Um ano
depois me enganava dizendo que estava fazendo cursinho, mas na
verdade nem ia à aula frequentemente, ao final de tudo passei
dois anos somente trabalhando e jogando futebol.
Um belo dia estava na praça de
alimentação da empresa que trabalho e vi um cartaz divulgando o
vestibular da UNIMINAS, onde dizia que eu como funcionário
daquela empresa tinha isenção no vestibular. Decidi tentar sem
compromisso nenhum, olhei a lista e vi o curso de Pedagogia –
Gestão e Tecnologia Educacional como a menor mensalidade. Fiz a
inscrição do vestibular, marquei Pedagogia como primeira opção e
Administração em Marketing como segunda opção, não estudei nem
me esforcei, mas passei na prova. Decidi então tentar e hoje me
encontro apaixonado pelo curso e pretendo me especializar cada
vez mais na área.
Em suma, tive uma formação escolar bem
dinâmica e divertida, e todas as bagunças serviram para conhecer
bem o lado do aluno, no processo educacional. Agora como
educador terei oportunidade de colocar minhas experiências, na
prática educativa. Ressalto ainda a importância dos educadores,
tive ao longo de minha caminhada professores que me marcaram e
contribuíram imensamente para minha formação.