WICCA HOJE

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A Wicca vem se transformando ao longo dos anos. Sua ida para solo norte americano nos fins dos anos 60,  dentro de um contexto de grandes mudanças ideológicas, trouxe uma grande transformação em sua doutrina. Foi a Wicca utilizada como bandeira ideológica de movimentos dos mais diversos, tais quais o movimento feminista ou movimentos gays. Os pacificistas, ecologistas e demais militantes ideológicos, viram também na Wicca, uma proposta não só libertária mas também comprometida com posturas ecologicamente corretas.

Abraçada por todas estas correntes, a Wicca foi sendo adaptada aos anseios norte americanos, como bem claro fica no início do texto do Manifesto dos Bruxos Norte Americanos de 74 que diz:

O Conselho de Bruxos Americanos crê necessário que se defina a Bruxaria Moderna de acordo com as experiências e necessidades americanas. Não somos limitados por Tradições de outros tempos e outras culturas e não devemos lealdade a qualquer pessoa ou poder maior que a Divindade manifesta através de nós mesmos.

A arrogância do início do texto não nos espanta, por tratar-se dos americanos mas o que é estranho, é a negação das origens, das bases e principalmente, da cultura em que nasceu a Wicca, que eles chamam de Bruxaria Moderna.

Dai para frente, elementos dos mais diversos seguimentos esotéricos foram sendo inseridos, a internet tratando de ser o veículo de divulgação de toda sorte de material e delirios, sacerdotes e tradições nascendo dia a dia, produtos dos mais diversos, desde cds até livros, sendo vendidos, bruxos cristãos, feiticeiros budistas, wiccans umbandistas, enfim, a Wicca foi se tornando uma grande salada sendo assim, um bom filão comercial.

Com o lançamento do livro Guia da Bruxa Solitária, de Scott Cunninghan, formalidades como a Iniciação, os rituais coletivos dos Sabás, dentre outros, foram definitivamente descartados, surgindo procedimentos como a auto iniciação, os rituais públicos, possibilitando a ampliação de mercado consumidor.

Obviamente, os tempos mudaram e a retórica cósmico-esotérica dos detentores dos melhores meios de divulgação da Wicca nos dias de hoje, irão criticar textos como estes. O fato é que não tem como adaptar a Wicca a tal ponto sem fazer da Wicca um nada improdutivo. Dizer simplesmente que Wicca e Bruxaria são a mesma coisa, é simplificar para ampliar mercado consumidor. De certo que todo wiccan é um bruxo, mas nem todo bruxo é um wiccan. Não seria mais fácil deixarem isto claro do que misturarem as estações? Ou será que na verdade não sabem explicar o que desconhecem?

Buckland lança agora no Brasil o livro chamado Wicca - Um estilo de vida, uma religião. Ele se auto intitula o bruxo preferido de Gardner, embora Gardner tenha o visto uma única vez, após receber dezenas de cartas insistindo em um encontro.  Ou seja, até mesmo Buckland, iniciado por uma das primeiras sacerdotisas de Gardner, virou um pop.

A  Wicca como sistema mágico-religioso concebido por Gardner está sucumbindo perante os desejos comerciais. Como diz Caetano Veloso... a força da grana que ergue e destrói coisas belas.

Wiccans antigos, que conheceram a Arte e o Ofício antes de toda esta festa e principalmente, antes da internet, apenas lamentam e seguem, a cada Sabá, a cada Esbá, a cada Lua Negra, mantendo viva, o que o próprio Garnder previa desaparecer em um futuro próximo.

A Wicca não desaparecerá seja ela transformada no que for e os wiccans de coração e espírito, sabem porque.

Com a benção dos Antigos.

Fernando Martins

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