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WICCA HOJE |
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GERALD GARDNER E A WICCA
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Vimos nos textos anteriores que houveram dois momentos bem marcados no tempo e no espaço do que chamamos de paganismo e bruxaria européia. O primeiro momento foi o momento do paganismo sendo suplantado pela nova ordem religiosa implantada por Roma e sua igreja católica, o segundo momento foi o período da inquisição, onde os praticantes da Antiga Religião foram declarados inimigos da Igreja vigente e perseguidos como os bruxos, adoradores do diabo. Com
o renascimento do
interesse em mitologia, folclore e magia, a partir do
final do século XIX, início
do século XX, a
Bruxaria voltou
a se tornar
objeto de discussão. A década de 20 produziu dois importantes livros para a Bruxaria moderna: um deles foi "O Ramo Dourado" (The Golden “Bough”), gigantesca obra do antropólogo James Frazer. As idéias que expôs em sua obra, levaram a antropóloga Margaret Murray a lançar seu importante livro "The Witch-Cult in Western Europe" (O Culto de Bruxaria na Europa Ocidental), em 1921 e posteriormente, "God of the Witches" (O Deus das Feiticeiras). Nele Murray sustentava que a Bruxaria era uma antiquíssima religião organizada, presente em toda a Europa, baseada no culto a um deus chifrudo da fertilidade. De
acordo com ela, essa religião havia sobrevivido à perseguição e
continuava com suas práticas, de maneira oculta. Muitas críticas já
foram feitas à Murray, e a maioria se baseou na fraqueza de alguns de
seus argumentos para defender a suposta “organização” dessa religião.
Em
1948 Robert Graves escreveu sua excelente obra "The White Goddess"
(A Deusa Branca), no qual concordava com Murray quanto à existência de
um culto pagão disseminado pela Europa, mas apoiava a tese de que sua
divindade mais importante era uma Deusa-Mãe, e não o Deus de Chifres. Surge
então, também na Inglaterra, Gerald Gardner, o mais importante
personagem no resgate da Bruxaria como religião, recém chegado do
oriente, onde prestou serviços pelo governo inglês. Gardner não só
sera leitor mas admirador de Frazer e Murray e realizava profundas
pesquisas sobre os cultos de fertilidade pré-cristãs e sua sobrevivência.
No decorrer destas pesquisas, em 1939, foi apresentado por membros da
Sociedade do Crotona a um grupo de pessoas que mais tarde descobriu
fazerem parte de um Coven secreto (como o eram todos, na época). Este
encontro deixou Gardner fascinado: a existência destes bruxos confirmava
as teses de Margaret Murray. Estabeleceu
uma relação de amizade profunda com os membros deste Coven (denominado
Coven de New Forest), e acabou por receber Iniciação. O Coven de New
Forest, dirigido por uma bruxa conhecida por 'Old Dorothy', era
representante de uma tradição que havia sobrevivido às perseguições.
Gerald Gardner em seu retorno a Inglaterra após anos nos Oriente Há
quem insinue que Gardner inventou o Coven para dar bases à seu trabalho
posterior, e que Old Dorothy nem ao menos existiu. Essas declarações
foram brilhantemente refutadas com evidências históricas por Doreen
Valiente, no ensaio "Em Busca de Old Dorothy", publicado no
livro “The Witches Way"
(O Caminho dos Bruxos), do
casal Janet e Stewart Farrar. Com
o passar do tempo, Gardner preocupou-se com o futuro da Tradição, pois
todos os membros do Coven eram idosos, e não havia previsão de aceitar
novos iniciados. Ele não aceitou esse destino, e pediu permissão para
publicar algumas práticas da religião. Relutantes, os Sábios do Coven
negaram. Mesmo
assim, Gardner publicou, em 1948, "High Magic's Aid", um romance
no qual descrevia, sutilmente, alguns rituais da Arte. A publicação do
livro causou polêmica entre o Coven de New Forest, e Gardner quase foi
banido. Mas,
com a queda das leis anti-feitiçaria, os Sábios do Coven reviram sua
posição e deram permissão a Gardner para afirmar que a Bruxaria estava
viva, desde que não revelasse nenhum segredo. Então, em 1954, Gerald
Gardner publicou o primeiro
As primeiras edições dos livros de Gardner Os
livros falavam apenas superficialmente sobre a Tradição que lhe havia
sido confiada, concentrando-se mais no aspecto histórico da religião.
Paralelamente à publicação dos livros, Gardner saiu do Coven de New
Forest e iniciou seu próprio Coven, iniciando pessoas que lhe pareciam
sinceras e dedicadas. A essas pessoas, transmitia integralmente o conteúdo
de um manuscrito, por ele denominado de "Livro das Sombras".
Este livro continha integralmente a Tradição do Coven de New Forest,
mesclada a práticas mágicas retiradas da Clavícula de Salomão e dos
escritos de Crowley. Nascia aí a Wicca. Seu
conteúdo, copiado por todo iniciado, passou a ser denominado de Tradição
Gardneriana, a primeira Tradição da Bruxaria Moderna Doreen
Valiente (1922/1999), uma de suas primeiras iniciadas, foi responsável por
grandes mudanças no texto original, retirando qualquer influência da
magia judaico-cristã e dos textos escritos por Crowley. Gardner, morreu em 1964, e o comando de seus Covens foi passado à Monique Wilson, conhecida como Lady Olwen. Seus seguidores são hoje chamados wiccans de Tradição Gardneriana .
Gardner no escritório de seu museu
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