WICCA HOJE

x

B R U X A R I A

XXXXXX

O termo Bruxaria, é um termo cuja entendimento é dos mais variados e que poderiamos dizer que foi a base de muitas religiões pré cristãs, pois a Bruxaria é em si, o olhar mágico dos primórdios da humanidade. Humanidade esta que desenvolveu um sentido religioso em vários cantos do mundo. Esta curiosa criação coletiva de povos tão distantes quanto incomunicáveis nos primórdios, é algo que nos faz pensar no conceito de Inconsciente Coletivo como delineado por Jung.

No caso da Wicca, ela teve sua base na bruxaria européia, que por sua vez, foi base não só para a moderna Wicca como também para outros seguimentos religiosos como o Druidismo e o Ásatrú.

Ritual típico do druidismo.

O Surgimento da Bruxaria Européia

A partir da criação da Igreja Católica Apostólica Romana, o poder vigente tratou que converter toda a população sobre sua tutela à  nova religião.

A partir de um decreto do Papa Gregório, os cristãos passaram a erigir igrejas nos lugares sagrados da Antiga Religião. Os Deuses pagãos foram sendo transformados em santos cristãos (um exemplo é Santa Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos).

 Quando os cristãos se deram conta da importância da Deusa-Mãe para as pessoas, aumentaram a importância da Virgem Maria no culto cristão. Mitos e práticas pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos cristãos.

 O maior exemplo de sincronismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs. Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e costumes.  

 

Vênus de Willendorf 

Uma das mais famosas representações da Deusa-Mãe

 Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e gradualmente, foi sendo convertido. Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe.

 As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade, foram se misturando à magia popular (conjunto de feitiços feitos com uso de ervas, bonecos, dentre outros meios), originando aí a Bruxaria Européia.  

A natureza dos Deuses pagãos é completamente diferente da do todo - poderoso “senhor da bondade” dos cristãos. Enquanto os Deuses Pagãos são quase “humanos”, pois têm características tanto “boas” quanto “más”, a teologia cristã já pressupunha a existência de um antagonista a seu Jeová, um Inimigo (o “Satan” hebraico do Antigo Testamento e o “diabolos” do Novo).

 Ele ainda não possuía forma definida e, quando era representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Adão a comer a fruta da Árvore da Sabedoria. Astutamente, os teólogos cristãos transformaram então o Deus de Chifres dos pagãos, na personificação do Mal, do Inimigo, do seu Satã (notadamente os deuses agropastoris  como Pã e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos chifres). Com isto os cristãos conseguiram iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que  forçou os pagãos a praticarem seus ritos em segredo.  

A clássica pintura  Le Sorciere, em Trois Fréres, na França. 

O mais antigo simbolo do Deus Cornífero.

 Mas a Era mais triste da Antiga Religião ainda estava por vir, o que foi denominado a Era das Fogueiras.

 A situação da Igreja até o século XIII era caótica. Facções adversárias lutavam entre si, cada uma digladiando-se em favor de um dogma.

 Nos numerosos concílios realizados, ora uma das facções impunham sua visão, ora outra. Isso favorecia um desmoralizante “entra-e-sai” de dogmas, o que desacreditava a Igreja.

 Algumas destas facções também criticavam a corrupção e o jogo de poder dentro da classe sacerdotal, e levantavam dúvidas sobre o poder espiritual do papado. Foi então criado um instrumento de repressão: o Tribunal de Santa Inquisição que consistia em um corpo investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido pela ordem dos Dominicanos.

 Sua função primordial era a de acabar com as facções que se opunham a Igreja (denominadas “heréticas”), através do extermínio sistemático de seus membros.

Exemplos destas facções “heréticas” eram os cátaros, os gnósticos e os templários.

 Com o tempo, os cristãos perceberam outro uso para seu Tribunal. Ainda persistiam cultos aos deuses antigos, e graças à transformação do Deus de Chifres no Diabo Cristão, os pagãos passaram a serem acusados de delitos absurdos, como o canibalismo, a destruição de lavouras (acusar de tal crime uma Religião dedicada à manutenção da fertilidade das colheitas é, no mínimo, ridículo) e muitos outros. Foi então proclamada, em 1484, a Bula contra os Bruxos, pelo Papa Inocêncio VIII.

 Neste documento, ele relacionava os crimes atribuídos aos bruxos e dava plenos poderes à Inquisição para prender, torturar e punir todos aqueles que fossem suspeitos do “crime de feitiçaria”.

 Em 1486 foi publicado o Malleus Malleficarum , escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger. 

Detalhe da versão original do Maleus Maleficarum

O livro, era um manual de reconhecimento e caça aos bruxos, e principalmente, às bruxas.

 A partir daí, a Igreja abandonou completamente a postura de ignorar a Bruxaria: pelo contrário, não acreditar na sua existência era considerada a maior das heresias. Iniciou-se então um período de trezentos anos de terror, conhecido entre os bruxos como "Era das Fogueiras".

 Mas os bruxos (e também os hereges e inocentes como doentes mentais, homossexuais, pessoas invejadas por poderosos, mulheres velhas e/ou solitárias) não pereciam só em fogueiras: eram também enforcados e esmagados sob pedras.

 A Inquisição tornou-se uma válvula de escape para as neuroses da época: em uma época de forte repressão sexual, condenavam-se mulheres jovens, que eram despidas em frente a um grupo de “investigadores”, tendo seu corpo revistado diversas vezes, a procura de uma suposta “marca do diabo” e por fim, eram açoitadas, marcadas a ferro e violentadas.

 Terminavam condenadas e executadas como bruxas. Seu crime: serem mulheres jovens, belas e invejadas. 

Anciãs que moravam sozinhas, geralmente em companhia de alguns animais, como gatos (daí a lenda da ligação dos gatos com as bruxas), eram alvo de desconfiança e logo declaradas “feiticeiras”, e assim, assassinadas.

 A maioria das vítimas dos tribunais de Inquisição não eram verdadeiros praticantes da Antiga Religião, mas muitos bruxos pereceram na mão dos cristãos. Aproximadamente nove milhões de crimes como este foram cometidos durante a Inquisição, ironicamente em nome de uma religião que se dizia “de amor”. Nunca uma religião demonstrou tanta necessidade de exterminar seus antagonistas como o cristianismo.

 A perseguição aos bruxos não resumiu-se apenas ao países católicos: espalhou-se pela Europa protestante. Os protestantes não se guiavam pelo Malleus Malleficarum, mas davam razão à sua paranóia através do uso de uma citação do Antigo Testamento: "Não deixará com vida uma feiticeira" - diz o Exôdos XXII, 17

 Na Era das Fogueiras, os praticantes da Antiga Religião adotaram o único comportamento que lhes possibilitaria a sobrevivência:  mantiveram o máximo de discrição e segredo possível. A sabedoria pagã só era passada por tradição oral, e somente entre membros da mesma família ou vizinhos da mesma aldeia.

 Como técnica de proteção, os próprios bruxos ajudaram a desacreditar sua imagem, sustentando que a Bruxaria não passava de lenda, ou disseminando idéias de bruxos como figuras cômicas e caricatas, dignas de pena e riso.

 Por volta do final do século XVII, a perseguição aos bruxos foi diminuindo gradativamente, estando virtualmente extinta no século XVIII. A Bruxaria parecia, finalmente, ter morrido. Mas os grupos de bruxos ("covens") resistiam, escondidos nas sombras. Algo que surgiu nos primórdios da humanidade não morreria assim tão facilmente, como hoje podemos constatar.  

Agradecimentos a Daniel Pelliezari

 

XXXXXX

Hosted by www.Geocities.ws

1